Mapa político: os candidatos a prefeito no Sudoeste goiano

A pouco mais de um ano das eleições, grupos políticos já começam a definir quem serão seus escolhidos em 2020 – já de olho em 2022

A 15 meses das eleições municipais, os partidos goianos já se articulam para lançar nomes competitivos em 2020. As forças políticas estão se reordenando, desde a vitória de Ronaldo Caiado (DEM), em 2018. Serão consolidadas a partir de 2020, após os resultados das eleições municipais. Com o resultado das disputas municipais, as principais lideranças do Estado vão iniciar as tratativas para que cada agremiação partidária coloque na mesa as estratégias e os atores que irão ser utilizados na tentativa de chegar – ou se manterem – no Palácio das Esmeraldas.

O PSDB, partido com o maior número de prefeituras em Goiás (75), inicia em 13 de setembro 26 encontros regionais, com objetivo de reorganizar e fortalecer a legenda no interior e também na região metropolitana. A legenda tenta se recompor, após sair derrotada da eleição de 2018, após duas décadas de comando do Governo do Estado.

Já do lado do atual governo, a ordem é evitar falar em política. Por meio de sua assessoria, o governador Ronaldo Caiado (DEM) afirmou ao Jornal Opção que não pretende, por hora, participar diretamente da articulação nos municípios. Contudo, o grupo político do democrata se movimenta para ampliar a presença nas prefeituras.

O MDB, por seu lado, também busca fortalecer-se internamente, após o racha de prefeitos de deputados em 2018, quando parte dos emedebistas preferiu o apoio a Ronaldo Caiado que a Daniel Vilela, o candidato do partido a governador.

Com objetivo de esclarecer essa movimentação, o Jornal Opção inicia uma série para mapear a situação política de cada região do Estado, município por município. Na primeira reportagem, a Região Sudoeste de Goiás, uma das mais ricas do Estado por conta de sua agropecuária pujante e a indústria da transformação.

Municípios como Rio Verde, Jataí, Mineiros e Santa Helena de Goiás possuem forte representação de deputados, ex-deputados, prefeitos e ex-prefeitos postulantes aos cargos de prefeito. Com a predileção dos eleitores verificada nas últimas eleições por políticos “novos”, nomes que que não apareciam na cobertura política dos veículos de comunicação começam a dar as caras. O fato é que, nesse momento de transição política porque Goiás e o Brasil passam, independente do naipe do guru, qualquer prognóstico será míope. 

Veja como está a movimentação nos maiores municípios da região:

Oposição aposta no enfraquecimento de Paulo do Vale em Rio Verde

No alto: Juraci Martins, Heuler Cruvinel e Guilherme Campos. No meio: Lissauer Vieira e Paulo do Vale. Embaixo: Tatão, Karlos Cabral e Chico KGL

Em Rio Verde há três deputados estaduais eleitos e bem votados. Potenciais candidatos, portanto: Chico KGL (DEM), Karlos Cabral (PDT) e o presidente da Assembleia Legislativa, Lissauer Vieira (PSB). Perguntado pelo Jornal Opção pelo sobre uma possível disputa em 2020, Lissauer respondeu categórico: “Não serei candidato”.

Lissauer afirmou que seu grupo político ainda estuda lançar um postulante. O nome dessa grupo pode ser o do reitor da Universidade de Rio Verde Sebastião Lázaro Pereira, o Professor Tatão. Considerado bom gestor, pode se tornar um player competitivo por conta da tendência do eleitorado brasileiro em ter apreço por candidatos oriundos de boas administrações na iniciativa privada.

Chico KGL, apesar de filiado ao partido do governador, caso tenha alguma pretensão, teria dificuldades de emplacar a candidatura, considerando que é improvável que Ronaldo Caiado deixe de apoiar o prefeito Paulo do Vale (MDB). Ao lado de Adib Elias e Ernesto Roller, Paulo do Vale integrou a ala caiadista do partido na eleição de 2018.

Outra liderança que pode aparecer entre os candidatos é o ex-deputado federal Heuler Cruvinel (PSB). Segundo colocado na eleição para prefeito em 2016, chegou liderar as pesquisas de intenção de voto.

Quem também pretende entrar na disputa é Guilherme Campos (PSDB). Com 23 anos, já declarou nutrir o desejo de medir forças com o prefeito Paulo do Vale (MDB). Plano que, no entanto, depende do resultado de reiterados convites feitos pelo tucanato estadual para que o ex-prefeito Juraci Martins troque o PPS pelo PSDB com vistas a 2020. Caso aceite, as chances de Guilherme Campos se tornam reduzidas.

A administração de Juraci Martins, entre 2009 e 2016, foi avaliada como mediana. Como prometera na campanha, deixou a prefeitura com 100% das ruas pavimentadas e muitas obras – algumas em fase de finalização foram inauguradas por Paulo do Vale, cuja administração está respaldada por uma receita anual próxima a R$ 1 bi.

A gestão de Paulo do Vale é considerada eficaz por parte da classe média rio-verdense, resultado da manutenção na região central da cidade. Nas camadas mais pobres da população, entretanto, a falta de carisma do emedebista, juntamente com ações impopulares, consolidou uma imagem negativa do prefeito. Outro ponto negativo que Paulo do Vale terá de trabalhar para 2020 diz respeito aos servidores do município, insatisfeitos com a gestão.

Em Jataí, nomes conhecidos devem entrar na disputa

Acima: Victor Priori e Vinicius Luz. Abaixo: Zé Carapô, Nelson Antônio e Humberto Machado | Fotos: Alego

No município de Jataí, a considerar a quantidade de postulantes, a disputa promete vários rounds até as convenções. O tucano Vinícius Luz tenta reeleição. Aposta em sua performance administrativa para conquistar o direito de permanecer no cargo até 2024. Em janeiro último, ao fazer um balanço de dois anos de gestão, o prefeito afirmou que o município avançou em diversas áreas e destacou a saúde. De acordo com Vinícius Luz, a realização de exames para pacientes que aguardavam há meses na fila e as mais 400 cirurgias eletivas melhorou substancialmente os gargalos nos atendimentos.

Vinícius Luz aposta na instalação da VMG Bioenergia e Agronegócios no município. Em junho, a WMG assinou protocolo de intenções com a promessa de investimentos superiores a R$ 500 milhões e a geração de 500 novos postos de trabalho.

O ex-prefeito Humberto Machado (MDB) articula diuturnamente para voltar. Em áudio que vazou recentemente, ele revelou: “Estamos voltando, só faltam dois anos”. Todavia, os problemas na Justiça têm levado Machado admitir que não entra na disputa. O áudio desmente a negativa, o que leva a crer que o emedebista está mesmo é aquecendo na lateral do campo, com sede de entrar no jogo. Caso não decida encarar a eleição, dificilmente outro emedebista estaria à sua altura.

Já o empresário e ex-deputado Victor Priori, sempre lembrado, não deve disputar a eleição de 2020. Pediu desfiliação do DEM e afirmou ao Jornal Opção que não pretende entrar na briga. “Não mexo mais com política”, revelou.

Tudo indica que o deputado estadual Zé Carapô (DC) entrará na disputa, lastreado pelos quase 15 mil votos que obteve somente em Jataí. Com apoio de Caiado, a quem recepcionou em Jataí na tarde sexta-feira, 5, Carapô entra no jogo com cacife razoável.

Uma fonte ouvida pelo Jornal Opção afirmou que o ex-deputado estadual e ex-prefeito de Jataí Nelson Antônio também pode sair candidato e embolar a disputa. Atualmente, ele ocupa o cargo de secretário de Gestão e Planejamento do município.

DEM de Caiado tem disputa pela indicação em Mineiros

Acima: Aderaldo e Neiba Barcellos, Agenor Rezende e Marcelo do Vale. Abaixo: Márcio Medeiros e Vinicius Vilela

Em Mineiros, o prefeito Agenor Rezende (MDB) está em segundo mandato. O emedebista deve indicar como sucessor o secretário de Governo, Aleomar Rezende. Mas ainda não há consenso no MDB, pois Vinícius Vilela, presidente da Câmara de Vereadores, articula para empurrar a decisão do partido até a convenção, se for preciso. Ao Jornal Opção, falou da pretensão e demonstrou confiança em uma possível disputa interna no partido. “Já no primeiro mandato estou na presidência da Câmara, tenho bom relacionamento com todos vereadores da base e até com alguns da oposição”, frisou.

Do grupo que apoiou Ronaldo Caiado na cidade na eleição passada, o vereador Márcio Medeiros (DEM) e a ex-vereadora e candidata a prefeita em 2016, Dra. Flávia (SD), podem também entrar no jogo. Uma fonte ouvida pela reportagem afirma que ela estaria de “malas prontas” para integrar no quadro de filiados do DEM, a convite do deputado federal José Mário Schreiner.

Ainda no grupo do DEM, postulam o empresário Osório Diniz e o presidente do Sindicato Rural, Izaac Carvalho. O fato é que quem o deputado José Mário Schreiner abençoar, Caiado estará no palanque dele.

O PSDB já bateu o martelo e colocou o time em campo. O vereador Marcelo do Vale, suplente de deputado estadual, é o nome do partido e já conta com o aval do presidente estadual da legenda, Jânio Darrot.

Os ex-prefeitos Aderaldo e Neiba Barcellos, junto com o vereador Sergislei Carrijo, estão formando um grupo político. Ainda não decidiram o partido, mas há chances de dirigirem o PSL, PTB ou até mesmo se juntarem ao PSDB.

No PDT, o ex-vereador Ernesto Vilela e o vereador José Sávio podem disputar a sucessão. Existe possibilidade de o vereador José Sávio retornar ao MDB ou fazer aliança com o projeto do vereador Marcelo do Vale.

Santa Helena pode repetir a disputa de 2016

Érick Itacarambi, Rones Ferreira e o prefeito João Alberto Rodrigues

Em Santa Helena de Goiás, o prefeito João Alberto Rodrigues (PRP) vai para a reeleição. Filho do ex-governador e deputado federal Alcides Rodrigues (PRP), João Alberto tem a seu favor o fato de ter Alcides na Câmara Federal, com alguma garantia de emendas parlamentares para o município. Em tempos de estagnação econômica, quedas acentuadas nos repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e os consequentes problemas de caixa, é um bom discurso que pode ser trabalhado a favor do prefeito.

Derrotado na eleição por uma diferença não muito grande (42,05% contra 56,07%), Rones Ferreira (MDB) deve enfrentar João Alberto. Tem a seu favor reclamações pontuais na área da saúde. Outro nome comentado nas rodas de conversa dos santa-helenenses para 2020 é do vereador mais bem votado da última eleição, Erick Itacarambi (PSDB). E não é de hoje. Engenheiro ambiental e jovem, pode entrar na disputa “só pra ver no que vai dar”, afirma uma fonte.

Em Caiapônia, o tira-teima das últimas duas eleições

Argemiro Rodrigues e Caio Lima, atual prefeito de Caiapônia

O prefeito Caio Lima (PP), que venceu apertado a eleição em 2016 por uma diferença de 315 votos contra Argemiro Rodrigues (MDB), vai tentar continuar no comando do Poder Executivo de Caiapônia. O emedebista levou a melhor contra Caio Lima em 2012 e levou o troco em 2016. A revanche promete.

Caio Lima ainda não decidiu se vai para reeleição. Ao Opção, o gestor revelou que, assim como a maioria dos municípios, enfrenta queda acentuada na arrecadação. Citou ainda o fato de o hospital municipal ter de atender pacientes de mais de 30 municípios da região, inclusive Jataí e Rio Verde, “sem a devida contrapartida dos governos federal e estadual”. De acordo com o prefeito, o déficit fiscal o levou a tomar medidas impopulares, como diminuição no quadro de médicos, aumento de impostos e cobrança na justiça de inadimplentes.

“Sou pela Lei de Responsabilidade Fiscal”, declarou o prefeito, que diz ter ao seu favor o fato de ter investido mais de 34% na Educação em 2018 e ter sido premiado pelo Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) em 2º lugar pela eficiência na gestão. “Passamos de 220º para 7º lugar no ranking da transparência”, informou o prefeito, que atrelou o ânimo em disputar a reeleição ao sucesso em entregar obras que considera importantes para o município, como o Posto de Saúde do Setor Sul e a Praça da Juventude, paradas desde 2012. Cita também, como grande trunfo, a viabilização de 333 lotes para construção de casas populares.

O ex-prefeito Argemiro estaria de mudança para o DEM. Nas últimas décadas a prefeitura foi comandada em 100% das oportunidades por PP e MDB, desde da época em que o PP era Arena. Outro emedebista, o ex-prefeito de Caiapônia Edson Rosa Cabral, o Edinho, pode entrar na disputa. Antes, porém, terá de se desvencilhar de um processo que o torna inelegível.

Maurilândia

Edjane Alves (PSDB) e Raimundo Marinheiro (MDB)

Em Maurilândia, o pleito foi ainda mais apertado do que em Caiapônia. Apenas 141 votos separaram a prefeita eleita Edjane Alves (PSDB) do ex-prefeito Raimundo Marinheiro (MDB), que tentava reeleição. Em 2020, os dois podem voltar a se enfrentar.

Edjane Alves conta com apoio do presidente do PSDB, Jânio Darrot. A prefeita é conhecida como uma das pessoas mais leais do partido.

Montividiu

Dr. Ademir, atual prefeito; Edson da Farmácia e Fernando Peres

No município de Montividiu, o prefeito Dr. Ademir (PR) deve tentar o segundo mandato. Ele venceu Edson da Farmácia (MDB) na última eleição por 175 votos de diferença, equivalentes a 2,22% dos votos válidos. Terá como adversário um novato na política. O médico e empresário Dr. Fernando Peres (PSDB), que, ao que tudo indica, está com nome consolidado pelo tucanato local para 2020.

Doverlândia

Zildinha, atual prefeita, e Pastor Ely

A prefeita Zildinha (MDB) deve tentar segundo mandato. Venceu uma disputa acirrada com 39,41% dos votos contra o Pastor Ely, segundo colocado com 31,29%, e contra Robertão (PSDB), que obteve 29,30%.

Serranópolis

Tárcio Dutra, que venceu a eleição suplementar, e Lidevam Lima, cassado

Em Serranópolis, o prefeito Tárcio Dutra (MDB) deve ir para a reeleição. Ele está no poder há menos de um ano, após vencer a eleição suplementar como candidato único em outubro de 2018. Entrou no lugar de Lidevam Lima (PSDB), que foi cassado.

Em Serranópolis, o prefeito Tárcio Dutra (MDB) deve ir para a reeleição. Ele está no poder a menos de um ano – venceu a eleição suplementar como candidato único em outubro de 2018. Entrou no lugar de Lidevam Lima (PSDB), que foi cassado.

Na eleição de 2016, Dutra havia sido preterido pelos eleitores, ocasião em que foi derrotado por Lidevam Lima.

Chapadão do céu

Prefeito Rogério Graxa (PP), Marco Antônio Navarini e Eduardo Peixoto

O prefeito de Chapadão do Céu, Rogério Graxa (PP), vem de resultado apertadíssimo no último pleito. Derrotou Eduardo Peixoto (MDB) por incríveis dois votos válidos. Os dois devem voltar a disputar a preferência dos eleitores em outubro de 2020.

Também podem participar do pleito o vereador Marcos Antônio Navarini (PSDB) e o presidente da Câmara, Paulo Sérgio (PTB).

Santa Rita do Araguaia

João Batista e Tânia Salgueiro podem repetir a disputa em 2020

Na turística Santa Rita do Araguaia, a cidade deve assistir a uma revanche entre a prefeita Tânia Salgueiro (PSD) e o ex-prefeito João Batista (PSDB), únicos dois políticos que registraram chapa na última eleição e que reúnem, de fato, condições reais de vitória.

Santo Antônio da Barra

Sirleide Ramos, Agnaldo Fonseca e Zé Cândido

No município de Santo Antônio da Barra um tucano deve tentar pela terceira vez chegar à chefia do Poder Executivo. Trata-se de Agnaldo Fonseca, que foi derrotado em 2012 para Zé Cândido (MDB) por uma diferença razoável de votos (39,98% x 60,02%) e em 2016 perdeu para outra emedebista, Sirleide Ramos.

Portelândia

Manoel do Elizer, Cleicimar da Lotéria e Adão Diogo

Um terceiro round entre o prefeito Manoel do Elizer (MDB) e Adão Diogo (PSDB) deve ser a tônica da disputa. Em 2012, o tucano levou a melhor. Na eleição seguinte, Manoel deu o troco. Em 2020, Cleicimar da Lotérica (DEM) pode ter o apoio do caiadismo para acirrar a disputa, baseado nos quase 20% de votos que conquistou em 2016.

Aporé

No município de Aporé, o atual prefeito, Dr. Renato (PSB), deve tentar seguir no comando do município até 2024. Seu principal adversário deve sair da mesma casa. Os ex-prefeitos Hailton Gomes da Pena (DEM) ou Maria Zelinda, marido e mulher, podem encarar a disputa.

Hailton Gomes e Maria Zelinda, Dr. Renato, ao lado de Lissauer

Castelândia

Marcos da Farmácia, prefeito de Castelândia

Em Castelândia, o atual prefeito Marcos da Farmácia (MDB) reassumiu a prefeitura após ser afastado por suspeita de corrupção. O fato de ter ficado preso este ano no Núcleo de Custódia, em Aparecida de Goiânia, durante cinco dias, pode dificultar uma possível tentativa à reeleição. Mesmo após reassumir o cargo e ter a máquina a seu favor.

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