“Queremos para Goiás o que Eduardo Campos queria para o Brasil”

Vanderlan Cardoso afirma que pesquisas que indicam sua perda de competitividade na corrida pelo Palácio das Esmeraldas não retratam a verdade das ruas

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Vanderlan Cardoso discursa em “curriata” na Av. Consolação: “Estamos animados”


Cezar santos

Ânimo inquebrantável. É o que se pode dizer da disposição do candidato ao governo Vanderlan Cardoso, da coligação Participação Popular (PSB, PSC e PRP). O ex-prefeito de Senador Canedo se mostra, como sempre, obstinado e parece tirar força até mesmo de um revés duríssimo como a morte do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, que era o candidato do partido à Presidência de República, que poderia dar um alento à campanha do socialista em Goiás.

“A tragédia da morte de Eduardo Campos nos abalou muito e suspendemos a campanha pro quase uma semana, mas retomamos, afinal, a vida continua. Vamos continuar, tocar o barco à frente. Era o que o Eduardo queria, a proposta dele para o País era um projeto ousado, pra frente, de transformação e melhoras. Nosso projeto para Goiás é esse também”, diz Vanderlan.

O ex-prefeito confessa que seu emocional foi muito abalado, uma vez que tinha ligação com Eduardo além da política. “Ele era um amigo, havia um companheirismo que ele sempre nos demonstrou. Mas estamos retomando. Aprendi muito com Eduardo, foram anos de convivência tanto na parte administrativa, quanto na parte política. Vamos continuar agora com mais otimismo, mais trabalho, até para realizar o sonho dele para o Brasil e Goiás faz parte.”

O socialista diz que a campanha entra numa fase diferente e agora, com o horário eleitoral gratuito, sua coligação tem mais uma oportunidade de levar seus projetos ao eleitor. “O nosso tempo é curto, mas é suficiente para darmos conhecimento daquilo que queremos em Goiás. Estamos certos de que os goianos vão entender as nossas propostas, projetadas desde a fase pré-campanha.”

Ao indicar que o horário eleitoral é valioso demais para ser desperdiçado, ele diz que seu foco será a apresentação de propostas, já que o Plano de Metas da coligação foi trabalhado durante 18 meses e o pouco tempo de TV será utilizado para mostrá-lo ao eleitor. “Não vamos entrar em picuinhas, em brigas. Vamos mostrar nossas propostas para Goiás.”

Pesquisas

Vanderlan Cardoso não vê maiores problema no fato de recentes pesquisas mostrarem queda nos seus índices de intenção de voto, quando ele esperava que houvesse um crescimento com o desenrolar da campanha. “Respeito as pesquisas, cada uma tem sua metodologia, mas a realidade não é o que as pesquisas mostram. É só sair na rua que se vê.”

Nesse sentido, o candidato lembra que a coligação já conseguiu, via Justiça Eleitoral, cancelar várias pesquisas com dados que lhe prejudicam. “Uma delas trazia meu nome como Vanderlei. Em alguns municípios na cartela da pesquisa não consta meu nome e quando se pergunta ao entrevistador ele diz que eu não sou candidato. Na semana passada cancelamos três ou quatro pesquisas em municípios por causa de coisas assim.”

Em que pese isso, Vanderlan Cardoso afirma que não vai brigar com pesquisas. “Já sabemos o que vai vir delas nesse esquema, uma vem de um jeito, a outra vem e confirma. E eu não tenho condição de fazer o que estão fazendo. Eu trabalho com a verdade. Quem mente rouba.”

Questionado se mesmo pesquisas de institutos sérios, com tradição no mercado, não são dignas de confiança, o socialista continua colocando a credibilidade delas em xeque. “Olha, pesquisa encomendada pelo PMDB com institutos tradicionais dão o candidato dele na frente; nas de outros institutos ligados ao governo, o governador está na frente, com 20 pontos. Como acreditar nesse tipo de coisa? É difícil, mas eu não me preocupo com isso.”

O candidato do PSB lembra a eleição de 2010, quando ele também concorreu ao governo e diz ter sofrido muito com pesquisa. “Próximo às eleições, o instituto que me deu mais foi 8,3%. Quando contaram os votos eu tive quase 20%. Então, tenho todos os motivos para duvidar desses institutos de pesquisa, mas vamos ver se eles vão levar isso até mais em frente.”

Segundo Vanderlan, as pesquisas estão virando motivo de piada. “E a melhor pesquisa é sempre sair na rua e ouvir as pessoas. Fiz agora uma ‘curriata’ [o neologismo pretende significar uma carreata com poucos veículos, com a realização simultânea de comício] de uns 15 km na região da Avenida Consolação. O Elias Vaz [vereador em Goiânia e candidato a deputado estadual pela coligação] ficou surpreso. Foi a primeira participação dele, que ficou impressionado com a receptividade. Isso as pesquisas não mostram, né?”

Vanderlan assegura que tem sido maravilhosa a receptividade da população ao trabalho da coligação Participação Popular. “Estou feliz, está ido muito bem a nossa campanha.”

Como os números das pesquisas dão uma frente considerável ao tucano Marconi Perillo, com Iris Rezende em segundo lugar, Vanderlan Cardoso nega o que seria uma estratégia política mais lógica em focar o peemedebista como o adversário a ser batido na campanha. Dessa forma, ele, Vanderlan, seria o concorrente de Marconi num eventual segundo turno.

Segundo o ex-prefeito, todos são seus adversários. “Não menosprezo ninguém. Respeito todos os candidatos. Estou fazendo meu trabalho, não estou trabalhando para ir ao segundo turno, e sim para ganhar no primeiro. É difícil? Sim, é difícil, mas não é impossível.”

Para exemplificar, o candidato socialista cita o exemplo de Marina Silva, numa comparação aparentemente sem conexão. “Veja que o governo federal não queria que Marina Silva fosse candidata, não a deixou registrar o partido [Rede Solidariedade] e ela veio como vice do Eduardo Campos. Aí acontece a tragédia com Eduardo e a Marina vai ser candidata à
Presidência, com mais tempo de TV e com mais partidos na coligação.”

Professor Alcides Ribeiro Filho, vice de Vanderlan: agenda cheia

Professor Alcides Ribeiro Filho, vice de Vanderlan: agenda cheia

Meu vice vai para um lado, eu vou para outro, diz Vanderlan

O candidato do PSB ao governo estadual, Vanderlan Cardoso, exclamou com surpresa ao ser questionado se o candidato a vice, Alcides Ribeiro Filho (PSC), teria se afastado da campanha, conforme se especulou nos bastidores da política nos últimos dias. Os boatos davam conta de que surgiram vetos de setores evangélicos à presença do vice ao lado de Vanderlan, por conta de um dossiê que teria circulado, mostrando atividades pessoais do candidato a vice, que contrariaram alguns religiosos ligados ao ex-prefeito de Senador Canedo.

“Como assim? Nossa! É só olhar a agenda dele, que tem compromissos de manhã à noite. Um jornal até publicou que o professor Alcides é um dos vices mais atuantes. No WhatsApp [aplicativo Mes­senger de mensagens multiplataforma que permite trocar mensagens pelo celular] está a agenda dele todos os dias, intensa”, diz Vanderlan.

Segundo o candidato, seu vice vai para um lado, ele vai para outro. Ele afirma que não adianta os dois ficarem juntos, pois é preciso duplicar a campanha, que tem poucos partidos coligados. “O professor Alcides cuida de Aparecida de Goiânia e várias outras cidades. Ontem (terça-feira, 19) mesmo ele me ligou quase meia-noite, estava vindo de temos Ipameri, Cristalina e região. O Professor Alcides é um braço direito nosso, grande companheiro.”

Sobre suspeitas de que sua coligação tenha fraudado as redes sociais, com compra de seguidores e curtidas partindo de sites no exterior, Vanderlan se mostra surpreso com a pergunta. “Não sei nada disso, estou sabendo agora por você.” Perguntado se não leu reportagem no Jornal Opção que trata do assunto, o candidato confessa que não. “Estou evitando um pouco de ler (o Jornal Opção), tem coisas que, francamente… Não li. Estou ocupado, trabalhando na minha campanha.”

Na reportagem do Jornal Opção, o assessor jurídico de Vanderlan, advogado Colemar José de Moura, considerou “baixarias” as suspeitas de fraude nas redes sociais do candidato. 

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