O homem que desgraçou Cuba

Há quem considere que a morte “santificou” o ditador. Mas nada há de santo na obra dele: a mais cruel ditadura da América Latina 

Ditador cubano Fidel Castro, que morreu aos 90 anos de idade: legado de pobreza e opressão ao povo de seu país | Foto: Agência Efe

Ditador cubano Fidel Castro, que morreu aos 90 anos de idade: legado de pobreza e opressão ao povo de seu país | Foto: Agência Efe

Cezar Santos

Por incrível que pareça, a morte do ditador cubano Fidel Castro, aos 90 anos de idade, pegou muita gente de surpresa. Fidel parecia indestrutível, ou “imorrível”, para usarmos um neologismo tosco que combina bem com a personalidade dele. Às vezes, a impressão era que o ditador, sucumbindo ao peso dos anos e das doenças, ia mergulhando fundo na decrepitude, mas sem exalar o último suspiro; ia mumificando-se em vida. Mas, enfim, foi-se.

Não há praticamente nada de novo que se possa falar/escrever so­bre Fidel Castro. Livros, artigos, reportagens, documentários sobre ele há às centenas, uns louvando-o e outros retratando-o realisticamente. Mas, dados não deixam dúvida a respeito da verdade maior sobre Fidel: a ditadura que ele implantou em Cuba em 1959 é o regime mais sanguinário em impacto relativo à sua população entre as diversas autocracias espalhadas pela América Latina na segunda metade do século 20.

A constatação em números é feita pelo economista Rodrigo Constantino (atualmente radicado em Miami, ele estuda Cuba há muitos anos), em artigo escrito no dia 1º de dezembro. Mesmo observando que a questão de números sobre Cuba é complicada, já que o regime não divulga dados oficiais que sejam negativos, Constantino trabalha com fontes confiáveis (e possíveis).
Segue em itálico trecho do texto:

[…]
Um trabalho considerado mais ponderado e bem documentado é divulgado pelo projeto “Cuba Archive”, coordenado por uma ONG de cubanos-americanos.

Ele computa 7.326 mortos e desaparecidos nas prisões cubanas, a maioria (quase 6.000) fuzilada ou assassinada extrajudicialmente. Não se incluem aí os afogados, que perfazem dezenas de milhares segundo diversos relatos.

Considerando essa estimativa mais conservadora, nos seus 57 anos de ditadura, Cuba produziu 65 mortos ou desaparecidos por grupo de 100 mil habitantes.

“O Livro Negro do Comu­nis­mo”, obra de referência europeia que sofreu críticas por supostas imprecisões, aponta até 17 mil fuzilamentos ao longo dos anos Castro. Sob essa métrica, a média sobe para 154,5 mortos por 100 mil habitantes.

A Argentina, por sua vez, registrou um grupo de 30,9 mortos e desaparecidos por 100 mil habitantes nos sete anos de governo militar. O Chile do general Augusto Pinochet, 23,2 por 100 mil habitantes nos 17 anos do regime.

Em relação ao Brasil, então, é até covardia. Nosso regime militar, ao longo de mais de duas décadas, sumiu com pouco mais de 400 pessoas. Sendo que a maioria era comunista mesmo, ou seja, gente que lutava para implantar no Brasil esse “lindo” regime assassino…

Como fica claro, só há dois tipos de pessoas que defendem Fidel Castro e seu regime: os retardados mentais e os canalhas que adorariam ter o mesmo poder para eliminar seus adversários também. Ou seja, imbecis ou psicopatas. Não existe outra opção…

Em outro texto, publicado no jornal “O Globo”, em 2012, o economista fornece outros dados sobre o país “de” Fidel Castro.

Cuba não era um prostíbulo americano antes de 1959. Era um país com ampla classe média, com o terceiro maior consumo de proteína no hemisfério ocidental, a segunda renda per capita da América Latina (maior que a Áustria e o Japão), e a taxa de mortalidade infantil mais baixa da região.

Sua taxa de alfabetização já era de 80% em 1957, e o mais importante: os cubanos tinham cerca de 60 opções de jornais diários para escolher. Compare-se a isso a realidade hoje, com um único jornal, monopólio estatal, que reproduz somente aquilo que o ditador deseja. Nas salas de aula, os alunos “aprendem” sobre as maravilhas do socialismo, e depois precisam enfrentar a realidade infernal da ilha-presídio. Educação?

Em 1958, Cuba tinha nove cassinos, e apenas 5% do capital investido no país eram americanos. Se muitos turistas buscavam diversão na ilha, vários cubanos também viajavam para Miami. Hoje, milhares de cubanos estão dispostos a nadar no meio de tubarões para tentar a liberdade nos Estados Unidos, tudo para fugir do “paraíso” socialista onde “nenhuma criança dorme na rua”.

Para piorar o quadro, Havana recentemente passou Bangcoc como “capital do sexo infantil no mundo”. Possui ainda as maiores taxas de suicídio e aborto da região, fruto da miséria e do desespero. Isso apesar dos mais de US$ 100 bilhões de subsídios que a antiga União Soviética mandou para Fidel. Chávez assumiu a mesada, mas fica tudo concentrado na “nomenklatura” escolhida pelo Líder Máximo.

Há também uma segregação racial na ilha, com 80% dos presos sendo negros, contra menos de 1% da cúpula do poder. Homossexuais são perseguidos. Os “progressistas” da esquerda caviar não suportariam viver um dia sequer em “A Ilha do Doutor Castro” (outra leitura recomendada). Cuba virou importante rota de tráfico de drogas, com claros sinais de envolvimento do governo, assim como um quintal para terroristas antiamericanos.

Professor goiano viu in loco o horror do socialismo castrista

Professor e cientista político Wilson Ferreira da Cunha: “Não vai mudar nada com a morte de Fidel Castro” | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Professor e cientista político Wilson Ferreira da Cunha: “Não vai mudar nada com a morte de Fidel Castro” | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Wilson Ferreira da Cunha é professor da Pontifícia Universi­da­de Católica de Goiás (PUC-GO), cientista político, e se diz “um sobrevivente do socialismo real”. Foi filiado ao Partido Co­mu­nista Brasileiro (PCB), morou e estudou na União Soviética de 1965 a 1972 (é mestre em antropologia). Graças ao que viu, ao retornar, tornou-se um feroz crítico do comunismo e de tudo aquilo que possa parecer com tal regime.

Com esse olhar, esse preparo intelectual e essa experiência prática e teórica, Wilson esteve três vezes em Cuba — em 1999, 2003 e 2007. E o que viu foi mais do mesmo que tinha visto na União Soviética: atraso e pobreza im­postos por um regime ditatorial que produz miséria para a população.

Além de ter estudado com colegas cubanos na União So­viéti­ca, que lhe passaram muitas informações sobre a realidade cubana, o professor Wilson ficou 21 dias presenciando in loco a realidade local. Com sua mirada crítica e analítica, Wilson pôde confirmar e, mais que isso, ampliar seus já aprofundados conhecimentos do que fez Fidel Castro aos seus conterrâneos, a realidade do país caribenho, em seus aspectos social, econômico e arquitetônico.

“Em Cuba eu confirmei a impressão que eu já tinha do socialismo soviético, uma sociedade que teve um nível econômico das décadas de 20, 30 e 40, no máximo. Diferentemente da União Soviética (URSS), Cuba não tinha condições econômicas para manter aquele dito socialismo. Cuba foi bancada pela União Soviética, desde o alimento até o petróleo, máquinas e outras coisas. Sem os soviéticos, a revolução socialista cubana não duraria nove meses”, diz Wilson.

Viagem

Além de andar dias e dias dentro da capital, Havana, Wilson alugou um carro particular, daqueles da década de 50, e andou cerca de 1,2 mil km pela ilha. O professor fala bem o espanhol, o que facilitou a comunicação com os locais. “O temor das pessoas era o mesmo que eu vi na União Soviética. As pessoas contam piadas sobre o socialismo em voz baixa, porque há um militante-fiscal do regime em cada quadra, que vigia e denuncia qualquer um que desvie do esquema totalitário.”

Ele conta que teve certa facilidade para conversar com os cubanos, por ser um homem magro e se parecer fisicamente com os cubanos. Segundo Wilson, é raro ver gente gorda em Cuba, porque não tem comida, não há a oferta que temos no Brasil, por exemplo, aquele tanto de frutas e verduras nas feiras e mercados. E o cubano tem uma caderneta até hoje, onde se anota o gasto por semana, se consumir mais não pode comprar mais.

“Por isso, a maior reclamação dos cubanos com quem conversei era sobrevivência física mesmo. Ocorre que, na década de 1990, com o desmonte da União Soviética com Gorbatchev [Mikhail, político e estadista russo, o último líder da União Soviética, entre 1985 e 1991], parou de vir a ajuda do chamado ‘ouro de Moscou’, que existiu mesmo. Cuba recebia até leite, porque o país só tem tabaco, charuto, tequila e salsa (risos), isso não alimenta”, afirma.

O que mais marcou Wilson da Cunha nas viagens a Cuba foram, em primeiro lugar, a beleza do país, principalmente a área de Havana Velha, construída pelos espanhóis. Em Havana, diz, Fidel Castro fez alguns monumentos em comemoração aos ícones do socialismo e nada mais. Os prédios que se fizeram lá, os arquitetos foram russos, então são construções sombrias, quadradas, fechadas, sem nenhuma modernidade arquitetônica. “Nem nisso o dinheiro soviético foi gasto, serviu apenas para retórica.”

O professor conta que também ficou impressionado — o que ele já sabia, pelos contatos com amigos cubanos desde Moscou — com a alta prostituição em Cuba. Os baixos salários — “um ministro de Estado de Cuba ganhava 10 dólares de salário na época; viajei com a filha de um, e ela me disse isso no avião” — certamente levaram ao surgimento da prostituição na Cuba socialista. “Em qualquer lugar se via tanto rapazes como moças se oferecendo. O povo cubano é amável, de boa índole, mas a ditadura massacra essa alegria das pessoas.”

Carros antigos e veículos puxados por cavalos são os principais meios de transporte dos cubanos | Foto: Reprodução

Carros antigos e veículos puxados por cavalos são os principais meios de transporte dos cubanos | Foto: Reprodução

Mas, e a exaltação que alguns cubanos fazem do regime?

Wilson responde que sim, muitos pobres exaltam o socialismo, comparando o país com antes da revolução. Eles ganharam residência, escola, o que tem impacto num país pequeno, uma ilha de 11 milhões de habitantes.

“Mas a maior dificuldade é a liberdade. Lá não tem imprensa livre, a que tem é oficial, TV, rádio e jornais estatais que só divulgam o que o regime permite. Tanto que agora, na homenagem às cinzas de Fidel Castro, as pessoas assinavam livros se propondo a continuar a luta pelo socialismo. Ora, elas foram praticamente obrigadas a isso”, afirma Wilson.

Pelo que estudou e viu, o professor não tem dúvida em afirmar: o que mais marca a administração de Fidel Castro é a violência contra a população cubana. Hoje até mudou um pouco, porque Raúl Castro abriu um pouco a economia ao assumir. Mas ninguém tinha livre iniciativa pessoal ou coletiva, porque era uma ditadura socialista. “Fidel derrubou uma ditadura e implantou outra, mais forte e estruturada. E isso é visto no dia a dia, no medo das pessoas ao terror implantado. Fidel fuzilou mais de 12 mil pessoas que faziam oposição ao regime, milhares fugiram.”

Ele lembra que até hoje o cubano não pode pescar, embora Cuba seja uma ilha, porque quem pesca pode aproveitar para tentar fugir para Miami, a cerca de 50 km, em jangadas improvisadas.

Utopia

O cientista político Wilson Fer­rei­ra da Cunha lembra que o socialismo é uma utopia, e como tal, paralisante, porque a utopia imagina que a perfeição foi alcançada, então só resta mantê-la. Por isso não há inovação nem criatividade. É como se fosse o céu, sem diferenças econômicas entre as pessoas, sem contradições.

“Mas o socialismo é um sonho que se tornou um pesadelo. A utopia é uma construção imaginária refém de sua própria crença de perfeição. E se é perfeição, ela torna-se estática, sem mudanças. E isso prova ao capitalismo de mercado que as inovações, o crescimento, o progresso exigem constante renovação”, afirma, lembrando que nessa realidade de paralisia, nem a indústria da cana de açúcar prosperou em Cuba, por falta de avanço tecnológico.

“Deve continuar manual até hoje. Quando os soviéticos ajudavam, eles com­pravam todo o açúcar cubano e o revendiam pela metade do preço, para ajudar a construir o mito do socialismo cubano. Com isso, Fidel assumiu totalmente a defesa do Estado totalitário, impedindo toda e qualquer manifestação contrária, num aprendizado de Lenin. Fidel inaugurou o paredón, para matar os opositores. Até hoje se tem prisioneiros políticos em Cuba”, lembra Wilson da Cunha.

Pós-Fidel

O cientista político não acredita que a realidade cubana mude grande coisa com a morte de Fidel Castro. Lembra que a direção do país continua na mão da família, com Raúl Castro. Ou seja, permanece a famili­o­cracia de praticamente 60 anos no po­der, que não quer “largar o osso”. E essa família tem todo poder, porque não existe oposição, que é mor­ta, metralhada no paredón pelo regime, que prende qualquer dissidente.

Felizmente, diz Wilson, a realidade pode ser mostrada pela literatura e jornalismo. Ele lembra que, entre ou­tros, o escritor cubano Leonardo Pa­du­ra, que escreve na imprensa brasileira, faz essa crítica. Há filmes também, como o “Retorno a Ítaca” [do francês Laurent Cantet, lançado em 2015], que mostram os malefícios da enorme repressão sobre a sociedade cubana.

Ele diz que seria bom voltar a Cuba depois de Fidel, para ver o que vai ser. Mas, politicamente, não crê que vá mudar alguma coisa. “Raúl Castro pode tomar como lição o socialismo chinês, e fazer o capitalismo sob a direção do Partido Comunista Cubano, que seria um desastre, por que a ilha é muito pequena, tem pouca estrutura, sem condições nem para ter combustível suficiente para mover a sociedade cubana. Tanto que a industrialização no campo é precária, praticamente a mesma da década de 1950. Não há inovação tecnológica ali.”

“Medicina avançada” cegou milhares de pessoas

Um dos grandes mitos propagados pelo regime cubano, e reproduzido por simpatizantes principalmente na América Latina, é o de que a medicina do país é avançada. Nada mais falso. Como diz o cientista político Wilson Ferreira da Cunha, a saúde em Cuba é preventiva. “Que qualquer cidadezinha brasileira faz, e só dar alimentação, água potável, zelo pelas crianças. Isso foi feito em Cu­ba, com a ajuda soviética. Mas medicina moderna depende menos do médico, do profissional, e sim de biotecnologia, de engenharia genética.”

Wilson diz que em Cuba não há sequer ultrassom. “Na verdade, os médicos cubanos são sanitaristas, não têm contato com medicina avançada, que é capitalista. A avançada medicina cubana é mito criado como propaganda, defendida por uma parte da intelectualidade e da classe artística brasileira.”

Paulista radicado em Goiânia, Jorge Antônio Monteiro de Lima, é uma prova viva da falácia da medicina cubana. Fundador da clínica escola Instituto Olhos da Alma Sã, em Goiânia, Jorge é deficiente visual, analista, psicólogo clínico, pesquisador em saúde mental, escritor e músico.
Ele esteve em Cuba em três ocasiões, perfazendo seis meses por lá. Foi para fazer tratamento de uma retinose pigmentar (conjunto de doenças oculares que pode causar cegueira). Gastou cerca de 60 mil dólares. Quando foi, Jorge enxergava, tinha um pouco de cegueira noturna, mas dirigia, fazia tudo.

Psicólogo Jorge Monteiro: “Fiquei cego total com a medicina cubana. Era propaganda enganosa” | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Psicólogo Jorge Monteiro: “Fiquei cego total com a medicina cubana. Era propaganda enganosa” | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

A doença de Jorge estava num grau em que poderia haver reversão com cirurgia, ou mesmo evoluir para a cegueira numa idade bem mais avançada. Mas os cubanos o deixaram cego total aos 24 anos. Foram feitas cirurgias nos dois olhos, uma cirurgia perto da orelha, chamada vasoderivativa.

“Na mesmo situação minha, que foram para lá e se viram enganados, eu conheço 4 em Goiânia; em Goiás, que eu contei, são 15. Sem contar em Brasília. Em todo o Brasil, são cerca de 15 mil pessoas que passaram por isso. Famílias inteiras foram e não melhoraram”, diz Jorge, contando que o tratamento consistia também em remédios orais e venosos. “Na verdade, viramos cobaias humanas de vários experimentos que eles estavam fazendo.”

Dermatologista Antônio Macedo: “Prescrevi remédio cubano para vitiligo, mas não funcionou” | Foto: Reprodução

Dermatologista Antônio Macedo: “Prescrevi remédio cubano para vitiligo, mas não funcionou” | Foto: Reprodução

E não houve aviso de que se tratava de tratamento experimental. “Não podiam avisar porque senão não poderiam cobrar. A ética médica não permite.” Os cubanos fizeram a propaganda de que estavam curando a retinose pigmentar e o vitiligo (doença caracterizada pela perda da coloração da pele), mas, como lembra Jorge Monteiro, não há registro no mundo de que alguém tenha sido curado — por sinal, como outros, o dermatologista goiano Antônio Macedo chegou a prescrever um medicamento cubano para vitiligo: “Como não foi satisfatório, deixei de prescrever”.

O psicólogo Jorge Monteiro postou em sua página no Facebook um texto contando mais detalhes de sua história. Segue trecho:

Estive em Havana, Cuba, para tratamento em saúde três vezes. Fiquei mais de seis meses ali convivendo período destas viagens. Fui na onda dos desesperados que em 1992, mobilizados pela imprensa nacional e internacional, tentavam a cura de doenças como o vitiligo, retinose pigmentária, ou problemas ortopédicos. Eram milhares de pessoas que faziam turismo de saúde por uma empresa chamada Cubanacam.

O regime ditatorial de Fidel Castro conheci bem nestas viagens quando me enturmei com os médicos e fiz amizade com eles no hospital onde ficava hospedado. Ali testemunhei médicos e os funcionários com medo, vigiados quando tinham contato com turistas entendi o que era a ditadura “comunista” de Fidel Castro, percebi o quanto era vigiado, o quanto não podia existir divergência de opinião, mas um pensamento unilateral de um ditador ególatra que eliminava ou exilava (quando a outra pessoa tinha sorte).

Tive contato com professores universitários, músicos, e questionar o regime socialista, a política, era um tema temido, havia inexistência de liberdade de expressão, e risco para qualquer um que abrisse a boca para falar mal ou criticar qualquer coisa do sistema.
Senti muito isto nos artistas, músicos, nos trabalhadores, nos médicos.

Foi em Cuba que aprendi o que é usar de uma comunidade inteira (de pessoas doentes ou com deficiência) para levantar fundos e grana para fins econômicos, no caso de pessoas com problema de saúde, criando como política de Estado o turismo de saúde, com altíssimos investimentos em publicidade internacional, com fins específicos de criar um discurso de ilusão, vender milagres, promessa de cura em um sistema de propaganda enganosa, porque a medicina de Cuba não curava as referidas doenças, embora sua propaganda abertamente apregoasse o contrário. Eram tratamentos caros, lesando milhares de pessoas fragilizadas.

Quando estive em Havana fui com outros 300 brasileiros, cada um pagando cerca de 15 mil dólares, e ali vinham pessoas de todo mundo tentando se curar de uma doença. Ninguém que conheci no período, ou depois, convivendo com outros deficientes, teve melhora em Cuba, pelo contrário, os que se submeteram viraram cobaias humanas, de uma metodologia cirúrgica sem eficácia alguma, caracterizando a propaganda enganosa do regime de Fidel Castro.

Sei que do Brasil foram mais de 3 mil cobaias ao custo de 15 mil dólares cada e não se tem registro de casos de melhora no tratamento da retinose pigmentária pela metodologia do “cientista” Orfilio Pelaes, médico responsável pela Clínica de Oftalmologia Caminhos in Fuegos.
Entre 1992 e 1994 o hospital era lotado cheio de pacientes. De 1994 em diante, a notícia de que não havia eficácia nos tratamentos se espalha pela comunidade médica internacional.

No regime de Fidel Castro vi amigos médicos pedindo emprego para fugir do sistema, e vi pessoas evidenciando que nossas conversas eram gravadas e ou tinha alguém as escutando.
Especialmente quando começava a questionar a eficácia dos tratamentos e se os próprios médicos compartilhavam estas ideias. Vi equipes inteiras de oftalmologia serem punidas e banidas, mandadas para o interior por não concordarem com a política do Estado, que ganhava muito dinheiro aproveitando-se de toda uma categoria de pessoas em fragilidade.

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Luiz José Aguiar

A realidade comprova a hipocrisia intolerável: comunistas brasileiros preferem sofrer o horror do capitalismo selvagem no frio de Paris do que desfrutar a liberdade socialista na ensolarada Havana. Também é reconhecida a preferência dos políticos esquerdistas pelas agruras de um passeio nos ícones do imperialismo, a infernal Miami e a detestável Nova York, mas não há nenhuma liderança socialista brazuca que se disponha a uma estadia repousante no paraíso democrático de Piongyang, sob os cuidados do afável Kim Jong-Un.