Quase metade da Alego será renovada; veja quem são os 19 novos deputados estaduais
10 outubro 2026 às 21h00

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A Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) terá uma mudança significativa na composição a partir da próxima legislatura. Dos 41 deputados estaduais, 19 são novos nomes e 22 conseguiram a reeleição. A renovação chega a aproximadamente 46% da Casa.
O resultado das urnas coloca quase metade dos parlamentares diante do primeiro mandato na Assembleia e abre espaço para uma nova configuração política no Legislativo goiano. Entre os eleitos estão nomes com trajetória conhecida na política estadual, mas também candidatos que até então tinham pouca ou nenhuma projeção dentro da Alego.
A nova composição também deverá provocar uma reorganização das forças políticas dentro da Casa. Além da definição das presidências das comissões e dos cargos da Mesa Diretora, os deputados precisarão estabelecer como será a relação com o governo de Daniel Vilela (MDB).
A posição de cada parlamentar, no entanto, não necessariamente pode ser definida apenas pelo partido. Por isso, a declaração dos próprios deputados sobre a relação com o Executivo será um dos pontos centrais da nova legislatura. Entre os 19 novos parlamentares, há nomes que chegam à Assembleia com bases políticas consolidadas em determinadas regiões do Estado e outros que construíram a eleição a partir de segmentos específicos.
A reportagem do Jornal Opção ouviu 16 dos 19 novos deputados para entender quem são, de onde vêm, quais grupos políticos ajudaram a construir suas candidaturas e o que pretendem defender no Legislativo. O material foi dividido em quatro partes. Nesta primeira, confira as declarações de Carol do Amiltinho (MDB), Fabrício Rosa (PT), Paulo do Vale (PSD) e Lissauer Vieira (PL).
Vale destacar que a reportagem também tentou durante a semana falar com os deputados eleitos Romário Policarpo (Cidadania), Kátia Maria (PT) e Paulin Vai Nele (PRD), mas sem sucesso para ouvi-los. É importante ressaltar que o espaço seguirá aberto para os parlamentares.
Carol do Amiltinho (MDB)

Eleita deputada estadual por Goiás pelo MDB com 109.002 votos, Carol do Amiltinho afirma que pretende fazer um mandato voltado às demandas dos municípios, com atenção especial a Anápolis, sua principal base eleitoral. A parlamentar também confirmou que integrará a base do governador Daniel Vilela (MDB) na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego).
Psicóloga de formação, empresária e mãe de Samuel e Laura, Carol afirma que sua trajetória política foi construída ao lado do marido, o deputado estadual Amilton Filho, que morreu em um acidente automobilístico no último dia 26 de setembro.
“Minha trajetória pública foi construída ao lado do Amilton, da nossa família que iniciou todo trabalho e do nosso grupo com mais três décadas trabalhando pelas pessoas, com atuação no MDB”, afirma.
A votação obtida por Carol esteve concentrada principalmente em Anápolis. Foram 61.717 votos no município, além de resultados expressivos em outras regiões. Em Cristalina, por exemplo, a deputada eleita recebeu 10.260 votos. Ao todo, ela afirma ter sido votada em 230 municípios goianos. “Anápolis é minha principal base política, mas também recebemos uma votação expressiva nos municípios do Entorno e em diferentes regiões de Goiás”, diz. “O mandato terá essa base em Anápolis, mas o compromisso é com os municípios goianos.”
Entre as prioridades para o mandato, Carol elenca a defesa dos municípios, investimentos em áreas como educação, saúde e infraestrutura e políticas de inclusão. A deputada afirma que pretende atuar na articulação entre as demandas locais e o governo estadual.
A parlamentar também cita como prioridade a defesa de pessoas autistas, pessoas com deficiência e famílias que precisam de suporte. Segundo ela, o mandato deverá apoiar ainda instituições sociais que atuam nessas áreas. No início da legislatura, Carol pretende retomar projetos que já vinham sendo discutidos pelo grupo político de Amilton Filho em parceria com a Prefeitura de Anápolis.
Entre as iniciativas citadas estão a iluminação do Anel Viário do Distrito Agroindustrial de Anápolis (DAIA), a construção de uma creche na região e o programa Construindo Sonhos. “Quero dar andamento a projetos construídos pelo nosso grupo em parceria com a Prefeitura de Anápolis e que o Amilton acompanhava”, afirma. A deputada também pretende atuar na destinação de emendas parlamentares para os municípios e no apoio a instituições sociais.
Base de Daniel Vilela
Carol afirma que sua posição política na Alego já está definida. Ela será integrante da base do governador Daniel Vilela. A deputada destaca a relação do governador com Amilton Filho e com sua família. “Sou emedebista e vou integrar a base do governador Daniel Vilela. Ele foi parceiro do Amilton e esteve ao nosso lado durante a campanha e em um momento muito difícil para a nossa família. Essa relação política próxima continua”, afirma.
Segundo ela, a intenção é manter o diálogo com o Executivo estadual para buscar atendimento às demandas dos municípios. “Quero trabalhar em diálogo com o governador e com o Governo de Goiás, contribuindo para que as demandas dos municípios sejam atendidas e apoiando projetos importantes para o Estado.”
Sobre a disputa pela presidência da Assembleia Legislativa, Carol afirma que ainda não há uma definição. A eleição da nova Mesa Diretora deverá ser discutida posteriormente entre as lideranças. “Ainda é cedo para tratar da presidência da Assembleia. A eleição terminou há poucos dias, e nenhuma decisão foi tomada”, afirma.
“Quando chegar o momento, qualquer definição será feita em conjunto com a nossa família, grupo político, as lideranças e o governador Daniel Vilela.” Carol atribui o resultado eleitoral a uma construção coletiva que envolveu lideranças políticas de diferentes regiões de Goiás.
Em Anápolis, ela destaca o apoio do prefeito Márcio Corrêa e da presidente da Câmara Municipal, Andreia Rezende, além dos vereadores. “O peso do apoio do prefeito de Anápolis como a única candidatura estadual dele também foi essencial. Recebemos 61.717 votos na cidade”, afirma.
Segundo a deputada eleita, Andreia Rezende teve papel central na coordenação da campanha no município. Ela também cita a participação de lideranças de Cristalina, onde recebeu 10.260 votos, e de outras regiões do Estado. Carol menciona ainda o apoio do governador Daniel Vilela, de prefeitos, vereadores e lideranças municipais. Entre os candidatos a deputado federal com quem fez dobradinhas, cita Bruno Peixoto e Célio Silveira.
A deputada eleita também destaca o apoio de Gracinha Caiado e Gustavo Gayer, eleitos para o Senado, além de outras lideranças que participaram da campanha. Como a campanha alcançou 230 municípios, Carol afirma que não seria possível citar todos os grupos e lideranças que contribuíram para sua eleição. “Cada apoio teve importância nessa caminhada”, resume.
Quatro anos de mandato
Para os quatro anos na Assembleia, Carol afirma que pretende entregar um mandato baseado na atuação municipalista e no encaminhamento das demandas apresentadas pelas cidades. “Queremos entregar muito trabalho e um mandato que dê encaminhamento às demandas da população”, afirma.
Segundo ela, os 109.002 votos recebidos representam uma responsabilidade diante dos eleitores e das lideranças que participaram da campanha. A parlamentar pretende priorizar projetos e recursos para diferentes regiões do Estado, além de manter a atenção às demandas de Anápolis.
“Recebemos 109.002 votos, e temos a responsabilidade de honrar essa confiança junto com o nosso grupo e com as lideranças que caminharam ao nosso lado”, afirma. Ao final da legislatura, Carol diz esperar apresentar resultados nas áreas de educação, saúde, infraestrutura e inclusão.
Em Anápolis, a intenção é dar continuidade aos projetos que já haviam sido construídos pelo grupo político de Amilton Filho. “Nosso objetivo é manter a atuação municipalista que marcou o trabalho do Amilton e apresentar resultados para Goiás como um todo”, conclui.
Fabrício Rosa

Deputado estadual eleito pelo PT, Fabrício Rosa afirma que fará uma oposição “contundente” ao governo de Daniel Vilela e pretende priorizar, durante o mandato na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), políticas de acolhimento para grupos em situação de vulnerabilidade.
Vereador de Goiânia até a posse no Legislativo estadual, o parlamentar também promete concentrar a atuação na fiscalização do transporte metropolitano, do Ipasgo e de contratos e licitações do Estado. Fabrício afirma que não terá uma região específica como principal base política.
Segundo ele, sua atuação será guiada por pautas relacionadas aos direitos humanos, com foco em diferentes grupos sociais. “Eu sou um parlamentar ideológico e que trabalha a partir de algumas bandeiras”, afirmou ao Jornal Opção. “Então, onde essas pautas e bandeiras chegam, a gente está presente.”
Entre os temas que pretende defender estão os direitos da população LGBTQIA+, crianças e adolescentes, migrantes, indígenas, pessoas em situação de rua e população carcerária. O deputado eleito também destaca sua ligação com a área cultural, onde desenvolveu projetos e construiu parte de sua trajetória.
Fabrício Rosa tem formação em Direitos Humanos e construiu sua carreira profissional na área de segurança pública. Aos 19 anos, ingressou na Polícia Militar de Goiás. Antes disso, segundo relatou, havia sido expulso de casa por ser gay e deixou Anápolis para morar em Goiânia.
“Me mudei de Anápolis para Goiânia, ingressei na Polícia Militar, fiquei cinco anos na PM, fiz o curso de formação de oficiais, sou o 01 da minha turma”, contou. Depois, ingressou na Polícia Rodoviária Federal (PRF), instituição na qual afirma estar há 21 anos.
Na corporação, participou da criação de uma área voltada aos direitos humanos, com atuação em operações contra exploração sexual de crianças e adolescentes, trabalho escravo, trabalho infantil e tráfico de pessoas. Paralelamente à carreira policial, manteve atuação em movimentos sociais, especialmente na defesa da população LGBTQIA+.
Fabrício relata ter participado do acolhimento de pessoas vítimas de violência e da organização da Parada LGBT de Goiânia. “Eu digo que a minha luta é na proteção dos direitos humanos porque é assim que eu atuei na polícia, é assim que eu atuei como militante”, afirmou.
A formação acadêmica também está ligada ao tema. Fabrício possui mestrado e doutorado em Direitos Humanos pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Entre as primeiras medidas que pretende defender na Alego está a criação e ampliação de casas de acolhimento para pessoas em situação de vulnerabilidade.
Para o petista, Goiás ainda apresenta deficiência na estrutura destinada a atender esses grupos. “Goiás é marcado pela ausência de acolhimento”, disse. Ele cita pessoas com deficiência, idosos, migrantes e integrantes da comunidade LGBTQIA+ como alguns dos grupos que, segundo ele, enfrentam dificuldades para encontrar espaços de proteção.
O parlamentar também menciona adolescentes expulsos de casa por questões relacionadas à orientação sexual ou identidade de gênero. “Então, no geral, Goiás não possui casas de acolhimento para essas pessoas. O projeto que eu mais tenho vontade de realizar é no acolhimento de grupos que sofrem violência, que sofrem preconceito e que não têm onde morar e onde viver e onde ser felizes”, afirmou.
Oposição a Daniel Vilela
Fabrício Rosa também confirmou que pretende fazer oposição ao governo de Daniel Vilela, que continuará no comando do Estado. Ele classificou a postura que pretende adotar como uma “oposição republicana e responsável”, mas afirmou que será contundente em temas considerados estratégicos pelo PT. Segundo o deputado eleito, há discordâncias em relação a medidas adotadas ou defendidas pelas gestões de Ronaldo Caiado (PSD) e Daniel Vilela (MDB).
Entre os pontos citados estão as organizações sociais na saúde, o Ipasgo e a Saneago. “Temos compromisso com Goiás, com o desenvolvimento do Estado. Mas o Daniel Vilela é um homem de direita, que acaba de fazer um pronunciamento se aliando à extrema-direita, se aliando àquilo que há de mais autoritário e golpista na história do nosso país”, afirmou.
Fabrício disse que a bancada petista fará oposição às medidas com as quais não concorda. “Portanto, faremos uma oposição contundente”, declarou. Sobre a eleição para a presidência da Assembleia, Fabrício afirmou que ainda não há definição sobre qual candidato receberá seu apoio. Ele disse que não pretende disputar o comando da Casa, mas que participará da decisão da bancada do PT.
“Eu não pretendo ser presidente da Assembleia Legislativa, mas certamente iremos apoiar um grupo”, afirmou. O deputado eleito disse ainda que conversas começaram a ocorrer entre os parlamentares, mas que a decisão será tomada de forma coletiva pelos petistas. “Será uma decisão coletiva da bancada do Partido dos Trabalhadores”, afirmou.
“Minha base é o povo explorado”
Ao falar sobre os grupos e lideranças que contribuíram para sua eleição, Fabrício rejeita a ideia de que tenha contado com o apoio de grandes estruturas políticas ou empresariais. “Eu não fui apoiado por nenhum prefeito, por nenhum grande parlamentar, por nenhum empresário”, afirmou.
Segundo ele, sua base eleitoral foi formada principalmente por movimentos sociais e grupos historicamente vulnerabilizados. “O povo explorado, a galera do campo, a galera da reforma agrária, os pequenos agricultores, os LGBTs expulsos de casa, a população de rua, as prostitutas, as travestis, os trabalhadores desempregados, os ambulantes, aqueles que sofrem violência da Polícia Militar. Essa é a minha base e esse é o povo que me apoiou”, declarou.
Na avaliação de Fabrício, a experiência acumulada na Câmara Municipal será utilizada como referência para o trabalho na Assembleia. Ele afirma que, nos dois anos como vereador, apresentou 155 projetos e conseguiu aprovar dez leis. Entre as medidas citadas está uma legislação que prevê cobertura nos pontos de ônibus de Goiânia. Segundo ele, a cidade possui cerca de 7 mil pontos, dos quais aproximadamente metade conta com cobertura.
Na Alego, o parlamentar pretende ampliar a discussão sobre o transporte para a Região Metropolitana de Goiânia. “A pauta do transporte metropolitano é uma pauta estadual, não é uma pauta municipal”, afirmou. Fabrício também pretende fiscalizar as empresas responsáveis pelo transporte coletivo e questionar a concentração do setor em grupos econômicos.
“Nós queremos fiscalizar essas empresas de transporte coletivo que estão nas mãos das mesmas famílias e dos mesmos grupos econômicos já há bastante tempo”, disse. Além do transporte, ele citou a fiscalização do Ipasgo e das licitações do transporte interestadual como prioridades do mandato.
Ao projetar o resultado que espera entregar ao eleitor ao final dos quatro anos, Fabrício resumiu a expectativa em três pontos: “Se ao final nós conseguirmos dar mais transparência, preço justo e respostas para a população, a gente está feliz.”
Paulo do Vale

O deputado estadual eleito por Goiás, Paulo do Vale (PSD), afirmou que pretende levar à Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) uma agenda voltada à geração de empregos, industrialização, saúde e infraestrutura. Ex-prefeito de Rio Verde, o parlamentar também defendeu a criação de mecanismos para estimular a produção e o uso de biocombustíveis no Estado.
Em entrevista ao Jornal Opção, Paulo do Vale disse que sua experiência como gestor municipal será usada no mandato e que pretende atuar em conjunto com prefeitos de diferentes regiões de Goiás. “Eu sou municipalista. Quero estar aberto a todos os prefeitos de toda a região do Estado, poder ajudar e, claro, estar junto com o governador nas matérias importantes que vão passar pela Assembleia”, afirmou.
A trajetória política de Paulo do Vale começou na Secretaria Municipal de Saúde de Rio Verde, onde permaneceu entre 2009 e 2012. Em 2014, foi candidato a deputado federal a convite do então governador Ronaldo Caiado. Segundo ele, recebeu cerca de 42 mil votos e ficou na segunda suplência.
Dois anos depois, em 2016, foi eleito prefeito de Rio Verde. O mandato foi renovado na eleição seguinte. Durante o período à frente do município, Paulo do Vale também participou da articulação política que resultou na eleição de Lucas do Vale (PSD) para deputado federal, e de Wellington Carrijo (MDB) para a sucessão municipal.
Agora eleito deputado estadual, Paulo do Vale afirma que pretende ampliar a atuação para além de Rio Verde. “Não é só ter o cargo, ter essa vaidade. Nós temos uma vaidade de cuidar agora do Estado”, disse. Entre as prioridades para o mandato, Paulo do Vale coloca a geração de empregos no centro da agenda.
Para ele, o crescimento econômico passa pela industrialização da produção agropecuária de Goiás. “Geração de emprego é muito importante, é o maior programa social”, afirmou. Produtor rural e médico, o deputado eleito disse que pretende trabalhar também pela infraestrutura e pela competitividade do Estado.
Uma das estratégias defendidas é agregar valor à produção que atualmente sai do campo sem passar por processos industriais. “Não queremos ser só um exportador. Rio Verde é o maior exportador do Estado. Mas nós não queremos só isso. Nós queremos agregar valor ao produto. E, quando você agrega valor ao produto, você gera emprego”, declarou.
Paulo do Vale citou como exemplo a instalação da Inpasa em Rio Verde, empresa que produz etanol de milho. Segundo ele, a bioenergia deve ser uma das áreas de atenção durante sua passagem pela Alego. Entre as primeiras iniciativas que pretende discutir na Assembleia está a criação de mecanismos para estimular a produção e o consumo de biodiesel.
“Eu acho que nós temos que criar algum mecanismo para incentivar a produção e a utilização, por exemplo, do biodiesel. É muito importante tornar menos dependente do petróleo”, afirmou. Segundo Paulo do Vale, o Estado poderia criar ferramentas de incentivo para ampliar o uso de biocombustíveis.
A proposta, de acordo com ele, seria levada para discussão no Legislativo logo no início da próxima legislatura. Além da bioenergia, o parlamentar cita saúde e infraestrutura como áreas que deverão integrar sua atuação. Questionado sobre a disputa pela presidência da Assembleia Legislativa após Bruno Peixoto (UB) ter sido eleito deputado federal, Paulo do Vale afirmou que seguirá a orientação do governador Daniel Vilela (MDB).
“Nós vamos seguir a orientação do nosso governador”, disse. O deputado eleito defendeu que a base governista permaneça unida em torno de um nome para comandar a Casa. “O fundamental e importante é manter o grupo unido e ter um consenso para a presidência”, afirmou.
Ao falar sobre o que pretende entregar ao eleitor ao final dos quatro anos de mandato, Paulo do Vale resumiu a expectativa em duas palavras: trabalho e resultado.
“Entregar trabalho. Trabalho e resultado, foi o que eu fiz quando fui gestor”, afirmou. O deputado eleito também ressaltou que a atuação parlamentar tem limites diferentes daqueles de um prefeito ou governador. Segundo ele, cabe ao Legislativo contribuir por meio de emendas, projetos de lei e articulação com os municípios, mas a execução das políticas públicas é responsabilidade do Executivo.
“Às vezes, o eleitor confunde a função do deputado. Quem executa, quem faz, é o Executivo. Eu vou colaborar com consultoria, emendas, sem falar nos projetos de leis”, explicou. Paulo do Vale afirmou que também pretende auxiliar municípios que necessitem de orientação técnica e recursos.
Ao final, voltou a destacar a geração de empregos e a melhoria da qualidade de vida como os principais objetivos de seu mandato. “É isso que é o nosso objetivo: mostrar serviço e com foco na geração de emprego e na melhoria da qualidade de vida do cidadão.”
Lissauer Vieira

Eleito novamente deputado estadual por Goiás, Lissauer Vieira (PL) afirmou que pretende voltar à Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) com mais experiência após passar quatro anos fora do Parlamento. Em entrevista ao Jornal Opção, o ex-presidente da Casa também admitiu ter interesse em disputar novamente a presidência do Legislativo, mas disse que ainda não há candidaturas oficialmente colocadas.
Lissauer foi deputado estadual por dois mandatos e comandou a Alego durante quatro anos. Agora, ao retornar ao Parlamento, afirma que o período afastado serviu para ampliar sua visão sobre os problemas do Estado.
“Eu volto com mais experiência. Porque você vive uma experiência dentro do Parlamento, vive um momento importante de poder ajudar os municípios, cria uma musculatura, conhece o Estado, conhece os municípios, mas a partir do momento que você fica fora também, você começa a enxergar fora da bolha”, afirmou.
Segundo o deputado eleito, o afastamento permitiu identificar novas possibilidades de atuação. “Tem muita coisa que a gente percebe que pode se fazer e, de quando a gente estava dentro da bolha, não teve essa percepção do que pode ser feito, que podemos ajudar o Estado”, disse.
Sobre a possibilidade de voltar a comandar a Alego, Lissauer afirmou que ainda não há uma articulação formal em andamento. A próxima legislatura terá 41 deputados, sendo 19 novos parlamentares, segundo a composição citada pelo próprio deputado.
“Não tem ninguém ali que não tem nenhuma experiência política ou vivência política. Todos já têm uma passagem por algum cargo eletivo ou até mesmo cargo público”, afirmou. Lissauer disse ainda que conhece a maior parte dos deputados que foram reeleitos e que pretende aguardar o andamento das conversas antes de definir um posicionamento.
“Hoje nós não podemos falar que existem candidaturas postas; existem desejos, vontades, e eu sou um deles que tem esse desejo também”, declarou. O ex-presidente da Alego avalia que a disputa deverá se concentrar em poucos nomes ao longo do tempo. “A conversa vai afunilar ao longo do tempo. Com toda certeza, nós vamos trabalhar para chegar a um, dois nomes que afunile para poder ter uma eleição mais tranquila”, afirmou.
Base política no Sudoeste
Lissauer aponta o Sudoeste goiano como sua principal base política. A região reúne municípios como Rio Verde, Montividiu, Santa Helena de Goiás e Quirinópolis e tem forte presença do agronegócio. “Minha base é no sudoeste do Estado. Os municípios que compõem essa região, que é produtora. É uma região que tem o agro como a mola propulsora da economia”, afirmou.
Apesar da concentração de sua base eleitoral na região, o deputado destaca que sua atuação política alcança praticamente todo o Estado. Segundo ele, foi votado em 239 dos 246 municípios goianos. “Conheço muito o Estado, a vocação de cada município, tenho referência do que a gente pode ajudar a investir, a fazer para melhorar a vida das pessoas, gerar oportunidade”, afirmou.
Lissauer diz que pretende manter como prioridades o setor produtivo, o agronegócio e o municipalismo. “A minha pauta maior é a defesa da geração de emprego e renda, é o agronegócio”, declarou. Para o novo mandato, o deputado afirma que pretende trabalhar para aumentar a competitividade de Goiás e estimular a geração de empregos.
“Eu entendo que a gente precisa defender a geração de emprego e renda, trabalhar para poder fazer com que Goiás seja um Estado mais competitivo, gere oportunidade para as pessoas”, disse. Ao mesmo tempo, afirma que pretende manter a defesa dos municípios como uma das prioridades de seu mandato.
“Eu acho que temos que cuidar do macro, do Estado todo, e entender quais são as necessidades momentâneas, porque cada município tem sua realidade e cada momento existem suas prioridades”, afirmou. Por isso, Lissauer diz que ainda não definiu um projeto específico para apresentar logo no início da próxima legislatura.
Segundo ele, será necessário ouvir prefeitos, lideranças municipais e representantes dos setores produtivos antes de estabelecer prioridades. “Eu não posso falar que hoje tem uma prioridade e amanhã pode ser outra. O mundo hoje é muito dinâmico”, afirmou.
Relação com o governo
Lissauer também foi questionado sobre como será sua relação com o governo de Daniel Vilela, reeleito governador de Goiás, já que o PL lançou Wilder Morais para a disputa e terá uma das principais bancadas da Alego. O deputado afirmou que a posição do partido não será definida individualmente por cada parlamentar.
Segundo ele, os cinco deputados estaduais eleitos pelo PL deverão discutir conjuntamente a postura da legenda. “Nós não vamos tomar decisão individual. Isso é uma característica muito forte do PL: os deputados estaduais, federais e os senadores, nós vamos sentar e tomar decisões juntos”, afirmou.
Lissauer evitou antecipar se o partido será base, oposição ou adotará uma postura independente. “Eu não posso falar nada aqui se o partido vai ser base, vai ser oposição, se vai ter independência, se vai ter algum espaço ou não”, disse. Para ele, o tamanho da bancada dará ao PL peso nas discussões políticas da próxima legislatura.
“O PL, como a maior bancada de deputados do Legislativo do Estado de Goiás, entre deputados federais, estaduais e senadores, com toda certeza vai conversar em bloco para nós podermos encaminhar aí as decisões futuras do partido”, afirmou.
Saída do PSB, filiação ao PSD e chegada ao PL
Lissauer também explicou a mudança do PSD para o PL. Segundo ele, a decisão esteve relacionada à identificação com a linha ideológica do novo partido e ao convite feito por lideranças da legenda, entre elas o senador Wilder Morais. “Minha linha sempre foi do agronegócio, sempre foi de direita”, afirmou.
O deputado disse que permaneceu cerca de cinco anos no PSD e que chegou à legenda por meio da ex-senadora Lúcia Vânia. Posteriormente, ao concluir o mandato como deputado estadual e deixar a presidência da Alego, recebeu o convite para ingressar no PL.
“Tive a oportunidade de ingressar ao PL, que é um partido que eu me identifico pela sua linha ideológica, pelo que defende e até mesmo pela característica dos nossos líderes maiores no Brasil”, afirmou. Ao explicar a identificação com o partido, Lissauer citou o ex-presidente Jair Bolsonaro e integrantes de sua família como referências políticas.
“Como, por exemplo, o ex-presidente Bolsonaro, o seu filho, que foram pessoas e são pessoas que nos representam dentro da característica de linha ideológica”, declarou. Antes do PSD, Lissauer foi filiado ao Partido Socialista Brasileiro (PSB), onde teve o apoio da ex-senadora Lúcia Vânia.
Continua…
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