População de Trindade lota avenida no carnaval dos 30 anos do Grupo Desencanto

Padre Angelo Licati “salvou” a iniciativa, em seu início, destinando local para as atividades culturais; desfile relembrou a trajetória de três décadas

Desfile da Acadêmicos de Trindade homenageou 30 anos do Grupo Desencanto | Foto: Jaqueline Costa

Fábio PH
Especial para o Jornal Opção

Não me leve a mal, pecado é não brincar o Carnaval.” Apro­veitando esta frase novíssima, do carnaval 2018, da Estação Primeira de Mangueira – que por certo tornará uma máxima –, ela serve para lembrar a ótima ação do padre Angelo Licati, ao evitou o fim do Grupo Desencanto de Teatro, em seu início. A turma de Amarildo Jacinto ensaiava na escadaria da Basílica, naquela época, conhecida como “igreja nova” e foi proibida de continuar usando o espaço.

Padre Angelo, pressionado a escorraçá-los, pelo contrário, conseguiu um oportuno local para que continuassem a promover as ações culturais que, na atualidade, comemoram 30 anos e muito tem promovido Trindade para o cenário nacional e até mesmo internacional.
Trinta anos, 30 cromos para quem nos acompanha pelo Facebook, fotos belíssimas de Jaqueline Costa, a narração do desfile teve a competência do excelente Warley Lopes. Abaixo, o texto afinado de Paulo Afonso Tavares.

Cores, emoção, samba, tradição, cultura e história tomaram conta da Avenida Manoel Monteiro, com o desfile da Escola de Samba Acadêmicos de Trindade em parceria com a Prefeitura da cidade, por meio do prefeito Jânio Darrot (PSDB), na noite de domingo, 11, homenageando os trinta anos do Grupo Desencanto de Teatro. De acordo com o diretor artístico do grupo, carnavalesco Amarildo Jacinto, no desfile foram utilizadas as cores da fé: vermelho e dourado, tradicionais da Escola, com oito alas, cinco carros alegóricos e uma sequência de destaques no chão.

“Na comissão de frente tivemos três alas, a dos soldados romanos representando a grande Caminhada de Fé que o grupo desenvolve, na Sexta-Feira da Paixão; a das porta-bandeiras, representando a escola de samba do grupo; e a dos mestres-salas, arlequins representando o Festival de Artes ao Ar Livre (Faal). Ainda tivemos as alas da bateria, da dança, das baianas e a das crianças. Contamos com cinco carros alegóricos, o primeiro representando o Faal; o segundo, as escadarias do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno, onde iniciou o Desencanto; o terceiro, o Festival de Teatro; o quarto, a música; e o quinto, as artes plásticas. E também tivemos 1,2 mil alegorias compondo a escola”, explicou o diretor.

Para o professor universitário Ali Kalil Ghamoum, que todo ano acompanha o desfile, essa edição – que foi mais rápida, por causa da chuva – não perdeu seu brilho. Pelo contrário, ele considera que foi muito boa, já que continuou a resgatar a tradição carnavalesca de Trindade, não a deixando morrer. “Não deixar o carnaval morrer aqui é uma luta constante e anual do Grupo Desencanto de Teatro”, contou.

Um dos melhores de rua em Goiás, atualmente o desfile da Escola de Samba Acadêmicos de Trindade é o único evento carnavalesco aberto para todos os moradores do município, por isso tem uma grande importância cultural. “Nós buscamos retratar o que a nossa comunidade anseia em termos de cultura e prova disso foi a grande multidão na avenida prestigiando o evento”, completou Amarildo.

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