Jogo de gente grande

O PT dificilmente conseguirá manter a Prefeitura da capital, em 2016, mas aposta em Anápolis. Maguito quer continuidade em Aparecida. Base aliada vai à guerra

Afonso Lopes

Não será uma guerra exatamente santa. Aliás, de santa provavelmente essas disputas não vão ter absolutamente nada. Será guerra mesmo. Para valer, e com todas as forças. O que estará em jogo é pouco mais de 30% de todo o eleitorado do Estado de Goiás, com a soma dos eleitores de Goiânia, Aparecida e Anápolis. Ou seja, um em cada três eleitores goianos vota em pelo menos uma dessas três cidades. É eleitor demais para a fome de ontem que todas as grandes forças políticas estaduais já sentem em relação a 2018, quando estará em jogo a sucessão do governador Marconi Perillo (PSDB), que não poderá ser candidato à reeleição.

É óbvio que a eleição é direta, e não pela representatividade geral do colégio eleitoral. Mas plantar a bandeira do partido na cidade e poder contar com um prefeito que se movimente em prol deste ou daquele candidato a governador é sempre bom. No ano passado, por exemplo, Marconi obteve expressiva vitória, mas perdeu em Goiânia, Aparecida, Anápolis e Senador Canedo, para ficar apenas nesses exemplos, todas elas administradas por prefeitos que não lhe apoiaram.

Opositores

Se para a base aliada estadual vencer em uma ou duas das três grandes cidades é importante, para a oposição é absolutamente imprescindível manter o que ela já possui. Se não pelos óbvios motivos da dimensão eleitoral do conjunto e daquilo que representam politicamente, pelo menos para não deixar escapar qualquer possibilidade de desânimo para 2018. Sem a presença direta de Marconi na disputa pelo governo estadual, é possível perceber já neste momento uma enorme euforia entre os opositores. Um revés nessas cidades pode mexer exatamente com essa autoconfiança, e aí tornar o quadro muito mais nebuloso.

E o panorama exatamente inverso também é verdadeiro. A base aliada sabe que não poderá disputar mais um mandato para o governo do Estado com seu melhor player, e isso projeta certo nervosismo quando o assunto é 2018. Para muitos, no íntimo, a sensação é de que o atual ciclo iniciado em 1998, com a primeira vitória de Marconi sobre Iris Rezende e seu PMDB, está chegando ao fim. E é nesse panorama sem qualquer otimismo que entraria uma ou duas vitórias nos principais redutos da oposição goiana para mudar o ânimo geral na base aliada.

Goiânia

Se as eleições fossem este ano, ainda no 1º semestre, é absolutamente coerente imaginar que a desgastada imagem do governo da cidade contaminaria negativamente e com bastante força qualquer candidatura ligada ao PT e, de quebra, também ao PMDB. Mas a disputa se dará somente no final do ano que vem. Ou seja, o prefeito Paulo Garcia tem ainda um tempo bastante precioso para se recuperar. E pode muito bem aproveitar esse período, e se reposicionar política e eleitoralmente para a sua sucessão.

Mas quem será o candidato desse grupamento, que inclui atualmente também o senador Ronaldo Caiado, do DEM? Em tese, a vaga de candidato está passando com arreio e tudo mais na frente de Iris Rezende. É dele, a não quer que ele não tope. Mas e quanto ao PT e o DEM? Sem problemas. Tendo Iris na cabeça de chapa, o que surge abaixo disso aí tem conserto. Recentemente, por sinal, o deputado federal Rubens Otoni admitiu que a eleição em Goiânia poderá ter uma inédita coligação reunindo PMDB, PT e DEM. E a recíproca é verdadeira. Caiado está muito mais interessado em ter o apoio do PMDB em 2018 do que em criar problemas agora em 2016.

A candidatura em Goiânia parece tornar-se oportuna para Iris | Foto: Edilson Pelikano

A candidatura em Goiânia parece tornar-se oportuna para Iris | Foto: Edilson Pelikano

De qualquer forma, e mesmo surgindo inicialmente como franco favorito para nova disputa, a candidatura de Iris Rezende tem um fator de risco imenso. Se Paulo Garcia não conseguir se recuperar, certamente vai se cobrar muito a respeito de suposta herança mortal que o prefeito recebeu do antecessor, Iris. Se, ao contrário, Paulo se recuperar, será muito difícil que o mérito da recuperação não lhe seja creditado. Aliado a tudo isso, retornos assim sempre são problemáticos, e às vezes o resultado pode não ser o esperado.

Já a base aliada dança sem música. Tem muitos nomes, mas ninguém com densidade eleitoral suficiente para encarar uma candidatura como a de Iris Rezende. Pelo menos, no papel é assim, mas em campanha nem sempre vale o que está previamente escrito.

Aparecida

O prefeito Maguito Vilela, após dois mandatos, mandou pra bem longe da memória da população as administrações anteriores. Nesse sentido, ele é o dono da bola. Por sinal, essa é uma de suas mais marcantes características: Maguito tem sempre muito mais força depois de cumprir o mandato do que antes, nas eleições. É assim agora, foi assim quando governou o Estado, entre 1995/1998. Ele só não foi reeleito governador porque Iris Rezende encafifou com sua própria candidatura, que acabou, como se sabe, naufragando contra Marconi. Mas terá ele força suficiente para carregar um candidato e manter o processo político/administrativo em Aparecida com a sua continuidade? Não se sabe.

Pela base aliada estadual, muito tem se falado a respeito da eleição aparecidense. As maiores apostas atualmente são os deputados federais e delegados Waldir e João Campos. Waldir surpreendeu na eleição do ano passado com uma votação campeã. A dúvida é se o eleitor vai querer que ele deixe o mandato de deputado apenas dois anos depois de ter sido eleito. Já João Campos também é bom de voto, e tem ampla vantagem no ramo evangélico, já que além de policial é também pastor.

Delegado Waldir é o nome da base em Aparecida, mas ainda não é certo

Delegado Waldir é o nome da base em Aparecida, mas ainda não é certo

Anápolis

Na Manchester, como costumam se referir os anapolinos, a dupla de irmãos petistas Rubens Otoni e Antônio Gomide reinam absoluto. Mas a bola não está com eles. O prefeito João Gomes vem fazendo um bom trabalho e quer se candidatar à reeleição. Os irmãos têm completo domínio sobre o PT na cidade, mas um atropelamento de candidatura quase sempre se revela uma péssima estratégia. Mas, sem problemas, Gomide e Otoni já declararam apoio ao prefeito, e devem indicar o candidato à vice.

PT com certeza não atropelará João Gomes, que é candidato

PT com certeza não atropelará João Gomes, que é candidato

A base aliada estadual não tem ninguém realmente peso-pesado para enfrentar a eleição do ano que vem na cidade. O único nome com alguma densidade é o do deputado federal estreante Alexandre Baldy. Pode ser que ele encare a disputa, mas sem inicialmente ter maiores pretensões. No caso dele, talvez o queijo ainda precise de mais tempo para a cura.

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