Marasmo eleitoral prevê que reta final da campanha não alterará rumo das eleições

Marconi Perillo, que lidera as pesquisas, manterá estratégia para os últimos dias da corrida. A oposição, que deveria empreender severas alterações de comportamento, aponta que apenas intensificará o que já tem feito, deixando de lado as possíveis grandes mudanças

Marcos Nunes Carreiro

As últimas semanas de uma campanha definem uma eleição. Isso ocorre porque a maioria esmagadora do eleitorado começa a se atentar de maneira mais contundente ao pleito apenas às portas da votação. Entre a publicação desta matéria, no dia 21 de setembro, e o dia das eleições, dia 5 de outubro, há exatamente 15 dias. Ou seja, duas semanas é o tempo que os candidatos têm para convencer o eleitor a entrar na cabine de votação, digitar seus números e apertar “confirma”.

E para isso é necessário estratégia. Aos candidatos que, até o momento, têm liderado as pesquisas de intenção de voto, cabe manter a dianteira. Aos demais, é preciso repensar as táticas de campanha e, assim, desenhar uma virada que pode acontecer em um possível segundo turno.

Em Goiás, temos quatro candidatos pontuando à frente das pesquisas e com condições competitivas no pleito deste ano: o atual governador Marconi Perillo (PSDB) e os ex-prefeitos de Goiânia, Iris Rezende (PMDB); de Senador Canedo, Vanderlan Cardoso (PSB); e de Anápolis, Antônio Gomide (PT).

O que eles estão pensando para a reta final de suas campanhas? Quais serão as suas posturas? Algo vai mudar? Foram justamente essas as perguntas que o Jornal Opção fez aos candidatos e às suas equipes de trabalho. Acompanhe.

Marconi Perillo (PSDB)

Foto: Fernando Leite/Jornal opção

Governador Marconi Perillo: liderando as pesquisas, o tucano seguirá estratégia adotada até aqui, que é evitar confrontos e apresentar propostas Foto: Fernando Leite/Jornal opção

A estratégia do governador Marconi Perillo (PSDB) é manter o que tem sido feito até o momento, sobretudo apresentar propostas e mostrar à população que seu governo tem dado certo. Manter a estratégia de campanha tem como fundamento uma premissa: está funcionando, afinal, as pesquisas têm mostrado que Marconi está na frente e tem condições de, inclusive, vencer no primeiro turno.

Contudo, é importante ressaltar que essas últimas duas semanas de campanha serão essenciais para decidir o rumo das eleições. Nesses 15 dias, tanto o governador pode aumentar sua diferença em relação aos adversários quanto os candidatos de oposição têm a possibilidade de crescer e chegar perto de Marconi. O processo é, inevitavelmente, imprevisível. Não há quem possa dizer ao certo o que irá ocorrer. Porém, é possível analisar os fatos até o momento.

A campanha de Marconi evitou confrontos diretos com os adversários e procurou não entrar no jogo de críticas e ataques que os oposicionistas formaram, sobretudo nos últimos dias. Desde o início do período eleitoral, o tucano disse que não iria fazer uma campanha de ataques, mas de propostas. E para isso o governador não fez um intensivo trabalho de rua, mas focou esforços nos programas eleitorais e nas redes sociais, principalmente para mostrar aquilo que fez nesta gestão.

O objetivo do trabalho de Marconi na internet tem sido, principalmente, mostrar à população de Goiânia as obras realizadas pelo governo estadual na cidade, como: a reforma do Autódromo; a duplicação da GO-120; os viadutos na saída para Trindade e na região Noroeste – que conta também com o Hugo 2; além da conclusão do Estádio Olímpico e do Centro de Excelência.

Isso foi feito para tentar diminuir ao máximo a diferença para o candidato peemedebista Iris Rezende, que no início da campanha era muito grande. Iris é bem avaliado na capital. Porém, a duas semanas do pleito, a equipe do governador diz ter em mãos pesquisa que mostra que Marconi conseguiu ultrapassar Iris em Goiânia. Não é difícil de acreditar, visto que pesquisas divulgadas há quase um mês mostravam, à época, o tucano já liderando na faixa etária entre 16 e 24 anos e com uma diferença pequena entre os dois no geral.

O grande desafio da campanha de Marconi era, sem dúvidas, se apresentar como renovação à medida que mostrava um projeto de continuidade, afinal, se vencer, o tucano irá para o quarto mandato, isto é, 16 anos no poder. O trabalho realizado foi para convencer os eleitores de que não houve acomodação, mas, ao contrário, que o Estado se modernizou devido à gestão e ao planejamento. Aliás, essas duas palavras estão sempre presentes nas falas não apenas de Marconi como também de sua equipe e aliados. Basta observar. Todos falam sobre os bons resultados alcançados pelo Estado por meio de gestão e planejamento.

Tal estratégia está dando certo. As últimas pesquisas mostram que o porcentual das intenções de votos válidos para o governador gira em torno 50%. Ou seja, existe a possibilidade de que Marconi consiga vencer já no primeiro turno, embora seja pouco provável que isso ocorra. O próprio Marconi, assim como sua equipe, acha ser natural que haja um segundo turno – que, de acordo com as pesquisas, deverá ocorrer contra Iris Rezende (PMDB).

Iris Rezende (PMDB)

Ex-prefeito de Goiânia, Iris Rezende: deverá continuar com a postura de críticas e ataques a seu principal adversário, o governador Marconi Perillo

Ex-prefeito de Goiânia, Iris Rezende: deverá continuar com a postura de críticas e ataques a seu principal adversário, o governador Marconi Perillo

O ex-governador e ex-prefeito de Goiânia Iris Rezende (PMDB) focou a campanha na sua apresentação como um gestor experiente que, embora seja idoso, tem um espírito jovem. Ao contrário do governador Marco­ni Perillo (PSDB), Iris procurou fazer um trabalho de rua, sobretudo na região metropolitana de Goiânia e nas cidades do interior. Tudo dentro de suas condições físicas, dada sua idade. Mas o centro da campanha foi mesmo o programa eleitoral.
Iris levou para os programas eleitorais na TV e no rádio, por exemplo, suas filhas Ana Paula e Adriana para falar sobre a sua simplicidade e amor por Goiás, que, aliás, é também o nome de sua coligação. Contudo, no decorrer da campanha, Iris centrou críticas fortes em Marconi, relembrando no programa eleitoral fatos como o caso Cachoeira e os problemas de segurança pública do Estado.

É recorrente, por exemplo, ouvir o candidato dizer que “a população está morrendo à mingua no interior por falta de saúde, além de ser prisioneira em suas casas”, se referindo à saúde e segurança públicas, principais bandeiras de sua campanha. Segundo o candidato, sua motivação em disputar mais uma eleição, apesar da idade, é “socorrer” o Estado que “tantas vezes o elegeu”.

Dessa forma, a tática peemedebista nessa reta final de campanha é intensificar todos esses trabalhos. Estar mais presente nas ruas, perto da população – principalmente a de Goiânia, onde o candidato aparentemente perdeu o grande apoio que tinha – e criticar de forma mais pesada o tucano e a atual gestão de Goiás. Mas, segundo a equipe de Iris, o candidato também irá continuar a apresentar propostas.

Em relação às críticas, isso pode ser visto de maneira contundente tanto nos últimos programas eleitorais do candidato quanto nas entrevistas que tem concedido. Iris tem apresentado o que os marqueteiros chamam de postura de desconstrução, que é mostrar à população aquilo que acredita estar errado no atual governo, desconstruindo o que Marconi classifica como bons resultados alcançados por Goiás nos últimos anos. Essa deverá ser a postura do peemedebista nessas duas semanas que antecedem as eleições.

Vanderlan Cardoso (PSB)

Vanderlan Cardoso: o pessebista seguirá apresentando o seu plano de metas, mas também deverá pesar as críticas ao atual governo do Estado

Vanderlan Cardoso: o pessebista seguirá apresentando o seu plano de metas, mas também deverá pesar as críticas ao atual governo do Estado

O ex-prefeito de Senador Canedo e candidato ao governo pelo PSB, Vanderlan Cardoso, tem como ordem nessas próximas duas semanas de campanha acelerar o passo. De acordo com seus coordenadores de campanha, o pessebista criou frentes de trabalho nas principais cidades do Estado para intensificar sua presença em meio ao eleitorado. Isto é, Goiânia, Aparecida de Goiânia, Anápolis e Senador Canedo terão uma atenção maior do candidato, que também conta com equipes nas regiões Norte e Nordeste do Estado.

A estratégia de Vanderlan tem sido apresentar seu plano de metas como o ponto principal de campanha. Ou seja, o candidato tem falado sobre suas propostas para governar o Estado, caso eleito. São propostas como: melhorar a saúde pública por meio de programas que garantam o aumento do número de leitos – que serão geridos pelo poder público; promover uma mudança de postura na segurança pública modernizando e inovando o sistema; valorizar o servidor público; entre outras. E, de fato, ele é o candidato que mais tem apresentado propostas de governo, citando costumeiramente os sucessos que alcançou quando foi prefeito de Senador Canedo.

Entretanto, o candidato também não tem aliviado para o governador Marconi Perillo (PSDB), embora seus auxiliares digam que ele ainda não subiu o tom das críticas. Concomi­tantemente, o pessebista relata sobre a falta de gestão e planejamento do atual governo, apontando falhas principalmente nas áreas da segurança pública e da saúde, na qual sempre combateu o modelo de gestão por Organizações Sociais (OSs), por exemplo.

De acordo com a equipe de Vanderlan, o candidato deverá ser mais contundente em apontar as falhas do atual governo, mas sem deixar de apresentar soluções para esses problemas, além de atacar também o candidato peemedebista, Iris Rezende. A postura de Vanderlan deverá ser a de mostrar que nas últimas décadas apenas dois grupos têm comandado Goiás e que é o momento de mudar.

Essa postura é semelhante à de Marina Silva, candidata à Presidência pelo PSB, que esteve em Goiás no fim da última semana e centrou sua fala no fato de que há 20 anos dois partidos se revezam no poder federal – se referindo a PSDB e PT. Foi a primeira vez que Marina veio a Goiás depois que assumiu a cabeça da chapa antes ocupada por Eduardo Campos. A intenção era fazer com que a candidata, apontada como uma das favoritas para vencer as eleições presidenciais, ajudasse a alavancar a candidatura de Vanderlan.

Porém, embora conte com o apoio da presidenciável, a campanha de Vanderlan não se pautará por ela. Até porque dificilmente um candidato à presidência consegue eleger um governador. Outro fator que leva a essa postura é que a própria Marina tem encontrado dificuldades em crescer nas eleições. Por isso, nessa reta final, o pessebista conta com suas próprias forças para crescer e tentar ir ao segundo turno.

Antônio Gomide (PT)

Antônio Gomide: o único que nunca disputou eleição majoritária, embora esteja atrás nas pesquisas, aposta que tem chances de ir para o 2º turno

Antônio Gomide: o único que nunca disputou eleição majoritária, embora esteja atrás nas pesquisas, aposta que tem chances de ir para o 2º turno

É possível dizer que o ex-prefeito de Anápolis e candidato ao governo pelo PT, Antônio Gomide, foi o candidato que mais trabalhou durante a campanha. Percorreu a maioria das 246 cidades do Estado, realizando reuniões com as lideranças locais e com a militância petista, além de sair às ruas procurando falar com a população de modo direto. Esse trabalho foi realizado devido ao fato de Gomide ser, entre todos os candidatos, o único que nunca disputou uma eleição majoritária.

Gomide é, de fato, um nome novo e centrou seus esforços em se tornar conhecido, uma vez que tinha baixa rejeição e uma capacidade grande de crescimento. Por isso, o petista – e sua equipe – acreditam que com a intensificação dos trabalhos nesses últimos dias é possível estar presente no segundo turno. Pelo menos, é essa a aposta.

Assim, a ação de rua (carreatas e caminhadas) será o foco nessa reta final. A intenção é criar maior volume de campanha, algo que o PT costuma aglomerar naturalmente em fases decisivas de campanha. Assim, a palavra é mobilização. Os candidatos da majoritária – Gomide, Tayrone Di Martino e Marina Sant’Anna – marcarão presença nas cidades mais populosas do Estado – Goiânia, Aparecida de Goiânia, Senador Canedo, Trindade, Anápolis, Catalão e Entorno do Distrito Federal – enquanto a militância cuida das demais cidades.

Porém, Gomide se concentrará em Goiânia e região metropolitana, visto que os debates – que aumentam muito nessa fase final – e entrevistas se concentram nessas cidades. O presidente do PT, Ceser Donisete aponta: “Gomide é o único que pode fazer frente a Marconi [Perillo] e Iris [Rezen­de], pois representa de fato a modernidade e a juventude”.

E o ex-prefeito de Anápolis tem criticado bastante a gestão do governador Marconi, assim como a candidatura de Iris Rezende. O ponto é: “Eles já tiveram no governo, nós não. Somos o único partido que sequer participou de um governo estadual em Goiás. Somos o novo e temos condições de governar”, diz Donisete. E será esse o tom da fase final de campanha dos petistas.

 

Chance de eleição terminar no primeiro turno é pequena

Silvio Costa: “Falar em vitória de algum candidato no primeiro turno é uma pirotecnia, pois no quadro atual é pouco provável de acontecer”

Silvio Costa: “Falar em vitória de algum candidato no primeiro turno é uma pirotecnia, pois no quadro atual é pouco provável de acontecer”

Para entender as estratégias dos candidatos, o Jornal Opção analisou cada um dos casos descritos acima. Para tal tarefa, a reportagem ouviu marqueteiros e pesquisadores – que preferiram não se identificar, visto que, de um modo outro, se envolvem com as campanhas políticas –, além do cientista político e professor da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO) Silvio Costa, que analisou cada estratégia adotada pelos principais candidatos ao governo de Goiás.

Tanto para os marqueteiros e pesquisadores quanto para Silvio Costa, a estratégia adotada pelo governador Marconi Perillo (PSDB) é a correta, isto é, não entrar no jogo das críticas criadas pela oposição. O acerto da estratégia se dá pelos seguintes pontos: Primeiro, ele está no governo, logo, é natural que sofra críticas sobre sua gestão e suas responsabilidades nos últimos anos. “Quem não tiver críticas a fazer, não precisa sequer disputar eleições. Basta aderir à situação”, diz um pesquisador. Porém, Marconi, que precisa mostrar o que fez nos últimos anos, não pode criar aberturas para que a oposição aumente o tom em um embate direto.

O segundo ponto diz respeito à falta de espaço do tucano para criticar seus adversários. De acordo com Silvio Costa, o governador não tem a mesma condição de avaliar os outros, com exceção de Antônio Gomide (PT). Contudo, como o ex-prefeito tem uma boa avaliação em Anápolis, se Marconi o criticar de forma mais forte, é possível que ele perca votos. O mesmo serve em relação a Vanderlan Cardoso (PSB) em Senador Canedo. “E depois de 16 anos não tem como criticar Iris Rezende [PMDB], pois já é passado. Logo, ele não tem o que atacar. Então, a estratégia adotada por ele é a correta”, relata o professor.

Já os outros candidatos, na visão dos profissionais, poderiam fazer melhor. A análise realizada a partir dos últimos debates e programas eleitorais é que a oposição parece se unir para criticar o governador. De acordo com as últimas pesquisas, Marconi tem entre 49% e 52% das intenções de voto. Considerando a margem de erro, se as eleições fossem hoje, é provável que houvesse um segundo turno. Porém, fica claro que a possibilidade de que as eleições acabem já no primeiro turno existe, uma vez que Iris Rezende e Vanderlan Cardoso apresentaram queda e Antônio Gomide não cresceu.

Frente a esse quadro, que tem se mantido estável, surge a pergunta: a oposição teria se unido para forçar um segundo turno? A resposta é não. Falar em vitória no primeiro turno é uma “pirotecnia”, segundo Silvio Costa. “Essa possibilidade, pelo quadro que se desenha, não existe mais. Não acredito muito nas pesquisas que têm sido divulgadas até porque elas são previsões, mas quando se anda na rua a realidade pode ser outra. Agora, existe sempre a possibilidade de haver um ‘tsunami político’, que é o inesperado”.

Outro fator a ser levado em consideração é que nem Vanderlan ou Gomide ganham ao centrar críticas em Marconi com a intenção de “forçar” um segundo turno em que o adversário do governador seria Iris. Isso porque os dois teriam condições de ir para o segundo turno, caso fizessem frente à polarização que há na política estadual. De acordo com um pesquisador, por conta da polarização, inevitavelmente, cada uma das partes – PSDB e PMDB – tem entre 25% e 30% dos votos, o que dificilmente muda.

Todavia, existem muitas pessoas que afirmam votar em Iris apenas porque não votam em Marconi, mas não acreditam que ele seja capaz de fazer um bom governo. Assim, se Gomide e Vanderlan valorizassem essa questão, eles poderiam constituir uma reta de crescimento nesses últimos dias e chegar ao segundo turno. Se algo assim ocorresse, o quadro poderia mudar completamente.

Segundo turno não é outra eleição

Costuma-se dizer que segundo turno é outra eleição. Realmente, de certo modo, as chances se igualam para os dois lados. Mas na análise dos pesquisadores uma virada no segundo turno só é possível se a reta de crescimento do candidato começar a se desenhar no fim do primeiro. Isto é, se a diferença entre os dois candidatos do segundo turno for pequena. Exemplifiquemos: se as eleições fossem hoje, estariam no segundo turno Marconi e Iris, sendo que o primeiro teria uma vantagem de aproximadamente 14 pontos em relação ao segundo. Isso, claro, se as pesquisas se concretizassem.

“Assim, se um candidato, levando em consideração um quadro estável como o visto em Goiás, termina o primeiro turno com uma diferença de 14 pontos para o outro candidato, a chance de haver uma virada é quase inexistente. Pode acontecer? Claro que pode, mas para isso um fato gravíssimo deverá ocorrer no meio do segundo turno. Viradas no segundo turno acontecem quando o candidato desenha uma reta de crescimento que é alcançada na primeira semana após as eleições. Então, não acredito que o segundo turno seja outra eleição”, analisa o pesquisador.

Logo, se o segundo turno das eleições fossem hoje, Marconi venceria Iris, embora com uma vantagem menor do que no primeiro turno. Isso ocorreria porque Vanderlan tem mais votos que Gomide; Iris tem mais votos entre os eleitores do Vanderlan que Marconi, que, por sua vez, tem mais votos entre o eleitorado de Gomide que Iris. Se seguirmos essa análise, é possível dizer que, de todos os candidatos, o que tira mais votos do governador Marconi é o petista. Portanto, em um provável segundo turno entre o tucano e Gomide, a disputa seria mais acirrada.

 

Fenômeno Marina Silva não é tão fenomenal assim

A decisão de Vanderlan Cardoso (PSB) em não apoiar sua candidatura na presidenciável Marina Silva (PSB) merece atenção: primeiro por ser acertada, visto que o “fenômeno Marina não é confiável para o eleitorado” – como diz o professor Silvio Costa –, sobretudo para o goiano; segundo, porque, se Marina conseguisse alavancar Vanderlan em Goiás, seria a primeira vez na história.

A norma diz que um presidente pode eleger seu sucessor; um governador elege seu sucessor; e um prefeito também é capaz de fazê-lo. Porém, um presidente não elege um governador, que, por sua vez, dificilmente elege um prefeito. Essa é a regra da regionalização da política, que, claro, pode ter exceções. Constan­temente se ouve falar no caso recente da eleição de Fernando Haddad (PT) à Prefeitura de São Paulo, visto que ele teria sido eleito pelo ex-presidente Lula.

Porém, se analisarmos bem, essa é uma meia verdade, uma vez que Haddad foi eleito não por Lula, mas por uma estratégia inteligente que focou a campanha no fato de o petista representar o nome novo em um cenário conceitual de mudança que ocorria em São Paulo à época, muito devido aos desgastes sofridos pelo ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD), que estava com a imagem em crise.

Outro fator que mostra o acerto da estratégia de Vanderlan é a possibilidade iminente de que, caso haja um segundo turno estadual entre o governador Marconi Perillo (PSDB) e Iris Rezende (PMDB) e federal entre a presidente Dilma Rousseff (PT) e Marina, a pessebista pode ser apoiada por Marconi. Isso porque, se isso ocorrer, é grande a possibilidade de Marina receber o apoio de Aécio Neves, candidato tucano à Presidência.

Logo, na possibilidade de apoiar Iris no segundo turno, Vanderlan não pode se vincular de modo indivisível a Marina, ou ficará em uma situação complicada, já que dificilmente apoiará Marconi. l

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