Mesmo sob intimidação, um “não” à corrupção na Trindade de 2012

Brasileiros têm a pecha de terem nascido corruptos, de fazer tudo com o “jeitinho brasileiro”, mas que seja apenas pecha e que toda alma arrependida esteja ou fique livre desse mal

Fábio PH relembra história de ameaça na Trindade da gestão anterior | Foto: Reprodução

Fábio PH
Especial para o Jornal Opção

Contra a corrupção em Trin­dade, fui ameaçado em 2012 e não me intimidei. Lavrei um boletim de ocorrência (BO) na Polícia Civil e publiquei um artigo na página da Assembleia na internet contra os ameaçadores. Não é a pretensão comparar administrações e nem chorar o leite derramado. Trata-se do fato, salutar a quem é contra a corrupção. Merece ser lembrado e conhecido por muitas e muitos.

Temos, nós brasileiros, pecha de ter nascido corruptos, de fazer tudo com o “jeitinho brasileiro”, mas que seja apenas pecha e que toda alma arrependida esteja ou fique livre desse mal, principalmente aquelas e aqueles que lidam com o capital público. Em 2012, produzi um boletim informativo e fui para a Feira do Domingo. O boletim denunciava vários rombos. Entre estes, o valor de R$ 4 mil – gasto em combustível com apenas um automóvel de passeio, por mês. Também, uma festa particular dos “gestores municipais da época”, paga pela Secretaria de Saúde. Na nota do chique restaurante de Goiânia, constava “marmitex” adquiridos para a equipe da pasta.

Quando eu estava terminando de distribuir os panfletos, chegou um pessoal e arrombou meu veículo. Pegaram um pacote dos boletins que estavam no porta-malas e deixou o recado com o vigiador de carros: “Fala pro Fábio que o dia dele vai chegar”.

Quando fui ao carro, buscar o último pacote dos boletins para distribuir na feira, fui procurado pelo vigiador. Muito assustado, contou-me o que tinha acontecido ali próximo ao meu golzinho, arrombado e branco – mas branco de fábrica, nunca de susto.

Isto foi em frente à Delegacia da Polícia Civil. Apenas atravessei a rua e lavrei um BO contra os ameaçadores. Também publiquei o acontecido no site da Assembleia. Eu trabalhava como assessor de imprensa na Casa. Causei sérios problemas políticos para os denunciados. O que era para ter ficado na feira foi para o Estado. Em favor dos fatos – estes, pessoais, particulares – apenas o de ser contra a extorsão ao capital público. E hoje, por estar na administração, virou ofício na função que ocupo. Boa pegada ao substituto, que, se Deus e a gestão quiserem, virá apenas em 2021.

Fábio PH é diretor cinematográfico e assessor especial de Comunicação na Prefeitura de Trindade.

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