O peso das cidades na disputa estadual

Todos os principais partidos trabalharam intensamente para ganhar a maioria das prefeituras. Mas isso terá peso em 2018?

Palácio das Esmeraldas é o principal alvo e a disputa deve ser dar novamente entre PSDB e PMDB | Foto: Angela Macário/ Prefeitura de Goiânia

Palácio das Esmeraldas é o principal alvo e a disputa deve ser dar novamente entre PSDB e PMDB | Foto: Angela Macário/ Prefeitura de Goiânia

Afonso Lopes

A cada quatro anos repete-se o mantra político-eleitoral de que as forças de determinados grupamentos políticos ficaram mais fortes para as eleições estaduais enquanto os seus adversários se enfraqueceram. Mas até que ponto as eleições municipais realmente pesam na disputa pelo comando do Estado? Ganhar a maioria das prefeituras abre mesmo um caminho tranquilo para a vitória dois anos depois?

Essa é uma velha questão sempre batida após o balanço das urnas municipais. Todos os partidos fazem essa mesma conta. Então, é óbvio concluir que, sim, a eleição municipal projeta-se enquanto base consolidada para a próxima disputa, em nível estadual. Mas não se deve esquecer que os objetivos dos partidos, as metas eleitorais, não são necessariamente as mesmas para todos eles. Há partidos com interesse direto no Palácio das Esmeraldas, enquanto outros planejam vaga para o Senado e ampliação das cadeiras na Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa. É preciso separar essas coisas.

PSDB-PMDB
Fácil constatar essas diferenças de meta entre os partidos. Numa análise rápida e atual, PSDB e PMDB são os dois partidos com interesse total no Palácio das Esmeraldas. Pode até acontecer mudança no curso da história, mas em condições normais eles devem ser, mais uma vez, os protagonistas da disputa. Já na briga pelo Senado a situação municipal deve pesar para outras legendas. O PR, o PSD e o PTB, por exemplo, não pretendem inicialmente um voo mais alto do que a disputa pelo Senado. É fato que Magda Mofatto, presidente do PR, e Vilmar Rocha, presidente do PSD, pretendem reivindicar um espaço dentro da base aliada para a composição da chapa para o Senado. Vai ser uma disputa interessante e apertada, principalmente se o governador Marconi Perillo não conseguir ou não quiser se viabilizar numa candidatura nacional, para presidente da República ou como candidato a vice-presidente. Até porque existe mais um nome considerado peso-pesadíssimo de olho nessa disputa. A senadora Lúcia Vânia não deixou o PSDB para comandar o PSB em Goiás por diversão. Reeleita em 2010, seu mandato vence em 2018, e ela é, sim, candidatíssima.

No outro grande grupamento, liderado pelo PMDB, o senador Ronaldo Caiado está pouco se lixando para as vagas para o Senado. Eleito em 2014, seu mandato segue até 2022. A briga dele, e objetivo único e permanente, é o Palácio das Esmeraldas. Não será uma briga fácil. O grupo maguitista, seja com o próprio Maguito Vilela ou com Daniel Vilela, seu filho e deputado federal, também objetivam o governo estadual. Caiado é exatamente o contraponto dos iristas ao avanço dos maguitistas. Por aí já se vê o tamanho da encrenca que o PMDB vai enfrentar para definir candidato.

Mas, afinal, por onde anda o tal peso das eleições deste ano nessas disputas todas? Em lugar algum. A importância das prefeituras se dá de forma indireta, através das chapas para deputado estadual e para deputado federal. São elas que formam a grande base, e dependem diretamente dos prefeitos e vereadores eleitos este ano. E é através dessas chapas, com candidatos fortes e bem definidos dentro dos grupamentos partidários, que floresce a composição que ajuda, mas não decide, tanto a eleição para o Senado como também para governador.

Na base aliada comandada pelo governador Marconi Perillo, a vitória na maioria esmagadora das disputas é, sim, um reforço extraordinário para 2018. Não significa, de qualquer forma, que consequentemente o grupo vai carimbar mais um mandato no Palácio das Esmeraldas. Mostra apenas que há condições para isso, e tal possibilidade foi delineada de forma inequívoca nas disputas municipais.

Daí em diante tudo e toda análise vira mera suposição. A começar pela manutenção da unidade dentro de cada um dos grandes grupamentos. O PMDB é um edifício rachado do alto até o piso, e por isso não se sabe qual lado exatamente se saiu melhor. A base aliada é uma imensa colcha de retalhos mantida sob a tessitura política de Marconi Perillo.

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