“Se eu fosse presidente da República, faria tudo pelo apoio de Caiado em Goiás”, diz Lívio Luciano

Comandante metropolitano do Democratas diz que aliança com o MDB trará mais benefícios à população do que aos partidos

Presidente do DEM em Goiânia, ex-deputado Lívio Luciano, em entrevista ao jornalista Elder Dias: “É preciso refazer o pacto federativo” | Foto: Reprodução

O ex-deputado estadual Lívio Luciano (DEM) é hoje um dos mais fortes nomes do governo de Ronaldo Caiado. Presidente metropolitano da sigla, ele abordou vários tópicos em um bate-papo remoto (via Zoom) com a reportagem do Jornal Opção.

MDB com DEM, uma velha “novidade”

Em 2014, nosso governador Caiado foi eleito senador com apoio de todo o MDB, em uma coligação como essa que agora deve se repetir, entre DEM e MDB. Mas muito antes disso, em 2004, quando Iris Rezende se candidatou a prefeito de Goiânia e enfrentou Pedro Wilson (PT), que buscava a reeleição, no primeiro turno o PFL – que depois se tornaria o Democratas – teve sua candidata, a então deputada Rachel Azeredo. Por uma diferença pequena, Iris não venceu ainda no primeiro turno. Já para o duelo final, Iris teve, o tempo todo, o apoio do então deputado Ronaldo Caiado, algo que, na época, foi uma surpresa. Caiado dizia, em bom e alto som, que naquele momento Iris era a melhor opção para Goiânia. Agora, chegamos a uma condição que, particularmente, não acho nada estranho a aliança que deverá ocorrer. O reparo que eu faço é apenas que deveríamos já ter feito isso em 2018, com o MDB apoiando Caiado, justamente pela afinidade já criada em 2014. Agora tudo isso são águas passadas e agora o caminho que o MDB toma vejo como muito bom, não para o político A, B ou C, mas para o Estado de Goiás. Ninguém nega importância histórica do MDB para o Brasil e para Goiás, mas também ninguém pode negar a liderança e a importância de Caiado para nosso Estado. É uma junção de duas forças extremamente importantes e que vão fazer com que o eleitor goiano tenha uma opção mais empolgante, com a certeza de ter dois partidos grandes coligados para o bem da população.

Como fica a base aliada

Se não tivesse 2014, especialmente, alguém poderia até entender, com alguma base que o MDB estaria “chegando e sentando na janela” da base governista. Não vejo assim. O que vejo, por parte do governador, é um gesto de humildade, de saber que precisa agregar para fortalecer seu projeto de lutar por Goiás. Nada mais importante do que trazer um partido com a capilaridade que tem o MDB no Estado, com os líderes que tem, com um Iris Rezende, que, muito embora agora aposentado, ainda continua como a grande referência do partido e que tem uma grande afinidade com Caiado. Evidentemente, teriam outras forças políticas que seria importante também trazer. Vejo o governador trabalhando para fazer isso também. O importante é ter governabilidade para avançar o projeto, todos imbuídos do mesmo propósito. Isso transmite à população muito mais segurança. Há um reconhecimento, por parte do cidadão, de que a classe política está fazendo alguma coisa por ele. É importante que haja a oposição, mas não menos importante é haver governos fortes.

 

Aliados descontentes

O governador é um grande articulador. Evidentemente, não queremos perder as forças políticas que já estão conosco. Nosso trabalho é esse, o tempo todo, cuidando aqui para não perder aliados e mexendo ali para ganhar novos companheiros. E assim é a democracia, é assim que tem de ser. Governos fracos não interessam à população. Governo com musculatura torna-se governo realizador, para atender mais facilmente às demandas e às aspirações da população. Não tenha dúvida de que não só o trabalho de busca, mas também esse trabalho de manutenção está sendo feito.

Gustavo Mendanha e a oposição

É preciso analisar o contexto em que Gustavo Mendanha resolve ser pré-candidato: é o momento em que há um governo com uma aprovação elevada, o qual é visto pela população como aquele que fez do limão uma limonada, um governador que pegou as contas arrebentadas do anterior, devendo R$ 7 bilhões para servidores e fornecedores – o equivalente a três receitas mensais, o que seria o mesmo que uma família ficar três meses sem poder fazer nada com seu dinheiro além de pagar cobrador na porta. Isso sem falar na dívida consolidada de mais de R$ 20 bilhões, que consumia até 13% da receita mensal do Estado para pagar o serviço da dívida.

Pois esse governador dá a volta por cima em todas as áreas, consegue começar a realizar ações, reduzindo as estatísticas da violência, expandindo UTIs públicas para todo o Estado, investindo mais de R$ 1,7 bilhão na educação, a primeira-dama [Gracinha Caiado] fazendo um trabalho espetacular com as políticas sociais… enfim, há toda essa revolução.

A oposição, nesse contexto, fica sem alternativas, desfalecida. Acontece, então, que aquele que, porventura, bater a mão no peito e falar “quero ser candidato!” vai ter seus minutos, semanas ou até meses de fama, por se posicionar quase como única andorinha – embora a gente saiba que esse projeto tem por trás ex-governadores. Mas a democracia é isso, tem de ter espaço para o contraditório. Só não vejo como esse discurso pegar, porque está cristalizando, na população, que o governador pegou a gestão em uma situação difícil e age com seriedade para cuidar das pessoas. Isso faz com que a oposição se resuma a poucas pessoas que tentam fazer algum tipo de barulho.

Marca do governo Caiado

É uma pergunta constante: qual é a marca do governo? Entendo que um governo precisa agir nos mais diversos flancos, porque as demandas vêm de todas as áreas. Todos os investimentos que estão sendo feitos em área social, saúde, educação, segurança pública, infraestrutura etc., constituem marcas do governo. Só que tem uma coisa que sempre fica muito clara nas pesquisas: a seriedade do governador. Num momento em que Goiás atravessava uma crise de autoestima, por conta dos antigos governantes, toda aquela vergonha que acabamos passando com as situações em que eles nos colocaram, vejo que o cidadão agora destaca muito o espírito público e a condução séria dos gastos públicos. Fazer a coisa certa, no momento certo, da forma correta. Faltava isso em Goiás e é isso que Caiado está implementando. Com o passar do tempo, a marca vai sendo estabelecida pelo próprio povo.

Assista à integra da entrevista em vídeo:

Aprovação do RRF

A demora na aprovação do RRF [Regime de Recuperação Fiscal, aprovado pela Lei Complementar 159/2017, para socorrer Estados com grave desequilíbrio financeiro] ocorre por conta da necessidade de flexibilizar a legislação federal para atender um número maior de Estados. Nós, em Goiás, precisávamos de cumprir a exigência de privatização de todas as empresas públicas. Com a troca dessa exigência para uma venda de ações com o Estado continuando como majoritário, isso foi resolvido para que atendêssemos aos critérios. O protocolo ficou muito alongado, é verdade. Mas estamos preparando um plano de recuperação para apresentar ao Tesouro Nacional e, depois, conseguirmos a nossa adesão até o fim do ano. Mas, sem dúvida, foi uma novela que já está indo para três anos.

Brasília x Estados

Ninguém mora na União. As pessoas moram nos Estados e nos municípios. É preciso mais do que nunca fazer um novo pacto federativo neste País, fazer valer o slogan “menos Brasília, mais Brasil”, com uma mudança profunda. Não dá para pedir para Estados e municípios reduzirem impostos e abrirem mão de receitas, sendo que todos nós sabemos que as receitas são concentradas na União. Governadores e prefeitos precisam ir, de pires na mão, pedir ajuda para presidente e seus ministros todo dia. Como abrir mão de receitas aqui? É utópico, inexequível, não existe isso. A verdade é que a área econômica do governo federal não está tão preocupada com a vida dos Estados e dos municípios, isso é fato. A política econômica atual não favorece o “menos Brasília, mais Brasil”, na prática a gente não vê isso acontecer.

Combustível caro em Goiás

As alíquotas dos impostos são estabelecidas pelo Senado Federal. A alíquota dos combustíveis – etanol e gasolina – é de 30%. O ICMS é um imposto não cumulativo, abatendo-se nas operações seguintes o imposto pago nas operações anteriores, e a base de cálculo é sempre o valor real da operação. Portanto, se o preço da gasolina é “x”, como foi feita a composição dele para aplicar a alíquota do ICMS? Ora, o valor final do combustível é muito em função do que a Petrobrás estabelece de preço, porque os tributos federais sobre o combustível não são tão elevados como o ICMS – e lembremos que isso não foi estabelecido por um governo ou outro, mas pelo Senado.

Então, se o preço está elevado, é porque sua composição já está elevada também. Ou seja, quando se aplicam os 30%, isso recai sobre o valor total. E esses 30% são “sagrados”, têm de ser aplicados porque é uma alíquota definida por lei. O que não é “sagrado” é o valor sobre o qual vão ser aplicados esses 30%. É aí nesse valor que a Petrobrás está envolvida. E a Petrobrás é uma empresa federal. Essa questão de delegar a responsabilidade pelo valor já foi tecnicamente esclarecido para a população na carta assinada pelos governadores sobre esse tema. O problema é que cria a dúvida na cabeça das pessoas, no inconsciente delas, de que o presidente está certo e os governadores estão errados. Essa tergiversação não leva a nada, os entes públicos devem trabalhar harmonicamente.

Polêmicas de Bolsonaro

Caiado conhece muito bem o perfil do presidente, foram colegas durante mais de 20 anos e sempre militando na mesma trincheira contra o PT, entre outras batalhas. Esse jogo de narrativas tem um propósito: quando alguém quer produzir tumulto e polêmicas em torno de alguma situação, é porque esse alguém está sem razão e quer transferir culpas. Então, este é o x da questão: quando se observa o presidente da República nas pesquisas em situação difícil para seu projeto de reeleição, é preciso refletir sobre até que ponto esse tipo de comportamento, de gerar polêmica por polêmica o tempo todo, é interpretado de forma positiva pela população. Veja bem, a polêmica, na política, é muito válida, desde que ela seja sempre bem embasada, para não cair em descrédito. Então, me preocupa muito certas polêmicas que vêm de Brasília, principalmente quando afrontam os governadores, que, como Caiado, têm responsabilidades ao gerir seus Estados.

Fusão DEM–PSL

O governador Ronaldo Caiado, como presidente do DEM em Goiás e linha de frente da Executiva nacional, já se posicionou a favor da fusão. Na verdade, os 41 membros da Executiva votaram favoráveis à fusão. Do mesmo modo, do lado do PSL houve uma esmagadora maioria votando assim. São partidos com matizes ideológicos parecidos, os presidentes nacionais – ACM Neto, do DEM, e Luciano Bivar, do PSL – são próximos, do Nordeste. Caso confirmada a fusão, seria Luciano Bivar o presidente do novo partido, com ACM Neto como vice. Nos Estados em que tenha governador, ele vai tomar a frente da nova sigla. Na verdade, poucas vezes no Brasil tivemos um partido com um fundo eleitoral e um tempo de rádio e TV mais de 50% maior do que o do segundo da lista – no caso, o PT. Ou seja, a sigla a ser criada terá um tempo de propaganda eleitoral fantástico e um fundo eleitoral muito alto também. Isso faz com que o partido tenha um assento de protagonista na mesa de negociações de uma eleição presidencial. Em nível estadual, aqui em Goiás vai passar a ser muito atrativo para candidatos em geral e até para mandatários, porque com certeza atingiremos com facilidade o quociente eleitoral e elegeremos um bom número de representantes.

Bolsonaro na nova sigla?

Não tenho a informação de que o presidente esteja com esse desejo. Mas tudo é questão de conversar. É preciso ver o humor da nova cúpula que surgirá, em relação ao governo federal. Luciano Bivar teve dificuldades com o presidente e vice-versa e, provavelmente, ele será o presidente da sigla que vai surgir da fusão. De qualquer forma, tudo que é debatido e aprovado, está tudo certo. São tratativas que não sei se estão feitas. De minha parte, sinceramente acho difícil isso acontecer.

Redução do número de partidos

Hoje tem partidos demais. A pretexto de “democracia”, criam-se partidos com muita facilidade no País. Já foi mais fácil, inclusive, mas temos mais de 35 siglas registradas no TSE [Tribunal Superior Eleitoral]. Eu acho que é um abuso. Da mesma forma, pouquíssimos partidos não seria bom para o regime democrático. De 10 a 12 partidos, penso que seria um bom número. Creio que a tendência, com a nova legislação, sem coligações proporcionais, é de diminuir esse número.

Aliança Caiado-Bolsonaro para 2022

O quadro ainda está muito indefinido. Vejo o governador em uma situação muito boa para sua reeleição e ainda há muitos frutos a serem colhidos. Acho que qualquer candidato a presidente da República gostaria de ter o apoio de Ronaldo Caiado em Goiás. A eleição, historicamente, tem sido muito local. Não há um grande atrelamento, em nível estadual, entre a campanha de governador e a de presidente, talvez em partidos de esquerda. O que posso dizer é que, se fosse eu o candidato a presidente, faria tudo para ter o apoio de Caiado em Goiás.

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