O que pensam Jorge Kajuru, Luiz Carlos do Carmo e Vanderlan Cardoso

Goiás é um dos dois Estados que terá 100% de renovação no Senado a partir de 2019

Os novos senadores goianos: Vanderlan Cardoso, Jorge Kajuru e Luiz Carlos do Carmo | Fotos: Divulgação

Emoção não faltou nas eleições para senador em Goiás. Após surpresas e arrancadas de última hora, Vanderlan Cardoso (PP) e Jorge Kajuru (PRP) foram os escolhidos dos goianos, com 31,35% e 28,23% dos votos válidos, respectivamente. Wilder Morais (DEM) e Lúcia Vânia (PSB), que buscavam a reeleição, não obtiveram êxito. O primeiro terminou com 14,43% e a segunda, 9,42%.

Na disputa pelo governo, o senador Ronaldo Caiado (DEM), que está no meio de seu mandato em Brasília, foi eleito ainda no primeiro turno. Com isso, o suplente Luiz Carlos do Carmo (MDB) assume a sua cadeira no Senado a partir do ano que vem até 2022.

Em outras palavras, Goiás teve 100% de renovação entre os senadores. Outros Estados, como Minas Gerais, também elegeram dois novos nomes para o Senado, mas o único que, além disso, repetiu o feito de ter o titular do mandato dando lugar ao suplente foi o Rio Grande do Norte.

Lá, a senadora Fátima Bezerra (PT) se elegeu governadora após derrotar Carlos Eduardo (PDT) no segundo turno. Assim, o suplente Jean-Paul Prates (PT) assume a vaga da petista em Brasília.

Os outros dois atuais senadores potiguares, Garibaldi Filho (MDB) e José Agripino (DEM), tiveram resultados negativos nas urnas — o emedebista tentou reeleição ao Senado e o democrata buscou uma cadeira de deputado federal. Os eleitos para representar o Rio Grande do Norte na Câmara Alta foram Capitão Styvenson (Rede) e Dra. Zenaide Maia (PHS).

O Jornal Opção conversou com os três novos senadores goianos para saber como pensa cada um deles. Confira, em ordem alfabética, o que Jorge Kajuru, Luiz Cardos do Carmo e Vanderlan Cardoso disseram à reportagem.

Jorge Kajuru

Eleito vereador de Goiânia em 2016, Jorge Kajuru sempre se colocou como candidato ao Senado no pleito deste ano. O ex-radialista, que se define como “antipolítico profissional” e diz que não precisa de dinheiro público para viver, afirma que, assim que assumir o mandato em Brasília, trabalhará especialmente em duas frentes: educação e combate a privilégios.

Jorge Kajuru revela que está montando um conselho de educação e cultura, que deve ser integrado por nomes como o do senador Cristovam Buarque (PPS), do músico Ivan Lins e de familiares do ex-ministro da Educação Darcy Ribeiro.

Em relação aos privilégios, o futuro senador pontua que deseja cortar 50% do que os parlamentares custam aos cofres públicos e fazer com que este dinheiro seja investido na educação. Jorge Kajuru também quer “entrar de sola” na taxação de grandes fortunas.

Com uma carreira jornalística marcada por críticas à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o ex-radialista será uma das principais vozes contra a bancada da bola no Senado, ao lado de Randolfe Rodrigues (Rede), Romário (Pode) e Leila do Vôlei (PSB).

Jorge Kajuru se diz favorável à reforma política com o objetivo de acabar com o fundo partidário e diminuir o número de partidos e parlamentares e contrário à reforma da Previdência apresentada pelo presidente Michel Temer (MDB) porque, segundo ele, a proposta prejudica o trabalhador.

O senador eleito também se posiciona a respeito de outros temas polêmicos, que podem ser tratados na próxima legislatura:

Aborto: “Totalmente contra. Sou vida futebol clube”

 

Maconha: “Na prática, a maconha já é legalizada. É ridículo discutir isso. Nunca vi ninguém morrer por causa de maconha”

 

Maioridade penal: “Dependendo do crime, até com 10 anos de idade tem que ir para a cadeia. Cada caso é um caso”

 

Porte de arma: “Tem que saber para quem você dá uma arma. Os preparados, que passam por testes, podem ter. Toda liberdade tem que ter regra”

Jorge Kajuru sublinha que, apesar de ter preferido Jair Bolsonaro (PSL) a Fernando Haddad (PT), não será necessariamente um aliado do presidente eleito. “Serei independente de uma forma responsável.”

A postura de independência também se dará no trato com o próximo governador de Goiás, Ronaldo Caiado. “Seguirei leal”, frisa. “Mas concordarei com ele em relação ao que a população goiana concordar.”

Luiz Carlos do Carmo

Irmão do bispo Oídes José do Carmo, da Assembleia de Deus Campo de Campinas, Luiz Carlos do Carmo foi deputado estadual por dois mandatos. De perfil “trabalhador” e “objetivo”, o emedebista diz que não costuma desistir de seus objetivos.

No Senado, Luiz Carlos do Carmo quer principalmente lutar contra a corrupção e a favor da geração de empregos. “A corrupção acaba com a educação, a saúde e a segurança pública, além de concentrar dinheiro nas mãos de poucos”, afirma. “Sou empresário e gero emprego. Temos que gerar mais empregos imediatamente, a começar pela construção civil.”

Luiz Carlos do Carmo também deve dedicar atenção especial à segurança. “Tive uma filha assassinada vítima de latrocínio. Quem a matou pegou 25 anos de cadeia e, agora, após seis cumpridos, já está quase saindo da cadeia. É um absurdo. Não pode ter regressão de pena para quem comete latrocínio”, sugere.

O senador, que terá quatro anos para pôr suas ideias em prática, se diz favorável à reforma da Previdência a fim de acabar com os supersalários, além das reformas fiscal e política com o intuito de diminuir impostos, evitar sonegação, reduzir o número de partidos, implantar o voto distrital e acabar com a reeleição para cargos executivos e estabelecer um limite para funções legislativas.

Veja o que pensa Luiz Carlos do Carmo sobre aborto, maconha, maioridade penal e porte de arma:

Aborto: “É uma vida. Sou totalmente contra”

 

Maconha: “Não pode ser liberada. É a porta de entrada para outras drogas”

 

Maioridade penal: “Quem tem 16 anos já sabe o que está fazendo”

 

Porte de arma: “Sou a favor. As pessoas têm que poder ter o direito de portar uma arma, mas não pode ser barato e é necessário que se faça um curso”

O emedebista assumirá a cadeira do governador eleito Ronaldo Caiado em Brasília e garante ser um parceiro do democrata. “Fizemos uma parceria quatro anos atrás e temos uma relação muito próxima. No Senado, vou atrás de recursos para Goiás.”

Em relação a Jair Bolsonaro, Luiz Carlos do Carmo afirma que nunca conversou com o capitão reformado do Exército, mas irá apoiá-lo caso o presidente eleito venha a “organizar o Brasil como tem prometido”.

Vanderlan Cardoso

Vanderlan Cardoso foi prefeito de Senador Canedo e já postulou a Prefeitura de Goiânia e o governo de Goiás em eleições passadas. Eleito senador com o maior número de votos, o empresário quer priorizar, durante o seu mandato em Brasília, as reformas previdenciária, tributária e política.

Outra pauta que é do interesse de Vanderlan Cardoso é a quebra de monopólios, que, segundo ele, existem mesmo disfarçados. O futuro senador diz que, nos casos da energia e dos combustíveis, há monopólios que precisam ser quebrados. “O maior beneficiado pela concorrência é o consumidor”, enfatiza.

Vanderlan Cardoso também é favor de uma melhor distribuição do pacto federativo. “Defendi muito que acontecesse ainda como prefeito”, lembra. Para ele, o município deve ficar com a maior parte dos recursos arrecadados por meio dos impostos, seguido dos Estados e depois da União. “Hoje, acontece o contrário e os municípios estão falidos.”

Como empresário, o senador eleito pontua que, para um país crescer, é preciso gerar emprego e renda e baixar impostos para que haja uma maior competição. “Assim, a população tem mais acesso ao consumo.”

Mesmo dizendo que propostas para a economia são mais importantes, Vanderlan Cardoso não se esquiva de temas polêmicos, como aborto, maconha, maioridade penal e porte de arma:

Aborto: “Sou a favor da vida. Os três casos que a lei prevê — feto anencéfalo, risco de vida para a mãe e estupro — já são suficientes”

 

Maconha: “Sou contrário à legalização de qualquer tipo de droga”

 

Maioridade penal: “Sou favorável. Um jovem de 16 anos já sabe muito bem o que faz. Com 17 anos, eu já abri a minha própria empresa”

 

Porte de arma: “Precisamos saber quem está pleiteando comprar uma arma. Tem que apresentar os documentos e verificar os antecedentes criminais, o que já existe no Brasil”

Vanderlan Cardoso, que declarou voto em Jair Bolsonaro no segundo turno das eleições presidenciais, afirma que terá uma postura de independência tanto em relação ao presidente eleito quanto a Ronaldo Caiado.

“Em Goiás, vou estar apoiando o governador eleito no que for de interesse da população e serei contra aquilo que entender que possa prejudicar”, ressalta o empresário. “Vou apoiar todas as medidas para tirar o Estado de crises pelas quais está passando em algumas áreas.”

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