Meio de campo embolado

Já no mês das convenções, o quadro político está estranho, com os oposicionistas sofrendo divisão e anemia eleitoral, e a base governista ainda com ruídos no volta não volta de Ronaldo Caiado

Cezar Santos

Deputado Francisco Gedda: “Júnior Friboi é candidatíssimo” Deputado Daniel Vilela: fragilidade para um embate majoritário  Deputado Sandro Mabel: “Quero mexer com isso daí, não”

Deputado Francisco Gedda: “Júnior Friboi é candidatíssimo”
Deputado Daniel Vilela: fragilidade para um embate majoritário
Deputado Sandro Mabel: “Quero mexer com isso daí, não”

E finalmente chegou junho, o mês das convenções. Ou seja, até o dia 30 os partidos têm de definir suas alianças, chapas e nomes para a disputa de outubro. E a realidade e que quadro está muito confuso, o que foi agravado com a traumática divisão no partido mais forte de oposição, o PMDB. Na situação também há um tom de impasse em relação à formação a chapa majoritária.

O PMDB está batendo cabeça desde que José Batista Júnior, o Friboi, ingressou na sigla com o propósito de ser o candidato governo. Ele disse que só tomou essa decisão depois de consultar Iris e ouvir deste que não seria candidato. Iris recuou, deu o dito pelo não dito e as tensões começaram a tomar vulto quando Friboi partiu para uma pré-campanha efetiva, conquistando a maioria do partido.

Como resultado, o PMDB se viu rachado em duas alas, os pró-Iris e os pró-Friboi. Iris fez um recuo tático mas continuou articulando, tensionando cada vez mais s situação. Até que Friboi também recuou, anunciando sua saída da pré-campanha. Na verdade, foi um autêntico xeque-mate de Friboi em Iris, que depois disso se viu sem ação, a ponto de se recolher a um silêncio constrangedor.

Na verdade, o velho líder peemedebista não quer o afastamento de Júnior Friboi, e sim que o empresário aceite ficar na chapa como vice ou mesmo candidato ao Senado. A situação no momento é a seguinte: Iris na recolha, Friboi afastado oficialmente da pré-campanha, mas internamente tão forte quanto antes, ou até mais.

“Você quer minha opinião? Júnior é candidatíssimo, e não vai retirar sua candidatura.” A frase do deputado Francisco Gedda (PTN) — um dos aliados de primeira hora de Friboi e interlocutor do empresário praticamente todos os dias, pessoalmente ou por telefone — dá bem a medida da situação.

“Estive com Júnior ontem, das 5 às 8 horas da noite. Hoje (quinta-feira, 29) conversei com ele umas três vezes. Ele é candidatíssimo. Mais de 50 prefeitos estão pedindo que ele seja o candidato”, diz Gedda, lembrando que ainda nesta semana haverá uma reunião com liderança de todo o Estado em Goiânia, para reforçar o apoio à candidatura do empresário.

Por tudo isso, fica claro que a renúncia anunciada em uma carta meio dramática de Friboi foi mesmo uma manobra política que pelo jeito atingiu o objetivo, qual seja “encantoar” Iris Rezende. Toda essa movimentação, esses recuos, essas idas e vindas de Iris e de Júnior Friboi, escancaram as dificuldades do PMDB em se acertar. E os ataques mútuos de ambos os lados azedam cada vez mais o ambiente.

A ponto de nomes alternativos, tipo Tertius, terem sido ventilados na semana passada. Primeiro, o do deputado estadual Daniel Vilela, filho do prefeito de Aparecida, Maguito Vilela. No entendimento dos adeptos dessa possibilidade, o jovem Daniel poderia marcar um contraponto a Marconi Perillo. Daniel não se deixou levar, sabedor que ainda carece de estofo político para encarar uma missão dessas.

Depois, falou-se que o PMDB poderia ir com a candidatura do deputado federal Sandro Mabel. O grande trunfo de Mabel seria levar consigo a adesão de Vanderlan Cardoso, que aceitaria ser vice. Mabel foi rápido em dizer que não será candidato a mais nada. E sobre disputar o governo ele disse mais: “Quero mexer com isso daí, não. Tomei uma prensa para que fizesse isso, mas não tenho essa disposição”. Vanderlan também não deu trela a essa conversa (leia texto abaixo).

O resumo do quadro no PMDB, portanto, é que Iris Rezende e Júnior Friboi continuam pré-candidatos, até que um deles (qual?) se afastar de vez do processo. Ou até que tercem armas na convenção. É difícil imaginar que isso ocorra, pois nesse caso as feridas seriam por demais profundas.

Ruídos na base, dificuldades do PT e definição no PSB

Marconi Perillo voa em céu de brigadeiro. A frase vem sendo dita até por adversários, diante da bagunça que se observa no rival PMDB. Realmente, o governador recupera sua imagem a olhos vistos, inaugurando obras e tocando seu governo de forma serena e profícua.

Mesmo considerando que o tucano ainda sofre rejeição, principalmente na capital, não é por acaso que ele pontua na frente nas pesquisas de intenção de votos. Nesse quadro, o eleitor tem todas as condições para avaliar bem o governo, se dispondo a colocar na urna sua autorização para que Marconi continue à frente do governo.

Mas se a cabeça de chapa é tranquila, as vagas para a vice e ao Senado não estão em ares tão calmos assim. O vice José Eliton (PP) que continuar. Tem como trunfo o entrosamento perfeito com o titular e a fidelidade de seu partido com o governador. Mas na própria base tem quem ache que merece o lugar. Volta e meia o PTB de Jovair Arantes dá uma incerta, como testando a possibilidade.

A vaga para a disputa ao Senado, que por enquanto está com o deputado Vilma Rocha (PSD), também é alvo de cobiça. A ideia ventilada por alguns é ceder a vaga para o deputado Ronaldo Caiado (DEM), deslocando Vilmar para a vice de Marconi, e “rifando” José Eliton. Fato que Caiado quer voltar para a base, de onde nunca deveria ter saído. Se o ruralista agrega votos à chapa governista, tem quem avalie que é uma jogada de risco para a unidade da base.

Não é por outra razão que Caiado tenta articular por cima, com o presidenciável Aécio Neves, seu ingresso na base marconista. Pode ser que dê certo, mas no momento o clima nessa elástica base está mais para a confirmação de Vilmar. Certo é que a ida de Caiado para a oposição pode não ser boa para os governistas.

E o PT do ex-prefeito Antônio Gomide? Há quem duvide da manutenção da candidatura do petista. O PT está isolado, mas Gomide trabalha como um leão e jura que não tem recuou, o partido vai mesmo com sua candidatura ao governo. Tem viajado pelo interior, se apresenta na mídia ocupando todos os espaços possíveis. Mas a novidade de uma candidatura petista ao governo perdeu um pouco do “encanto” inicial.

Gomide terá de trabalhar muito mais para se viabilizar. A administração do correligionário Paulo Garcia na Prefeitura de Goiânia não ajuda nada a candidatura do anapolino. Diante das imagens dantescas de lixo nas ruas, protestos de professores e inúmeros outros problemas, não tem como dissociar os dois petistas para um eleitor mais informado e crítico como o da capital.

O único definido

O PSB de Vanderlan Cardoso é, como ele mesmo diz, o único que está definido e trabalhando a pleno vapor. Com o empresário na cabeça de chapa e o neófito em política Aguimar Jesuíno (Rede) definido como candidato ao Senado, a terceira via também padece de isolamento e não tem perspectivas auspiciosas.

Não pensam assim os aliados de Vanderlan, minimizando fatores como poucos partidos na aliança e falta de nomes para compor chapas majoritária e proporcional competitivas. O deputado Simeyzon Silveira (PSC) diz que não vê essas dificuldades, lembrando que a previsão era de que Vanderlan chegasse às prévias com 15%. “E já batemos isso muito antes.”

Segundo o deputado, as perspectivas de Vanderlan são muito boas, principalmente na possibilidade de crescimento da candidatura presidencial de Eduardo Campos, que poderá influenciar nos Estados. “Estamos muito otimistas. O campo está aberto para nosso candidato.”

O deputado bate na tecla de que o fato do grupo já ter se definido é uma vantagem em relação aos adversários. “Nossa decisão já está tomada e a única candidatura definida é a de Vanderlan. Não estamos trabalhando na perspectiva de que ele só será candidato ser tiver mais partidos conosco. Se vier mais legendas melhor, mas não queremos quantidade, queremos qualidade, partidos que comunguem conosco a ideia de uma nova política, uma nova proposta para Goiás.”

O parlamentar dá uma estocada em adversários, ao dizer que sua aliança não está fazendo leilão com ninguém. “Estamos conversando com outras siglas, mas não vamos fazer balcão de negócios. Temos um projeto para Goiás, o nosso plano de metas. Enquanto todo mundo discute poder e candidatura, nós discutimos metas para o Estado.”

Sobre a possível composição com o PMDB se Sandro Mabel fosse o candidato, com Vanderlan na vice, Simeyzon diz que essa possibilidade é zero. “Isso não existe, afirmo que a possibilidade disso acontecer é zero. Não estamos trabalhando num projeto para ser vice de ninguém. Nosso projeto está definido e Vanderlan é o nosso candidato.”

Aliado político e marqueteiro de Vanderlan Cardoso, o presidente do PRP, Jorcelino Braga, ecoa Simeyzon e afirma peremptoriamente que a aliança não vai compor para ser vice de ninguém. “Vanderlan continua trilhando seu caminho, apresentando seu plano de metas e pronto.”

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