O que pensam e quais os projetos para Goiânia dos políticos apontados como possíveis candidatos à Prefeitura

A quase um ano das eleições municipais de 2016 há forte movimentação nos bastidores. Os prováveis prefeitáveis dizem quais projetos poderiam tornar a metrópole uma cidade melhor

Ocupar o Paço Municipal é meta de vários políticos, mas a sociedade vai cobrar planos exequíveis do vencedor | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Ocupar o Paço Municipal é meta de vários políticos, mas a sociedade vai cobrar planos exequíveis do vencedor | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Frederico Vitor

Diz-se que Goiânia é caixa de ressonância para os demais municípios. De fato, a capital é a vitrine de qualquer Estado e seus projetos urbanísticos precisam estar na vanguarda como modelo para as demais cidades.

Como em política não existe cedo, somente o tarde demais, mesmo faltando mais de um ano para as eleições municipais de 2016, os principais partidos que dominam a cena política goiana já se movimentam nos bastidores em busca de maior capilaridade eleitoral na metrópole goiana. Chefiar o Executivo com o maior orçamento e arrecadação de Goiás é o sonho de qualquer político que almeja ter no currículo uma experiência administrativa numa das maiores urbanidades brasileira.

Até o período de formatação de chapas e alianças, as lideranças partidárias vão precisar de muito jogo de cintura para condicionar suas respectivas legendas ao grande desafio que é 2016. O resultado das eleições proporcionais de 2014 dá uma clara noção de como será a configuração dos partidos para o processo eleitoral municipal de 2016. Nomes que obtiveram boa votação nas urnas no último pleito já se apresentam como prováveis candidatos.

Mas os eleitores neste momento não estão interessados em política no sentido de politicagem puramente dita. O desgaste desta classe ainda é alto, principalmente quando o partido da presidente da República e do prefeito de Goiânia está no olho do furacão de um dos maiores escândalos de corrupção da história — da Operação Lava Jato da Polícia Federal, mais conhecido como petrolão.

Os goianienses estão mesmo interessados em projetos, querem saber o que os políticos ventilados como prováveis candidatos pensam sobre o que vão propor para responder as grandes demandas da capital.

O goianiense quer saber dos políticos que se impõem como pré-candidatos, as diretrizes em relação aos quatro grandes eixos da futura administração: questão habitacional, tributária, de mobilidade e ambiental.

Estaria nos planos a revitalização do Centro, que abriga um dos maiores acervos da arquitetura Art déco no mundo? Haveria projetos para resolver o déficit habitacional? De que forma eles pretendem lidar com a gestão financeira e como seria cobrado o IPTU e ITU?

Os políticos que têm como meta administrar Goiânia precisam ser claros em relação à gestão dos espaços público e como lidar com os recursos hídricos do município. Eles devem debater a mobilidade urbana da capital sem esquecer-se de como vão agir em conjunto com outras esferas de governo — estadual e federal — na execução de grandes projetos, como o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) e o BRT.

Ambas as obras serão implantadas respectivamente no Eixo-Anhan­guera, e no corredor Norte-Sul. Questões como as Parcerias Públicas Privadas (PPP) e a política de desafetação de áreas públicas precisam ser cobradas pela sociedade aos postulantes a prefeito.

PSDB: Jayme Rincón, Delegado Waldir e Fábio Sousa

Na base aliada do governador Marconi Perillo (PSDB), o presidente da Agetop, Jayme Rincón, tem se destacado e não esconde a intenção de concorrer ao Executivo goianiense — dizem que ele é quase uma unanimidade entre seus aliados. As obras do governo estadual em Goiânia, em especial os viadutos das GOs-070 e 060, a ampliação e iluminação da GO-020, a reforma do Autódromo Interna­cional Ayrton Senna, o adiantamento das obras no Centro de Excelência e o Hugo 2 na região Noroeste, têm rendido a Rincón boa visibilidade e peso político. Seus planos de Goiânia podem ser orientados neste sentido, ou seja, muitas obras.

Outro nome que tem se consolidados nos bastidores de seu partido é o do deputado federal e delegado de polícia Waldir Soares. Conhecido pelo seu bordão “45 do calibre e 00 da algema”, ele que tem mais de 300 mil seguidores em sua página da rede de relacionamento Facebook, somente em Goiânia obteve cerca de178 mil votos, terminando o processo eleitoral como o mais votado de Goiás, com 274.625 votos. Sem aprofundar muito, o parlamentar tucano diz que os projetos prioritários seriam em relação ao sistema de transporte coletivo.

Delegado Waldir diz que o serviço de transporte público da capital é péssimo e que o preço cobrado pelo bilhete é superestimado. Ele também afirma que deve cobrar do governo estadual a entrega integral do Hospital de Urgências de Goiânia da Região Noroeste (Hugo 2), para atender a demanda da população daquela localidade. O deputado diz que é necessário aumentar o efetivo da Guarda Civil Metropolitana (GCM), além de armá-la e treiná-la para apoiar a PM no combate ao crime na capital — ele não descarta fundir a GCM com a Secretaria Municipal de Trânsito (SMT). Para área da saúde, diz que o modelo atual precisa ser reinventado. “Vamos criar centros de atendimentos por especialidades e vamos levar o caminhão da saúde nos bairros periféricos.”

O deputado federal Fábio Sousa também está no páreo. Como de costume, nos últimos períodos pré-eleitorais, o nome do parlamentar sempre é lembrado como provável candidato tucano a prefeito. Mas, agora, ele avisa: se não for desta vez nunca mais vai pleitear a Prefeitura de Goiânia. “Não quero ser o eterno candidato a alguma coisa”, diz.

Seu projeto para cidade que lhe rendeu 31 mil dos 82 mil votos conquistados a deputado federal, está na transformação da capital no centro brasileiro do segundo setor, ou seja, no desenvolvimento e comercialização de softwares e da tecnologia da informação. Ele também critica o trânsito da cidade, além da mobilidade urbana, e diz que as intervenções feitas pela atual administração apenas pioraram a caótica situação. “Não adianta falar de transporte coletivo se não há qualidade, precisamos de políticas mais consistentes para esta área.”

PT e PMDB: Iris Rezende, Adriana Accorsi, Edward Madureira Brasil e Humberto Aidar

Apesar do momento do prefeito Paulo Garcia (PT) não ser bom à frente do Paço Municipal, o nome de Iris Rezende (PMDB) ainda é muito forte nas hostes das legendas que dão sustentação à administração petista com importante participação do PMDB. O líder peemedebista já administrou Goiânia em três oportunidades.

Na última passagem pelo Paço Municipal, ele conquistou alto índice de popularidade graças à sua administração bem avaliada pelos goianienses, uma situação que pavimentou a vitória de primeiro turno de seu sucessor petista. Recluso em seu escritório político localizado na Avenida T-9 no Setor Marista, o decano peemedebista não tem falado com a imprensa e esconde o jogo para o ano que vem. Mas, nos bastidores, sua candidatura é dada como quase certa.

Em síntese, quais são os nomes que o PT tem hoje que podem se cacifar como naturais pré-candidatos à Prefeitura de Goiânia? O primeiro nome de consenso é o da delegada de polícia e deputada estadual eleita Adriana Accorsi. Seus 43.424 votos pa­ra deputada — destes 31.528 somente em Goiânia — são um bom indicativo.

Da mesma tendência de Paulo Garcia — a Articulação, a mais influente na capital —, corre nos bastidores que o prefeito poderia bancá-la na vice do peemedebista Iris Rezende. Se a manobra política não vingar, ela é bem cotada para a cabeça de chapa. Tem a seu favor sua imagem como delegada de polícia de postura rígida e dedicada, além é claro, de seu DNA político como filha do falecido ex-prefeito Darci Accorsi.

O segundo nome na lista é o de Edward Madureira Brasil. Ex-reitor da UFG, o professor universitário teve destacada atuação na expansão da universidade com novos campi em municípios do interior, e desfruta de boa aceitação na comunidade acadêmica, além de possui forte poder de articulação. Não conseguiu ser eleito deputado federal em outubro, mas teve grande votação em Goiânia — 32.213 votos na capital. Ele não faz parte de nenhuma tendência, sendo considerado “independente” apesar da proximidade com o prefeito Paulo Garcia, do grupo Articulação.

O deputado estadual Humberto Aidar também é ventilado como provável pré-candidato. Ele diz que não é preciso “inventar a roda” em Goiânia ou em qualquer outra cidade, e que é preciso ouvir a sociedade civil organizada, além de buscar experiências de outros municípios para a capital. O parlamentar afirma que não se governa sozinho, e que o próximo prefeito precisa colocar pessoas certas nos lugares corretos sem ficar preso nos arranjos políticos. “Às vezes o prefeito é honesto e bem intencionado, mas sem uma assessoria capaz de tocar a máquina, que é muito grande. Nem sempre a culpa é do gestor, e sim de sua equipe, que nem sempre é qualificada”, diz.

Outra questão levantada por Aidar é em relação à possibilidade de o PT abrir mão da cabeça de chapa para dar espaço a um aliado. O deputado defende que o partido estaria admitindo sua incompetência administrativa se cedesse espaço a outra legenda para liderar uma candidatura. “Terei extrema dificuldades em apoiar candidato que não seja de meu partido”, diz.

PSB e PRP: Vanderlan Cardoso e Jorge Kajuru

O empresário Vanderlan Cardoso (PSB) é cotado para entrar na disputa pela Prefeitura de Goiânia em 2016. O presidente estadual do PSB chamou a atenção por seu desempenho nas urnas da capital nas eleições ao governo estadual em 2014. Dos 474 mil votos que o obteve, pouco mais de 170 mil (24,30%) foram conquistados em Goiânia, número que o condiciona a ser um pré-candidato competitivo com considerável capilaridade eleitoral.

Por enquanto ele não fala com a imprensa sobre o assunto, mas as notícias de bastidores dão conta que ele enxerga Goiânia com uma possibilidade de implementar um amplo projeto político. Ele teria dito que sua experiência bem-sucedida como prefeito de Senador Canedo o qualifica ao Executivo da capital.

O radialista e apresentador de televisão Jorge Kajuru é cogitado para ser o candidato do PRP à Prefeitura de Goiânia. Ele concorreu a uma vaga a deputado federal no pleito do ano passado obteve 106.291 votos — 53.963 em Goiânia. Ele não conseguiu ir para Brasília por causa do coeficiente eleitoral.O jornalista diz que começou nesta semana a elaborar seu projeto para administrar a cidade.

Ele adianta que antes de ser eleito já terá escolhido seu secretariado. E já nomeou o futuro titular da Cultura em sua possível gestão: o músico Ivan Lins. “Nós temos um compromisso com o músico Ivan Lins, que viria para Goiânia fazer um bom trabalho na Secretaria de Cultura juntamente com artistas goianos como Maria Eugênia e Pádua.”

Kajuru diz que um de seus projetos é de implantar um sistema de chips em cada táxi da cidade para coibir ações de criminosos. Segundo seu plano, em caso de ser assaltado, o taxista ativaria o dispositivo que acionaria a viatura policial mais próxima. Na saúde, o jornalista afirma que vai criar um programa voltado à prevenção da diabetes. Em relação à mobilidade urbana e ao transporte coletivo, ele promete quebrar o monopólio das empresas de ônibus.

Na educação quer melhorar a estrutura para que haja melhores condições físicas aos alunos e professores.

PHS: Marcelo Augusto

Marcelo Augusto fala em choque de gestão na saúde e segurança | Foto: Arquivo Pessoal

Marcelo Augusto fala em choque de gestão na saúde e segurança | Foto: Arquivo Pessoal

O ex-vereador Marcelo Augusto é o pré-candidato do PHS a Prefeitura de Goiânia. Ele defende a rediscussão do Plano Diretor como forma de frear o avanço da especulação imobiliária. O político diz que a malha viária da cidade já não é adequada ao trânsito da capital e propõe sua substituição, principalmente nas áreas centrais da cidade. Sobre o transporte coletivo ele afirma que é necessária a mudanças das empresas que atualmente dominam a concessão, para que outras tenham chance de oferecer melhores serviços.

Em relação à saúde, Marcelo Augusto diz que é preciso a implantação de sistema humanizada além da aplicação de políticas de valorização do servidor da área. Na segurança, ele argumenta que a Guarda Civil Metropolitana (GCM) deve atuar em conjunto com a PM, desde que os guardas recebam mais treinamentos e tenham reajuste salarial. “Pre­cisamos de uma Scotland Yard, ou seja, mesmo desarmada ela consegue combater o crime”, diz.

 

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.