PRP de Braga pode ser a opção de Ronaldo Caiado

Alternativa se daria pela dificuldade do senador em articular candidatura com apoio do PMDB, que está rachado mas tem pré-candidato próprio, que é o próprio presidente da sigla

Senador Ronaldo Caiado, do DEM: dificuldade em unir o PMDB no seu projeto político pessoal

O senador Ronaldo Caiado, do DEM, é pré-candidato ao governo do Estado em 2018. E nessa situação ele está em franca pré-campanha, movimentando-se tanto na capital quanto no interior. Tem buscado se viabilizar com prefeitos, numa ação praticamente isolada, visto que seu partido tem pouquíssimas lideranças de maior expressão, poucos prefeitos, que estão saindo e aderindo a outras siglas.

Exatamente pela fraqueza evidente de seu próprio partido, o movimento mais expressivo de Ronaldo Caiado na sua pré-campanha tem sido o PMDB, este sim, um partido com capilaridade e lideranças em praticamente todos os 246 municípios goianos. Caiado quer conquistar o apoio do PMDB e já conseguiu encantar uma parte da sigla para seu projeto pessoal.

Prefeitos de im­por­tantes cidades, co­mo Adib Elias, de Catalão, Ernesto Roller, de Formosa, e Paulo do Vale, de Rio Verde, já declararam que apoiam Ronaldo Caiado. E é sabido que o líder maior do partido, o prefeito de Goiânia, Iris Rezende, também gostaria de ter o líder ruralista como candidato do PMDB. O problema é que o partido tem seu próprio pré-candidato, o deputado federal Daniel Vilela, ninguém menos que o presidente da sigla.

Daniel, naturalmente respaldado pelo pai, o ex-prefeito e ex-governador Maguito Vilela, tem o comando de boa parte do partido. Por isso o PMDB está dividido e não se vislumbra uma solução tão cedo. Aliás, a possibilidade maior é que o racha se aprofunde com o passar do tempo.

Uma saída seria a filiação do democrata ao PMDB, o que já foi verbalizado positivamente pelo prefeito Adib Elias e pelo deputado José Nelto. Mas essa hipótese não garantiria a vaga para a disputa ao governo, porque os Vilelas têm comando de boa parte dos diretórios, principalmente no interior. O líder ruralista dentro do PMDB aumentaria exponencialmente as arestas, que já estão por demais eriçadas.

E, imaginando que Caiado entrasse no PMDB, como ficaria a relação com Daniel e Maguito Vilela? Eles aceitariam ser tutelados pelo ruralista? Sim, porque o histórico de Caiado é clara: ele não aceita menos que submissão total aos seus projetos pessoais. Lembrando que a briga do democrata com Marconi Perillo, de quem foi aliado por muito tempo, se deu exatamente porque o tucano não aceitou ser tutelado, o que levou ao rompimento. Daniel e Maguito também não entrariam nessa, por certo.

Em resumo: não está fácil a articulação do presidente do DEM para ter o PMDB em seu projeto pessoal. Político experiente, no alto de seus vários mandatos na Câmara dos Deputados e no exercício da senatória, o líder ruralista sabe de suas dificuldades. E sabe também que de sua articulação agora depende seu futuro político. A “folga” que ele tem de mais quatro anos de mandato no Senado lhe dá certa liberdade de ação, mas se articular errado agora, compromete o futuro. Por isso, Caiado tem seus planos alternativos para o ano que vem.

O plano B (ou C) do senador Ro­naldo Caiado para disputar o go­verno estadual no ano que vem tem nome: PRP, o Partido Republicano Progressista. É uma sigla nanica nacionalmente (tem três deputados federais), e também minúscula em Goiás (um representante apenas na Assembleia Legislativa, Major Araújo). O PRP é comandado pelo publicitário Jorcelino Braga, que foi secretário da Fazenda na gestão desastrosa de Alcides Rodrigues no governo estadual, de 2006 a 2010. Braga é um tido como um bom articulador de bastidores.

Mas, pode-se perguntar qual seria a vantagem para Caiado trocar seu DEM pelo PRP?
Um nanico por outro?

Vereador Jorge Kajuru, deputado federal Waldir Soares, médico Zacharias Calil e publicitário Jorcelino Braga na articulação com Caiado. Daniel e Maguito são contra entregar PMDB ao presidente do DEM

Isolado apenas com o DEM, Caiado teria dificuldade até para fechar uma chapa, pela falta de opções. No PRP, de cara, já teria mais nomes para formar uma chapa majoritária mais competitiva, com ele encabeçando e o vereador Jorge Kajuru para o Senado (ou Câmara Fe­deral). Kajuru, nas atuais circunstâncias, é visto como um “puxador de votos”, premissa baseada em sua votação estupenda para a Câmara de Goiânia no ano passado — campeão absoluto de sufrágios na história, lembrando ainda que na eleição de 2014, para deputado federal, ele não foi eleito, mas teve mais de 100 mil votos.

Um puxador de votos é tudo o que Caiado precisa para vitaminar sua chapa. E pelo que se sabe, nesse projeto estariam, além de Kajuru, o deputado federal Delegado Waldir Soares, hoje no PR, e o médico Zacharias Calil, que ainda não estreou nas urnas, mas cuja respeitabilidade, presume-se, é passaporte para uma boa votação ao cargo que se dispuser a disputar.

Prefeitos peemedebistas Adib Elias, Ernesto Roller, Paulo do Vale e Iris Rezende querem Caiado, enquanto os prefeitos Tiago Pedra Grande, Marconni Pimenta e Odair do Odélio deixaram a barca do ruralista

Essa chapa já estaria, portanto, montada: Caiado ao governo e Kajuru e Waldir Soares ao Senado (Waldir também poderia ser vice). Os suplentes nem teriam importância. Já Zacharias Calil disputaria a Câmara dos Deputados, com um potencial de votos muito interessante — pelo menos nos cálculos dos articuladores do PRP, Jorcelino Braga à frente.

O problema maior de Ronaldo Caiado talvez nem seja unir a oposição ou a formação de chapa, mas sim a falta de um projeto consistente para mostrar ao eleitorado goiano. Seu projeto na pré-campanha tem sido única e exclusivamente “bater” em Marconi Perillo. Um foco errado, mesmo porque o tucano-chefe não será o adversário em 2018.

Alexandre Baldy vai assumir o comando do DEM em Goiás?

Articulação de bastidores para que o deputado Alexandre Baldy assuma comando do Democratas no Estado

A ida de Ronaldo Caiado para o PRP pode vir a ser mais que uma contingência apenas optativa para a disputa ao governo em 2018. Ao arrepio de sua vontade, o senador pode perder o DEM que ele controla com mão de ferro há muito tempo em Goiás.

Há algumas semanas, circula nos bastidores da política goiana uma possível retirada do DEM das mãos do senador, numa movimentação dos próceres do partido em Brasília. O argumento é de que sob o comando de Caiado, o DEM goiano vem se enfraquecendo mais a cada eleição, perdendo quadros com mandato e sem mandato, que migram para outras siglas. No dia 17 passado, dos dez prefeitos do DEM, três saíram: Thiago Pedra Grande (Faina) e Marconni Pimenta (Britânia) assinaram ficha de filiação ao PSDB, e Odair do Odélio (Bom Jardim) ao PP governista.

Com os rumores cada vez mais fortes de que DEM será tirado de Ronaldo Caiado, a assessoria do senador tratou de “esfriar” o zunzum. No início deste mês, uma rádio goiana entrevistou o presidente nacional do DEM, senador José Agripino Maia (RN), que negou totalmente a possibilidade de Caiado perder o comando do partido em Goiás.

Presidente do DEM, Agripino Maia diz que Caiado é referência

Agripino Maia rasgou elogios ao correligionário goiano, e reafirmou a candidatura de Ronaldo Caiado ao governo de Goiás em 2018, sob argumento de necessidade de troca do comando político no Estado. O presidente nacional do Democratas além e disse que Caia­do é uma das figuras mais tradicionais do partido, e que pelo en­tendimento dele, o goiano é um mo­delo de político que acaba se tor­nando um exemplo a ser seguido.

Mas a verdade é que, em Brasília, os cabeças do DEM não têm essa satisfação toda com o correligionário goiano. As críticas são pesadas e a situação de esvaziamento do partido em Goiás não passa despercebida.

A conexão Baldy

No dia 23 passado, a coluna Bastidores do Jornal Opção noticiou em primeira mão que o deputado federal Alexandre Baldy, que recentemente desfiliou-se do Podemos (ex-PTN), poderia se filiar ao DEM na companhia de oito a dez deputados federais. E o destino do deputado, numa articulação nacional, seria o DEM, que em Goiás passaria a ser comandado por Baldy.

A própria nota dos Bastidores registra que a articulação estava num estágio muito inicial, observando as dificuldades de tal movimento, visto que o DEM em Goiás é praticamente um feudo do senador Ronaldo Caiado. Mas anota também que na articulação está o próprio deputado Rodrigo Maia, democrata que hoje é o poderoso presidente da Câmara dos Deputados e aliado do presidente Michel Temer.

Presidente Temer observa com interesse o movimento do DEM

Registra a nota: “Entretanto, como afastar um senador da República? Não é fácil. Mas integrantes do DEM, alguns deles de proa, fazem a seguinte pergunta: ‘Se Ronaldo Caiado ganha com o DEM, inclusive a possibilidade de disputar o governo de Goiás, o que, a rigor, o DEM ganha com o senador?’ Um democrata sublinha que, sob a presidência de Ronaldo Caiado, o DEM não elegeu ne­nhum deputado estadual e nenhum deputado federal em 2014 (vale lembrar que o Fundo Partidário é definido pelo número de deputados federais, não pelo número de senadores). Além disso, o partido não tem dez prefeitos em Goiás. Pensa-se, entre alguns líderes, que, com Alexandre Baldy, o DEM em Goiás pode voltar a crescer.”

No dito popular, onde há fumaça há fogo. Fato é que os rumores de “tirada” do DEM das mãos de Ronaldo Caiado têm se tornado mais persistentes. Nessa articulação de cima para baixo, estariam líderes como o já mencionado Rodrigo Maia e outros.

Rodrigo Maia articula para que o DEM volte a ter influência nacional

Um observador interessado nessa articulação é ninguém menos que o presidente Michel Temer. Explica-se, apesar de o DEM ser aliado do Temer, Caiado se colocou francamente em oposição ao peemedebista. Mesmo num governo em crise, Michel Temer é o presidente do País, tem a caneta na mão. E, realisticamente, dificilmente ele não completará seu mandato.
Fato é que a posição de confronto ao governo adotada por Ronaldo Caiado está atrapalhando o projeto do DEM de voltar a ter influência em Brasília. O líder ruralista surfa numa onda pessoal e não fortalece a sigla. Se no plano nacional o prestígio pessoal do goiano, que é inegável, não é transmitido ao partido, em Goiás a situação é ainda pior: o DEM vem se desmilinguindo a olhos vistos a cada eleição sob o comando ditatorial e personalista de Ronaldo Caiado.

2 respostas para “PRP de Braga pode ser a opção de Ronaldo Caiado”

  1. Geniana disse:

    Partido que tem Major Araujo deputado Estadual que vale por 10 Vereador mais votado da capital Kajuru Prefeito de uma cidade importante como Santa Helena o PRP pode ser pequeno em numeros quantitativos mais e bem grande na qualidade de seus membros.

  2. IVO ANDRADE disse:

    OLHA O TIRO PELA CULATRA…PRP ?

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