Pesquisa confirma que a advocacia de Goiás não quer voltar ao passado

Gestão de Lúcio Flávio é aprovada por mais de 70% dos advogados e atual presidente desponta como favorito

Lúcio Flávio, Pedro Paulo e Alexandre Caiado: o primeiro aparece com 52,4%, o segundo, com 20,3% e o último, com 10,2%, segundo pesquisa Diagnóstico | Fotos: arquivo

A primeira pesquisa publicada sobre a sucessão na Ordem dos Advogados do Brasil — Seção Goiás (OAB-GO) confirma o que reservadamente já se comentava. O favoritismo do presidente, Lúcio Flávio de Paiva, é cristalino e revelador de que o passado com problemas da ordem goiana não foi esquecido.

O histórico de endividamento e de falta de transparência, de divisões internas explosivas e de atrelamento partidário da instituição, somado a uma gestão moralizadora e realizadora, completam o quadro favorável ao atual grupo, que, com muita fidelidade ao sentimento dos advogados, lançou a chapa “Pra Frente OAB”.

Os números do Instituto Diagnóstico, apurados nos dias 5 e 6 de novembro e divulgados em primeira mão pelo Jornal Opção no dia seguinte, mostram um horizonte confortável para o atual presidente, mais até do que o fora em 2015.

Lúcio Flávio tem 52,4% dos votos totais, contra 20,3% de Pedro Paulo de Medeiros e 10,2% de Alexandre Caiado. Se naquela eleição o atual presidente bateu os adversários com 56% dos votos válidos, nesta, a considerar os números do Diagnóstico, o atual presidente terá uma vitória consagradora com 63% dos votos válidos — apesar do conforto, Lúcio Flávio segue em forte ritmo de campanha “com muita humildade”.

Mas o que explica o fenômeno Lúcio Flávio para além da constatação de que a advocacia não quer andar para trás? É que Lúcio já era, naquele não tão distante 2015, a manifestação do desejo de mudança do cidadão. O cansaço com um modelo que, em outubro, varreu do mapa do Brasil a velha política do fisiologismo, do populismo e da corrupção.

É por esse motivo, entre outros, que o apelo dos adversários por uma “nova mudança” não ecoa entre os advogados. Fato é que, egresso da tão criticada OAB Forte, detentor do apoio de todos os ex-presidentes do agrupamento hegemônico na política classista da OAB-GO por quase 30 anos, o advogado Pedro Paulo de Medeiros não consegue emplacar a sua Nova OAB. Porque está visceralmente associado ao passado que levou a ordem goiana a muitas manchetes depreciativas, como gosta de relembrar Lúcio Flávio.

Pedro Paulo comete, porém, outros equívocos. No intento de associar-se aos dissidentes de Lúcio Flávio, incorporou uma pauta de vingança do grupo vinculado ao conselheiro federal Leon Deniz, que rompeu com o atual presidente na metade da gestão. Mas, o que ao grupo dissidente é vendido como defeito, “autoritarismo”, ao advogado só confirma virtudes: liderança e pulso firme. Lúcio Flávio confirmou aquilo que seu eleitor esperava dele: independência. Errou feio quem pensou que seria um marionete de Leon.

Aprovação

A gestão, pelo Diagnóstico, tem aprovação de mais de 70% de advogadas e advogados, na capital e no interior, onde Lúcio Flávio cresceu vertiginosamente desde a eleição de 2015. Se naquele pleito as subseções eram seu calcanhar de Aquiles, hoje é seu bastião mais reforçado. Tanto que teve certa dificuldade de administrar conflitos de grupos contrários no interior, todos querendo seu apoio. A chapa “Pra Frente OAB” entra na disputa com chapas formadas e em condições de disputa em 47 das 53 subseções. Pedro Paulo formou agrupamentos em apenas 22.

A gestão de Lúcio Flávio frente à OAB-GO fez pesados investimentos no interior, que tinha dificuldades estruturais gigantescas. O fez com muito trabalho, e muita austeridade, produto de um choque de gestão muito eficiente. Lúcio levou benefícios diversos à advocacia toureando um dívida pesada, orçada em R$ 23 milhões pelo próprio Conselho Federal. E esse trabalho tende a ser reconhecido no dia 30 de novembro.

A OAB-GO também fez muito pela qualificação do advogado, dentro da premissa de que valorizar o jovem advogado, que sai da faculdade para encarar um mercado de trabalho altamente saturado, e oferecer a ele a instrução para que possa de destacar e diferenciar-se. A Escola Superior da Advocacia (ESA-GO) produziu, em 30 meses, mais de mil cursos, emitindo para além de 40 mil certificados. Um trabalho monumental.

A gestão Lúcio Flávio também deu plena autonomia à Casag, que profissionalizou-se, interiorizou-se e tornou-se uma referência em prestação de serviços e assistência à classe. A Casag hoje é a gestora do CEL da OAB, o clube dos advogados, que deixou de sangrar os cofres da instituição em R$ 2 milhões ao ano para trilhar um caminhar sem volta da autonomia financeira.

O advogado reconhece também a profunda moralização da instituição, com a implantação, ainda no primeiro ano da gestão, do Portal da Transparência da entidade, que rivaliza com o site do Senado em funcionalidade e facilidade de acesso aos dados. É, à distância, a plataforma mais moderna e intuitiva de todo Sistema OAB.

Por fim — e não só, para não alongar demais —, a OAB-GO voltou a ser porta-voz dos interesses da sociedade. Questionou governo do Estado, prefeitura da capital e Poder Judiciário quando a situação assim o exigiu. E com muita coragem. A OAB é hoje chamada a opinar — e não raro a divergir — sobre todas as questões sensíveis das comunidades. E isso é um ganho não só da advocacia, mas de toda a cidadania. l

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