O auxílio valioso na inovação dos negócios

Pequena empresa é beneficiada nas áreas de design, produtividade, propriedade intelectual, qualidade, inovação, sustentabilidade, informação e comunicação 

Gerente Elaine Moura: “Estratégia para disseminar e levar a inovação para as micro e pequenas empresas”

Gerente Elaine Moura: “Estratégia para disseminar e levar a inovação para as micro e pequenas empresas”

Yago Rodrigues Alvim

O mercado está cada vez mais exigente e sem fronteiras, com uma escala de ofertas e de­mandas crescente. Nesse sentido, a seccional goiana do Serviço Bra­si­leiro de Apoio as Micro e Pequenas Em­presas (Sebrae-GO) amplia sua atenção e investe na busca de soluções para as microempresas. Diretor técnico do Sebrae-GO, Wanderson Portugal diz que para equacionar permanência e evolução das microempresas e empresas de pequeno porte, essa busca envolve duas palavras: inovação e tecnologia.

É aí que entra o programa Sebraetec. Wanderson Portugal explica que o programa é totalmente focado na oferta de consultoria para melhorias de processos e produtos dos pequenos negócios na cidade ou no campo. São sete áreas distintas: design, produtividade, propriedade intelectual, qualidade, inovação, sustentabilidade, tecnologia da informação e comunicação.

“O programa Sebraetec aproxima o empresário de profissionais e prestadores de serviços tecnológicos, promovendo assim, o acesso do empreendedor à mão de obra especializada”, diz. Se por um lado o empresário encontra desafios como a dificuldade de identificar demandas por inovação e tem dúvidas sobre o retorno do investimento em inovação, por outro lado o Sebrae, com o programa, oferece consultoria para identificar necessidades e prioridades da empresa em inovação, com subsídios de até 80% do valor do projeto de inovação, além de acompanhamento técnico para assegurar melhores resultados ao processo de inovação, melhor relação custo-benefício do investimento em tecnologia e inovação.

A prioridade para o Sebrae é atender o maior número de microempresas, empresas de pequeno porte e produtores rurais, por meio do programa Sebraetec. O acesso é facilitado pela equipe de consultores. Em Goiás, o Sebrae oferece 37 pontos de atendimento presencial, além do atendimento virtual por meio da internet e em 40 totens de autoatendimento instalados nas unidades do Vapt Vupt. O , ou ainda, o empreendedor pode agendar um atendimento com consultores do Sebrae pela central de relacionamento (0800 570 0800), esclarece o diretor.

A gerente de inovação e competitividade do Sebrae-GO, Elaine Maria de Moura explica um pouco mais sobre o programa: “Sebraetec é uma estratégia que o Sebrae adotou para disseminar e levar a inovação para as micro e pequenas empresas no Es­ta­do. A inovação é um complemento ao que o Sebrae já faz, pois trabalha com o processo de gestão empresarial, capacitando os empresários, para que possam gerir bem os seus negócios no campo das finanças, das pessoas, da produção, do marketing e do mercado, no todo”.

Os pequenos negócios, notadamente, tanto quanto os grandes negócios precisam estar abertos para a inovação, pontua a gestora. Os produtos, serviços, forma de agir requerem criatividade para continuar competitivo no mercado. Por isso, são dois pilares que sustentam a atuação do Sebrae: gestão, com cursos, palestras e consultorias, e inovação proposta às empresas.

O Sebraetec atua com consultorias e com os serviços tecnológicos. Elaine de Moura ressalta, então, que a inovação é uma atitude de mudança que o empreendedor adota na busca de melhorias para seu negócios seja de comércio ou de serviços. É uma atitude. Ele lembra que nem sempre é fácil inovar. Para inovar, o empresário sempre esbarrará em fatores de experiência ou da falta de especialistas que podem indicar ações simples e eficazes para a empresa.

É aí que o Sebrae entra, mitigando essas barreiras. “O Se­braetec vem para aproximar a empresa, o empreendedor, dos especialistas que podem desenvolver a inovação dentro da empresa dele”, diz Elaine.

Passo a passo

Diretor técnico, Wanderson Portugal: “O programa Sebraetec aproxima o empresário de profissionais”

Diretor técnico, Wanderson Portugal: “O programa Sebraetec aproxima o empresário de profissionais”

Os interessados podem procurar qualquer um dos 11 escritórios regionais do Sebrae e demandar pelo serviço do Sebraetec. Porém, é necessário ser uma empresa de micro ou pequeno porte. Uma documentação é requerida para que possam atender e proporcionar a inovação, além do subsídio em até 80% do valor de mercado.

As empresas que prestam essa consultoria estão no mercado. “Nós temos um banco de empresas cadastradas que são as prestadoras de serviço”, diz Elaine. O Sebrae subsidia 80% do custo desse serviço, ficando apenas 20% para o empreendedor. É uma boa ajuda que facilita muito o investimento em inovação. “Às vezes, o empreendedor que fazer uma inovação na embalagem de seu produto, o que pode ser caro para o pequeno empresário. Nós estudaremos o projeto. O prestador de serviço cadastrado no Sebrae apresentará uma proposta e nós chegaremos a um termo final sobre o que será entregue, subsidiando o custo em 80%”, exemplifica Elaine.

O projeto de inovação no âmbito do Sebraetec deve estar dentro das áreas de design, produtividade, propriedade intelectual, qualidade, sustentabilidade e tecnologia da informação e comunicação. As empresas que se encaixam nos editais e requisitos podem procurar o Serviço para se credenciarem. Bem como os potenciais prestadores, que podem ser tanto da iniciativa privada, quanto das organizações não governamentais sem fins lucrativos. Por exemplo, o Sistema S (com empresas como Senai e Sesi) que é um prestador de serviço do Sebrae, no programa.

Inovação

O conceito de inovação trabalhado pelo Sebrae é bem abrangente. Envolve inovação de produtos, de processos, estrutura organizacional. Não é só a inovação tecnológica, que exige investimento em tecnologia, que o Serviço apoia. “Atuamos num conceito mais abrangente. Por isso, as características dessas empresas, que procuram o programa, também são diversas”, diz Eliane de Moura.

Uma loja pode ter necessidade de melhorias no layout; outra não tem esse problema; uma precisa trabalhar o processo de marca, do design gráfico ou do comércio eletrônico, por exemplo. Isso depende de cada área de atuação. Também pode ser uma empresa cujo negócio seja agressivo ao meio ambiente. Nesse caso, o Sebrae, pode oferecer consultoria pelo Sebraetec, na área de gestão ambiental, de resíduos sólidos ou eficiência energética.
A extensão é maior, pois pode envolver a tecnologia: “Podemos nos deparar com empresas em um processo de implantar o serviço de automação comercial, de comércio eletrônico, dos meios eletrônicos de pagamento ou de trabalhar com as redes sociais e serviços online. Aí, são empresas com necessidades voltadas mais para o âmbito do investimento em tecnologia. Ou você pode trabalhar com empresas que estão precisando desenvolver seu processo de propriedade intelectual, de marca, patente”, afirma Eline.

Ou seja, é muito abrangente o escopo do Sebraetec. Outra área, lembra a gestora, é a de aumento da produtividade no negócio em que o empresário atua, assim, ele solicitará serviços para cadeia de suprimentos ou para melhoria dos processos internos, como exemplo.

Uma informação importante: a empresa precisa ser formalizada, ter o CNPJ e, mais, estar sensibilizada para a importância da inovação. “É necessário o empresário estar atento à inovação e a sua importância para que não fique acomodado”, diz Elaine, lembrando que a inspiração para inovar pode vir do próprio cliente que, às vezes, demanda um serviço diferente, um produto aperfeiçoado. “O próprio concorrente pode ser o inspirador, se já estiver em um processo de inovação mais desenvolvido e apurado. O que está sendo feito de diferente, que está agregando valor, pode fornecer informações para inovar.”

Tempo

A demanda por inovação que chega ao Sebraetec envolve um tempo natural burocrático. A gestora já avisa que não tem como precisar um tempo, mas que é bem ágil. Depende da natureza da inovação que se vai propor. Elaine Moura exemplifica: “Se farei uma consultoria Sebraetec no design de um novo produto, isso demandará mais tempo que uma consultoria que trabalhará com o processo de layout de uma empresa”. Ou seja, há também o tempo de implementação de uma solução de inovação, que depende (e varia, no caso) da característica da empresa.

O trabalho, no todo, é feito entre o período de uma semana a seis meses. E, aí, podem ser serviços cumpridos em 3 meses ou apenas 15 dias. “Depende da solução demandada pelo empresário”, diz Elaine.

Empresário Luiz Gustavo Ferreira: “A inovação na GO!Mídias foi na área da comunicação” Produtor rural Geraldo Borges conta que as inovações aumentaram a produtividade no dia a dia do Sítio São José Empresário Dário Vieira, da Kapitão América: "O Sebraetec é um programa que traz bastante resultados"

Empresário Luiz Gustavo Ferreira: “A inovação na GO!Mídias foi na área da comunicação”
Produtor rural Geraldo Borges conta que as inovações aumentaram a produtividade no dia a dia do Sítio São José
Empresário Dário Vieira, da Kapitão América: “O Sebraetec é um programa que traz bastante resultados”

Empresários beneficiados pelo programa falam dos resultados

Empresário Cosmo Custódio, do Sítio San Diego: busca por qualificação e inovação é destacada

Empresário Cosmo Custódio, do Sítio San Diego: busca por qualificação e inovação é destacada

Há três anos no mercado, a GO!Mídias atua na área de mídias não tradicionais. Geralmente, os clientes procuram a empresa em eventos coorporativos, esportivos e culturais ou outra campanha promocional. A parceria com o Sebrae por meio do Sebraetec começou há um ano, em julho de 2013, mais especificamente.

“Foi feito um serviço na área de comunicação da empresa, com criação das ferramentas para divulgação, com prospecto de portfólio, imagens, captação de clientes”, explica o empresário Luiz Gustavo Ferreira., lembrando que a inovação possibilitou à GO!Mídias encontrar o público-alvo: “Melhorou essa comunicação”.

O produtor rural Geraldo dos Santos Borges conta outra história. Sobre seu sítio, o São José, e sua produtividade na produção de leite. O contato com o Sebrae foi através do Sindicato dos Produtores Rurais e do grupo de produtores Balde Cheio. O programa ajudou muito, conta, pois a perda no meio rural compromete o todo. A assistência tornou a propriedade em empresa.

Primeiro, a formalização. Depois, a inovação na área de produtividade, com consultorias. “Antes, eu produzia 60,5 litros por dia e, hoje, são 350 li­tros. Portanto, melhorou muito. In­ves­timos mais na pastagem, na alimentação do gado, o que trouxe re­tor­no” diz Geraldo. O ganho foi na vi­são, pa­ra que a perda na produção fosse mi­ni­mizada. A parceria com o Ser­viço é an­tiga, com participação em cursos, na qualificação profissional. Ele ainda alerta: “O produtor que não faz cursos não tem visão al­gu­ma, pois não sabe on­de e qual co­nhe­cimento aplicar. Eu a­proveitei o má­ximo dos cursos. As inovações apoi­aram na prática do dia a dia do Sítio”.

Site quente

Dário Alves Vieira é o proprietário da Kapitão América – Equipamentos de Segurança, há 18 anos no mercado. A empresa foi a primeira atacadista do Centro-Oeste específica em equipamentos de proteção. Antes, era um comércio ferragista e, logo, vieram os concorrentes. “Eu já trabalhava como representante de algumas marcas de equipamentos e tive a ideia de abrir uma loja para atender o público em geral e atender no atacado”, explica.

A parceria que Dário tem com o Se­brae é de longa data. “Já fizemos me­lhorias de processos internos, com uma consultoria, entre outras ações e, no ano passado, com o Sebraetec de­di­cado à tecnologia, nós criamos um no­vo site para empresa.” É um site mais completo, com mais informações e possibilidades. O cliente seleciona os produtos e verifica várias informações, entrando em contato com o vendedor apenas para fechar a venda.

“Tivemos curso na área de gestão, além de uma consultoria em que se mapeou os processos e, com a análise de resultado, nos indicou melhorias. A empresa ganhou visibilidade. Antes, tínhamos quase que um host site [site mais simples e menor]. Assim, investimos no site e no marketing digital, com o Facebook, Twitter, Instagram e até em anúncios no Google”, conta o empresário sobre a inovação implementada no ano passado.
O resultado foi acesso significativo pelo site. “Não temos como comparar, pois o antigo site nem permitia verificar o quantitativo, mas estamos com resultados promissores, em linha crescente.”

A ideia de participar do programa veio com um dos antigos diretores da empresa, Rafael Bastos Lousa. Ele fazia parte da Associação Comercial Industrial e de Serviços do Estado de Goiás (Acieg Jovens), que tem esse perfil de inovação. Sabendo do programa Sebraetec, achou interessante para empresa, para melhorar os processos internos, e propôs avançar.
“Eles verificaram nossas ne­cessidades e propuseram um site que as atendesse. Definimos os aspectos que precisávamos trabalhar. O Se­braetec é muito interessante. Reco­men­damos para muitas pessoas, pois, com o auxílio ao micro e pe­que­no empreendedor, é um programa que traz bastante resultados”, afirma.

A Hortaliça San Diego existe há mais de 20 anos e foi formalizada em 1997. Cosmo Custódio da Silva e Giovanni Rodrigues da Silveira Silva são produtores rurais e os proprietários da hortaliça. “Já tínhamos participado, em 2004, de outro programa do Sebrae, o Boas práticas de fabricação. De lá para cá, sempre participamos das atividades do Serviço”, diz Giovanni. Ela queria lançar uma linha de produtos novos e propôs a Custódio o Sebraetec. Foram seis meses de consultoria.

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Empresários Wilton Bastos e Jairo Almeida, empresa Vissato Café e Complemento: “O programa é uma solução para inovar o negócio”

“Eles são muito prestativos, desenvolveram a linha do produto, fizeram testes laboratoriais e me deram a composição que mais tem pesquisa de campo. Portanto, é uma parceria muito válida nós, pequenos empresários”, diz a empreendedora, que valoriza a busca de informação e qualificação. A inovação foi no desenvolvimento de um novo tipo de salada. Eles vendem alface picada apenas no quilo. Pelo programa, foi desenvolvida uma porção menor, com uma embalagem e a composição que seria mais bem aceita.

A melhoria não chegou ainda na rentabilidade, pois alguns compradores fecharam suas empresas. Ainda assim, a confiança está maior: “Quando você tem essa consultoria com entidades como o Sebrae você ganha confiança e confiabilidade. Além, é claro, da consciência que você tem um produto que foi bem pensado, em laboratório. Eles nos deram ideias, fizemos o registro da logomarca, desenvolvimento de rotulagem. Investimos na identidade visual, para ampliar”, informa Giovanni.

O pequeno empresário tem sempre que buscar parcerias e inovar, alerta a empreendedora. Ainda que se perca mercado, o empreendedor deve continuar e explorar outros produtos, pois desse modo mantém a sua rentabilidade, acaba com o risco de fechar as portas, de ter que demitir e, mais além, abre os horizontes.

A segurança para vontade de inovar foi comum para Wilton Bastos e Jairo Almeida, empresários da Vissato Café e Complementos. “Quando montamos a empresa, eu já tinha uma visão, sabia onde eu queria chegar. Mês a mês, ano a ano, fomos colocando isso em prática. E quando chegou o momento certo, tínhamos que aproveitar a oportunidade e, por isso, fizemos uma consultoria para saber a tendência de mercado”, conta Wilton.

Quando procuraram o Sebrae para dar esse ‘up’ veio a mudança do nome e a expansão da empresa. Ou seja, “foi o casamento perfeito”, propiciando a hora certa de mudar, que foi no final de 2013. A inovação veio depois de sete anos de existência da empresa. Há 15 anos, Wilton está no mercado.

Com a experiência, pegou pontos negativos e positivos e desenvolveu produtos próprios, como o café expresso cream, o café savory e o cappuccino café cream. A Vissato também revende e loca equipamentos. Por isso, complemento no nome. Então, são produtos, equipamentos, consultoria e serviço.

A marca Vissato tem um ano e meio. Antes, era Café Cream. Como a linha de produtos, equipamentos e serviços foi crescendo, pela necessidade de mercado e do cliente, acharam, por bem, colocar um nome que fosse impactante, forte, referente e, ainda, neutro, afinal café cream fica muito ligado ao produto.

“Tenho um bom relacionamento com o Sebrae desde quando abri a empresa, em 2006. Eu tinha fechado o ano positivo e com bom crescimento. Vie­mos batendo meta sobre meta. Desde o início da empresa, temos esse re­lacionamento”, relata Wilton, para quem a Vissato já está no coração do po­vo: “Temos recebido elogios, através do site, fanpage do Facebook, pela ar­te, o layout, as xícaras. Esse foi o prin­cipal efeito do serviço, pois o re­co­nhe­cimento do cliente é algo muito grande, fora o impacto no faturamento”.

Distante do nome restrito, a confiança ampliou. O empresário afirma que o programa é uma solução para i­no­var o negócio. “Quando se tem al­gu­ma dúvida ou visão de negócio, os con­sultores estão superpreparados para te dar aquela firmeza no caminho, um ponto firme. Eu recomendo desde que você tenha uma linha traçada: o que você quer e aonde quer chegar.”

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