O que o PSB vai fazer para se tornar uma força política protagonista em Goiás

Legenda socialista, que se prepara para lançar candidatura de Vanderlan Cardoso à Prefeitura de Goiânia, contará com a senadora Lúcia Vânia para reforçar suas bases no interior

A meta de Vanderlan Cardoso e do PSB é conquistar Goiânia e depois o Estado

A meta de Vanderlan Cardoso e do PSB é conquistar Goiânia e depois o Estado

Frederico Vitor

O PSB, legenda presidida pelo empresário Vanderlan Cardoso, em um curto prazo de tempo mira se tornar uma força política protagonista em Goiás. De status de força partidária intermediária, que sempre sustentou o discurso de terceira via, a busca é tornar-se o fiel da balança de um novo bloco de siglas que pode contrabalancear grandes forças como o PSDB do governador Marconi Marconi Perillo e o PMDB do ex-prefeito Iris Rezende. Apesar de não ter conseguido eleger nenhum deputado federal e estadual na eleição do ano passado e, portanto, estar sem representatividade no Legislativo estadual e federal, o partido se prepara para receber em seus quadros a senadora Lúcia Vânia, que saiu do PSDB.

No Estado, o PSB sempre foi um partido médio. Tradicionalmente, a sigla socialista sempre insistiu na tese de ser uma terceira via em Goiás. Porém esta estratégia de se posicionar como um projeto político alternativo aos tucanos e peemedebistas nunca rendeu resultado satisfatório. Nas eleições de 2006 (Barbosa Neto) e 2014 (Vanderlan Cardoso), por exemplo, quando a legenda lançou candidaturas sólidas ao governo estadual, em ambas as ocasiões os candidatos terminaram o pleito na terceira posição. Jamais os socialistas conseguiram ir para o segundo turno, tendo a oportunidade de aprofundar suas propostas aos eleitores goianos.
Pelo que tudo indica a tática do PSB para as próximas eleições será outra. O partido terá como alvo prioritário a Prefeitura de Goiânia. Já a estratégia continuará a mesma. O discurso de terceira via — apresentando-se ao eleitor como alternativa à hegemonia política do PSDB, que ocupa o governo do Estado, e à oposição tradicional que, nestes tempos une o PMDB e o DEM do senador Ronaldo Caiado — permanecerá o mesmo.

Por que o projeto político do PSB de se ascender ao poder começa por Goiânia? A capital é uma caixa de ressonância para as demais municipalidades. Noutras palavras, a maior cidade do Estado é uma vitrine, e se o gestor público municipal goianiense conseguir fazer uma administração aprovada, automaticamente está cacifado para voos mais altos, como o Executivo estadual. Assim pensa a cúpula do partido. Primeiro é preciso ganhar a capital para depois se expandir em direção ao Palácio das Esmeraldas.

Vanderlan Cardoso é pré-candidato do PSB à Prefeitura de Goiânia. Ele, que tem no currículo duas gestões aprovadas no município de Senador Canedo, na região metropolitana da capital, será candidato e líder dessa nova frente política que está em gestação.

Processo de ascensão política da sigla no Estado passa primeiro por Goiânia e a meta é a prefeitura

Vanderlan foi eleito pela primeira vez prefeito de Senador Canedo em 2004. Nesta época, o empresário estava filiado ao PR, que naquela ocasião tinha como líder o também empresário e ex-deputado federal Sandro Mabel. Surfando numa onda de popularidade, com altos índices de aprovação de sua gestão, o empresário tentaria em 2010 o governo estadual com a chancela do Palácio das Esmeraldas. Naquela eleição, Vanderlan foi o candidato do grupo do governador Alcides Rodrigues (PP), defendendo em seu discurso a bandeira da terceira via, com enfoque na política municipalista.

Mas as administrações em Senador Canedo e a fama de bom gestor público não foram suficientes para levá-lo ao segundo turno. Marconi e Iris duelaram na segunda etapa daquele pleito, com vitória do líder tucano sobre o decano peemedebista. Em meio à derrota, mas com um capital político de pouco mais de 500 mil votos, o empresário aguardou o processo eleitoral de 2010 se encerrar para sair do PR e migrar para o PMDB. Ele vislumbrava encontrar nas hostes peemedebistas as bases necessárias que lhe dessem chances reais de vencer a eleição seguinte ao governo estadual.

Recebido com festa no PMDB, a lua de mel entre o empresário e a sigla não durou muito. Vanderlan percebeu que aquela legenda já tinha um líder, e que seria difícil disputar internamente com Iris a condição de candidato ao governo no pleito de 2014. Sem espaço no partido, o empresário saiu do PMDB e passou uma temporada sem filiação. Convites não faltaram, mas discretamente Vanderlan comandava a distância dois partidos. O PSC, uma sigla nanica que agregava lideranças religiosas que se aventuravam no mundo da política, e o PRP que teve sua liderança efetiva delegada ao publicitário e ex-secretário estadual da Fazenda Jorcelino Braga.

Nas eleições municipais de 2012 o ex-prefeito de Senador Canedo se aproximou de Ronaldo Caiado, e participou ativamente do processo eleitoral na capital. O ex-prefeito e o líder estadual do DEM bancaram a candidatura do deputado estadual Simeyzon Silveira (PSC) à Prefeitura de Goiânia. O prefeito Paulo Garcia (PT) venceu no primeiro turno e o candidato apoiado por Vanderlan e Caiado terminou como terceiro mais votado (pouco mais de 60 mil votos). Passada as eleições municipais, tanto Caiado quanto Vanderlan seguiram direções distintas.

Na medida em que se aproximava o processo eleitoral de 2014, em nível nacional, o PSB se articulava para fortalecer a candidatura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, à Presidência da República. Para isso, o líder socialista precisava alicerçar suas bases nos Estados, e em Goiás não poderia ser diferente. A nona economia nacional com cerca de 4,3 milhões de eleitores, 6 milhões de habitantes, uma potência agrária com uma indústria emergente e vibrante precisava ter uma candidatura socialista em âmbito regional. Era preciso montar um palanque forte para Eduardo Campos no Estado mais populoso do Centro-Oeste. Assim começa a trajetória de Vanderlan no PSB.

Em maio de 2013 Vanderlan oficializou sua filiação no PSB. Ele substituiu o megaempresário Júnior Friboi no comando do partido. Sua festa de filiação contou com a presença de Eduardo Campos, deixando claro que o empresário e ex-prefeito de Senador Canedo tinha o objetivo de ganhar as eleições ao governo estadual. Mais vez suas aspirações políticas foram frustradas em 2014. Naquela eleição, marcada pela tragédia da morte de Campos em um acidente aéreo, novamente Vanderlan encerrou o pleito como o terceiro mais votado (475 mil votos, 15% dos votos válidos). De novo, a eleição foi decidida entre Iris e Marconi, com vitória do tucano.
O resultado eleitoral que parecia ser um novo fracasso nas urnas na trajetória política de Vanderlan, na realidade apontou para uma nova possibilidade. Ao final do primeiro turno, o candidato do PSB capitalizou mais de 170 mil votos somente em Goiânia, ou 24,30% do total contabilizados na capital. Com este resultado, surgiu no radar do empresário um novo projeto político que visa ganhar o Executivo da maior cidade de Goiás.

Senadora Lúcia Vânia desembarca no partido para fortalecê-lo no interior 

No PSB, Lúcia Vânia terá missão de fortalecer o partido nos municípios

No PSB, Lúcia Vânia terá missão de fortalecer o partido nos municípios

Se entrar numa disputa eleitoral à Prefeitura de Goiânia sem aliados com capilaridade política, Vanderlan estará novamente arriscando suas chances de obter êxito. O atual momento tem sido marcado por conversações e especulações. Apenas em junho de 2016 as alianças estarão definidas. De todo modo, até agora, o maior reforço da sigla socialista é a senadora Lúcia Vânia. Ela está trocando o PSDB pelo PSB com o argumento de que no novo partido poderá ter mais espaço e maior liberdade para executar seus projetos políticos.

A oficialização de filiação da senadora ao PSB vai ocorrer no dia 25 de agosto, com uma grande festa em Goiânia. Pelo que se sabe, Lúcia Vânia terá a tarefa de fortalecer as bases do PSB nos municípios, preparando terreno para as eleições de 2018. Para ganhar envergadura interna e mais autoridade para falar em nome do partido, Vanderlan vai abrir mão da presidência estadual da sigla em favor da senadora. O gesto vai além. Como Vanderlan vai disputar eleições em Goiânia, ele precisará ficar na capital, não podendo percorrer o Estado como presidente da sigla.

Portanto, ceder a presidência da legenda para Lúcia, dando a ela a missão de consolidar as candidaturas do PSB e aliados no interior, enquanto Vanderlan se concentra na capital, é a tônica do momento entre os dois quadros. Ainda não houve uma tratativa oficial, ou um acordo formal, em relação a esta questão. A definição sobre quem ocupará a presidência regional da sigla somente será acertada após o dia 25 deste mês.

A chegada da senadora Lúcia Vânia ao PSB também significa o alinhamento automático do PPS ao projeto da legenda socialista em 2016. O partido é comandado pelo deputado federal Marcos Abrão (PPS-GO), sobrinho de Lúcia, que compartilha as mesmas bases eleitorais da senadora, fundamentais para o projeto de ampliação da sigla socialista pelo interior. Em 2012, o PSB elegeu 12 prefeitos em Goiás. Atualmente o partido conta apenas com quatro prefeituras. Segundo Vanderlan, a meta para o ano que vem é fazer de 15 a 20 prefeitos, incluindo o da capital.

Além do PPS, por hora, o PSC e o PRP também se alinhariam automaticamente ao projeto de Vanderlan à Prefeitura de Goiânia. Além destas siglas, o empresário afirma que tem conversado com um universo grande de partidos, incluindo o PTB do deputado federal Jovair Arantes e o PR. Em relação ao PT, ele diz que tem conversado com quadros, não com a direção executiva da legenda. Mas ele não descarta a efetivação de uma aliança, algo que seria um reforço e tanto, considerando que os petistas não vão caminhar com o PMDB em 2016, abrindo a possibilidade real de buscar novos aliados, como o PSB.

Plano de metas

Enquanto isso, o ex-prefeito de Senador Canedo se dedica a estudar Goiânia. Ele informa que tem conversado com especialistas em diferentes áreas, como mobilidade urbana, meio ambiente, saúde, moradia e segurança. Vanderlan pretende, já no início do ano que vem, dar início a várias reuniões em diferentes regiões de Goiânia. O objetivo, segundo o presidente do partido, é ouvir a comunidade para trabalhar com plano de metas a ser executado à frente do Paço Municipal.

Já Lúcia Vânia pensa que o sucesso numa eleição municipal, em especial em Goiânia, independe do número de partidos que formam uma aliança. Para a senadora, o eleitorado goianienses é muito crítico e oposicionista ao governo estadual, portanto preza mais pela qualidade das propostas do que pela configuração partidária. O que mais conta no caso do pleito da capital é um projeto de governo consistente, principalmente se for voltado para propostas de melhoria da eficiência de serviços públicos, como saúde, mobilidade urbana e segurança. “É a mensagem que fará a diferença. Falar de aliança antes da definição da reforma política é precipitado”, diz a senadora.

Ex-reitor da UFG descarta filiação

Edward Madureira nega deixar o PT, mas aprova aliança com o PSB

Edward Madureira nega deixar o PT, mas aprova aliança com o PSB

Apontado como provável candidato à Prefeitura de Goiâ­nia nas eleições de 2016, o ex-reitor da Universidade Federal de Goiás (UFG) Edward Madu­reira Brasil afirma que não vai sair do PT para se filiar no PSB, como chegou a ser especulado. Corria nos bastidores que Vanderlan Cardoso teria convidado o professor universitário para integrar os quadros socialista com vistas no processo eleitoral de 2016.

Edward Madureira confirma que conversou com o empresário e líder partidário, mas não confirmou que recebeu convite para mudar de sigla, tampouco com a promessa de ser candidato à prefeitura da capital ou para integrar a vice do ex-prefeito de Senador Canedo. Edward diz que permanece no PT e defende que o partido precisa lançar candidatura própria à Prefeitura de Goiânia em 2016. “Temos representatividade, quadros e história na capital, por isso devemos disputar a prefeitura”, afirma.

Mas, se esta possibilidade não vier acontecer, o professor vê com bons olhos uma aliança com o PSB. “Estivemos juntos em outras ocasiões e há uma proximidade ideológica. Seria natural uma aliançal”, diz.

Embora tenha terminado as eleições de 2014 com derrota a deputado federal, o professor foi o terceiro mais bem votado em Goiânia com pouco mais de 32 mil votos. Quando reitor comandou o projeto bem-sucedido de expansão da UFG.

Uma resposta para “O que o PSB vai fazer para se tornar uma força política protagonista em Goiás”

  1. Avatar Frederico Cunha disse:

    Excelente texto

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.