Oposição aproveita momento do governo focado na administração para aumentar número de apoiadores

Um ano e três meses antes da votação que definirá o próximo governador, aliados de Marconi dizem que gestão estadual tem se esquecido de fazer articulação enquanto adversários tentam atrair mais partidos

PSDB trabalha nome do vice-governador José Eliton como pré-candidato certo para suceder Marconi Perillo na eleição de 2018

Augusto Diniz

Há quem diga que ainda é muito cedo para falar em definição de nomes para a disputa ao cargo de governador, que será mesmo em outubro de 2018, quando o eleitor vota. Mas os três políticos colocados como pré-candidatos a ocupar o mandato hoje exercido por Marconi Perillo (PSDB) pela quarta vez têm mostrado diferença nas ações.

Enquanto o PSDB tem defendido o nome do vice-governador José Eliton, que busca fortalecer suas chances de ser o escolhido pela situação como o candidato da base aliada, outros dois concorrentes trilham caminhos diferentes na oposição. José Eliton deve se tornar governador em abril com a mais do que provável desincompatibilização de Marconi do cargo. Como o governador deve concorrer novamente a uma das duas vagas no Senado, como fez em 2006, quando elegeu Alcides Rodrigues como seu sucessor pelo PP, o caminho pode ficar ainda mais fácil para José Eliton se consolidar como o político alçado à candidatura pelo chefe do Executivo.

Pelo PMDB, o deputado federal e presidente estadual do partido, Daniel Vilela, defende publicamente que a sigla tenha candidato próprio, que possivelmente seria ele. A força do apelo vem da posição que Daniel ocupa à frente da sigla e também se apoia na possível articulação do pai, o ex-governador e ex-prefeito de Aparecida de Goiânia Maguito Vilela, figura mais do que respeitada e ouvida entre os demais peemedebistas.

Há alternativa para o PMDB, que governou Goiás até Marconi ser eleito pela primeira vez em 1998. Ela se chama Ronaldo Caiado (DEM). Desde que entrou para a chapa majoritária do prefeito Iris Rezende (PMDB) em 2014, quando o chefe do Executivo municipal disputou o cargo de governador com Marconi, Caiado é o nome defendido pela ala irista dos peemedebistas. Com apoio e aliança firmada com Iris, o senador do De­mocratas tem usado a força de seu nome em todo o território goiano para realizar reuniões com partidos de diferentes ideologias e posicionamentos.

Conversas

A base de ampliação das articulações de Caiado tem crescido entre as siglas que ocupam cargos na Prefeitura de Goiânia com o aval de Iris. Além das negociações para que o PMDB aceite apoiar o nome do senador como candidato a governador, Caiado já conta com o apoio do PMN, que se comprometeu a realizar encontros para defender a aliança com o democrata.

“Eu fui convidado para conversar com o Caiado, mas não quis.” A fala é do presidente estadual do PSL, Benitez Calil, que já foi do PMDB, onde ocupou a presidência do partido por três mandatos. Benitez, que na gestão do ex-prefeito Paulo Garcia (PT) chegou a comandar a Secretaria Municipal de Trânsito, Transporte e Mobilidade (SMT) e foi cotado para assumir a Metrobus Transporte Coletivo S/A no governo Marconi, afirma que a base aliada tem esquecido de fortalecer seus laços com os partidos menores.

Para o presidente do PSL, que não abre mão da aliança com o go­vernador e defende o nome de José Eliton para suceder Marconi, a articulação de Caiado junto aos partidos considerados pequenos tem sido feita com intensidade. “O senador já se reuniu com 13 partidos, como o PV e o PRB, que fazem parte da equipe da Prefeitura de Goiânia.” Enquanto isso, Benitez vê que falta no governo uma ação de aproximação das siglas menores da base. “Política não se faz só com ação, mas também com gestos”, observa.

Na visão de Benitez, o governo tem atendido bem às necessidades do PSL na base aliada. “Não fizemos qualquer exigência para apoiar o governador. O que queremos é espaço político, participar, e isso nós temos e estamos muito satisfeitos.” Mas o presidente do PSL destaca que ainda falta maior interlocução com os outros partidos. “As siglas pequenas vão dar tempo de TV e rádio, além de capilaridade à campanha. Quem pede voto mesmo nas cidades são os prefeitos, vice-prefeitos e vereadores.”

\Deputado Giuseppe Vecci defende que José Eliton é o quadro mais forte do PSDB para encabeçar chapa majoritária

As ações para buscar apoio partidário à gestão com foco na próxima eleição acontecem dos dois lados. Iris nomeou no início do ano 34 candidatos a vereador que não conseguiram cadeira na Câmara de Goiânia e abrigou membros de 13 partidos, além do PMDB, em sua gestão. Já o governo deu espaço à volta do Solidariedade com a nomeação do ex-peemedebista Denício Trindade como presidente das Centras de Abastecimento de Goiás S/A (Ceasa) e garantiu cargo ao suplente de deputado federal Sandes Junior (PP) como Secretário Extraordinário para Assuntos Federativos com Organismos Multilaterais em março.

O presidente estadual do PSDB, deputado federal Giuseppe Vecci (PSDB), diz que não vê essa movimentação de partidos declararem apoio ao outros pré-candidatos. E lembra que “o que não falta é partido de aluguel”. “Entre os partidos grandes eu não vi nenhum dizer que vai sair da base”, declara. Para Vecci, nada inviabiliza a liberdade de cada partido ter o seu projeto para 2018.

Na visão do tucano, todo apoio precisa ser observado. “Em um processo eleitoral todo mundo agrega de alguma forma.” Já o deputado estadual Henrique Arantes (PTB) diz que se é possível afirmar que a administração estadual falha em algum ponto é no fortalecimento das articulações. “O governo não está fazendo política”, pontua.

Políticos dizem que é muito cedo para definir José Eliton como nome da base

Presidente do PSL, Benitez Calil diz que governo precisa se aproximar mais dos partidos pequenos

Benitez Calil, presidente estadual do PSL, faz discurso firme em defesa do nome do vice-governador José Eliton (PSDB) como próximo candidato a governador pela base aliada. “O PSL é um partido já fechado com José Eliton. O PSL identifica-se com o governador Marconi Perillo (PSDB) e defende o nome escolhido pelo governador.”

O mesmo defende o presidente estadual do PSDB, o deputado federal Giuseppe Vecci. “Dentro do PSDB, José Eliton é um nome que está a cada dia mais consolidado. É o pré-candidato que está sendo trabalhado e tem o apoio dos partidos da base aliada. Há uma parcela significativa dos partidos do governo que está com ele.”

Mas Vecci reconhece que é natural em um processo eleitoral, ainda mais com mais de um ano de distância da eleição, que os partidos aguardem a aproximação do período de disputa eleitoral para tratar o assunto como fechado. “A nossa esperança e trabalho são para que nós possamos fazer uma grande frente progressista focada em uma perspectiva de continuidade do desenvolvimento”, declara. Para o presidente tucano, José Eliton é um pré-candidato fortíssimo que terá a seu favor uma ação programática, a ser apresentada no momento oportuno, que dará ainda mais força ao nome do vice-governador em 2018.

Deputado estadual Henrique Arantes (PTB) vê em José Eliton um nome articulador, mas diz que ainda é cedo para discutir 2018

Já o deputado estadual Henrique Arantes (PTB) diz que o momento não é o de tratar eleições de 2018. “O vice-governador José Eliton está trabalhando para ser o candidato da base aliada. Nós o vemos como um bom nome, que tem poder de articulação, mas nós ainda vamos a começar a nos reunir para falar sobre o assunto no PTB.”

Com pretensões de ocupar as vagas de vice-governador ou de senador na chapa da base aliada, os petebistas aguardam o momento certo para definir qualquer definição. “Nós ainda não fizemos qualquer discussão sobre 2018.” O nome do deputado federal Jovair Arantes (PTB), presidente estadual do partido, aparece na lista de políticos que pretendem lançar seus nomes como possíveis na chapa majoritária para um dos dois cargos citados por Henrique.

Decisão do governador

Deputada federal Magda Mofatto (PR) diz que base precisa ver como eleitor receberá projeto de continuidade

“O nome do vice-governador José Eliton foi decidido pelo governador. Não houve reunião da base para essa definição.” Dessa forma descreve a escolha do pré-candidato da base aliada a governador a deputada federal Magda Mofatto (PR). Ela lembra que existe mais um nome, o do presidente da Assembleia Legislativa, o deputado estadual José Vitti (PSDB), que já manifestou interesse no cargo. Há quem diga que Vitti seria um nome que poderia ser guardado como alternativa caso a pré-candidatura de José Eliton não seja aceita pela base em 2018. Outros já falam em trabalhar a reeleição do presidente da Assembleia e trabalhar seu nome para a disputar a Prefeitura de Goiânia no ano de 2020.

De qualquer forma, Magda lembra que o quadro para as eleições do ano que vem começam a se formar. “Não se bate o martelo antes das vésperas da campanha, o que o PR e ninguém fez até agora”, observa. Para a deputada pelo PR, tudo dependerá das novas regras eleitorais que o Congresso Nacional tem discutido. “No Senado já aprovaram o distritão, o que a Câmara deve seguir. Isso acabaria com as coligações para deputado, o que é importante para deixar as campanhas mais baratas e não se carregar outros nomes com o voto em determinado candidato.”

Magda chegou a cogitar a possibilidade de mudar de casa no Con­gresso. “Eu andei pleiteando uma vaga no Senado, o que foi descartado na base. O governador lançou as pré-candidaturas dele e do senador Wilder Morais (PP) para o cargo. Mas acho que ainda é cedo para definições.” Tanto que ela afirma que houve uma sondagem para que ela pudesse ser um dos possíveis nomes para compor a chapa como vice de José Eliton na corrida para governador.

“Não posso negar que há uma preocupação em cima dessa candidatura (José Eliton). Marconi é expert em candidaturas. Ele ganhou quatro vezes para governador e fez seu sucessor na outra eleição que disputou na chapa majoritária”, explica. De acordo com a deputada, lançar um candidato preocupa porque há o desgaste natural de um grupo político que caminha para 19 anos no poder ao final deste ano. “Fica sempre o questionamento de qual será a reação da população a mais uma candidatura de Marconi ou de um nome lançado por ele. Existe essa preocupação de alcançar a continuidade do projeto político.”

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