Quais são os próximos passos da oposição ao governo Caiado

Partidos que se posicionaram contra o projeto de gestão do democrata em Goiás vivem momentos diferentes, com redução dos atores que planejam nova via eleitoral

Oposição ao governo Caiado perde partidos importantes, mas busca reorganização para próximas eleições | Foto: Governo de Goiás

Um ano depois da eleição que deu a vitória no primeiro turno ao governador Ronaldo Caiado (DEM), a oposição em Goiás vive um momento em que poucos agentes políticos e partidos se mantiveram em grupos eleitorais que pretendem apresentar outra alternativa ao Estado de Goiás que não a recém-chegada ao Palácio Pedro Ludovico Teixeira. A reorganização das alianças começa a apontar para um fortalecimento da base caiadista em solo goiano, mas algumas vozes seguem determinadas a buscar uma alternativa, como é natural em todo processo democrático.

A maior força de oposição ao governo Caiado hoje é o MDB. E mesmo assim o fator oposição do partido pode ser questionado pela divisão interna em seus quadros. O prefeito de Goiânia, Iris Rezende (MDB), que é tratado publicamente e nos bastidores como o nome da sigla novamente na disputa pela prefeitura da capital em 2020, é um aliado do democrata desde as eleições de 2014. Além da aliança em Goiânia, o líder do governo Caiado na Assembleia é o deputado emedebista Bruno Peixoto, um dos quatro parlamentares do MDB na Casa.

Mas o presidente estadual emedebista, o ex-deputado federal Daniel Vilela, garante que o trabalho da legenda será o de se manter na oposição e se unir a projetos que integrem o MDB a grupos que se opõem à gestão de Ronaldo Caiado.

Daniel cita o trabalho feito para atrair forças políticas de outros partidos para o MDB goiano, como o caso do ex-deputado federal e ex-presidente do PTB em Goiás, Jovair Arantes, o deputado estadual Henrique Arantes. Os dois se filiaram no MDB na segunda-feira, 7. “A chegada do Jovair e do Henrique é mais impactante do que eu ocupar o cargo de 3º vice-presidente do Diretório Nacional do partido”, declara o presidente estadual emedebista.

Ex-deputado federal Daniel Vilela (MDB) diz que legenda busca nomes fortes para eleições de 2020 | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Para Daniel, estar na direção nacional do MDB não significa que Goiás terá mais atenção da cúpula do partido nas eleições de 2020 e 2022. No entanto, o prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha, vê que a legenda ganha muito no Estado com o presidente estadual estar ao lado do presidente nacional emedebista, o deputado federal por São Paulo, Baleia Rossi.

“Baleia Rossi é muito próximo ao Daniel. Isso vai ajudar muito os candidatos do MDB tanto a vereador quanto a prefeito na disputa. Ficamos felizes em saber que o Daniel, que faz um extraordinário trabalho em Goiás, agora vai poder ajudar o MDB nacional”, afirma Mendanha. O prefeito de Aparecida destaca que a chegada do deputado Henrique Arantes, que passa a ocupar a liderança da bancada emedebista na Assembleia Legislativa, “faz e continuará a fazer oposição ao governo Caiado”.

O presidente estadual do MDB diz que a meta do partido é eleger uma quantidade significante de prefeitos, principalmente nas grandes cidades do Estado. “O fim das coligações proporcionais vai antecipar bastante as eleições de 2020.” E parte do trabalho de consolidação das chapas para o ano que vem na legenda parte do posicionamento de cobrar coerência e cumprimento das promessas de campanha do governador, segundo Daniel. “Precisamos mostrar que o partido está vivo.”

Para tentar fortalecer o partido, Daniel Vilela diz que tem se apoiado na procura vereadores de outras legendas que têm mostrado interesse em entrar para o MDB, além de pessoas de fora do mundo político que demonstraram vontade em integrar os quadros da sigla. O presidente estadual emedebista diz que ter Caiado no palanque de Iris em 2020 capital é uma demonstração de reconhecimento à liderança do prefeito de Goiânia. “Acreditamos que o Iris é o nosso candidato a reeleição”, observa Daniel.

Ninho tucano

Deputado estadual Talles Barreto (PSDB) diz que partido faz oposição responsável | Foto: Fábio Costa/Jornal Opção

Com cinco deputado estaduais, o PSDB vive um momento de reorganização. O esfacelamento natural da base aliada que dava sustentação aos governos tucanos de Marconi Perillo e José Eliton veio com a chegada de Ronaldo Caiado ao poder no Estado. Muitos partidos que apoiavam as gestões peessedebistas já migraram de lado. Um sinal que ficou ainda mais evidente nos dois turnos da votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Educação em setembro.

O assunto rendeu, inclusive, um racha no enfraquecido PSDB goiano. Os deputados Diego Sorgatto e Tião Caroço votaram a favor da aprovação da PEC, o que contrariou a orientação do partido sobre o tema. Responsável pelo discurso de oposição na posse do governador Ronaldo Caiado, o deputado estadual Talles Barreto lembrou que o grupo do MDB e a base do PSDB deixaram seu legado no Estado com suas administrações. “Agora está o Democratas à frente do governo. Vamos fazer uma oposição séria. Queremos um Estado melhor.”

De acordo com Talles, é preciso fazer um trabalho de oposição sem ataque a pessoas. “Sou um crítico ao governo. Várias matérias que o governo enviou à Casa que nós não concordávamos, criticamos. E muitas delas foram retiradas. Como é o caso do passe livre estudantil.” O deputado defende que o trabalho de oposição simplesmente por ser oposição não será feito. “Respeitamos o governo, mas vamos atuar de forma incisiva em cima das atuações erradas da gestão”, explica.

O PSDB estadual, que foi assumido em sua presidência pelo prefeito de Trindade, Jânio Darrot, afirma que o objetivo do partido é melhorar a vida das pessoas. “Dar ao goianiense o que ele teve na época do professor Nion [Albernaz]: orgulho de falar que mora em Goiânia.” O resgate da autoestima da população é o destaque dado por Talles Barreto ao trabalho que os tucanos pretendem apresentar ao povo goiano, “preocupar com as famílias”. “Com certeza vamos mostrar algo diferente.”

Do PPS ao Cidadania

Deputado estadual Virmondes Cruvinel (Cidadania) diz que aliança administrativa com governo inclui respeito às bandeiras do partido | Foto: Marcos Kennedy/Alego

Dos partidos que faziam parte da base aliada do governo passado, o Cidadania, antigo PPS, resolveu firmar parceria administrativa e política com a gestão Caiado. O deputado estadual Virmondes Cruvinel, representante do partido na Assembleia, diz que as bandeiras do Cidadania devem ser respeitadas nessa aliança com o governo democrata.

Virmondes afirma que o Cidadania pretende ampliar a quantidade de prefeitos e vereadores nos municípios goianos, “incentivamos a candidatura do partido na capital”. Em 2022, a legenda quer aumentar o número de deputados estaduais, que hoje é composta apenas por Virmondes. Outra meta da sigla é voltar a ter um deputado federal, já que o presidente estadual do partido, o ex-parlamentar Marcos Abrão, não conseguiu se reeleger em 2018.

O deputado estadual declara que o Cidadania vai se manter na defesa dos direitos dos cidadãos, com diálogo amplo junto a entidades sociais, lideranças comunitárias e de pautas como a redução da carga tributária, a ética na política e a participação popular no processo eleitoral.

A chegada da ex-senadora Lúcia Vânia (sem partido) ao governo tende a representar um fortalecimento da aliança do Cidadania com a gestão Caiado. Lúcia Vânia é a nova secretária estadual de Desenvolvimento Social. O presidente do partido é sobrinho da ex-parlamentar, o que não pode ser descartado na construção da nova aliança política.

Por mais que tenha sido candidata a senadora em 2002, 2010 e 2018 na base aliada dos governos do PSDB, Lúcia Vânia vivia em conflito com a cúpula tucana em Goiás. Tanto que no ano passado concorreu ao cargo novamente pelo PSB, mesmo que na coligação majoritária do mesmo grupo. Em 2010 e 2018, a ex-parlamentar foi alvo de tentativas de tucanos de retirá-la da chapa ao Senado.

No meio do caminho, a partir de 2015, houve uma aproximação com Ronaldo Caiado, que assumiu o cargo de senador naquele ano. A ida de Lúcia Vânia para o governo é vista como natural pelos atores políticos do Estado. Pode até parecer incoerente ou equivocada para parte do eleitorado, mas fortalece a base de apoio à gestão democrata e ocupa uma cadeira em um assunto que pautou grande parte da atuação da secretária no Congresso.

PSD independente

Deputado estadual Lucas Calil (PSD) diz que legenda quer ser protagonista nas eleições de 2022 | Foto: Fábio Costa/Jornal Opção

O PSD na Assembleia tem atuado como um partido independente ao governo Caiado. “Tenho feito uma oposição muito coerente e responsável, sem falar de passado, sem defender outros governos. Apenas cobrando aquilo que foi prometido e coerência”, descreve o deputado estadual Lucas Calil.

A intenção do partido é que seja lançado um nome próprio de candidato a prefeito de Goiânia, que caminha para ser o do deputado federal Francisco Jr, uma chapa forte para disputar cadeiras na Câmara Municipal. O trabalho do PSD tem a intenção de estimular o lançamento de concorrentes ao Executivo em todo o Estado, como vice-prefeitos e vereadores. “Queremos protagonizar a eleição de 2022. Quem sabem uma candidatura a governo!”

De acordo com Calil, o PSD quer se aliar com partidos que tenham empatia com o projeto pessedista em Goiás para a formação de “bons quadros, com pessoas qualificadas”. O deputado diz que o assunto 2022 ainda está muito distante, o que ainda não motivou uma reunião da Executiva do partido.

O parlamentar faz críticas à falta de aplicação de recursos da Agência Goiana de Transportes e Infraestrutura (Goinfra) e redução dos incentivos fiscais concedidos a indústrias e empresas. “O que o PSD quer apresentar é algo bem diferente do que está sendo feito.”

O PSD foi autorizado pela Justiça Eleitoral a ser refundado em 2011. Desde então, seu presidente estadual é o ex-deputado federal Vilmar Rocha, que nutre a intenção de um dia ocupar o cargo de senador. Nas eleições de 2018, Vilmar foi primeiro suplente de Marconi nas urnas.

Ao sair do DEM para criar o PSD em Goiás, o ex-deputado federal se afastou de Caiado. Mas em política, ainda mais depois da aliança do prefeito de Goiânia com o governador, tudo é possível. Hoje isso não está na mesa, como mostra a atuação de Lucas Calil na Assembleia. Mas é possível que o partido caminhe em 2022 com alguma das forças políticas, seja Caiado, Daniel ou um terceiro nome. Vanderlan Cardoso (PP)?

E o PP?

Presidente estadual do PP, Alexandre Baldy diz que parceria administrativa com governo Caiado pode se tornar aliança política se relação evoluir bem | Foto: Governo de São Paulo

Nas eleições de 2018, o PP optou por apoiar a candidatura de Daniel Vilela a governador. Da aliança saiu a eleição do senador Vanderlan Cardoso (PP). Mas o presidente estadual pepista, Alexandre Baldy, que é secretário estadual de Transportes Metropolitanos no governo de São Paulo, informou no final de setembro ao Jornal Opção que o PP firmou acordo administrativo com o governo Caiado.

De acordo com Baldy, o trabalho do partido até as eleições municipais de 2020 será para lançar candidatos do PP a prefeito no maior número de municípios possível. “Estamos fazendo um planejamento, pesquisas, para entender o que o goiano de cada cidade deseja para conseguirmos propor o que é o desejo daquele cidadão, daquela cidadã, e não ficar lançando ideias do que não sabemos objetivamente se é desejo da população”, destaca o presidente estadual.

Sobre transformar o apoio administrativo em aliança política para 2022 em Goiás, Baldy diz que primeiro o partido precisa pensar nas eleições do ano que vem. “Temos uma eternidade pela frente. Mas a relação administrativa pode ser bem sucedida e gerar possibilidade de se tornar política.”

Muito ainda será discutido sobre a situação de Vanderlan Cardoso, que é cotado por diversos nomes de diferentes partidos na capital como candidato a prefeito e, quem sabe, como concorrente de Caiado nas próximas eleições estaduais. Existem duas conversas. Uma dá conta de um acordo para Vanderlan disputar a Prefeitura de Goiânia contra Iris Rezende sem afetar a aliança do PP com o governo do Estado. Outra prevê a possibilidade de o senador mudar de partido.

Posicionamento do PT

Deputado federal Rubens Otoni (PT) afirma que seu partido está onde a população o colocou: na oposição ao governo do Estado | Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

O deputado federal Rubens Otoni reforça que o PT vai se manter no lado oposto ao governo Caiado. “A nossa postura é de estar onde o povo goiano nos colocou: na oposição. Na campanha, nossa candidata Kátia já alertava que Goiás precisava de uma mudança de verdade, não apenas de nomes”, observa o parlamentar.

Otoni destaca que o partido fará um trabalho firme e propositivo para apontar caminhos que foram propostos pela candidatura a governadora de Kátia Maria, presidente estadual do PT. “Governo Caiado depois de nove meses não mostra caminho para um desenvolvimento econômico e social no nosso Estado. Corta recursos da educação, fecha escolas, sinaliza a precarização da UEG [Universidade Estadual de Goiás].”

De acordo com o petista, o partido segue na realização de seminários e plenárias com debates em todas as regiões goianas. A entrevista ao Jornal Opção foi concedida antes de Otoni fazer visitas a oito municípios do Nordeste do Estado nos dias 5 e 6 de outubro. “Queremos fomentar o desenvolvimento regional a partir do potencial de cada localidade, valorizando a participação social e priorizando o interesse comunitário”, explica.

Para o deputado federal, ainda é cedo para “definir o espaço da oposição e sua força” em Goiás. “Mas não tenha dúvida que o PT a exercerá com muita responsabilidade e competência”, pontua Otoni.

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