Práticas saudáveis que evitam doenças cardiovasculares

Infarto, AVC e insuficiência cardíaca são responsáveis por uma morte a cada dois minutos no Brasil

Salve Seu Coração, evento ocorrido em Aparecida de Goiânia, orientou moradores sobre possíveis transtornos cardíacos

Salve Seu Coração, evento ocorrido em Aparecida de Goiânia, orientou moradores sobre possíveis transtornos cardíacos

Augusto Diniz

A estimativa de mortes por problemas cardiovasculares no Brasil em 2015 chegou a 346.896. Os dados da Sociedade Brasileira de Cardi­ologia (SBC) dão conta de que já podem ter morrido neste ano mais de 260 mil pessoas no País. Até a noite de sexta-feira (30), o mês de setembro marcava um número superior a 28 mil óbitos por doenças do coração.

Em todo o mundo, morrem por ano 17,5 milhões de pessoas por doenças cardiovasculares. Esse dado da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram uma realidade que é muito mais alarmante, por exemplo, do que a também preocupante realidade da segurança pública. O Mapa da Violência 2016, disponível desde agosto deste ano, aponta que em 2014 aconteceram 58.946 assassinatos no Brasil, 42.291 deles com uso de armas de fogo.

O risco de ser acometido por um infarto também inclui o fator da imprevisibilidade. Porque essa doença, quando acontece, ela não dá avisos até ocorrer, ela vem de uma vez. De repente uma pessoa aparentemente saudável que vive sua rotina pode ser atingida por uma dor em muitos casos se torna fatal.

Há práticas consideradas simples pelos profissionais da área de saúde que podem mudar essa realidade. E não tem outro jeito. É preciso mudar hábitos, desde a alimentação a deixar de lado o sedentarismo e começar a fazer atividades físicas.

O cardiologista Maurício Lopes Prudente diz que já é possível notar algumas mudanças de comportamento nos hábitos da população, como a redução do número de fumantes, mas que ainda há um certo desleixo com a própria saúde. “Ainda tem muito o que se conscientizar com relação ao estresse, alimentação, obesidade e sedentarismo.” É preciso se atentar aos fatores de risco, entre eles os já citados obesidade e sedentarismo, além da hipertensão, colesterol alto e quem tem histórico familiar de doenças cardiovasculares, além de diabetes. “A população pode ajudar muito”, aponta.

Os profissionais de saúde fogem dessa máxima de que todo gordo tem que ser magro e que todo mundo precisa fazer academia. Não significa, necessariamente, que quem está acima do peso tem colesterol alto e quem está magro não sofre desse problema. O importante é cuidar da saúde e consultar o médico com regularidade.

Atividade mínima

Fisioterapeuta Giu­liano Gardenghi: "Nem toda atividade é recomendada"

Fisioterapeuta Giu­liano Gardenghi: “Nem toda atividade é recomendada”

Todos os profissionais de saúde concordam que não há como correr da atividade física, que melhora até a disposição da pessoa. Mas não há um consenso sobre o tempo mínimo diário de atividade física que é necessário para se reduzir a chance de ter doenças cardiovasculares.
Alguns falam em cinco ve­zes por semana de 30 a 40 minutos, outros de no mínimo 50 minutos diários, já há quem entenda que de três a quatro vezes por semana ajudaria a melhorar a qualidade de vida. Mas todos concordam que o mais importante é incluir o hábito da atividade física na vida da pessoa, mesmo que se inicie com 20 minutos diários e aumente gradualmente esse tempo.

Para o cardiologista Fernan­do Henrique Fernandes, os cuidados com a saúde ainda precisa ser melhorado. “A gente tem tentado conscientizar a população de medidas que a população pode adotar para evitar problemas cardiovasculares. A primeira área de atuação é a prevenção.”
Talvez nada do que você leu até aqui seja novidade, mas é importante lembrar, porque os médicos continuam a afirmar que muita gente vê um parente ou amigo morrer por doenças do coração e mesmo assim ainda acredita que que com elas não há risco de acontecer o mesmo problema. “Sair da inércia é o mais importante”, diz Fernando.

A atividade física precisa também da orientação adequada. A partir do momento em que um médico indica a necessidade de fazer exercício, é preciso que se busque um profissional capacitado a indicar a melhor intervenção e qual a carga aquela pessoa pode suportar. “Achar que mais é melhor e fazer a cada dia mais sem orientação adequada, essa atividade pode ser lesiva”, observa o fisioterapeuta Giu­liano Gardenghi.

O sedentarismo é um dos grandes problemas que acentuam a chance de ter problemas de saúde, principalmente os relacionados ao coração. “A pessoa que faz exercícios vive mais, tem muito mais disposição, é uma pessoa que vai viver melhor, vai se relacionar melhor na sociedade. O exercício libera hormônios que são relacionados ao prazer. Não há porque não fazer. A dificuldade é começar. No começo dói um pouquinho, principalmente se você usar intensidades muito altas.”

E a alimentação?

Bruna Aniele: "É preciso evitar o consumo excessivo de sal e conservantes"

Bruna Aniele: “É preciso evitar o consumo excessivo de sal e conservantes”

As dicas do fisioterapeuta devem acompanhar cuidados com a alimentação. A nutricionista Bruna Aniele Cota, da Secretaria Municipal de Saúde de Aparecida de Goiânia, deu dicas à população na quinta-feira, 29, durante o evento Salve Seu Coração, na Praça da Família. Entre os alertas dados por Bruna estão a necessidade de evitar o consumo excessivo de sal e conservantes, que estão presentes em grande quantidade nos alimentos industrializados.

Comer fora de casa, com uma rotina que deixa a pessoa muito tempo na rua, torna ainda mais difícil o cuidado com a alimentação. “Hoje infelizmente nós acabamos agregando para os nossos hábitos alimentares costumes até então que nós não tínhamos, como o consumo de fast foods. E a oferta de alimentos que não são benéficos para o coração são muito grandes. São alimentos que têm um preço mais acessível. Há uma oferta muito grande e um marketing em cima desse alimentos.”

A mudança de hábito se faz necessária não só na realização de atividades físicas diárias, mas na alimentação, como voltar da feira ou do mercado e já deixar, por exemplo, salada e frutas lavadas para facilitar na hora da fome a escolha por um produto mais benéfico para o organismo. “Hoje o risco é muito grande e é ocasionado por uma vida não muito saudável”, alerta Bruna.

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