Prefeitura corre contra o tempo para sanar prejuízos deixados pelas chuvas em Goiânia

Os estragos deixados pelas chuvas que caíram até agora – e os que ainda podem ser contabilizados – são muitos e de todos os tipos, em praticamente todas as partes de Goiânia

Carro fica quase submerso em via pública de Goiânia, após chuva forte | Foto: Jucimar de Sousa/Mais Goiás

Desde o início do ano o município de Goiânia tem, literalmente, perecido debaixo d’água. As chuvas que têm se abatido sobre a capital goiana acenderam o alerta vermelho das autoridades devido ao grande volume e intensidade com que têm caído. Choveu, nos primeiros 14 dias do ano, o equivalente a 80% do previsto para janeiro. No último fim de semana, por exemplo, nos dias 9 e 10 de janeiro, a água caiu do céu a ponto de deixar alagados diversos pontos de Goiânia, derrubar árvores (danificando redes de energia elétrica e edifícios) e desabrigar dezenas de pessoas. A chuva caiu na medida em que o desespero aumentou.

Para se ter uma ideia, conforme o Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas do Estado de Goiás, o Cimehgo, no sábado, dia 9, houve um índice pluviométrico de 75 milímetros (mm) na região de Campinas; 45 mm na região Leste; 42 mm na região Central; 31 mm na região Norte e 15 mm na região Noroeste.

Quatro dias depois, na quinta-feira, dia 14, o volume de água que caiu sobre a cidade foi de 50 mm, voltando a assustar a população. Vale destacar que a média histórica para todo mês de dezembro é de 246 mm.

Os estragos deixados pelas chuvas que caíram até agora – e os que ainda podem ser contabilizados, uma vez que, conforme a Defesa Civil, os dias que se seguem devem vir carregados de água – são muitos e de todos os tipos, em praticamente todas as partes de Goiânia. De acordo com dados da Prefeitura de Goiânia, além das dezenas de registros de inundações em praticamente todas as regiões da cidade, cerca de 100 árvores caíram na capital desde o último fim de semana.

Após chuvas, prefeitura faz limpeza preventiva de bueiros | Fotos: Seinfra

Bairros como a Vila Roriz, setor São José, Jardim Europa, Vila Alpes, setor Bueno e Jardim América foram alguns – dos vários – que foram fortemente impactados pelas chuvas. Depois das chuvas de sábado, uma enorme cratera se abriu na rua C4, no Jardim América. O buraco, aberto no meio da pista, se escancarou após o rompimento de uma galeria pluvial.

Na rua 12 do Jardim Goiás, foi uma vala que se abriu com as chuvas, ao lado de uma residência, e também chamou atenção por quem passava pelo local. No Jardim Europa, nas proximidades da avenida Itália, uma mulher teve de deixar sua casa apenas com a roupa do corpo e ir para a casa de parentes após, no dia 9,  a água levada pela enxurrada chegar ao nível de 1,5 metro no interior da residência. Para onde se olha há relatos ou vestígios dos danos provocados pela chuva.

Intervenções

A situação de caos levou a prefeitura, ainda no dia 9, a anunciar uma força-tarefa para reparar os danos provocados pela água e atender às famílias afetadas. Membros das secretarias de Infraestrutura Urbana (Seinfra), Planejamento Urbano e Habitação (Seplanh), Mobilidade (SMM), Desenvolvimento Humano e Social, além de Meio Ambiente (Amma), Defesa Civil e Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) começaram a agir imediatamente, sob comando do prefeito Rogério Cruz (Republicanos).

No domingo (10), uma comitiva formada por Cruz e representantes das pastas integrantes da força-tarefa visitou alguns dos locais mais afetados pelas chuvas, entre eles a Vila Alpes, Aurora, São José e Vila Roriz. No entanto, segundo o titular da Seinfra, Luiz Bittencourt, “praticamente a cidade toda tem problemas de drenagem e consequências das chuvas”.

Ao Jornal Opção, o secretário informou que sua pasta realizou uma “escola de prioridades” e está atuando gradativamente no reparo dos danos e obedece critério técnicos, materiais e de localização, observando, segundo ele, as dificuldades de execução de obras em decorrência do período chuvoso.

Conforme Bittencourt, A Seinfra realiza intervenções de todos os tipos: limpeza de boca de lobo, tapa buracos, recuperação de calçadas, recuperação e substituição de rede de drenagem, reconstrução de vias que afundaram. “São pequenas, médias e grandes intervenções. Algumas nós não vamos conseguir nem fazer agora devido à complexidade”, adiantou o secretário.

Vala aberta em rua do Jardim Goiás | Foto: Reprodução

Em alguns locais, segundo Bittencourt, serão necessários reparos específicos, como no caso da Vila Alpes que, de acordo com o secretário, precisará de contenção lateral uma vez que o fluxo de água na região durante as chuvas é bastante intenso.

Na Vila Roriz, foi identificado que área alagada fica abaixo do nível da Avenida Goiás e no mesmo nível da margem dos rios Anicuns e Meia Ponte. A equipe da Seinfra avalia que será necessário um estudo sobre a ampliação do dique de contenção, o que para os técnicos facilitaria o escoamento das águas das chuvas. Além disso, uma dragagem será feita no rio para melhorar as condições na região.

No entanto, são vários os lugares que terão atuação da Seinfra, entre eles as avenidas, Jamel Cecílio, 24 de Outubro e Anhanguera, a Marginal Botafogo e também a Cascavel. Segundo Bittencourt, o prazo para os reparos é “enquanto durar o período chuvoso”, o que compreende do mês de janeiro a março.

“Estamos fazendo atuação emergencial, o tempo todo, até acabar o período de chuva. Mas à medida que isso for se transformando num projeto de médio e longo prazo, de planejamento, que não cabe mais improvisação, aí nós vamos entrar numa linha de solução consequente, em que faz hoje pra ajudar a resolver o problema amanhã”, conclui o secretário.

Vale lembrar que já está em discussão a estruturação do Plano Diretor de Drenagem Urbana de Goiânia, o que, para Bittencourt, seria uma solução definitiva para a questão. No entanto, ainda não há definições quanto à questão.

Atendimento às famílias

Ao Jornal Opção, o secretário de Desenvolvimento Social e Humano de Goiânia, José Antônio da Silva Netto, revelou que o trabalho de atendimento às vítimas de enchentes e alagamentos provocados pelas recentes chuvas teve início ainda na noite de sábado, 9.

Conforme Netto, naquele dia, equipes da Secretaria de Desenvolvimento Social visitaram famílias que haviam acionado a Defesa Civil por conta dos danos provocados pelas chuvas e que passaram a ficar em situação de vulnerabilidade. O secretário afirma que, a partir daquele momento, acionou a coordenação especializada de abordagem social para empenhar e qualificar os trabalhos.

Ainda conforme Netto, os principais pontos visitados estavam na Vila Alpes e na Vila São José. Ele conta que a pasta realizou, até agora, uma abordagem com 10 pessoas de quatro famílias, deixando à disposição delas os centros de acolhimento. “No entanto, as quatro famílias tinham parentes que tinham condição de recebê-los em suas casas. Eles preferiram ir para a casa de seus familiares”, relata o secretário.

“Fizemos o relatório e colocamos nossas assistentes sociais para acompanhar. No domingo pela manhã, o prefeito Rogério fez questão de visitar essas famílias pessoalmente para demonstrar o compromisso dessa gestão”, pontuou.

Os bairros de Goiânia que estão recebendo visitas da coordenação de abordagem, segundo a Secretaria de Desenvolvimento, são: Vila Redenção, Jardim América, Vila Aurora, Parque Amazônia, setor Coimbra, Vila Roriz, São José, além da intensificação nas avenidas T-2, T-9, Marginal Cascavel, Marginal Botafogo e Nazareno Roriz.

Netto informou ainda que uma reunião entre membros das secretarias envolvidas na força-tarefa da prefeitura foi realizada. O intuito foi determinar que, “antes de uma nova forte chuva, já se faça o levantamento dos pontos vulneráveis do ponto de vista estrutural de Goiânia, para que a coordenação de abordagem já faça visita antecipada nas casas”. “Se a Defesa Civil, por ventura, identificar fragilidades no ponto de vista estrutural dessas residências, a gente já poder se antecipar a possíveis tragédias”, disse.

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