PMDB pode aliar com Waldir

Decano desiste — será mesmo? — e o partido fica entre lançar um nome pouco competitivo ou coligar-se com Vanderlan Cardoso ou a Waldir Soares

Alexandre Parrode/Jornal Opção

Alexandre Parrode/Jornal Opção

Cezar Santos

O pranto de Iris Rezende ao anunciar que não atenderia o pedido do “fica” feito por dezenas de correligionários na sexta-feira, 15, diz muito da situação do PMDB. O partido vive uma situação dramática, digna mesmo de choro por muitos que viveram na sigla dias de glória, à sombra desse mesmo Iris Rezende.

Como registrou o repórter do Jornal Opção Mar­celo Gouveia, nem mesmo o clamor da militância do PMDB fez com que o ex-governador e ex-prefeito voltasse atrás em sua recém-anunciada aposentadoria política. Esses 200 e poucos militantes, que antes se dizia que seriam milhares, se reuniram no escritório político do decano, no Setor Marista, para pedir que ele recuasse em sua decisão e disputasse a Prefeitura de Goiânia.

Aos prantos, no entanto, Iris reiterou sua posição e clamou compreensão. O velho líder pediu reconhecimento para as novas lideranças do PMDB e afirmou não ter dúvidas de que o partido segue em boas mãos.

Choros e comoções à parte, a pergunta que se faz é: o que será do PMDB no processo de sucessão em Goiânia, quando se sabe que a conquista da Prefeitura é de fundamental importância para o projeto de governo em 2018?

Iris Rezende foi, desde sempre, o maior nome do partido. Nessa condição liderava as pesquisas e, mesmo que essa liderança não fosse disparada pois em empate técnico com o deputado Waldir Soares, o PMDB não tinha (não tem) outro nome.

Encruzilhada

A partir da desistência de Iris — há quem aposte que isso ainda é um jogo de cena, porque ele pode desistir da desistência até o prazo final para a convenção, 4 de agosto —, o PMDB fica numa encruzilhada nada fácil. O dilema peemedebista é: lança um nome pouco competitivo ou embarca em outra candidatura, indicando a vice?

No caso da primeira possibilidade, os nomes mais prováveis são o do vice-prefeito Agenor Mariano e os deputados estaduais Bruno Peixoto, presidente metropolitano da sigla, e José Nelto — para constar, também já se falou no deputado federal Daniel Vilela.

A situação do PMDB não é fácil com esses nomes. A Agenor Mari­ano falta estofo político e maior traquejo — ele nunca se notabilizou pelo poder de aglutinação. Bruno Peixoto é mais diplomata, tem certa penetração no meio empresarial, mas também é um nome que dá muito trabalho imaginar que deslanche numa campanha majoritária.

Já o deputado José Nelto é dos políticos mais experientes do partido, mas até colegas seus dizem, na surdina, que sua inabilidade e índole belicosa são dificultadores. Observando ainda que Nelto não apareceu no encontro do “fica, Iris”, movimento para o qual ele tinha feito uma campanha intensa nas redes sociais nos dias anteriores. Isso deve significar algo.

Uma observação: a informação é que o questionário da próxima pesquisa Serpes/O Popular registrada na Justiça Eleitoral vai informar que Iris Rezende não será candidato a prefeito de Goiânia, pedindo apenas que o eleitor diga se pensou em votar no decano e se gostaria que Iris fosse candidato. O questionário vai incluir os nomes dos peemedebistas Agenor Mariano, José Nelto e Bruno Peixoto entre os prefeitáveis do PMDB.

Voltemos, então, à segunda possibilidade do PMDB para o pleito de outubro: aliança com Vanderlan Cardoso ou com Waldir Soares.

Vanderlan já vinha conversando com o PMDB. As tratativas para essa possível aliança sempre estiveram no horizonte do “socialista”, que nunca descartou a hipótese de Iris não disputar e, em Iris não disputando, as coisas ficam muito mais fáceis. Agora, essa conversação deve se aprofundar. A fortalecer essa parceria há o beneplácito entusiasmado do senador Ronaldo Caiado (DEM).

Fotos: Arquivo

Fotos: Arquivo

Waldir Soares

Sim, a possibilidade de o PMDB embarcar na canoa do vice-líder das pesquisas — agora, sem Iris, passa a ser o líder com folga, certamente —existe. Tanto os peemedebistas quantos os republicanos já admitiram conversas, naquela base de todos conversam com todos, para ver como fica mais na frente.

Aqui, não tem como não lembrar uma frase que Waldir disse ainda no ano passado: “Iris Rezende tem 83 anos de idade e pode abrir mão de sua candidatura para um nome novo e com real chance de vitória.”

Fato é que o deputado-delegado ganharia ainda mais força com o PMDB em sua vice. Mas, Waldir sempre disse que sua campanha não seria de “loteamento” de cargos. Alguém imagina o PMDB não “loteando” cargos? Impossível para qualquer partido, ainda mais um com a força do PMDB.

Maguito

No “fica, Iris”, o ex-governador e prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela, admitiu que a construção de outra candidatura do PMDB para a Prefeitura de Goiânia seria muito difícil a esta altura. “Mas vamos conversar com os nomes que temos disponíveis. Se não construir outro nome, ou não tiver ninguém disposto, o partido pode e deve apoiar candidato de outro partido. Se a gente não tem candidato ideal, mas o PT, o PSDB, o PTB, o PSC tiverem, por que não apoiá-los?”, questionou.

PSDB? Bem, se não foi confusão do repórter, imagina-se que tenha sido apenas um lapso de Maguito. Mesmo porque ele não citou os dois partidos que realmente interessam ao PMDB nessa aliança em Goiânia: o PR de Waldir Soares e o PSB de Vanderlan Cardoso.

Finalizando, o dilema terrível do PMDB vai ser, com certeza, o teste de fogo de seu jovem presidente. Caberá ao deputado Daniel Vilela a condução de uma solução para esse problema. Se não for bem-sucedido, o PMDB continuará sua marcha inexorável ladeira abaixo.

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