A se levar em conta as pesquisas eleitorais, a candidatura do Delegado Waldir Soares perdeu competitividade.  Por que isso estaria acontecendo?

Waldir Soares é um candidato presente, mas falta de estrutura partidária atrapalha sua campanha | Foto: Fernando Leite/ Jornal Opção
Waldir Soares é um candidato presente, mas falta de estrutura partidária atrapalha sua campanha | Foto: Fernando Leite/ Jornal Opção

Afonso Lopes

Nos acordes iniciais da pré-campanha eleitoral deste ano, em Goiânia, o no­me do deputado federal Delegado Waldir Soares soava como uma sinfonia. Antes até das pesquisas abertas, levantamentos encomendados para consumo interno dos partidos políticos chegavam a registrar Waldir como líder isolado em determinadas simulações, inclusive em alguns cenários em que Iris Rezende também era avaliado.

Mas a situação mudou completamente desde então. Teria Waldir desafinado de tal forma que terminou por comprometer seu baile eleitoral? Pessoalmente, não. Waldir tem procurado fazer o que dele se pode esperar. Sempre se soube que ele teria um difícil caminho pela frente em termos de imagem. Como candidato a deputado federal, Waldir se apresentou como delegado comprometido com a segurança dos cidadãos. Foi o suficiente para fazer dele um campeoníssimo de votos no Estado. Como candidato a prefeito, ele se esforçou para migrar a imagem para gestor preocupado e atento aos anseios da população goianiense. Não conseguiu atingir essa meta completamente, mas é inegável que hoje, desse ponto de vista comparativo, ele está mais completo enquanto candidato.

São inúmeros os fatores que compõem uma candidatura competitiva para o Executivo. Para muitos, é fundamental a questão financeira. Não é. Nem todo dinheiro do mundo elege um candidato ruim, embora bons candidatos sejam derrotados por falta de recursos. Mais importante inicialmente que se estruturar financeiramente, um candidato competitivo precisa contar com vivência política e convivência partidária. Vivência suficiente para entender o jogo, e convivência necessária para o estabelecimento de vínculos internos fortes. Quanto mais abrangente essa convivência, maiores são esses vínculos — que nas campanhas se transformam no que se classifica como militância. É essa relação dentro dos partidos que faz a força coletiva de um candidato, e os recursos necessários para a campanha acabam surgindo de várias fontes.

Isso faltou a Waldir nesta campanha. Quando deixou o PSDB, seu berço partidário original, ele demonstrou na prática que, embora tivesse conquistado uma montanha de votos dentro de um grande partido e coligação — se ele fosse um qualquer, teria espertamente se lançado como candidato numa legenda pequena, que exigisse baixa votação para ser eleito —, sua convivência interna era restrita, não muito abrangente, o que fez de sua candidatura um projeto pessoal.

Waldir saiu do PSDB e se filiou ao PR. E aí começaram a surgir os problemas de estrutura. Não que o PR seja tão insignificante que não possa somar o suficiente para eleger prefeito em Goiânia. Não é essa a questão. As dificuldades nesse caso foram desencadeadas a partir desse ponto e culminaram com a montagem de uma coligação nanica diante de dois gigantes, PMDB e aliados, PSB/PSDB e demais aliados, que sustentam as candidaturas de Iris Re­zende e Vanderlan Cardoso. Na prática, Waldir ganhou a legenda PR, mas foi atirado na campanha praticamente sozinho. É fácil perceber isso diante de uma pergunta básica: alguém viu o PR na campanha dele até agora? A verdade que os fatos revelam claramente é que Francisco Júnior, que soma a dupla PSD/PTB, que também não se impõe pelo gigantismo, tem muito melhor estrutura partidária que Waldir. Fran­cisco tem a seu favor outro aspecto que soma muito, que é a apresentação de um conjunto muito bem alinhavado de propostas de governo. É absolutamente certo afirmar que ele não está trabalhando nisso sozinho. Há equipe junto com ele. É por essa razão que Francisco Júnior apresenta até aqui o melhor e mais abrangente conjunto estruturado de propostas. O problema do candidato do PSD/PTB é que, apesar dos técnicos que o acompanham, falta militância para levar seu nome adiante.

Para Waldir Soares, não falta somente militância, mas também equipe. Se ele se mantém na terceira colocação até agora nas pesquisas, isso se deve unicamente à sua fortíssima presença como candidato, e não ao que ele representa diante do PR. Poderia ser diferente se o partido não tivesse se dispersado em tantos interesses espalhados por todos os quadrantes do Estado e concentrasse as suas atenções à disputa goianiense.

Sozinho, Waldir se revela o mesmo fenômeno que arrebatou uma extraordinária votação em 2014 para deputado federal. A questão é que, agora, a disputa é para prefeito, e não mais para deputado. São eleições bem diferentes uma da outra.

Isso tudo significa que a candidatura de Waldir está definitivamente perdida? Não. Definitiva­mente, não, mas ele terá que contar com fatores inusitados, imponderáveis. O curso natural que se vê é esse que aí está, mas eleições não são vencidas na véspera e nem são derrotadas da mesma forma. Waldir precisa, então, que alguma coisa extraordinária aconteça e que beneficie sua candidatura, ampliando as suas chances e competitividade. Na previsibilidade possível dentro de uma análise da campanha goianiense deste ano, o quadro geral em relação à candidatura dele pode estar se estabilizando, mas isso somente o tempo poderá comprovar.|