Não há plano B

<strong>O candidato da base aliada estadual à sucessão do governador Marconi Perillo é o vice-governador. Movimentação de outros nomes é reposicionamento de espaços

José Eliton assumirá o governo em 2018: a candidatura à reeleição fica natural

Afonso Lopes

O candidato da base aliada ao governo é o atual vice-governador José Eliton, que em abril do ano que vem assumirá o comando do Palácio das Esmeraldas com a desincompatibilização do governador Marconi Perillo, que disputará o Senado ou, em plano nacional, a Presidência da República/vice. Dentro do grupamento, não há nenhuma conversa atualmente sobre um plano B para a candidatura de Eliton.

Se é assim, o que querem, por exemplo, o secretário Vilmar Rocha, do PSD, e a senadora Lúcia Vânia, do PSB, que dizem que também podem disputar o governo? A questão aí tem muito pouco a ver com algum descontentamento com os rumos sucessórios. Na realidade, Vilmar e Lúcia, com habilidade política, estão se recolocando dentro da grande composição eleitoral do ano que vem. Lúcia, que já acumula dois mandatos no Senado, planeja continuar exatamente onde está. Vilmar, que disputou o Senado nas eleições de 2014, mas acabou derrotado por margem apertada para um dos ícones oposicionista, senador Ronaldo Caiado, quer tentar novamente. É nesse ponto que a coisa está pegando, embora até agora sem tensionamento interno.

Duas vagas ou uma?

Conforme a Constituição Federal, nas eleições do ano que vem vão estar em jogo duas vagas para o Senado. Exatamente a metade do número de candidatos da base aliada estadual. Além de Marconi, com vaga natural, Lúcia Vânia e Vilmar Rocha, o atual senador Wilder de Morais também chega ao fim do mandato, e quer tentar se manter.

Para a base, a melhor coisa que poderia acontecer é o voo nacional de Marconi. Com isso, ao invés de apenas uma vaga na chapa majoritária para o Senado, haveria duas para, ainda assim, três pretendentes. Como não teria qualquer possibilidade de ser levado a sério se falasse em se candidatar ao governo, Wilder construiu uma enorme aproximação política com o Palácio das Esmeraldas. É exatamente essa ponte que o credencia inicialmente numa disputa que reune dois políticos com bagagem política e muito maior convivência partidária do que ele, Lúcia e Vilmar.

E é exatamente por conhecerem meandros da política, que Lúcia e Vilmar sabem antecipadamente que suas chances numa disputa pelo governo do Estado longe da base aliada seria um risco demasiadamente grande. Da mesma forma, levar seus partidos para voo solo que possa garantir legenda a eles é flertar com a derrota. O PSB e o PSD não têm capilaridade suficiente em todo o interior do Estado para bancar um projeto eleitoral tão grande como esse. Não há dúvida de que Lúcia e Vilmar têm forte apelo eleitoral, mas só isso não basta numa disputa à margem dos dois grandes eixos, a base aliada e o PMDB.

As vagas para o Senado, portanto, não estão definidas. Deve ficar mesmo entre os quatro colocados até aqui, mas nem o número de vagas no jogo interno está definido, o que deverá ocorrer somente em meados do ano que vem. Daqui até lá há um grande caminho de costura política para aparar arestas e arredondar a chapa majoritária da base aliada.

Não é um trabalho simples essa sedimentação político-eleitoral, mas também não aparenta ser um bicho-papão. Novato nessa turma, o senador Wilder de Morais não perderia nada se fosse convencido a disputar, por exemplo, uma das 17 cadeiras na Câmara dos Deputados. Muitos senadores, em outros Estados, já percorreram esse caminho, permitindo assim uma acomodação dentro de suas bases.

Mas e Lúcia e Vilmar? Bem, pelo critério mais elementar, Lúcia teria a preferência inicial para compor a dupla que vai representar a base aliada na disputa pelo Senado. Ela já é senadora. E não apenas é senadora como tem um ótimo trânsito nacional, inclusive dentro do PSDB, que sempre abrigou as suas candidaturas. Vilmar também tem seus méritos. Ex-integrante do DEM, ele nunca deixou de atuar internamente em favor da base aliada, e só deixou o partido quando o senador Ronaldo Caiado resolveu romper definitivamente. E então, como resolver esse impasse? É isso que está em jogo.

Dentro do PSD, há setores que preferem indicar o candidato a vice-governador. É também esse o desejo do PTB, do deputado federal Jovair Arantes. Nesse caso, a tessitura política ganharia abrangência de quase toda a chapa majoritária da base, com exceção somente para a cabeça da chapa, que está reservada para José Eliton.

E mesmo com vaga garantida, o vice-governador tem trabalhado politicamente em tempo integral com esse objetivo. Hoje, se todo o conjunto da base aliada fosse consultado, Eliton ganharia a disputa de capote. Há praticamente unanimidade em torno dele, e é também por essa razão que seu nome começa a ganhar massa dentro das pesquisas pré-eleitorais. Ou seja, com a chapa definida em cima, resta agora compor abaixo, na vice e duas vagas — ou apenas uma — para o Senado.

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