Quem são os sete favoritos à presidência da Câmara de Goiânia

Com fim do segundo turno da eleição de prefeito na capital, negociações para eleger o vereador que comandará o Legislativo na capital são iniciadas

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Sete vereadores eleitos e reeleitos aparecem como candidatos à­ presidência da Câmara Municipal de Goiânia | Foto: Divulgação

Augusto Diniz

O segundo turno das eleições municipais mal a­ca­bou e a troca de cadeiras na política goianiense voltou à pauta do Legislativo. Em janeiro tomam posse os 35 vereadores eleitos em Goiânia, com uma formação de legislatura que traz 13 parlamentares reeleitos e 22 que não estão na Casa. Dos nomes que formarão a Câmara Municipal a partir de 1º de janeiro, sete já aparecem co­mo possíveis candidatos: Andrey Azeredo (PMDB), Cristina Lopes (PSDB), Anselmo Pereira (PSDB), Welington Peixoto (PMDB), Clécio Alves (PMDB), Paulinho Graus (PDT) e Rogério Cruz (PRB). Al­guns com mais força e articulações já i­niciadas. Outros começam a tratar do assunto apenas na intenção de um dia chegar ao posto de presidente da Casa.

Parte da definição de quem pode ter força nessa eleição vem da vitória do prefeito. Como o escolhido pela mai­oria da população foi Iris Re­zende (PMDB) para ocupar pelos próximos quatro anos o cargo no Executivo da capital, os nomes de sua coligação ganham força na disputa pela cadeira de presidente da Câmara Municipal.

Mas essa é uma relação que pode ser quebrada de acordo com o poder de negociação que o candidato de oposição conseguir ter. Foi o caso do atual presidente, o vereador Anselmo Pereira (PSDB), que disputou no dia 11 de dezembro de 2014 o cargo na Câmara com o colega Deivison Costa (PTdoB), mas este, momentos antes da votação, retirou seu nome e apoiou o tucano na sessão que elegeu Anselmo para comandar a casa em 2015 e 2016.

É óbvio que o perfil dos dois prefeitos, Paulo Garcia (PT) e Iris Rezende (PMDB), também influencia nessa decisão, por mais que o Executivo municipal, e até o estadual, tente negar que não exerce qualquer poder sobre as decisões dos vereadores, que buscam a manutenção da imagem – ao menos ela – de que são parlamentares com independência de atuação e posicionamento em relação aos comandos de seus partidos.

Tamanho da base aliada
Toda essas negociações para escolha e conquista de votos por cada um dos candidatos a presidente da Câmara para o biênio 2017/2018 inclui o tamanho da base que o prefeito tem na Casa. Se for considerada apenas a aliança formada pela coligação que ajudou a eleger Iris Rezende prefeito de Goiânia, no ano que vem o peemedebista terá 10 vereadores consigo, dos 35 que compõem o legislativo municipal.

Pela coligação irista das eleições deste ano, os vereadores eleitos são Jorge Kajuru (PRP), We­lington Peixoto (PMDB), Paulinho Graus (PDT), Clécio Alves (PMDB), Andrey Azeredo (PMDB), Juarez Lopes (PRTB), GCM Romário Policarpo (PTC), Mil­ton Mercez (PRP), Cabo Senna (PRP) e o Dr. Paulo Daher (DEM).

Mas precisam ser incluídos o parlamentar reeleito Paulo Maga­lhães (PSD), que apesar de ser integrante do partido do ex-candidato a prefeito e deputado estadual Francisco Jr, nunca escondeu sua identificação com Iris Re­zende, além do Pros, sigla que declarou apoio ao peemedebista no segundo turno. Do Pros aumentam a conta da base irista os eleitos Vinícius Cirqueira e Tiãozinho Porto. Sendo assim, a conta fecharia em 13 vereadores iristas já no início de 2017.

Esse número não garante maioria para Iris na Câmara, mas são sete os vereadores considerados neutros pelas coligações das quais fizeram parte nas eleições. O peemedebista precisará também negociar com outros 15 vereadores que foram eleitos pelos partidos que participaram da aliança que apoiou Vanderlan Cardoso (PSB) na disputa pela Prefeitura de Goiânia.

Escolha por novato

Aposta como novato, Andrey Azeredo diz que ainda está comemorando resultado das urnas

Aposta como novato, Andrey Azeredo diz que ainda está comemorando resultado das urnas

Tudo isso conta e muito na eleição do presidente da Câmara. Inclusive a decisão do prefeito de lançar um candidato novato para disputar o cargo. Foi o que Iris fez em 2008, quando seu secretário municipal de Planejamento, o então peemedebista Francisco Júnior, hoje no PSD, foi eleito pela primeira vez vereador de Goiânia e de primeira assumiu o posto de presidente da Casa para o biênio 2009/2010.

Nos bastidores, já se fala em uma possibilidade de essa história se repetir com outro novato: o ex-secretário municipal de Trânsito, Transporte e Mobi­lidade, o peemedebista Andrey Azeredo. Aos 43 anos, o filho da ex-deputada estadual Rachel Azeredo chega à Câmara com o que tem na manga: os seis cargos de secretário que ocupou. “Por conhecer bem a estrutura da prefeitura e as questões que envolvem a nossa cidade, os maiores problemas, pretendo primeiro cumprir aquilo que é a competência de todo vereador: fiscalizar o Executivo, a arrecadação dos nossos recursos que são pagos através dos impostos e como eles voltam em obras e serviços.”

Está muito cedo
Mesmo apontado como um nome que pode surgir como provável candidato a presidente da Câmara em Goiânia, Andrey prefere tratar o assunto como algo que ainda está muito cedo para ser discutido. O novato na Casa afirma que ainda não teve tempo de discutir nenhum assunto, já que a eleição em Goiânia acabou há sete dias, num segundo turno necessário para encerrar a disputa pela Prefeitura. Nem mesmo a possibilidade ou um convite para ocupar um cargo de secretário municipal na administração de Iris ele confirma.

“Eu não parei para refletir sobre esse assunto no momento. Eu ainda estou comemorando a vitória de Iris Rezende. Trabalhei incessantemente no segundo turno para que isso acontecesse. No momento certo a Câmara se reunirá e aquilo que for o melhor para a cidade de Goiânia será decidido”, declara.

Andrey diz que a vontade dele é ocupar o cargo de vereador e buscar o melhor para a cidade. Inclusive declara que já teve contato com a maioria dos outros novatos da Câmara. Quando fala de assuntos que o preocupam, como futuro parlamentar, o peemedebista lembra da discussão para atualizar o Plano Diretor de Goiânia, que completa 10 anos em 2017.

“Tenho um posicionamento muito claro. Eu vejo que neste momento nós temos que ter um Plano Diretor no qual conste obrigatoriamente o plano de mobilidade da nossa cidade e que o nosso desenvolvimento seja orientado pelo trânsito. Nós não podemos mais ter autorizações para novos loteamentos em regiões afastadas deixando para o poder público a responsabilidade de gerar o acesso, levar o transporte coletivo, de fazer a coleta e o tratamento do lixo, bem como a questão da iluminação e de praças públicas. Isso encarece o custo do serviço para todo cidadão, é o maior dispêndio de recurso despejado nessa área.”
Defensor da cultura do uso da bicicleta, Andrey quer que a Câmara discuta soluções para que Goiânia tenha um trânsito mais humano. “Se a gente tivesse o desenvolvimento primeiro orientado pelo transporte, nós teríamos um melhor acesso, melhor trafegabilidade e melhor qualidade de vida para todos os goianienses, consequentemente com um menor custo do poder público”, observa.

Vereadores avançam nas articulações para fortalecer seus nomes

Após o fim da eleição municipal, vereadores começam a articular eleição do próximo presidente da Câmara Municipal | Fotos: Reprodução / Câmara

Após o fim da eleição municipal, vereadores começam a articular eleição do próximo presidente da Câmara Municipal | Fotos: Reprodução / Câmara

Se um dos nomes citados entre os vereadores eleitos que devem disputar o cargo de presidente da Câmara em Goiânia é um novato como parlamentar, dois deles já tiveram o privilégio de comandar o Legislativo da ca­pital e podem ter a oportunidade de o­cupar a cadeira central da mesa diretora da Casa por mais dois anos. São eles o atual presidente, Anselmo Pe­reira (PSDB), e o antecessor Clécio Alves (PMDB).

O peemedebista foi eleito no dia 1º de janeiro de 2013 para presidir a Casa entre 2013 e 2014 como candidato da base do prefeito reeleito Paulo Garcia (PT) nas eleições municipais de 2012. Também reeleito naquela disputa eleitoral, Clécio, que hoje afirma não ter qualquer contato com o petista, viu a oposição retirar o nome do então vereador Vir­mondes Cruvinel Filho (PPS), que era do PSD, que desistiu de registrar a chapa para disputar a presidência da Câmara Municipal.

Em 2014, Virmondes conquistou uma cadeira de deputado estadual ainda pelo PSD. Naquele ano, Clécio Alves foi reeleito vereador e pode ser um dos nomes fortes de Iris na disputa pelo comando da Casa. Resta ao peemedebista decidir se continuará na Câmara da capital ou se assumirá, co­mo suplente, a vaga de deputado es­tadual no lugar de Ernesto Roller (PMDB) em 2017. O deputado foi eleito prefeito de Formosa este ano e abre espaço para que Clécio se torne membro da Assembleia Legislativa.

Apesar da tentativa do Jornal Opção de falar com o peemedebista, Clécio não atendeu às ligações feitas pela reportagem. Definido por integrantes da Câmara como de perfil centralizador e linha dura em sua gestão como presidente da Casa, caso opte continuar no Legislativo da capital, o vereador do PMDB terá de en­frentar a disputa interna no partido, que inclui os nomes de Welington Peixoto e o novato Andrey Azeredo, cotados para disputar o cargo.

Atual presidente da Câmara, An­selmo Pereira tenta se manter como um vereador de oposição que afirma defender a “parceria entre os poderes” enquanto ocupa o cargo de comando da Casa. Para o tucano, em nada o fato de o prefeito eleito ser do PMDB dificultaria uma possível candidatura para buscar a reeleição no ano que vem. “Eu ganhei a gestão na eleição passada no livre convencimento entre os vereadores. O prefeito apresentou o seu candidato (Deivison Costa), e foi muito cavalheiro após minha vitória. A Câmara tem que ser independente e autônoma”, defende o peessedebista.

De perfil considerado democrático, mas que usa o microfone aberto da presidência para puxar a orelha dos demais parlamentares, Anselmo diz que ainda não se decidiu sobre a disputa — mesmo que nos bastidores já atue para consolidar sua chance de reeleição. “Eu não estou nem pensando nisso ainda. Todo mundo tem projetos. Eu pretendo primeiro terminar a minha atual gestão como presidente da Câmara. Eu preciso primeiro de me convencer que quero ser candidato. Por outro lado, eu tenho medo dessa postura de querer se perpetuar no poder.”

Para o tucano, a Casa se aproximou mais do cidadão em sua gestão à frente do Legislativo da capital, que vai até dezembro, e mostrou sua força como poder independente. “Um dos projetos que me motivaria a ser candidato a reeleição é a construção da nova sede da Câmara, com a liberação do terreno atual, que obstacula a continuação da Leste-Oeste”, declara.

Renovação

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Cristina Lopes reconhece que derrota de Vanderlan enfraquece nomes da oposição na Câmara; Rogério Cruz diz que já iniciou conversas para se viabilizar; Elias Vaz decreta que não tem interesse nem decidiu se assume vaga na Assembleia; Welington Peixoto não nega ter interesse na presidência da Casa

Uma vereadora reeleita que se coloca disposta a buscar a presidência da Câmara é Dra. Cris­tina Lopes (PSDB). Defen­sora da renovação na cadeira de frente da Casa, a tucana afirma que o Le­gis­lativo da capital precisa ser in­dependente e que é saudável para o seu bom funcionamento que o cargo seja ocupado por outro parlamentar que não o atual presidente, que é do seu partido.

Ao contrário de Anselmo, Cristina reconhece que a derrota de Vanderlan Cardoso (PSB), que tinha o apoio do PSDB na eleição de prefeito da capital, dificulta o caminho da oposição na busca pelo comando da Câmara. Mas também afirma que como Iris não tem maioria na Casa, é uma eleição que pode ser construída no bom relacionamento com os novatos e parlamentares reeleitos, e que há um bom tempo para se trabalhar essa candidatura até janeiro.

“Acho pouco saudável a repetição de nomes na presidência. E a Câmara nunca teve uma mulher presidente.” Para Cristina, esse processo de construção deve sempre ter foco na população, na busca da realização e fiscalização de obras executadas com qualidade e com a atuação independente do Legislativo.

Considerado um dos vereadores reeleitos leais a Iris Rezende, Paulinho Graus (PDT) aparece como um forte candidato na disputa pela presidência da Casa. Assim como Clécio Alves, que se declara fiel ao prefeito eleito, Paulinho diz que ocupar a cadeira central do plenário da Câmara é um sonho de cada um dos 35 vereadores. “Estou trabalhando para isso. O prefeito precisa de um presidente que ajude o seu trabalho e facilite a realização daquilo que a cidade precisa.”

O pedetista diz que entendeu o recado das urnas, com a eleição de novos 22 vereadores. “Esta­mos sendo vigiados. A população está acompanhando e entendendo o funcionamento da democracia. O homem público uma hora tem que prestar contas à sociedade. Espero que essa evolução possa aproximar a população da Câmara”, afirma Paulinho.

Mesmo com o reconhecimento dessa cobrança feita ao Legis­la­tivo pela população, Paulinho diz que ainda é preciso conhecer mais o que é de competência de um vereador e do prefeito. “Muitas vezes as pessoas não sabem, por exemplo, que 30% do orçamento da Prefeitura o próprio prefeito pode remanejar em que áreas ele irá aplicar esses recursos, sem nem precisar consultar a Câmara.”

Para o vereador do PDT, não há dificuldade na disputa com ou­tros nomes da base irista pela presidência da Casa. “Os vereadores querem um presidente presente, um presidente que seja presidente para todos os 35 vereadores, não de um certo grupo. E a sociedade quer ver que a Câmara está cumprindo o seu trabalho”, explica.

Corrida por fora
Por fora da disputa que pode acontecer entre os principais nomes, outro vereador que compôs a aliança que ajudou a eleger Iris prefeito também demonstra interesse na presidência da Câ­mara. O reeleito Rogério Cruz (PRB) diz que iniciou um trabalho de conversas que precisa ser ampliado para se consolidar como candidato.

Ainda sem fazer muito alarde, Rogério afirma que acredita na capacidade dos vereadores novatos de fazer um bom trabalho pela cidade, com a busca pela independência da Casa e que, através dos parlamentares, a Câmara se aproxime da população. “Se eles estiverem próximos da população, a Câmara também estará”, define.

Outro que busca espaço no meio de nomes da base de Iris como Clécio Alves, Andrey Aze­redo e Pau­linho Graus é o reeleito Welington Pei­xoto (PMDB). “Nós temos 35 can­didatos. Eu tenho essa vontade de me tornar presidente, mas ainda não co­mecei a articular”, afirma Welington.
Para ele, outros nomes, como o de Clécio Alves e Anselmo Pereira, representam parlamentares fortes na disputa pela presidência da Câmara. “Esses vereadores são bons, têm experiência. Mas acho que é importante defender a renovação. E a maioria tem mostrado que quer um presidente que ainda não foi eleito para o cargo”, declara Welington.

Assim com Paulinho Graus, We­lington Peixoto defende a continuidade de projetos como a Câ­ma­ra Itinerante, que ele considera uma boa proposta de aproximação da sociedade. “É preciso mudar essa imagem ruim que a população tem dos vereadores. O IPTU pesou muito nisso.” De acordo com o peemedebista, mesmo sendo do mesmo partido do prefeito eleito, a defesa da independência da Casa deve ser buscada e não prejudicaria a prefeitura. “Hoje a base do Iris tem só 13 vereadores. Por mais que a maioria dos 35 siga o prefeito, a Câmara é um poder independente”, defende.

Outros nomes
Essa disputa, que tem até o momento sete nomes, poderia ser maior. Também chegou a ser cotado o vereador reeleito Elias Vaz (PSB). Suplente do deputado estadual Major Araújo (PRP, que foi eleito vice-prefeito, Elias ainda não decidiu se continua na Câmara ou vai para a Assembleia. “Ainda estou em dúvida. Mas só vou decidir isso no início do próximo ano.”
Mesmo fora da disputa, o pessebista defende que a Casa tenha um presidente de perfil independente e que não transforme o Le­gislativo em uma extensão do Executivo. “Eu não acho que An­selmo Pereira seja um símbolo de independência. Clécio Alves também não deu independência à Câ­mara. Em pouquíssimas vezes a gente teve isso. Na maioria das vezes os presidentes negociam os seus interesses, não os da Câmara”, critica.

Caso mais novatos, como o delegado Eduardo Prado (PV) e o médico Paulo Daher (DEM), se coloquem na disputa, e Paulo Magalhães leve a sério a vontade de se eleger presidente da Casa, a quantidade de interessados no comando da Câmara poderá subir até janeiro. l

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