Qual é a grande pauta para as eleições deste ano?

Dos muitos nomes colocados no mercado pré-eleitoral goianiense, poucos são os que começam o debate sobre programa de governo. Encontrar o discurso certo não será fácil

Goiânia é uma capital complexa e que exige de seus gestores capacidade administrativa, mas cadê o debate? | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Goiânia é uma capital complexa e que exige de seus gestores capacidade administrativa, mas cadê o debate? | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Afonso Lopes

Jamais se viveu um período de pré-campanha tão frio e modorrento como agora. Vá lá que as mudanças introduzidas nas regras eleitorais deste ano, inclusive com a brutal diminuição do prazo de campanha propriamente dito, favoreça esse distanciamento, mas só isso evidentemente não explica a ausência quase total dos pretendentes em relação ao debate sobre programa de governo.

Fora as críticas diretas ao governo de Paulo Garcia (PT), e seus muitos problemas em quase todas as áreas, muitas vezes agravados pelo caixa vazio, não há muito mais. Que a situação está errada e precisa de correção parece bastante óbvio diante da baixíssima popularidade da administração atual, mas somente esse tom monocórdio não vale uma campanha eleitoral. Nem mesmo uma pré-campanha.

É claro que ninguém com juízo funcionando perfeitamente pode cobrar programas de governo com começo, meio e fim na fase atual. Geralmente, o que os candidatos podem apresentar são cartas de intenção genéricas, que revelem aos poucos o seu perfil enquanto pretendente do voto da população, absorvendo durante a campanha o caráter definitivo de programa a ser executado em caso de vitória.

Nesse sentido, apenas três candidatos têm alinhavado metas administrativas: Luiz Bittencourt (PTB), Giuseppe Vecci (PSDB) e Vander­lan Cardoso (PSB). Os demais estão completamente distantes desse tipo de debate. Um dos líderes das pesquisas, Iris Rezende (PMDB), sequer admite que vai disputar o cargo mais uma vez. A suspeita geral é que ele deixe tudo para o último momento, mais às vésperas da eleição. O candidato que divide a liderança com Iris, Waldir Soares (PR), recentemente concedeu entrevista apontando um ponto que deverá constar em seu programa de governo: a segurança pública. Nos demais aspectos da administração ele apenas reforçou as teses sobre generalidades.

Nem a candidata oficial do governo tem desenvolvido discurso que reforce a atual condução administrativa de Goiânia. Ao contrário, a deputada Adriana Accorsi (PT) às vezes passa a impressão de que nem é candidata ao cargo dada a sua ausência no debate pré-campanha. Seu nome também não tem sido ventilado pelos atuais secretários. É como, na prática, ela não fosse o nome do governo para a disputa eleitoral deste ano.

Propostas

Dos três candidatos que se diferenciam da massa de pretendentes, Bittencourt é o que tem apresentado as teses mais polêmicas. A primeira delas foi o total desânimo com a formação oficial de boa coligação. Na sequência, anunciou que não vai contratar marqueteiros famosos para formatar os seus programas de rádio e televisão, etapa considerada até hoje como fundamental nas campanhas. Por último, disse que pretende governar com orçamento definido de maneira direta pela própria população, especialmente através das redes sociais e dispositivos de internet, como e-mails.

Do ponto de vista administrativo, Giuseppe Vecci também tem falado sobre um amplo leque de medidas que pretende adotar na Prefeitura. Ele acha, por exemplo, que o tamanho e complexidade da vida urbana numa capital como Goiânia não comporta mais a centralização das decisões na Prefeitura. Ele vê as subprefeituras como solução para essa questão. A ideia não é nova. O ex-prefeito Iris Rezende chegou a anunciar que a criação das subprefeituras, mas teve que recuar por causa da pressão que sofreu na Câmara dos Vereadores. A diferença entra as duas propostas, de Vecci e de Iris, é que o ex-prefeito quis fazer isso depois de ter sido eleito, o que soou para os vereadores como forma de diminuir a influência política deles. Vecci, ao contrário, propõe o debate agora, antes da eleição, que é o período adequado.

Vecci tem apostado alto na militância do seu partido, o PSDB. Ele tem se reunido com inúmeros segmentos internos e colhido algumas propostas, além de apresentar as suas também. Ele faz o que deve ser feito no caso dele. Embora tenha longa vivência político-partidária, há apenas dois anos, nas eleições de 2014, ele deixou os gabinetes para enfrentar as urnas, se elegendo assim deputado federal. Isso significa que sua campanha vai depender decisivamente da militância do PSDB e demais aliados.

Fechando o tripé de candidaturas afeitas ao debate, Vanderlan Cardoso ainda não pormenorizou nada, mas aponta rumos do que pretende debater e fazer se for eleito. Ele tem uma arma importante e sempre lembrada, que foi sua administração em Senador Canedo, além do perfil de empresário bem-sucedido. Em resumo, ele bate muito na questão do planejamento, e vê exatamente a falta desse critério como origem dos problemas enfrentados pelo governo de Paulo Garcia.

Em outras eleições, encontrar o mote, a motivação arrebatadora, era quase um mero acaso trabalhado pelos marqueteiros. Será assim mais uma vez? É impossível responder.
O eleitor, diante das muitas situações do país, pode ter desenvolvido um critério inconsciente bem mais técnico para se definir. Ou se manter como sempre, muito mais apegado aos fatores emocionais de uma disputa eleitoral. Na primeira hipótese, o tripé das propostas leva alguma vantagem. Na segunda, Iris e Waldir devem atropelar. A grande pauta da eleição deste ano ainda não está definida: razão ou emoção.

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