Novo governo ajuda ou atrapalha PMDB nas eleições municipais?

Apesar de ainda não chamar a atenção do eleitorado em geral, este ano haverá eleições para prefeito e vereador

Foto: José Cruz/Agência Brasil

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Afonso Lopes

Afinal, o governo Michel Temer, mesmo que não chegue até outubro – há a intenção do ministro Ricardo Lewandovski de encerrar o processo de impeachment até setembro, no Senado -, vai ajudar ou atrapalhar os candidatos do PMDB, principalmente nas grandes cidades – nas pequenas, a influência partidária é mínima? Está aí uma pergunta que não é simples de ser respondida. Há alguns fatores que podem influenciar tanto negativamente como muito positivamente.

O primeiro ponto é exatamente o tempo de duração do governo Temer. Hoje, ele é provisório, com prazo máximo de seis meses ou 180 dias. Se a presidente afastada Dilma Roussef conseguir dar a volta por cima e inverter os votos dados pela maioria absoluta dos senadores, ela retorna à Presidência. E é óbvio que, nesse caso, haverá “troco” político em larga escala contra os peemedebistas, principalmente, e demais partidos da oposição. Essa, porém, é uma possibilidade tão remota que nem mesmo os petistas mais apaixonados botam fé.

O segundo aspecto, portanto, deve levar em conta que Michel Temer vai continuar no governo quando outubro chegar. E a pergunta fica ainda mais difícil de ser respondida de pronto. Ele tanto pode influenciar positivamente como negativamente. Vai depender substancialmente de como o governo dele estará em relação à opinião pública. Como a situação econômica é terrível, e as respostas na economia costumam levar um certo tempo para maturar e apresentar resultados satisfatórios, é quase certo que Temer ainda não terá um grande poder de influência positiva.

Ao contrário, talvez a melhor previsão seja a de que a popularidade do governo Temer em outubro, por melhor que possa ser a arrancada inicial das novas medidas, seja neutra ou um pouco negativa. Isso se ele tiver bom desempenho, está claro. Se a equipe ficar batendo cabeça, como aconteceu durante todo o ano passado e início deste no governo de Dilma Roussef, aí a associação com Michel Temer será um fardo pesadíssimo para os candidatos peemedebistas.

Em Goiás, das três principais cidades, o PMDB só tem chances reais de vitória em Goiânia e Aparecida de Goiânia. Em Anápolis, o partido não respira nem com ajuda de aparelhos. Praticamente desapareceu eleitoralmente, e perdeu as suas principais lideranças nos últimos dez ou 12 anos. Grosso modo, tanto em Goiânia como em Aparecida os peemedebistas não estão com essa bola toda em relação a Michel Temer.

Em Goiânia, especialmente, não se sabe qual será a atitude do núcleo político do PMDB nacional caso o candidato do partido seja mesmo Iris Rezende. Desde meados de 2014, quando Iris atropelou a indicação de Temer e Valdir Raupp, então presidente nacional, para a eleição estadual, Júnior Friboi, criou-se um certo distanciamento. Como Friboi estava tranquilamente instalado no PSB goiano e deixou o partido para se filiar ao PMDB por causa do aceno de Temer e Raupp, é óbvio que ele deve ter reclamado na saída. A recente disputa pelo comando do diretório regional do PMDB, quando os iristas foram derrotados, foi uma consequência desses episódios de 2014.

Também a situação atual dos peemedebistas de Aparecida de Goiânia não é das melhores. O prefeito Maguito Vilela ficou do lado de Dilma Roussef o tempo todo, mesmo sabendo que isso enfraquecia de certa forma a imagem projetada por Michel Temer no episódio do impeachment. Maguito era o mais petista dos peemedebistas de Goiás. Com o PT em baixa, é claro que ele perde. Não significa um estrago que não possa ser consertado. Maguito é um político extremamente maleável, e certamente vai tentar se aproximar novamente do PMDB nacional, deixando de lado o viés petista até então apresentado.

Em resumo, embora não seja um quadro pronto e acabado, inicialmente a situação do governo de Michel Temer em outubro, se na crista da onda da opinião pública ou não, vai ter muito pouca influência positiva para os candidatos do PMDB em Goiânia e em Aparecida. Até porque ele terá – se continuar, claro – a caneta, mas sem tinta. Não há tempo para isso, e talvez não haja também disposição.

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