Programas dos candidatos ao governo no 1º turno terminam no meio da próxima semana

Marconi Perillo, Iris  Rezende, Vanderlan Cardoso e Antônio Gomide: últimos dias de horário gratuito na TV
Últimos dias de horário gratuito na TV

Afonso Lopes

De agora até o 1º turno das eleições deste ano, os candidatos ainda vão ter direito a cinco dias de programas eleitorais. Para governador, o prazo final é quarta-feira da próxima semana, dia 1º de outubro. Ou seja, os marqueteiros vão ter que aproveitar cada segundo que resta para ainda tentar convencer o eleitorado visando sempre dois pontos: confirmar os que estão dispostos a votar em seus candidatos e pegar eventualmente eleitores dos demais concorrentes e os indecisos. Como diria aquele velho general americano, numa livre aplicação para esta ocasião, “nenhum eleitor deve ficar para trás.”

Quem conhece a rotina dos centros pensadores do marketing das campanhas sabe que estes vão ser os dias mais longos, mais tensos e de maior apreensão em todo o processo. O trabalho de um ano de preparação, iniciado em outubro do ano passado com o fim do prazo das filiações partidárias, depende bastante daquilo que será feito nestes dias. Uma frase mal colocada, no momento errado, e muita coisa pode ser comprometida. Na outra ponta, um lance, por menor potencial de apelo possível, pode empurrar mais alguns votos para algum candidato.

1º ou 2º turno?

Neste momento, a não ser que todos os institutos de opinião tenham errado barbaramente em suas estratificações sociais, as pesquisas indicam que o governador Marconi Perillo (PSDB), candidato à reeleição, se apresenta numa área de conforto quanto à garantia de que deverá confirmar uma das duas vagas de eventual 2º turno. E pode, também de acordo com a maioria dessas pesquisas, quebrar a mágica barreira dos 50% dos votos, o que liquidaria a eleição já no 1º turno.

Na segunda posição, também com vaga aparentemente assegurada em um 2º turno, o peemedebista Iris Rezende, garantem os institutos de pesquisa, não foi incomodado em nenhum mo­men­to, se mantendo sempre com quase duas vezes mais intenções de voto que seus colegas da trincheira oposicionista. Nos próximos cinco dias úteis, com programas eleitorais no rádio e na televisão, hoje a forma massiva e instantânea de campanha, o objetivo de seus marqueteiros deve ser o de preservar o patrimônio que possui e diminuir a grande vantagem conseguida por Marconi até aqui. Ou seja, para ele, não basta chegar ao 2º turno. É necessário chegar muito mais próximo para, quem sabe, tentar virar a eleição no turno decisivo.

Vanderlan Cardoso (PSB) e Antônio Gomide (PT) tentaram na semana passada manter a bandeira içada para não deixar a militância se desmoralizar. Na realidade, segundo as pesquisas, a coisa não foi nada bem para eles nesta campanha. Gomide teria hoje o mesmo número de intenções de voto com que começou, em abril deste ano. Vanderlan nem isso conseguiu fazer. Ao longo da caminhada, ele só fez perder possíveis eleitores, dizem os institutos de pesquisa. Na propaganda de ambos, as mensagens de otimismo falam em arrancada, virada e vitória.

Fôlego

Se a campanha eleitoral fos­se uma maratona olímpica, neste momento os atletas estariam entrando no estádio. To­dos eles, além dos torcedores, claro, estão cansados. Alguns vão chegar à linha final quase ar­rastados. Mas sempre tem al­guém com reserva de fôlego pa­ra acelerar e garantir a posição.

Para Vanderlan e Gomide, não basta apenas ter fôlego de reserva. Aliás, eles não demonstraram até agora muito alcance, e seria uma bobagem acreditar que guardaram forças para esta etapa, quando teriam que descontar uma vantagem quilométrica para Marconi e Iris. A impressão que se tem é que eles estão travando um duelo particular para não terminar em último lugar entre os quatro grandes candidatos ao governo do Estado. Ficar em terceiro seria, então, uma vitória. Amarga, sem dúvida, mas a possível. Qualquer coisa além disso, uma segunda colocação, por exemplo, extrapolaria o imaginário e invadiria o êxtase celestial.

Para Marconi e Iris, uma arrancada final faz todo o sentido. Iris precisa dela para levar a disputa para o segundo turno, mesmo que não seja possível depois reverter a situação. Para ele, que tem seu nome escrito no Panteão da política de Goiás, pior que ser derrotado mais uma vez por Marconi, seria perder já no 1º turno. Além disso, e apesar de todas as históricas dificuldades que se conhece de viradas no 2º turno, sempre haverá uma esperança derradeira.

Já para Marconi, vencer o 1º turno parece ser o enredo normal desenhado desde que se lançou à reeleição. Vencer no 1º turno, e evitar a realização de 2º turno, é repetir 2002. Se conseguir essa proeza, ele não apenas será o único a vencer quatro vezes para o governo, mas também o único capaz de vencer a eleição duas vezes já no 1º turno, o que seria igualmente inédito – Iris conseguiu vencer no 1º turno apenas uma vez, em 1990.

Enfim, por tudo o que está em jogo em tão pouco tempo, o eleitor deve se preparar para ser abordado por todo mundo. É ele quem decidirá.