Quase metade das cadeiras da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) será ocupada por novos parlamentares a partir da próxima legislatura. Dos 41 deputados estaduais eleitos, 19 não integram a atual composição da Casa, enquanto outros 22 conseguiram renovar seus mandatos. A renovação de aproximadamente 46% abre caminho para mudanças na dinâmica política do Legislativo goiano.

A chegada de novos nomes também traz diferentes trajetórias e interesses para o Parlamento. Entre os eleitos estão políticos com experiência em outros cargos públicos, lideranças regionais e representantes de segmentos específicos da sociedade. Apesar das diferenças, todos terão pela frente o desafio de conquistar espaço em uma Casa marcada por articulações partidárias e disputas internas.

Mais do que a renovação numérica, o resultado das urnas levanta questionamentos sobre o posicionamento dos novos deputados diante do governo de Daniel Vilela (MDB). A relação entre Executivo e Legislativo deverá ser um dos principais pontos de atenção, especialmente diante das negociações para a formação de blocos, distribuição de cargos e definição das comissões parlamentares.

O alinhamento partidário, no entanto, não significa necessariamente apoio ou oposição ao Palácio das Esmeraldas. As posições individuais e os compromissos políticos assumidos durante a campanha também deverão influenciar a atuação dos eleitos ao longo dos próximos quatro anos.

Para conhecer os novos integrantes da Alego, o Jornal Opção ouviu 16 dos 19 deputados que chegam à próxima legislatura. A reportagem buscou identificar suas trajetórias, bases eleitorais, articulações políticas e principais bandeiras, além de compreender como pretendem se posicionar diante do governo estadual.

O levantamento foi dividido em quatro partes. Nesta segunda reportagem, são apresentados os posicionamentos de Dr. Amarildo (Novo), Coronel Urzêda (PL), Joscilene do Mangão (Agir) e Graciele da Arte Trigo (Agir).

Durante a semana, a reportagem também procurou os deputados eleitos Romário Policarpo (Cidadania), Kátia Maria (PT) e Paulin Vai Nele (PRD), mas não conseguiu ouvi-los. O espaço permanece aberto para eventuais manifestações.

Dr. Amarildo (Novo)

Dr. Amarildo, eleito deputado estadual, é irmão do Delegado Humberto Teófilo| Foto: Reprodução/Redes sociais

Deputado estadual eleito pelo Novo, Dr. Amarildo afirma que terá como principal bandeira na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) a fiscalização dos gastos públicos e da aplicação de recursos destinados aos municípios. Com 43.130 votos nas eleições de 2026, ele também pretende atuar em pautas ligadas ao conservadorismo e diz que ainda não definiu se fará parte da base do governador eleito Daniel Vilela (MDB).

A trajetória política de Dr. Amarildo começou antes da chegada à Assembleia. Segundo ele, sua experiência no serviço público inclui passagens pelo Conselho Tutelar de Goiânia, Prefeitura de Goiânia, Procon, Instituto de Assistência à Saúde e Social dos Servidores Municipais de Goiânia (Imas) e pela Superintendência Estadual de Esportes.

Ele também presidiu uma comissão da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO) responsável pela fiscalização de obras públicas paradas e inacabadas. “Eu tenho uma vasta experiência no serviço público”, afirmou. Advogado, Dr. Amarildo também ganhou projeção nas redes sociais.

Inicialmente, produzia conteúdo voltado para temas jurídicos, principalmente direito do consumidor e direito previdenciário. Com o tempo, passou a concentrar a atuação digital em assuntos políticos. “Comecei a produzir conteúdo nas redes sociais, inicialmente conteúdo jurídico, por isso até do ‘Dr. Amarildo’, porque eu era o advogado das redes sociais. Acabei migrando o meu conteúdo, comecei a falar sobre política e já há mais de cinco anos aí só nessa questão política”, relatou.

O deputado eleito afirma que mantém posicionamento alinhado à direita e ao conservadorismo. Ele também destacou a participação na campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em 2018 e a atuação ao lado do irmão, o delegado Humberto Teófilo (Novo), eleito deputado estadual naquele ano.

Na eleição anterior, Dr. Amarildo disputou uma vaga de vereador pelo PL e terminou como primeiro suplente, com 3.248 votos. Para a Assembleia, concorreu pelo Novo em meio a uma aliança entre as duas siglas. “Eu consegui conquistar essa vitória com mais de 43 mil votos. E, sem dúvidas, com o apoio do meu irmão, que foi candidato a deputado federal, tirou mais de 88 mil votos”, disse.

Segundo ele, a campanha não contou com o apoio de prefeitos ou vereadores. Dr. Amarildo atribui o resultado principalmente à atuação nas redes sociais e à parceria eleitoral com Humberto Teófilo. “Nenhum prefeito, nenhum vereador. Foi eu, meu irmão e a nossa raça mesmo para conquistar os votos”, declarou.

Fiscalização como principal bandeira

Para o mandato na Alego, Dr. Amarildo afirma que pretende concentrar sua atuação em três frentes: fiscalização dos gastos públicos, melhoria da qualidade dos serviços públicos e defesa de pautas conservadoras.

“Como um político de direita, eu defendo um Estado menor e mais eficiente, qualidade no serviço público. E a minha principal pauta é a fiscalização: dos gastos públicos, da qualidade do serviço público e, claro, na pauta da direita conservadora, sempre defendendo os princípios conservadores, defesa da família e dos valores cristãos”, afirmou.

Entre as atribuições que pretende exercer no Legislativo está o acompanhamento da utilização das emendas parlamentares. Segundo ele, não basta verificar o envio dos recursos aos municípios; é necessário acompanhar a aplicação do dinheiro. “A questão das emendas parlamentares, fiscalização não só do envio das emendas, mas também fiscalização da aplicação dessas emendas nos municípios”, explicou.

Dr. Amarildo argumenta que o eleitor muitas vezes não consegue identificar o resultado prático dos recursos enviados pelos parlamentares. “Hoje, a gente vê muita gente manda R$ 1 milhão para lá, R$ 2 milhões para cá, e acaba que o cidadão não sabe nem o que foi feito com esse dinheiro”, afirmou.

Relação com Daniel Vilela

Embora tenha apoiado a candidatura de Wilder Morais (PL) ao governo de Goiás, derrotada por Daniel Vilela no primeiro turno, Dr. Amarildo não considera o governador eleito um adversário político. Ele afirmou que sua oposição será direcionada ao PT e à esquerda.

“Eu, na realidade, faço oposição ao PT, à esquerda. O Daniel, inclusive, declarou apoio ao Flávio Bolsonaro, então nós somos do mesmo time”, disse. Questionado se será integrante da base de Daniel Vilela na Assembleia, porém, o deputado eleito evitou antecipar uma definição.

“Eu acho que nesse momento é precipitado falar isso”, respondeu. Sobre a disputa pela presidência da Assembleia Legislativa, Dr. Amarildo também adotou cautela. Ele afirmou que já foi procurado por diferentes nomes interessados no comando da Casa, mas disse que ainda não escolheu quem apoiará.

“Está muito cedo ainda. Acho que a gente tem muitos que se colocaram como pré-candidatos à presidência [da Alego]”, afirmou. Segundo ele, a estratégia neste momento é conversar com os diferentes grupos antes de tomar uma decisão. “Vários [já conversaram comigo]. Por enquanto, a gente está conversando com todos e vamos aguardar as definições”, declarou.

Ao projetar os quatro anos de mandato, Dr. Amarildo afirma que pretende manter uma atuação de fiscalização e cobrar resultados na aplicação dos recursos públicos. “Um mandato combativo, que vai estar no parlamento, mas fazendo com que o benefício chegue na ponta para o cidadão”, afirmou.

Para o deputado eleito, o Legislativo deve exercer de forma efetiva suas duas funções principais: fiscalizar e legislar. “Fiscalizar os gastos públicos, fazer com que o benefício chegue na ponta para o cidadão. E, para isso, nós precisamos de um parlamento forte que vai fazer aquilo que é papel do parlamento: fiscalizar e legislar”, concluiu.

Coronel Urzêda (PL)

Vereador e deputado estadual eleito, Coronel Urzêda (PL): bolsonarista afirma que levará pautas ideológicas para a Alego | Foto: Guilherme Alves/ Jornal Opção

Eleito deputado estadual pelo PL, Coronel Urzêda chega à Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) com a promessa de manter uma atuação independente, fiscalizar o governo e defender pautas ligadas à segurança pública, saúde, educação, serviço público e agronegócio.

Em entrevista ao Jornal Opção, ele afirmou que não pretende adotar uma postura de oposição automática ao governador eleito Daniel Vilela (MDB), mas também não abrirá mão de criticar medidas que considerar prejudiciais ao Estado. “Eu não sou birrento. Independente de onde eu esteja, na oposição, na base, independência, eu critico aquilo que não for bom e sei reconhecer aquilo que é bom”, afirmou.

Coronel Urzêda também revelou que os cinco deputados estaduais eleitos pelo PL estudam atuar de maneira conjunta na próxima legislatura. Segundo ele, a bancada poderá integrar a base do governo, permanecer independente ou fazer oposição, mas a decisão deverá ser tomada em conjunto.

“Nós temos cinco deputados e o que nós estamos conversando entre nós é que andaremos juntos, os cinco. Ou os cinco estarão na base, ou independentes, ou serão oposição ao governador”, disse. A definição, segundo o parlamentar, também passa pelo cenário nacional.

Bolsonarista declarado, Urzêda afirmou que sua prioridade política é a eleição de Flávio Bolsonaro (PL) e a retirada do PT do governo federal. Entre as principais bandeiras do mandato, Coronel Urzêda cita três áreas: segurança, saúde e educação. Para ele, apesar dos avanços recentes, Goiás ainda precisa ampliar os investimentos e melhorar a estrutura dos serviços públicos.

“Eu sou do Estado enxuto. Quanto menor for o Estado, melhor para a economia. O Estado não tem que ficar interferindo em muita coisa”, afirmou. Na segurança pública, o deputado eleito defende a realização de novos concursos e a valorização dos servidores. Segundo ele, as forças policiais precisam ser renovadas e o governo deve cumprir compromissos com o funcionalismo.

Na saúde, Urzêda criticou a situação das filas por procedimentos eletivos e defendeu mudanças na regulação dos atendimentos. Já na educação, o deputado defende que toda a rede pública estadual funcione em período integral. A ideia, segundo ele, é ampliar as atividades oferecidas aos estudantes, incluindo esportes, cultura e idiomas.

“Para mim toda escola pública de Goiás tinha que ser de tempo integral, toda, sem exceção”, disse. Na avaliação de Urzêda, a educação também tem papel importante na prevenção da criminalidade. Ele defende que os estudantes tenham acesso a atividades como judô, taekwondo, balé, capoeira, futebol e voleibol, além do ensino de uma segunda língua.

Defesa do agro e do servidor público

Outra frente do mandato será a defesa do agronegócio e da propriedade privada. Mesmo afirmando não ser produtor rural, Urzêda diz que pretende atuar em defesa do setor por considerar o agro estratégico para a economia goiana. “Apesar de não ter terra nem debaixo da unha, como o Estado de Goiás é um Estado agrícola, a potência agrícola do Centro-Oeste, vou defender o homem do campo, respeitar a propriedade”, afirmou.

O parlamentar também pretende defender os servidores públicos. Ele afirma que levará para a Alego pautas relacionadas à categoria. Embora tenha sido eleito para representar todo o Estado, Coronel Urzêda identifica Goiânia, o Sudoeste goiano e a região do Entorno do Distrito Federal como seus principais polos eleitorais.

Segundo ele, a capital foi responsável por 23 mil de seus votos. Jataí, cidade de origem de sua mulher, também teve peso importante na eleição. O deputado afirma ainda ter obtido votação expressiva na região metropolitana e no Entorno. “Minha base é Goiânia. Eu tive 23 mil votos em Goiânia. Minha mulher é de Jataí, eu sou o segundo mais votado em Jataí, então nós somos do Sudoeste”, afirmou.

Ele também citou Senador Canedo, Goiânia, Trindade, Aparecida de Goiânia e Anápolis como municípios onde teve desempenho relevante. Para os próximos quatro anos, Urzêda promete levar à Assembleia a mesma postura que afirma ter adotado como vereador de Goiânia. Entre as prioridades está a fiscalização dos gastos públicos e a cobrança pela conclusão de obras paradas.

Ele citou como exemplo uma legislação aprovada em Goiânia que estabelece prioridade para obras públicas inacabadas. A intenção é levar a proposta para o âmbito estadual. “Eu vou investir bastante na questão de fiscalização. A prioridade é acabar as obras públicas inacabadas, porque entra administração em cima da outra, abandona”, afirmou.

Mandato sem fundo eleitoral

Coronel Urzêda também destacou que sua campanha não utilizou recursos do fundo eleitoral. Segundo ele, a candidatura gastou aproximadamente R$ 220 mil, valor que considera baixo em comparação com campanhas que movimentaram milhões de reais.

“Eu não usei fundo eleitoral; sou um cara que gastou R$ 220 mil para ser deputado enquanto alguns gastaram milhões”, afirmou. O deputado eleito também prometeu não utilizar emendas parlamentares como instrumento para conquistar votos e disse que pretende manter uma atuação próxima de categorias profissionais que apoiaram sua candidatura, como motociclistas, motoentregadores, vigias, taxistas, motoristas de ônibus e caminhoneiros.

“Essas pessoas vieram em bloco, eles vão ter um representante, vão ter uma voz. Vai ser a voz do trabalhador, vai ser a voz do servidor público”, declarou. Além das pautas administrativas, Urzêda afirmou que pretende apresentar projetos ligados a temas ideológicos que fizeram parte de sua campanha.

Entre eles, citou propostas relacionadas à mudança de sexo antes dos 18 anos e ao tratamento dado a fetos natimortos. O parlamentar também pretende atuar na defesa de mulheres, pessoas com deficiência e crianças, com foco no combate à violência e ao feminicídio.

“Eu, por exemplo, fui o único vereador de Goiânia que mandou emenda para a Patrulha Mulher Mais Segura da Guarda Municipal e vou fazer isso agora em nível estadual”, afirmou. Para Urzêda, a atuação na Alego deverá combinar as pautas ideológicas defendidas por seu eleitorado com fiscalização do poder público e apresentação de projetos em áreas como segurança, educação, empregabilidade e austeridade. “Continuar sendo isso aí na Assembleia, representar, ser a voz do cidadão de bem na Assembleia”, resumiu.

Joscilene do Mangão (Agir)

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Joscilene do Mangão: a esposa de Carlinhos do Mangão já figurava na listas dos favoritos | Foto: Reprodução

Eleita deputada estadual por Goiás pelo Agir, Joscilene do Mangão afirma que pretende levar para a Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) uma atuação concentrada em políticas sociais, defesa das mulheres e saúde. Em entrevista ao Jornal Opção, ela também declarou que deverá integrar a base do governo de Daniel Vilela (MDB) e citou municípios e lideranças que, segundo ela, contribuíram para sua eleição.

Moradora de Novo Gama, no Entorno do Distrito Federal, Joscilene diz que sua trajetória política foi construída principalmente na área social. Antes de chegar à Secretaria de Promoção Social, segundo ela, já desenvolvia ações de assistência dentro da igreja e em sua comunidade.

“Comecei no social dentro da minha igreja. Ou seja, mesmo quando eu não tinha a Secretaria, eu já fazia o social”, afirmou. A experiência à frente da área, segundo a deputada eleita, mostrou a necessidade de ampliar a estrutura de assistência às famílias em situação de vulnerabilidade.

Ela defende uma atuação mais próxima entre o poder público e as secretarias municipais de assistência social. “Eu acompanhei as famílias, vi o quão necessário é o social na vida da pessoa que vive em vulnerabilidade, que precisa dessa atenção”, disse. Joscilene também afirma que pretende atuar para melhorar o suporte oferecido às secretarias municipais.

“Vi também a necessidade das secretarias de Assistência Social terem essa parceria do poder público realmente para ajudar, para nós não ficarmos mendigando as coisas e realmente ter uma assessoria bem melhor”, declarou. Além da área social, a deputada eleita aponta a defesa das mulheres como uma de suas principais bandeiras.

Segundo ela, o tema será tratado sob diferentes perspectivas, incluindo protagonismo feminino e apoio às mulheres que atuam no comércio e no empresariado. “Eu sou uma defensora da mulher, carrego essa bandeira para onde eu vou, seja ela na defesa da mulher, seja ela no protagonismo da mulher, seja ela na área do comércio ou do empresariado”, afirmou.

A saúde também deverá ocupar espaço central no mandato. Joscilene relaciona essa atuação à própria experiência e destaca as dificuldades enfrentadas por moradores do Entorno que precisam se deslocar para Goiânia em busca de exames, cirurgias e tratamento contra o câncer.

“Pela situação que eu passei, que eu transformei também numa bandeira, que é a saúde, que é o tratamento do câncer. Essa é uma bandeira que eu vou lutar muito”, disse. Para ela, a distância dos grandes centros de atendimento é um dos principais problemas enfrentados pela população do Entorno. “Nós do Entorno, às vezes, temos uma vida muito sofrida. Quando descobrimos o diagnóstico, para receber o exame, para fazer a cirurgia, ter que ir para Goiânia às vezes na madrugada é muito difícil”, afirmou.

Mães atípicas e mães solo

Entre os primeiros projetos que pretende estudar e trabalhar na Alego, Joscilene cita propostas relacionadas ao autismo e às chamadas mães atípicas, além de medidas voltadas às mães solo. “Eu peguei uns projetos que eu quero trabalhar melhor, que é sobre o autismo e as mães atípicas, e da mãe solo também. São os meus primeiros que eu quero entrar para trabalhar”, comentou.

A deputada eleita não detalhou, na entrevista, o conteúdo dos projetos que pretende apresentar ou apoiar. Na relação com o governo estadual, Joscilene afirma que deverá atuar como base de apoio ao governador reeleito Daniel Vilela, a quem teceu elogios.

“Nós somos muito parceiros, a gente realmente reconhece que ele tem feito muito, tanto ele como o Caiado. Então, com certeza, lá dentro eu serei base também”, afirmou. Questionada sobre a disputa pela presidência da Alego, Joscilene disse que já foi procurada por interessados no comando da Casa, mas afirmou que ainda não definiu apoio.

“As pessoas já nos procuraram, pessoas que querem ser presidente, então estamos estudando primeiro para apoiar alguém”, disse. Ela descartou, por enquanto, colocar a própria candidatura à presidência como prioridade. “Lutar pela presidência ainda não é o meu foco”, afirmou.

A deputada eleita também não citou os nomes dos parlamentares que teriam procurado seu apoio. Segundo ela, ainda não conhece muitos dos deputados que estarão na próxima legislatura e precisaria consultar os nomes. Para os quatro anos de mandato, Joscilene afirma que pretende manter uma atuação voltada aos municípios que participaram de sua campanha, principalmente por meio da destinação de recursos e da articulação com o poder público.

“Trabalho. Eu prometo trabalhar bastante”, resumiu. A deputada eleita afirmou que pretende atender os municípios que, segundo ela, contribuíram para sua eleição. “O que eu vou fazer realmente é dar assistência a essas pessoas, a esses 60 municípios que me acompanharam, que estiveram comigo, que possibitaram meu nome chegar à Alego”, declarou.

Graciele da Arte Trigo (Agir)

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Graciele da Arte Trigo é ex-prefeita de Campo Limpo, cidade próxima a Anápolis | Foto: Reprodução/Redes sociais

A deputada estadual eleita Graciele da Arte Trigo (Agir) afirmou que pretende atuar como aliada do governo de Daniel Vilela (MDB) na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego). Ex-prefeita de Campo Limpo, cidade com cerca de 10 mil habitantes, ela também promete priorizar as demandas dos municípios, com atenção à saúde, à assistência social e à infraestrutura.

Em entrevista ao Jornal Opção, Graciele disse que sua experiência no Executivo municipal será importante para orientar a atuação parlamentar. “Eu vou ser uma deputada bem municipalista mesmo, porque eu sei a necessidade da saúde, da assistência social, além das pautas da infraestrutura nos municípios pequenos”, declarou.

A parlamentar eleita também pretende representar os setores do comércio e da indústria. Segundo ela, a definição dos primeiros projetos dependerá de reuniões com empresários e lideranças que apoiaram sua candidatura. Graciele apontou três áreas como principais frentes de atuação: saúde, comércio e indústria e assistência social.

A saúde, segundo ela, terá prioridade por exigir respostas imediatas do poder público. “Eu colocaria a saúde como prioritária, porque a saúde não espera”, afirmou. Na assistência social, a deputada eleita pretende avaliar programas existentes e buscar formas de ampliar a inserção de beneficiários no mercado de trabalho.

Ela citou iniciativas voltadas às pessoas com autismo e defendeu a profissionalização como caminho para ampliar oportunidades. “Eu acho muito importante aproveitar esses projetos sociais para colocar as pessoas no mercado de trabalho”, disse. A proposta, segundo Graciele, segue uma linha de atuação que ela adotou durante a gestão municipal.

Na avaliação da futura deputada, a qualificação profissional pode ajudar pessoas atendidas por programas sociais a conquistar emprego. Ela também afirmou que pretende adaptar a atuação parlamentar às necessidades do Estado. Como exemplo, citou a possibilidade de direcionar esforços para situações emergenciais, como ocorreu durante a pandemia de Covid-19.

Projetos dependerão de diálogo com empresários

Apesar de já ter definido as áreas prioritárias, Graciele ainda não anunciou projetos específicos para apresentar no início da legislatura. A deputada eleita afirmou que pretende se reunir com lideranças políticas e representantes dos setores que deseja defender antes de definir as propostas.

“Vamos juntar e vamos ver esse projeto, o que vai ser melhor”, afirmou. Entre os temas que devem entrar nas discussões estão questões tributárias e seus possíveis efeitos sobre o comércio e a indústria. Gracielle citou mudanças previstas na área tributária a partir de janeiro como um dos pontos que exigem atenção.

Segundo ela, as reuniões com empresários e representantes do setor supermercadista de Goiânia devem ajudar a definir quais medidas serão defendidas na Alego. Graciele também declarou que pretende manter alinhamento político com o grupo de Ronaldo Caiado (PSD) e do governador Daniel Vilela (MDB).

Ela atribuiu sua entrada na política à relação com Caiado e afirmou acreditar na condução de Vilela. “Eu penso que eu vou ser bem aliada do governo mesmo. Porque eu me tornei política através deles e, se continuar nesse perfil, eu quero andar com eles”, declarou.

A futura parlamentar não detalhou como pretende conduzir votações específicas nem quais condições estabelecerá para apoiar projetos do Executivo. Questionada sobre a disputa pela presidência da Assembleia Legislativa, Graciele afirmou que já conversa com outros deputados, mas ainda não pretende revelar seu candidato.

Segundo ela, parlamentares de diferentes grupos já a procuraram para tratar do assunto. A deputada eleita disse que considera importante ouvir os colegas antes de tomar uma decisão. “É importante também eu pegar um pouco de experiência agora nesse primeiro momento, mas a gente vai escolher um bom presidente da Assembleia”, afirmou.

Graciele confirmou que já tem um nome em avaliação, mas preferiu mantê-lo em sigilo. “Estou decidindo ainda, mas praticamente que sim”, disse. Graciele afirmou ainda que recebeu votos em 196 municípios goianos.

Apesar de defender uma atuação voltada para todo o Estado, ela pretende dar atenção especial às cidades que contribuíram mais para sua eleição. Entre as localidades citadas por ela estão Anápolis, Campo Limpo, Ouro Verde de Goiás e Petrolina de Goiás. A deputada eleita afirmou que pretende direcionar mais recursos para as regiões em que teve maior votação, sem deixar de trabalhar pelas demais cidades.

A experiência como prefeita, segundo ela, permite compreender de perto as dificuldades enfrentadas pelas administrações municipais, especialmente nas cidades menores. “Quando você é prefeita, você está muito próximo ao eleitor, à dificuldade das pessoas”, afirmou.

Continua…

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