Recuo de Vanderlan transforma candidatura de Iris na peça-chave em Goiânia

Com saída do senador do PSD da disputa pelo cargo de prefeito na capital, nome do emedebista se torna o principal fiel da balança na corrida pelo Paço Municipal

Enquanto Vanderlan Cardoso (PSD) desiste de concorrer e afirma apoio a Francisco Júnior (PSD), atenções se voltam novamente para a cada vez mais possível candidatura de Iris Rezende (MDB) | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Desde seu início, 2020 tem sido o ano mais atípico da história moderna. Uma pandemia que já matou mais de 550 mil pessoas no mundo todo – mais de 70 mil delas no Brasil, tem feito com que indivíduos de todas as idades, etnias e classes sociais revejam e adaptem suas rotinas e tradições e na política não é diferente. Em ano de eleição, o país tem feito o possível e o inesperado, modificando normas e alterando prazos para que o processo democrático ocorra conforme o previsto.

Em Goiânia, além do fator pandêmico, existe ainda a questão das indefinições e mudanças no campo político que fazem com que os pré-candidatos que tentarão a cadeira do Executivo municipal estejam atentos o tempo todo às suas estratégias e movimentações. São mais de 20 pré-candidatos confirmados até agora, mas enquanto as convenções partidárias – previstas para ocorrer do final de agosto até meados de setembro – não chegam, as alterações no cenário político continuam acontecendo.

Entre os acontecimentos que mais prometem mexer no tabuleiro eleitoral estão a retirada do nome do senador Vanderlan Cardoso (PSD) do páreo e a iminente possibilidade do atual prefeito Iris Rezende (MDB) de confirmar a tentativa de se reeleger.

Desde o final do ano passado, Cardoso afirmava categoricamente que não tinha intenções de concorrer ao cargo de prefeito de Goiânia. O senador chegou a dizer, em novembro, que “teve um voto de confiança dos eleitores de Goiás” e que era uma missão honrada a ser defendida no Senado Federal. Mas os planos do parlamentar tomaram outros rumos e já em fevereiro de 2020, em negociações com o PSD que se concretizaram em março, confirmou: era pré-candidato.

Entretanto, menos de três meses depois, Cardoso recuou e o PSD retomou o plano original de lançar o nome do deputado Federal Francisco Júnior na corrida pela Prefeitura de Goiânia após um acordo entre os dois políticos. Segundo o senador, além de Francisco Júnior contar com a força de seu apoio, ele tem o que é preciso para construir uma campanha com boas chances. “Sabemos que meu nome já tem aí um reconhecimento no Estado de Goiás e estou ao lado do Francisco, mas só isso não basta. O bom resultado depende do próprio candidato, de seu histórico, e o Francisco conseguiu isso”, avaliou.

“Ninguém ficou insatisfeito no PSD”, diz Francisco Júnior | Foto: PSD na Câmara

Ao Jornal Opção, Francisco contou que a decisão em torno de sua pré-candidatura foi um consenso dentro do partido. “A gente tinha dois caminhos: fazer uma disputar interna para ver quem ganharia, ou um acordo. E optamos pelo acordo para construir uma candidatura fortalecendo o partido. Essa decisão, minha pré-candidatura, foi uma decisão comum. Não há insatisfeitos no partido”, completou o deputado.

Para ele, existem “duas figuras que destoam [no cenário político], que são o Vanderlan e o Iris” e vê no apoio do senador ao seu nome um diferencial nas eleições municipais que se aproximam. “Eu acho que a presença do Vanderlan na campanha apoiando o projeto do PSD e me apoiando acaba nos dando um algo a mais. Mas eu acredito que nós temos um excelente projeto para a cidade e será um grande diferencial que vamos apresentar no momento oportuno”, disse.

Já o prefeito Iris ainda nega que tenha intenções de se candidatar à reeleição, mas a postura parece não convencer nem mesmo os aliados próximos.

“Na minha visão, Iris será candidato”, diz líder do prefeito na Câmara

O vereador Welington Peixoto (DEM), liderança do prefeito Iris Rezende na Câmara, parece não ter dúvidas de que o mandatário se lançará mais uma vez numa eleição. Segundo ele, há um clamor da população para que Iris se candidate. “Goiânia precisa que ele seja candidato para que seja dada continuidade nas obras, no desenvolvimento que o prefeito Iris, após organizar as contas, conseguiu implementar na cidade”, afirmou.

Peixoto enfatizou que Ronaldo Caiado e seu partido, o DEM, estão firmados com Iris mas ressalvou: o apoio não se estende ao partido do prefeito. “O governador deixou bem claro quando fui me filiar ao DEM que o candidato dele, o compromisso que ele tem é com o prefeito Iris Rezende, não é com o MDB. Se o MDB lançar outro nome, não tem o apoio do DEM e do governador”, disse o vereador.

Welington Peixoto, líder de Iris na Câmara | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Iris e Caiado têm mostrando grande alinhamento na lida com a pandemia, deixando explícita uma aproximação dos dois que acaba respingando na questão eleitoral. Na quarta-feira, 8, o emedebista e o democrata se reuniram para juntos elaborarem um decreto que visa estabelecer a flexibilização do comércio em Goiânia. Ao final da reunião, Caiado gravou um vídeo dizendo que o protocolo está sendo escrito para a capital com a participação do prefeito Iris Rezende, da sua equipe, da equipe do governo estadual, para reabrir e, ao mesmo tempo, “continuar com a responsabilidade” de diminuir a contaminação pelo coronavírus.

Porém, Peixoto acredita que a prioridade do prefeito no atual momento não deve ser a política, mas sim o cenário preocupante de pandemia. “O governador deixou isso bem claro, o apoio ao Iris, mas não é momento de ele dizer que quer ser candidato, é o momento de ele concentrar no combate à pandemia, reabertura do comércio, como ele está fazendo. Acho que quando tudo acalmar, ele vai fazer política”, completou.

Para o secretário municipal de Administração, Agenor Mariano, uma possível decisão de Iris de ser candidato poderá ser fruto da pressão do grupo político do octogenário. Ainda segundo Mariano, todos os cenários políticos estão sendo construídos em cima da expectativa da candidatura do atual prefeito.

“Acaba que os membros partidos vão, se o prefeito disser que não é candidato, tentar convencê-lo, tentar removê-lo da ideia para que ele possa sim ser candidato, porque aí ultrapassa a decisão dele. Mas mesmo que todos queiram que ele seja candidato, ele pode chegar lá no final e continuar com o princípio dele de não ser”, pontua.

Para Agenor Mariano, cenários estão sendo divididos entre com ou sem Iris | Foto: Reprodução

De acordo com o secretário, a expectativa do lançamento do emedebista acaba fazendo com que outros nomes fiquem receosos quanto às próprias candidaturas. Para Mariano, “os estrategistas políticos só têm montado dois cenários: um com Iris e um sem ele”. “Mas a bem da verdade, de certa forma, não de forma voluntária, essa situação deixa a todos na expectativa, esperando a decisão do prefeito. Tem gente, por exemplo que está falando que não é candidato, porque imagina que o Iris vai ser”, conclui.

Numa conversa com o Jornal Opção em maio deste ano, outro grande nome do MDB, o ex-governador de Goiás e ex-prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela, foi evasivo ao comentar uma suposta candidatura própria, mas foi categórico. “O candidato é o Iris. Ele é que vai decidir se vai ser candidato ou não”.

Questionado se colocaria seu nome na disputa caso Iris retirasse o dele, Maguito preferiu não se manifestar. “Enquanto o Iris não decidir, prefiro não falar nada. Deixa ele, naturalmente [decidir se vai concorrer]. Se eu disser algo agora, vai dar a entender muitas coisas, então é o Iris que deve decidir”, disse, à época.

Saída de Vanderlan deixa corrida eleitoral mais equilibrada, diz Virmondes Cruvinel

Com nomes já consolidados do Executivo fora da disputa eleitoral, os outros pré-candidatos podem ganhar fôlego – pelo menos é o que acreditam alguns deles. O deputado estadual e pré-candidato à Prefeitura de Goiânia pelo Cidadania, Virmondes Cruvinel, destaca que está focado no projeto a ser oferecido para a capital em sua candidatura, mas que viu com bons olhos a retirada do nome de Vanderlan do páreo. Para ele, o Cidadania não está preocupado com quem concorrerá às eleições, mas a saída de Cardoso deixa a participação de outros nomes “mais interessante”.

“Não estamos preocupados se fulano ou beltrano vai disputar ou não a prefeitura. Acreditamos que o mais importante é pensar os problemas da cidade, que são muitos, e trabalhar soluções para eles. E estamos fazendo isso, discutindo amplamente com a sociedade […]. Mas compreendemos que fica mais interessante essa participação porque o nome do Vanderlan Cardoso tem um recall das outras eleições como candidato a governador. Isso garante um equilíbrio maior na disputa, e nós estamos nos preparando pra isso”, disse o deputado.

Virmondes Cruvinel, pré-candidato pelo Cidadania / Foto: Alego

Cruvinel também deixa claro que está acompanhando os desdobramentos envolvendo a suposta candidatura de Iris, mas afirmou estar feliz “com a possibilidade de uma disputa mais equilibrada”. “Acreditamos também que o eleitor em Goiânia quer mudar urgentemente o que teve até agora em termos de gestão. Viu que esse modelo já deu o que tinha de dar. Por isso, entendemos a relutância de nomes batidos, sempre os mesmos, em entrar nesta disputa”, finaliza.

A vereadora Dra. Cristina Lopes, pré-candidata à Prefeitura de Goiânia pelo PL, não vê com surpresa a saída de Vanderlan Cardoso da disputa e afirma: o jogo segue. “O senador está com um mandato longo ainda e fazendo um trabalho forte no Senado. E isso [a retirada de seu nome] para nós do meio político já era muito esperado. Eu acho que segue o jogo político. O Iris é só com a convenção do MDB pra alguém saber da posição dele, inclusive o próprio MDB”, pontua.

Para a pré-candidata, esta é uma campanha atípica, o que exige trabalho com uma nova realidade, e chama atenção para seu próprio projeto. “O que a gente vem fazendo muito é conversar, tentar construir um projeto coletivo, aproximar pessoas que querem uma Goiânia mais moderna, olhando para o futuro que as pessoas precisam. Alianças mesmo é só depois das convenções”, arremata.

Para Talles Barreto, gestão Irista deixou a desejar

Nome escolhido para representar o PSDB nas eleições municipais, o deputado estadual Talles Barreto não tem dúvidas de que Iris Rezende será candidato à reeleição e também não se surpreende com a desistência do senador Vanderlan Cardoso. Entretanto, o líder da oposição ao prefeito vê grandes falhas na atual gestão e acredita que a capital está em necessidade de um novo projeto.

“Não tem indefinição, o Vanderlan nunca foi candidato. O candidato sempre foi o Francisco Júnior. E também não tem indefinição no MDB, o candidato é o Iris. Agora, eu acho que o prefeito deixou muito a desejar nesse mandato. Ele abandonou a área social, a saúde, os cais abandonados. Goiânia hoje é a única cidade acima de um milhão de reais que não tem um hospital municipal. Transporte público também está uma vergonha, e a responsabilidade desse transporte, que desrespeita os usuários, é exclusivamente da administração municipal”, diz.

Barreto defende que seu nome representa a inovação dentro do PSDB e promete fazer uma campanha forte nestas eleições. “Eu estou vindo forte para o processo eleitoral, preparado. Estou no terceiro mandato como deputado, sou líder do meu partido, da oposição, e o que pretendo é consertar Goiânia”, completa.

Outro forte nome da oposição é o da deputada estadual petista Delegada Adriana Accorsi, que também estará na disputa à cadeira do Paço Municipal. Adriana foi oficializada em junho, após reunião do diretório regional, como a pré-candidata do Partido dos Trabalhadores. A parlamentar tentará pela segunda vez chegar ao Paço, depois do quinto lugar em 2016.

Ela conta que está indiferente a quem estará na corrida eleitoral e que seu foco tem sido o diálogo com setores da sociedade. “Mesmo com a pandemia, nós estamos conseguindo fazer esse diálogo com a sociedade com bastante transparência e democracia e estamos bastante adiantados nesse sentido, porque nós temos a intenção também de uma gestão bastante democrática”, conta.

Assim como Barreto, Adriana também é crítica a diversos pontos da atual gestão municipal e chama atenção para alguns deles. “Nós vemos uma grande necessidade de serviços públicos de qualidade. O transporte público, por exemplo, a gente vê que a pandemia mostrou que está péssimo, é horrível, é um desrespeito ao ser humano. Precisamos mudar isso imediatamente”, avalia.

Uma resposta para “Recuo de Vanderlan transforma candidatura de Iris na peça-chave em Goiânia”

  1. José disse:

    Pelo que li, o único candidato de OPOSIÇÃO ao Iris é Talles Barreto. Os demais só querem marcar posição.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.