Para eleger deputados, partidos intensificam diálogo de olho no voto dos aliados

Em busca das 41 cadeiras na Assembleia Legislativa e 17 na Câmara dos Deputados, legendas avaliam possibilidade de unir forças a outras siglas

Em Goiás, coligações proporcionais permanecem, na maioria, instáveis até o momento | Foto: Sergio Ricardo Sandes Rocha

Felipe Cardoso

No sistema político brasileiro, para que os candidatos sejam eleitos é de grande importância que estabeleçam alianças. As coligações são responsáveis pelo recrutamento de votos e movimentação eleitoral. Essa aglutinação de forças permite que partidos políticos menores, ao apoiarem candidatos com maior intenção de voto, recebam certos benefícios caso sejam eleitos.

Apesar de aparentemente viável, muitas vezes os partidos não compartilham dos mesmos ideais e interesses, o que os impedem de estabelecer as tão almejadas alianças. Em Goiás, essas coligações permanecem, na maioria, instáveis. Nota-se que as movimentações de partidos políticos no Estado têm sido realizadas de maneira cautelosa.

Sobre a composição política para a chapa proporcional, o deputado federal e presidente do Partido Social Liberal (PSL), Delegado Waldir Soares, frisa que há duas hipóteses: “Estamos definindo se vamos montar uma chapa com os partidos pequenos ou com os partidos maiores. O PSL fará duas convenções: uma para os candidatos a deputado e outra, preenchidos os requisitos exigidos pela direção partidária, para a montagem da chapa majoritária”. Waldir destaca ainda que as chapas contam com um total de 62 pré-candidatos a deputados estaduais e 14 federais.

Tatiana Lemos (PCdoB): partido almeja manter a cadeira de sua mãe, Isaura Lemos (PCdoB), na Assembleia Legislativa e, se possível, eleger mais uma candidata | Foto: Ludmilla Cristina Faleiro

Em 2016, o Partido Social Democrata Cristão (PSDC) elegeu três vereadores em Goiânia. Ainda que considerado um partido pequeno, espera-se, dessa vez, eleger três parlamentares para Assembleia Legislativa.

Já o representante do PRP, Deputado Major Araújo, adianta à reportagem que na disputa pelas cadeiras da Assembleia, o partido sairá com chapa pura. “Pretendemos eleger três candidatos para o Legislativo. Além da minha candidatura, teremos também a do Cabo Sena e do Amauri Ribeiro, ex-prefeito do município de Piracanjuba.”

Para disputar a vaga de deputado federal, o parlamentar afirma que os nomes ainda são incertos. “Podemos citar o ex-governador Alcides Rodrigues. Embora ele tenha dito inicialmente que não teria interesse em concorrer, hoje já admite essa possibilidade.” Araújo faz questão de enfatizar que isso se resume a uma possibilidade que será discutida durante a convenção partidária, no próximo domingo, 5 de agosto.

Apesar de não estar a par das decisões tomadas pela executiva do partido, o deputado estadual Álvaro Guimarães (DEM) diz que tem acompanhado algumas das principais informações. “A nossa convenção está marcada para sábado, 4, e certamente haverá uma decisão concreta sobre as coligações. Particularmente, no momento estou mais empenhado em arrumar uma estrutura que me dê condições de retornar à Assembleia”, afirma.

Álvaro diz acreditar que, com base no discurso do pré-candidato a governador, senador Ronaldo Caiado (DEM), a coligação deve eleger mais de 20 estaduais. “Esperamos alcançar de 7 a 8 deputados eleitos no Democratas. Temos vários partidos na disputa e certamente as 41 vagas serão distribuídas de acordo com empenho de cada um deles”, declara.

Delegado Waldir (PSL): “Estamos definindo se vamos montar uma chapa com os partidos pequenos ou com os partidos maiores” | Foto: Fábio Costa/Jornal Opção

Como puxadores de votos na coligação, o deputado do DEM destaca os nomes do federal Delegado Waldir (PSL), do estadual José Nelto (Podemos) e, por fim, do presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), José Mario Schreiner (DEM). “Fazendo valer o discurso de Caiado, teremos de 7 a 8 federais eleitos”, finaliza.

O ex-presidente e membro do diretório regional do PSDB, Paulo de Jesus, o Paulinho, diz que a definição das coligações partidárias será concretizada ainda esta semana, mas assegura que tudo está “bem encaminhado”. Segundo Paulinho, o PSDB conta com o apoio de diversos partidos, como PP, PR, PRB, SD, PTB e, provavelmente, o PSD. Quanto ao último, ele ressalta que “toda sua base quer ficar, apesar de haver um empecilho por parte do Vilmar Rocha, mas acreditamos que isso será resolvido”.

PSD na base?

Vilmar Rocha diz que PSD almeja eleger dois candidatos para a Câmara dos Deputados. Para a Assembleia, quatro | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Por sua vez, o presidente do PSD afirma que até o momento não há nada definido. “Estamos discutindo e analisando as possibilidades. Só iremos definir a nossa coligação na próxima convenção, que ocorrerá no dia 5 de agosto”. De acordo com Vilmar Rocha, o partido almeja eleger dois candidatos para a Câmara dos Deputados. Para a Assembleia, quatro. “Para federal podemos destacar os nomes de Thiago Peixoto e Francisco Jr.. Já nas disputas estaduais, Lucas Calil e Simeyzon Silveira. Esses são os puxadores de voto do nosso partido.”

Já o presidente da Assembleia, José Vitti (PSDB), diz que a executiva vem estudando todas as possibilidades. “Podemos manter um chapão com os partidos da Casa, mas ainda não sabemos se isso de fato poderá vingar. Outra possibilidade é manter os partidos da chapa majoritária nas coligações proporcionais. E, por fim, poderíamos lançar uma chapa pura, mas isso atingiria a base de alguns parlamentares do interior podendo gerar certos conflitos”, analisa.

José Vitti (PSDB): “Se houvesse um chapão elegeríamos uns 20 ou 22 deputados estaduais” | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Apesar das amplas possibilidades apontadas por Vitti, o tucano destaca que se houvesse um chapão para a Assembleia “elegeríamos uns 20 ou 22 deputados estaduais e a nível federal em torno de dez”. Como puxadores de voto, Vitti aponta os nomes de Francisco Oliveira (PSDB), Talles Barreto (PSDB), Eliane Pinheiro (PSDB), Henrique Arantes (PTB) e Jeferson Rodrigues (PRB). Na corrida pela cadeira na Câmara dos Deputados Giuseppe Vecci (PSDB), Jovair Arantes (PTB), Fábio Sousa (PSDB) e João Campos (PRB). Para o tucano, esses são alguns dos representantes que “estão trabalhando há muito tempo e certamente terão boa votação”.

O deputado estadual Marlúcio Pereira (PRB) alega que o partido tem articulado alianças e analisado a melhor forma de realizar a coligação. “As expectativas giram em torno de um chapão, duas chapas, ou, quem sabe, três.” O parlamentar do PRB diz que tudo será definido na reunião que ocorrerá com os presidentes dos partidos da base ao final da semana. Quanto às expectativas no cenário federal, Marlúcio afirma que a sigla optou por um chapão, “assim teremos a chance de reeleger nosso deputado federal, João Campos”.

Em entrevista ao Jornal Opção, o deputado estadual Júlio da Retífica (PTB), adianta que o partido poderá até coligar com outros que “forem convenientes, menos com o PSDB”. “Essa especulação eu já adianto que está descartada.” De acordo com o petebista, o PSDB tem suas cabeças e “quem for para lá, irá unicamente para viabilizar a campanha deles”. “Todos são muito bons de voto e não iremos arriscar nossas cadeiras.”

Júlio destaca também que o PTB almeja eleger de quatro a cinco deputados estaduais. Já para a Câmara, “faremos um chapão para eleger os nossos candidatos, Jovair Arantes e Demóstenes Torres”.

MDB foca discurso das alianças no “comprometimento com mudança”

O deputado estadual Wagner Siqueira (MDB) diz que o partido possui uma visão clara em relação às possíveis coligações a serem definidas na próxima semana. “As demais chapas que estão sendo montadas não representam renovação alguma para o Estado. Posso assegurar que os partidos que estiverem conosco estão, sem sombra de dúvidas, comprometidos com a mudança.”

Wagner Siqueira (MDB): as alianças serão definidas durante a convenção | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Siqueira diz que as alianças serão definidas durante a convenção, mas adianta que o MDB espera eleger três para a Câmara e seis para a Assembleia. Ao ser questionado sobre os principais puxadores de votos, o deputado cita a primeira-dama de Goiânia, Dona Iris Araújo, e o ex-jogador de vôlei, Dante Amaral.

O candidato ao senado pelo Partido dos Trabalhadores, deputado estadual Luis Cesar Bueno, afirma que o partido tem dialogado em prol de uma aliança com o PCdoB. “O PT tem feito seu dever de casa com excelência e esperamos eleger cinco ou seis deputados para a Assembleia Legislativa.”

O parlamentar ressalta um crescimento expressivo da chapa e diz que, para a Câmara dos Deputados, o PT quer eleger ao menos dois. “Temos dois candidatos em potencial para ocupar essas vagas. Um deles é o Rubens Otoni e o outro é o José do Carmo.”

Quanto à tentativa de estabelecer uma possível aliança com o Partido dos Trabalhadores, a vereadora Tatiana Lemos (PCdoB) confirma as afirmações de Luis Cesar Bueno. Porém, destaca que continuam “fazendo as contas para verificar a possibilidade de, com isso, alcançarmos os nossos objetivos”.

Luis Cesar Bueno (PT): “Temos dois candidatos em potencial para ocupar essas vagas. Um deles é o Rubens Otoni e o outro é o José do Carmo”| Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

A vereadora, que disputará as eleições como candidata ao cargo de deputada federal, espera que as coligações a serem realizadas ofereçam a segurança necessária para que seja eleita. Além disso, o partido almeja manter a cadeira de sua mãe, Isaura Lemos (PCdoB), na Assembleia Legislativa e, se possível, eleger mais uma candidata.

Trata-se da vice-prefeita do município de Jataí, Simone Oliveira. De acordo com Tatiana, Simone “tem desenvolvido um excelente trabalho e atingido grande aceitação naquela região”. “Isso certamente dará a ela as condições necessárias para pleitear o cargo no Legislativo.”

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.