José Eliton é a renovação diante de Caiado e Daniel

Ao contrário dos dois principais adversários, governador tucano não vem de estirpe oligárquica nem “herdou” influência política do pai famoso que ocupou todos os cargos eletivos no Estado

Governador José Eliton cumprimenta beneficiários de programas governamentais: experiência em dois mandatos como vice e em pastas importantes na máquina administrativa

O eleitor busca renovação. É esse o mantra que ecoa na realidade política, pelo menos na opinião de certos analistas. Nesse sentido, muitos têm a perspectiva de que nomes novos, sem o clássico perfil de políticos profissionais, vão ter a preferência do eleitorado nas eleições de outubro, seja no pleito à Presidência da República, seja nos Estados.

Essa tese ganhou força nas eleições municipais de 2016, com a vitória do tucano João Doria para a Prefeitura de São Paulo. Doria, que nunca disputara eleição, saiu bem atrás no início da campanha e venceu, num inédito primeiro turno, o então prefeito Fernando Haddad (PT), que dispunha da máquina administrativa. Também a vitória de Emmanuel Macron, na França, meio que consagrou a tese da renovação.

O fato é que nome novo, só por ser novo, não garante vitória. Se não mostrar propostas factíveis que sinalizem soluções para os problemas das pessoas, o candidato que se apresente como renovação, só por ser novo na política, não terá maiores chances de sucesso.

No processo sucessório em Goiás, são três os candidatos que têm, em maior ou menor grau, estrutura partidária, possibilidades de angariar apoios e formar alianças, além de recursos financeiros, entre outros requisitos necessários, para tornar suas candidaturas competitivas de fato. São eles Daniel Vilela, do MDB, José Eliton, do PSDB, e Ronaldo Caiado, do DEM.

Esses três são detentores de cargos públicos eletivos — Daniel, deputado federal; Eliton, governador; e Caiado, senador —, o que de cara já lhes dá projeção natural na imprensa e nas entidades organizadas, o que ajuda muito. Sem essas vantagens “naturais”, digamos, vêm correndo por fora os professores Kátia Maria, do PT, e Weslei Garcia, do PSol.

Na análise a seguir, fechamos o foco nos três nomes competitivos, com a indagação: Quem efetivamente representa a renovação?

Caiado vem de oligarquia

Começando por Ronaldo Caiado, está claro que o senador nunca foi renovação nem quando tinha idade em que isso poderia ser levado em consideração. Aos 30 e poucos anos, Caiado fundou a União Democrática Ruralista (UDR), que muitos classificam como das coisas mais reacionárias já criadas no Brasil. A UDR se caracteriza pela radicalização patronal rural conservadora, contrária à reforma agrária.

Caiado ter sido um dos próceres da UDR é até mais natural para quem descende de um ramo familiar oligárquico que comandou o Estado com mãos de ferro desde o século XIX e parte do século XX, primeiro como aliado do clã Bulhões e depois com força própria.

O hoje senador entrou na política justamente pela via UDR. Foi candidato à Presidência da República em 1989, quando obteve pífios 0,6% dos votos. Em 1994, já na condição de deputado federal, candidatou-se a governador de Goiás. Começou a campanha na liderança, mas nem ao menos passou ao segundo turno, negando-se então a apoiar Lúcia Vânia, o que possibilitou a vitória de Maguito Vilela.

De lá para cá, o líder ruralista se elegeu para vários mandatos de deputado federal e o atual, de senador. É legítima a ambição de Ronal­do Caiado ser candidato ao governo de Goiás, mas o eleitor goiano sabe que se o senador for eleito, é muito difícil que ele apresenta algo que se possa chamar minimamente de renovação, porque Caiado, definitivamente, não tem nada de novo.

Daniel é “herdeiro”

Daniel Vilela tem apenas 34 anos, mas um currículo político considerável. Exerceu mandatos de vereador por Goiânia, de deputado estadual e o atual, de deputado federal. É, inegavelmente, um dos políticos mais promissores de Goiás. Quer ser governador, com toda a legitimidade, mesmo porque seu partido tem estrutura em todo o Estado, embora a sigla não esteja fechada com ele — prefeitos de cidades importantes estão aliados a Ronaldo Caiado.

Mas, Daniel é renovação? A rigor a resposta é não, justamente pelo currículo. Não dá para considerar renovação alguém que já está no terceiro mandato eletivo. Além disso, à semelhança de Caiado, que descende de um ramo oligárquico, Daniel Vilela é um herdeiro político com todas as letras. É herdeiro de seu pai, Maguito Vilela, um egresso da Arena [Aliança Renovadora Nacional, o partido dos militares no período da ditadura], homem que exerceu todos os cargos eletivos em Goiás, desde vereador (em Jataí), a deputado estadual, deputado federal, governador e senador.

Daniel Vilela tem sim valor individual e méritos próprios na construção de seu carreira política. Isso é inegável. Mas quem em sã consciência irá dizer que ele não se aproveitou do espólio político que o pai lhe passou em vida. Não à toa, Maguito insiste em dizer que agora “é a vez do meu filho”. A frase denota uma “passagem de bastão”. E isso, convenhamos, não é renovação.

Eliton começou em 2010

Finalmente, José Eliton. Seria ele renovação? Sim, na comparação com seus dois principais adversários, não há dúvida. O tucano começou na política em 2010, estreando justamente como indicado do DEM para a vice de Marconi Perillo, no amplo arco de aliança formado naquela eleição. Eliton ombreou com a base aliada e o tucano-mor no enfrentamento às máquinas da Prefeitura de Goi­ânia, que estava com o PT de Paulo Gar­cia aliado a Iris Rezende (PMDB), do governo estadual, então nas mãos do pepista Alcides Rodri­gues aliado a Vanderlan Cardoso (PR), e federal, que estava com o PT de Lula da Silva, também aliado a Iris.

Repetindo, José Eliton não tinha atuação partidária até então. Com a coligação de Marconi vencedora, o vice aprendeu fazendo. Na reeleição de Marconi, em 2014, Eliton foi novamente vice. Com a vitória da base aliada, o vice assumiu outras funções no governo, em secretarias importantes, como a de Desenvolvi­mento e a de Segurança Pública. Ele também comandou a Celg, promovendo uma recuperação financeira e administrativa da empresa.

Portanto, José Eliton não descende de nenhum ramo oligárquico, como é o caso do líder ruralista Ronaldo Caiado. E diferentemente do emedebista Daniel Vilela, Eliton não herdou espólio político da família, mesmo considerando que seu pai, Dr. Eltin, tenha sido prefeito de Posse nos idos da década de 1980.

A vocação política de José Eliton Júnior foi despertada ainda na juventude. Formou-se em Direito, tornando um dos grandes especialistas brasileiros em Direito Eleitoral. Fez parte da Comissão de Juristas do Senado Federal na elaboração do anteprojeto de reformulação do Código Eleitoral Brasileiro e escreveu o livro “Legislação Eleitoral – Eleições 2008”. Também foi tesoureiro do Instituto Goiano de Direito Eleitoral (IGDEL) e membro da Comissão de Direito Político e Eleitoral da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Goiás.

Se entre os três principais pré-candidato ao governo de Goiás em 2018 há alguém que ser classificado como renovação, certamente esse alguém é José Eliton de Figuerêdo Júnior.

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Elias Rocha

kkkkk… quanto custou?