Lições de quem buscou inovar para se destacar no mercado

Com sete áreas, como design e serviços digitais, e inúmeras subáreas, o programa SebraeTec propicia ao microempresário competitividade e sustentabilidade

inovacao

Yago Rodrigues Alvim

Viajar, dormir, apreciar o se pôr do sol, beber um bom vinho, saborear um bom prato são algumas das melhores coisas da vida — claro, poderia aqui gastar linhas e mais linhas e parágrafos, listando maravilhosos afazeres, mas já valem os exemplos para dizer de outro gosto, comum a muitos: cozinhar. Há sim que ponderar que o talento com os alimentos e utensílios não é tão comum assim. Soraia Camargo é um exemplo dentre os afortunados que têm a mão boa na cozinha.

Ela, que desde pequena tinha gosto por cozinhar um bom prato, viu-se no ramo como quem se sentia em casa: à vontade. Ainda assim, muito foi preciso para alcançar a realização que tem hoje com seu negócio. Por se descobrir diabética, Soraia se dedica há dois anos aos doces diets e lights. Ela conta que optou por se aprimorar e caminhar em outra direção, longe dos congelados que fazia, pois avistou uma oportunidade de negócio — já que o acesso a doces para um diabético é muito restrito.

Foi quando se decidiu formalizar que Soraia descobriu o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Em­presas (Sebrae). “Um primo me perguntou por que eu não procurava o Sebrae para que tivesse uma melhor orientação e, desde então, o meu negócio deslanchou. Hoje, tudo que preciso, corro até eles”, conta.

— Além de me formalizar, percebo que estou mais conhecida, pois aprendi a lidar melhor com os clientes, com os quais eu tinha receio e vergonha, até mesmo de expor meu trabalho em certos lugares, de cobrar o quanto valia. Eu aprendi muito com as várias oficinas e palestras que tomei no Sebrae.

Ela conta que aprendeu tudo isso e está mais solta, mais confiante para mexer com o negócio, sem contar que aumentou muito a sua clientela. “Aprendi como divulgar o meu trabalho e é o que tem ajudado, e muito, o negócio. Minhas vendas melhoraram, exponencialmente”, conta ela, que quer fazer mais cursos, especializar-se ainda mais, para ter melhores resultados.

Empresária Élita Ferreira, no ramo de beleza há oito anos: “Em tempos como esse, é preciso inovar para melhor se posicionar no mercado e ter uma vida profissional mais sustentável e competitiva” | Foto: Divulgação

Empresária Élita Ferreira, no ramo de beleza há oito anos: “Em tempos como esse, é preciso inovar para melhor se posicionar no mercado e ter uma vida profissional mais sustentável e competitiva” | Foto: Divulgação

Como Soraia, a empreendedora Élita Ferreira tem crescido no mercado. Graduada em contabilidade, ela conta que preferiu ter um negócio próprio em casa, pois tinha se casado muito nova e precisava cuidar dos dois filhos pequenos que teve. Assim, veio a ideia de ter um salão de beleza. Já com 25 anos de carreira, a empresária conta a história do negócio.

Foram duas filiais, mais de 20 funcionários registrados e tudo nos conformes. Mas, para ter uma melhor qualidade de vida, ela viu a oportunidade de dar início a um estúdio personalizado que a tirasse da loucura de ter dois salões — o atendimento personalizado, até então, era novidade.

Assim, a empreendedora deu continuidade ao negócio de beleza, mas em outro formato: direcionado. Com o nome Élita Studio, apenas ela e uma secretária atendem clientes que procuram por corte, maquiagem ou serviço semelhante — deixando manicure, e afins, de fora.
Com a venda de uma das filiais e o fechamento da outra, ela se mudou para uma sala comercial e seguiu com o negócio que já completa oito anos. Élita diz do programa Se­braeTec que surgiu quando teve contato com o Sebrae. Segundo ela, isso aconteceu por uma vontade própria de ir ao encontro do segmento, uma vez que já tinha experiência e conhecia suas dificuldades.

Com dois mandatos como presidente da Associação dos Profis­sionais de Beleza do Estado de Goiás (Aprobeleza), Élita é, atualmente, vice-presidente da associação. Ela também foi coordenadora de um grupo de empreendedores, dentro do Sebrae, época em que descobriu o programa.

— O SebraeTec auxilia com a capacitação na área de gestão, pois a maioria dos profissionais do segmento não tem essa habilidade. Com as minhas dificuldades, eu tive muitas melhorias na área do marketing, por exemplo, com sites e redes sociais e até com a marca. Eles me ajudaram a profissionalizar o que era muito pessoal ainda. Mudou de “Élita”, algo pessoal, para “Élita Studio”, que é profissional.

Diante o atual cenário econômico, muitos pensam que o profissional da beleza não foi afetado, mas não é bem assim, diz Élita. A crise ainda não estourou no segmento, mas já é perceptível o aumento do custo operacional, que não deu para repassar. As pessoas, então, ainda não perceberam. “A energia, a água e a nossa matéria-prima, que é importada, por exemplo, encareceram muito.”

A empreendedora acrescenta que, em uma época assim, é preciso inovar para melhor se posicionar no mercado e ter uma vida profissional mais sustentável e competitiva. Ela até brinca que faz propaganda para que, dentre os diversos cortes, as pessoas não esqueçam o do cabelo, pois a beleza é a única que não pode ficar de fora, uma vez que o visual hoje tem muito impacto.

Tércio Sathler

Tércio Sathler: “Procuramos o Sebrae e nos apaixonamos pela qualidade dos cursos e do material e pela atenção do Serviço”

Muitos outros segmentos também têm visto a inovação como saída. A Guava Manutenção e Serviços é um dos empreendimentos que se dedicam a engenharia, arquitetura e serviços afins, e têm se revitalizado. Tercio Sathler conta a história da Guava — palavra que significa goiaba.

Segundo ele, o negócio começou com foco em arquitetura, e projetos de modo geral, e em engenharia. “Chamava-se Guava Engenharia e Arquitetura, inicialmente. Hoje, a assinatura já é Guava Engenharia e Serviços, devido a um planejamento para que manutenções contínuas e pós-obra fossem possíveis”, conta.

Em 2011, então, começava, com a engenheira Priscila Sathler e com a arquiteta Talita Sathler, a Guava. Ele, que é engenheiro de produção e administrador, juntou-se à dupla em 2013, dedicando-se como diretor-geral na área de estratégia da empresa. “Foi um ano muito bom; fechamos com mais de 35 obras. E, depois, começamos a fazer obras comerciais para empresas como a Petrobrás, Ultragaz, o banco Sicoob e shoppings de Goiânia”, conta.

Em 2014, o trio teve o primeiro contato com o Sebrae. Segundo ele, na busca por melhoria e extensão do negócio, buscaram alguns cursos. “Nós fomos ao Sebrae e nos surpreendemos com a qualidade dos cursos e do material. Apaixo­namo-nos pela estrutura e atenção do Serviço”, ressalta.

Foram vários cursos e em diversas áreas, como planejamento estratégico, excelência em gestão e de qualidade. O SebraeTec veio no último ano, já nos derradeiros meses, quando vislumbraram amadurecer seus processos e se prepararem para conseguir o ISO 9001, que é um certificado de qualidade em gestão, reconhecido mundialmente.

Quanto à importância de se capacitar e buscar se inovar, o empreendedor diz que são saltos dados, por conta de uma transferência de know-how. “Nós crescemos e aprendemos a lidar com os erros e a não cometê-los, novamente. A performance da empresa melhora de forma ímpar”, acrescenta.

Atualmente, a Guava tem qualificação para fazer licitação pública e, assim, prestar tais serviço. Com planejamento estratégico, conhecimentos simples e eficazes, aprendidos com o Sebrae, tem firmado novas parcerias para expandir o negócio: “Alcançamos metas e procuramos expandir ainda mais”.

SebraeTec
Para uma empresa se manter competitiva e sustentável, a inovação hoje é, portanto, pré-requisito. O mercado, com seus segmentos e clientes, é diferente de poucos anos atrás e, por isso, as empresas têm de buscar se adequar. Novas formas de atendimento, de ofertar seus produtos e serviços são alguns exemplos. Vale ressaltar, no entanto, que inovar, como empreender, não pode ser feito de qualquer forma. É preciso planejamento.

O Sebrae, com seus produtos e soluções que estão disponíveis às micro e pequenas empresas, propicia ambos, inovação e empreendedorismo, com planejamento; assim, o pequeno empresário, e também produtor rural, corre o mínimo risco e consegue atender suas necessidades e se manter competitivo e sustentável, no mercado. Inovar, portanto, é a melhor opção.

São inúmeros os casos de sucesso que, com procedimentos simples de inovação, dentre outros mais complexos, que tiveram impactos e, assim, melhoria na produtividade, lucratividade e, até mesmo, novos nichos de mercado a explorar.

Wanderson Portugal Lemos: “Pequenas empresas aumentam a sua eficiência produtiva, melhoram a sua gestão, desenvolvem novos produtos e conquistam novos mercados”

Wanderson Portugal Lemos: “Pequenas empresas aumentam a sua eficiência produtiva, melhoram a sua gestão, desenvolvem novos produtos e conquistam novos mercados”

“A empresa recebe consultoria exclusiva e pode implementar serviços como, comércio eletrônico, melhorar o visual da empresa, por meio do desenvolvimento de embalagens, rótulos, etiqueta, vitrines, planejar coleções de produtos e a identidade visual e fachada”, destaca, dentre outros benefícios, o diretor técnico da seccional goiana, Wanderson Portugal Lemos.

— O Programa SebraeTec impulsiona de forma arrojada e contribui para que o pequeno negócio, esteja ele na cidade ou no campo, possa inovar. São sete áreas do conhecimento da inovação e tecnologia que a empresa pode se beneficiar: qualidade, produtividade, design, inovação, serviços digitais, sustentabilidade e propriedade intelectual.

Portugal diz que um produtor rural, por exemplo, pode ser atendido pelo Sebraetec na área da sustentabilidade, implementando em sua propriedade rural processos de reaproveitamento da água da chuva, reutilização de efluentes, redução de consumo de água, análise de resíduos sólidos, dentre outros. Por meio do programa, de forma rápida e econômica, as pequenas empresas aumentam a sua eficiência produtiva, melhoram a sua gestão, desenvolvem novos produtos e conquistam novos mercados.

O analista da Unidade de Ino­vação e Competitividade do Sebrae-GO, Rodson Marden Witovicz, explica detalhadamente o programa. Segundo ele, o SebraeTec é um programa que busca garantir a micro e pequena empresa acesso subsidiado a serviço tecnológico e de inovação, visando melhoria de processos, produtos e serviços da empresa, e, assim, a introdução de inovação no mercado.

O programa tem, como particularidade, a intervenção in loco na empresa, onde realiza uma consultoria e, ao fim, entrega um produto. Desta forma, o SebraeTec resolve problemas e necessidades por meio de um produto que, já de imediato, proporciona melhorias dentro da empresa.

São duas formas de atendimento: orientação e adequação. As orientações são as clínicas e oficinas tecnológicas, das quais participam grupos de empresários; temáticas, elas determinam a importância e a relevância de uma inovação para a empresa.

Já a modalidade de adequação acontece por meio de uma consultoria, propriamente dita, e que intervém na empresa — é realizado um diagnóstico, a fim de levantar quais são as dificuldades desta e, assim, são solucionados, especificamente. Ao final, um produto é entregue ao empresário para que o implemente na empresa.

O SebraeTec tem permanentemente o seu edital aberto. As empresas podem procurar o Sebrae durante todo o período de exercício fiscal — no caso, durante todo ano —, para que tenham suas demandas atendidas. O público-alvo, portanto, é aquele microempresário que precisa inovar em sua empresa.

— Orientamos que o empreendedor procure o Sebrae mais próximo da cidade onde ele vive. Nós temos, atualmente, 12 escritórios regionais, e ainda agências, em alguns municípios; nestes lugares, ele pergunta pelo programa SebraeTec. Será feito uma análise, a fim de averiguar se a necessidade é de fato de inovação e, se ela se enquadrar dentro do programa, ele pode ser atendido e ser subsidiado em até 60% do valor do serviço a ser prestado.
No mês de agosto, será distribuída uma cartilha sobre o SebraeTec por todo o Estado de Goiás, a fim de que o empresário conheça o produto e suas sete áreas e demais subáreas. “O objetivo é alcançar o empresário para que ele, assim, inove e se destaque no mercado”, completa Rodson. l

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.