Marconi Perillo e Iris Rezende disputam pela terceira vez um 2º turno em que a linguagem da modernidade é o grande diferencial

Afonso Lopes

Adversários de Marconi Perillo, especialmente aqueles que trafegam e se movimentam fora dos dois grandes eixos políticos do Estado, como o PT e a sempre sonhada e nunca realizada terceira via, costumam dizer que o governador é o Iris novo, com práticas políticas iguais as do grande e histórico líder peemedebista. De certa forma, e em alguns aspectos, eles têm razão quando fazem essa observação. Marconi, como Iris, entram nas disputas eleitorais com uma fome de ontem e avançam com uma estupenda força. No comando de seus grupos, nem Marconi nem Iris enfrentam rivais tão bons politicamente como eles. E quando surgem lideranças dispostas a colocar em xeque seus domínios, protegem seus patrimônios político-eleitorais com todas as forças que possuem.

Antes de ser um defeito, essas características que compõem um conjunto são evidentes virtudes. O processo de seleção natural na política, aqui ou em qualquer outra democracia do planeta, é realmente dura, e só os muito fortes sobrevivem e se mantêm no topo. Líderes políticos não recuam e abandonam o poder. Eles precisam ser vencidos, ser superados por outros líderes, novos ou não.

Repetição

Não é por outra razão que pela terceira vez os goianos decidem entre Marconi e Iris. Eles são realmente os melhores líderes do Estado. Não se está aqui dizendo que outros políticos não conseguiriam realizar bons governos. Não é isso. O que há é uma eleição, e o peso nas definições que desembocam nas candidaturas é político. O aspecto administrativo é um dos parâmetros que levam a população/eleitorado a se definir entre este ou aquele, mas não conta tanto assim nessa composição de cunho estritamente político. Se não fosse assim jamais seria possível, por exemplo, uma organizar uma chapa de oposição, já que neste caso seria obviamente impossível avaliar algum tipo de peso administrativo.

Embora uma das maiores frases feitas absolutamente verdadeira sobre disputas eleitorais seja a de que cada eleição é uma eleição, ou seja sem qualquer vinculação entre elas, existem algumas coincidências nesse conflito entre Marconi e Iris. E a própria repetição do confronto direto entre eles salienta ainda mais essas semelhanças individuais na disputa eleitoral. A maior delas é quanto ao estilo pessoal de Marconi e de Iris. O primeiro, com a imagem fortemente ligada ao conceito da modernidade, da vida atual e rápida. O segundo, com sua imagem mais paterna, mais à moda antiga. Não é defeito para um ou para o outro. São maneiras de ser, e ambos já foram suficientemente exitosos nas urnas e na aprovação por parte da população. Trata-se de estilo, e aqui se destaca que essas maneiras de ser de cada um se chocam nesses três conflitos eleitorais entre eles.

Impossibilidade

É impossível para Iris Rezende tentar se apresentar ao eleitor como um jovem moderno, antenado, afeito à internet e seus apetrechos de alta tecnologia. Ele, além de não ser nada disso, tem a sua imagem fortemente baseada em outra conceituação, exatamente na direção antagônica.

Igualmente seria impossível a Marconi Perillo se transformar na campanha em uma espécie de avô carinhoso, com tempo suficiente para ficar lendo histórias para netinhos numa tarde de domingo. A imagem dele é exatamente oposta. Ele é visto como um executivo moderno, urbano e não rural. Ele está muito mais para o agronegócio do que para a enxada de um camponês calçando botinas surradas.

Talvez a desobediência a esses conceitos de imagem de Iris contra Marconi seja a origem do fracasso que o líder peemedebista tem colhido nas disputas contra o tucano. Nas campanhas, e até antes do período delas, tenta-se de todas as formas transformar a imagem de Iris num Marconi experiente, mais vivido. É óbvio que, além de não haver verossimilhança com a imagem real de Iris perante o modo como o eleitor o vê e percebe, a disputa pela modernidade é facilmente vencida por Marconi, que disputa, por assim dizer, em sua seara, onde ele se sente completamente à vontade, e como o eleitor o vê.

O pior que se colhe nessa estratégia marqueteira de tentar “modernizar” Iris Rezende diante dos embates contra Marconi é o fundo crítico que se gera na própria imagem do Iris. Ou seja, ao invés de se acrescentar mais um conceito a Iris, termina por estender um fundo de crítica àquilo que ele realmente é. Não ser moderno, um executivo, um antenado, não é defeito que inviabilize uma eleição. Mas tentar mudar essa imagem à força de marketing não deixa de ser uma crítica, e nesse caso é uma autocrítica.

Recentemente, em Editorial, o Jornal Opção apontou esse fato e o sintetizou de forma fria e cortante: Iris moderniza Marconi. E isso acontece porque, apesar dos esforços televisivos, é humanamente impossível montar a imagem de um Iris moderno. Não dá, não tem jeito. Quando sai do script da “modernidade”, em debates ou entrevistas, por exemplo, o que surge é o Iris de fato, real, exatamente como a população o enxerga. E isso termina por reforçar que o conceito da modernidade que compõe o fundo da disputa eleitoral, é de Marconi. Até pela espontaneidade com que ele navega nessa tematização, e por ser esse o terreno onde está erguida a sua imagem política.

Goiás poderia assistir e decidir eleitoralmente sobre esses dois grandes e basilares conceitos humanos: a celeridade da modernidade contra a segurança do tradicionalismo. Quem poderia vencer uma disputa como essa? Difícil saber. Talvez seja realmente impossível. Ninguém é tão moderno que não seja também um pouco tradicional, e ninguém é tão tradicional que não seja também um pouco moderno.

Nesse sentido, é realmente uma pena que os goianos não tenham a oportunidade de ouvir, discutir e decidir sobre esses conceitos. Então, há apenas a modernidade em mais essa disputa eleitoral. E ela tem nome: é Marconi.