No primeiro dia, candidatos a governador adotam discurso moderado no rádio e TV

Disputa pelo Palácio das Esmeraldas na propaganda eleitoral começou na sexta com apresentação dos perfis dos concorrentes, sem ataques ou propostas… por enquanto

Candidatos a governador adotam tom ameno de apresentação no primeiro programa da propaganda eleitoral de rádio e TV | Fotos: Reprodução/TV

“Começa agora o programa do João, da Helena, do Seu Raimundo, da Marina, do Pedro… do Zé. Esse é o nosso Goiás.” Esses foram os primeiros 12 segundos que apresentaram os candidatos a governador ao eleitor no primeiro dia de propaganda eleitoral no rádio – às 7 e às 12 horas – e na TV – às 13 e às 20h30 – nos blocos de 12h30 reservados à disputa pelo Executivo em Goiás às segundas, quartas e sextas-feiras. A campanha foi iniciada no dia 16 de agosto, mas só começou a chegar à população de fato na sexta-feira, 31. E veio em um tom para lá de ameno.

Como é regra na abertura da propaganda de rádio e TV em anos eleitorais, os postulantes aos cargos majoritários tentam se apresentar ao público da forma mais positiva possível. Os ataques e disputa por importância na hora da escolha do voto do eleitor fica para o avançar da exibição da imagem dos candidatos ao longo da corrida até as urnas. O problema é que da sexta-feira até o dia 4 de outubro, quando se encerra a exibição nas emissoras do horário eleitoral obrigatório, os governadoriáveis só terão 15 dias, além das inserções, para despertar o interesse de quem os assiste a votar naquele projeto no dia 7 de outubro.

Pelo fato de a campanha em 2018 ser a mais curta da história da democracia brasileira, os próximos 35 dias terão de ser muito bem aproveitados pelos candidatos a governador. Principalmente o rádio e a TV em uma disputa pobre, na qual o dinheiro falta até na hora de custear a produção do programa eleitoral a ser exibido três vezes por semana. É uma aposta dos cientistas políticos a importância das inserções de 30 segundos nos intervalos comerciais ser maior do que os blocos duas vezes por dia, mas eles não devem ser descartados.

Defesa do legado
Com a frase que abre este texto, o candidato a reeleição, governador José Eliton (PSDB), sorriu para a câmera na sua primeira aparição sem fala nos 3 minutos e 27 segundos que tem direito nos blocos de 9 dedicados aos candidatos ao Palácio das Esmeraldas. O José, que na eleição virou Zé, tenta se mostrar um cidadão como outro qualquer no Estado visto por ele como “uma terra de oportunidades”. “Produzimos mais riquezas. Atraímos mais investimentos”, diz o narrador do programa inaugural do tucano.

Dono do maior tempo de TV e rádio pela coligação formada por PSDB, PTB, Rede, PR, PPS, PSB, PV, Patriota, PSD, Avante e Solidariedade, José Eliton terá direito também a 377 pílulas de 30 segundos até o dia 4 de outubro. “Geramos mais empregos. Temos qualidade de vida. E atrás dela, vem gente de todo canto.” Pelo texto fica nítida a tentativa de defender o legado de um grupo político que está há 19 anos e 8 meses à frente do governo. “A educação é campeã. A saúde tem hospitais que são referência de qualidade”, continua o narrador.

Com imagens de diferentes áreas e locais do Estado, com serviços públicos, investimentos realizados, obras e ações do governo, o tom de garantia do progresso começa a ser apontado no trecho: “Pra frente é que se anda, no passo firme de quem trabalha com ação e resultado pra que Goiás seja cada vez mais orgulho de todos que vivem aqui. No passo do Zé”.

No estúdio, José Eliton fala sobre o “orgulho muito grande” que sente ao ver o avanço alcançado pelo Estado liderado pelo seu grupo político. “Como vice-governador, participei da construção desse novo Goiás, que apesar da crise, segue crescendo. Somos referência em muitas áreas. Mas junto com você, tenho certeza que podemos avançar ainda mais”, diz olhando para o eleitor o governador.

Depois de dizer que está pronto para melhorar ainda mais “a sua vida com ação e resultado”, o tucano dá espaço à sua candidata a vice-governadora, a ex-deputada Raquel Teixeira (PSDB). “Não dá mais para aceitar uma eleição sem a presença da mulher. Nosso papel é fundamental na democracia. Eu tenho muito orgulho de ser mulher e candidata a vice-governadora de Goiás”, declara a companheira de chapa de José Eliton.

Raquel descreve que vai trabalhar “ao lado do Zé” para que o Estado continue a avançar principalmente na educação e no “protagonismo de todas as mulheres em Goiás”. “A terra foi arada, adubada, cultivada”, afirma o governador para dizer que o solo goiano foi preparado para a economia do século XXI. “Já colhemos ótimos resultados e estamos prontos para o novo e grande salto de desenvolvimento.” José, ou Zé, defende que desenvolvimento “é cada cidadão vivendo bem e tendo oportunidade”, com foco no ser humano.

O jingle de José Eliton usa melodia alegre do sertanejo e letra que cita nomes de pessoas para tentar colar no candidato a reeleição a figura de uma pessoa do povo. Narrador encerra o programa com convite para que o eleitor acompanhe as propostas da coligação Goiás Avança Mais nas redes sociais na internet.

Na ordem em que os candidatos foram apresentados no primeiro dia de propaganda no rádio e na TV, a petista Kátia Maria usou seu 1 minuto e 26 segundos – fora as 157 inserções de 30 segundos que terá no primeiro turno – para tentar colar sua imagem ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), horas antes de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) considerá-lo inelegível na tentativa de voltar a ser candidato a presidente da República.

“Quem diria, hein?! 11 anos, de cidade em cidade, visitando cada canto desse Goiás, ajudando as prefeituras a conseguir obras e programas do governo Lula”, narra a candidata enquanto cenas de Kátia Maria viajando o Estado são mostradas. “Mas sabe o que eu mais gostava? Era mesmo de conhecer as pessoas e os problemas de cada canto de Goiás.”

A postulante ao cargo de governadora pelo PT conta que tem ouvido muitas histórias sofridas. “As pessoas me dizem: ‘Dona Kátia, na época do Lula eu comia melhor. Meus filhos foram para a universidade. Foi com o Lula que eu consegui a casa própria’.” Enquanto o vídeo mostra imagens de conversas de Kátia Maria com moradores de diferentes cidades do Estado, a petista se mostra diferente dos seus adversários: “Os outros governos só enxergam essas pessoas em forma de número. Eu enxergo em forma de gente”.

Kátia Maria diz que quer governar para o povo e “fazer uma mudança de verdade”. É quando a imagem de Lula é usada na propaganda da candidata. “Eu sei o que fazer e como fazer para ajudar as pessoas que precisam de mim”, diz petista momentos antes de aparecer em caminhada na defesa da liberdade do ex-presidente puxando o coro “Olê olê olê olá, Lula Lula”.

Um vídeo de Lula com pedido de voto para “candidatos e candidatas comprometidos com a justiça social e a reforma política”. “Por isso vote 13, vote PT”, pede o ex-presidente, em material gravado antes de sua prisão.

Com aparição rápida, Weslei Garcia (PSOL), que tem apenas 12 segundos nos blocos de segunda, quarta e sexta, além de 23 inserções em todo primeiro turno, não perdeu tempo em seu recado. “Sou Weslei Garcia do PSOL. O nosso tempo de TV é curtinho. Por isso quero te convidar para vir às redes sociais e conhecer o programa Goiás da Gente.” Fim de papo.

O PCO, que tem direito a 7 segundos no rádio e na TV e 14 inserções, não enviou o programa eleitoral no primeiro dia destinado aos candidatos a governador. Há pouco mais de uma semana, o partido trocou Alda Lúcia pelo então concorrente a uma vaga no Senado, o Professor Alessandro Aquino.

Resgate das origens
Dono do segundo maior tempo de TV graças à coligação MDB, PP, PRB e PHS, o deputado federal Daniel Vilela (MDB) apresentou de onde veio, com a participação da família nas imagens do programa. “Eu nasci em Jataí, mas vim logo cedo, bem novo, para Goiânia. Mas convivia frequentemente, nos finais de semana, nos feriados, nas férias, em Jataí com os meus familiares”, diz o candidato enquanto dirige. Quando o emedebista cita os avós, a cena mostrada é à mesa do café com todos os parentes mais próximos.

De mãos dadas com o avô Moisés, Daniel conta que o parente “sempre teve uma atuação quase que de dedicação exclusiva para esses trabalhos sociais”. Nas imagens, é colocada a informação de que o avô do candidato criou há mais de 50 anos o Albergue e o Lar das Crianças, espaços que acolhem pessoas carentes de Jataí.

Daniel diz que o espírito de “sensibilidade social” dos pais e avós marcou a sua infância. “A gente tem que ajudar as pessoas”, afirma o avô Moisés. Sentado ao lado do pai, o ex-governador Maguito Vilela (MDB), o candidato relata que Maguito sempre foi um pai “amoroso, um pai preocupado”. Fala sobre a presença da figura da mãe na criação, Sandra, também muito rigorosa “nas responsabilidades dos filhos”.

“Eu me casei com a Iara. E ela me presenteou com dois filhos maravilhosos, que são a Maria e o Fred”, fala Daniel da mulher. Em seguida, o deputado lembra que decidiu “entrar na política em 2006”. “Naquele momento eu observava a necessidade de ter mais pessoas determinadas, produtivas e bem intencionadas na política.”

Em seguida, a narração do programa dá ênfase ao currículo do emedebista, formado em Direito, pós-graduado em administração pública, eleito vereador (2008), deputado estadual (2010) e deputado federal (2014). “É também o mais jovem parlamentar a ocupar a presidência da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal, a mais importante do Congresso”, descreve o narrador enquanto são mostradas fotos da atuação parlamentar de Daniel.

O programa cita que Daniel foi escolhido em 2018 um dos dez melhores parlamentares do País. “E agora é candidato a governador de Goiás.” O programa termina com trechos do discurso de Daniel na convenção do MDB: “Sei da responsabilidade que assumo hoje. Estou pronto, preparado para fazer a nova mudança que Goiás exige. Vamos à vitória”.

“Vote contra os coronéis goianos. Basta de marconismo e caiadismo. Organize-se no PCB e vote 21”, diz Marcelo Lira (PCB) nos 7 segundos do primeiro programa eleitoral do seu partido na disputa pelo cargo de governador.

Os primeiros segundos do 1 minuto e 19 segundos que o senador Ronaldo Caiado (DEM) tem no bloco da propaganda eleitoral começam com a imagem de um calendário de papel na parede que começa a passar a partir de 1998. “A população de Goiás está cansada. Está cansada da violência, de escândalos de corrupção, de pagar uma das taxas de água e energia mais caras do País, cansada das multas, cansada da falta de oportunidades e de emprego”, descreve Caiado.

“Mas tudo isso, você sabe, tem data para acabar.” É quando aparece a data do primeiro turno, 7 de outubro de 2018, no calendário de papel na parede. Do alto da cidade, Caiado fala ao eleitor. “Minha amiga, meu amigo, essa não é só uma campanha para mudar um governador. Essa é uma campanha para mudar um Estado. Essa não é uma campanha de um candidato. É a campanha de milhões de pessoas que querem mudança. Tenho certeza que Goiás é maior e mais forte do que todos os seus problemas. E que nós vamos voltar a nos orgulhar do nosso Estado”, discursa o senador.

E continua: “Meu compromisso é governar com tolerância zero com a corrupção, trabalhar em todo o Estado para diminuir as desigualdades e fazer de Goiás uma referência para o Brasil”. Com imagens de Caiado no meio do povo, ele diz ter certeza de que o Estado irá mudar. “Porque esse não é só um desejo meu. É um desejo de todos os goianos. O candidato do DEM foi o último dos sete governadoriáveis a aparecer no primeiro dia da propaganda eleitoral de rádio e TV.

Enquanto, assim como aconteceu nos três primeiros debates – Rádio Interativa, TBC e Mais Goiás/A Redação/Diário de Goiás -, José Eliton buscou em seu primeiro programa eleitoral reforçar a imagem de um Estado que avançou bastante, principalmente nos últimos dois governos, dois quais o tucano fez parte. O governador defende as realizações de seu antecessor, o ex-governador Marconi Perillo (PSDB), e foca seu discurso no atendimento ao ser humano para propôr mais avanços.

Marcelo Lira e Weslei Garcia não contam com tempo suficiente para apresentar proposta no rádio e TV. Alessandro Aquino nem sequer apareceu no primeiro dia de propaganda eleitoral. Kátia Maria tentou colar sua imagem à memória afetiva dos tempos de bonança econômica dos governos Lula e mostrar que está preocupada em governar para as pessoas.

Daniel Vilela tentou mostrar que tem uma história familiar respeitada a contar e, mesmo assim, se colocar como a renovação da política goiana e a oportunidade de Goiás vivenciar algo novo. Já Caiado tentou garantir que haverá uma mudança no Estado a partir do dia 7 de outubro, dando a entender que seria a vontade dos goianos a mudança imediata no primeiro turno, com o democrata o escolhido para promover essa transformação no governo.

É verdade que esse clima de paz e amor vai durar pouco. Quanto mais o dia da votação se aproximar, mais os candidatos que buscam o crescimento nas pesquisas irão atrás da possibilidade de falhas e inconsistências no discurso do senador Ronaldo Caiado, que lidera as intenções de votos. Aguardemos os próximos capítulos a partir de segunda-feira, 3.

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