Jataí: há muitos políticos no jogo, mas poucos vão protagonizar o pleito

Corrida eleitoral na segunda maior cidade do Sudoeste Goiano já tem seus personagens se colocando como prefeitáveis. Mas o choque de forças entre PMDB e PSDB deve se repetir

Victor Priori: pode entrar na disputa pelo PSDB; Leandro Vilela: pré-candidato pelo PMDB; Vinicius Maia: pré-candidatura oficializada pelo PTC

Victor Priori: pode entrar na disputa pelo PSDB; Leandro Vilela: pré-candidato pelo PMDB; Vinicius Maia: pré-candidatura oficializada pelo PTC

Frederico Vitor

Se em Goiás o eleitorado já está acostumado aos embates envolvendo duas forças políticas da envergadura de PMDB e PSDB, em especial para o eleitor jataiense, a rivalidade é mais do que uma velha conhecida. Nos últimos anos ela se perpetua nos pleitos municipais e, para as eleições deste ano, a sina não será diferente. Apesar da existência de cinco nomes se postulando para prefeito, o jogo deverá ser decidido mais uma vez por um peemedebista e um tucano. O que pode mudar são os personagens, o que torna a eleição em Jataí mais interessante de ser analisada.

Jataí é o tipo de município que, qualquer político inclinado a ter uma experiência no Executivo municipal, gostaria de administrar. Localizado na região Sudoeste, uma das mais ricas de Goiás, por conta da força produtiva da agropecuária, em especial da cultura da soja, a cidade é a sétima mais rica do Estado — seu PIB é de cerca de R$ 2,2 bilhões, de acordo com dados do Instituto Mauro Borges (IMB), segundo aferição de 2013.

Portanto, os grandes partidos e políticos tradicionais enxergam a “Cidade Abelha”, onde o presidente Juscelino Kubitschek prometeu presentear o Planalto Central com a construção de Brasília, uma verdadeira vitrine. A empolgação é maior quando é verificado que pode ter chegado a hora do encerramento de um ciclo de poder: o do PMDB do prefeito Humberto Machado.

Começando pela força hegemônica política que governa a cidade há oito anos, tudo indica que o quadro que terá a incumbência de dar prosseguimento a este projeto de poder é o ex-deputado federal Leandro Vilela. Afastado do poder, ele não participou do pleito de 2014. Isso, de certo modo, foi pensado para que ele abrisse caminho à Câmara dos Deputados para seu parente, o deputado federal Daniel Vilela — atualmente presidente do diretório estadual do partido e em franca ascensão na política, tendo como mira o Palácio das Esme­raldas em 2018.

Ou seja, Leandro Vilela não deu adeus à política, apenas disse um até breve. E sua volta é planejada para este ano com o objetivo de alçá-lo à Prefeitura de Jataí. O prefeito Humberto Machado sabe que precisa de um candidato consistente para substitui-lo. Ninguém é tão consistente quando Leandro Vilela, porque consegue “andar” com as próprias pernas, sem a tutela do prefeito. Isso porque o possível pré-candidato — oficialmente ele ainda não se manifestou, mas os bastidores dá quase como acertada sua vinda à disputa — peemedebista tem muitos anos de Brasília e conseguiu verbas vultosas para a cidade quando parlamentar.

Como ainda não é oficial a pré-candidatura de Leandro Vilela a prefeito, Humberto Ma­chado já estaria articulando dois outros nomes: o do secretário de O­bras, Tales Machado, e o do vereador Carlos Miranda. Os dois são considerados políticos de relativa qualidade, mas não “an­dam” com as próprias pernas. Precisam das pernas de Ma­chado. O fato é que qualquer po­lí­tico bancado pelo prefeito co­meça forte, mas não procede que tenha condições de eleger o poste dos postes.

Pelo que parece a notícia da desistência de Leandro Vilela mexeu com a política em Jataí e não faltam políticos se colocando como pré-candidatos. O produtor rural Victor Priori (PSDB), que estava afastado da cena, voltou a admitir que tem interesse em disputar a prefeitura. Apesar das sucessivas derrotas nas urnas, ele que é um dos maiores produtores de soja da região, com negócios em diversas atividades econômicas relacionadas ao campo, acredita que desta vez, se for candidato, a história poderá ser diferente.

Pelo PSDB, o vereador Vini­cius Luz deve ser homologado pré-candidato a prefeito. O estudante de Direito da Univer­sidade Federal de Goiás (UFG), que cumpre seu primeiro mandato no Palácio das Abelhas (sede da Câ­mara Municipal em Jataí), acredita que pode reunir os demais par­tidos da base aliada do governo estadual na cidade (PSD, PR, PTN e PP).

Reunindo as legendas governistas, Vinicius Luz afirma que após a consolidação da aliança começará a formatar um plano de governo a ser apresentado ao eleitorado jataiense. “Nossa discussão vai ser de ouvir a população, com reuniões setoriais para que possamos acatar as sugestões da comunidade”, diz.

E Victor Priori? Como ficaria sua situação no PSDB, levando em consideração que ele sempre mantou grande estrutura de campanha? Segundo Vinicius Luz a situação deste quadro é a seguinte: se Leandro Vilela declarar que é pré-candidato, ele sairia do processo. Caso o contrário, Victor Priori se colocaria a como o segundo pré-candidato. “Porém, aí ele colocaria as coisas de cima para baixo, diferente das discussões democráticas do partido”, diz Vinicius Luz.

PT, PTC e PRTB: três postulantes à terceira via

Eroni Toledo deve ser o pré-candidato a prefeito do PT

Eroni Toledo deve ser o pré-candidato a prefeito do PT

Ante o vácuo político, gerado pela possível desistência de Leandro Vilela, o PTC pode bancar o empresário Vinicius Maia para prefeito. Segundo ele, o município é comandado pelo mesmo grupo político há 40 anos, portanto estaria chegada a hora da mudança. Ele já conta com o apoio de Fernan­do Meirelles e do deputado Cláudio Meirelles (PR). “Sou o nome da terceira via, o novo de fato”, disse em entrevista a uma coluna do Jornal Opção.

Outro partido que, em breve, deverá oficializar uma pré-candidatura é o PT — que é aliado do PMDB. O presidente do diretório municipal da legenda, o empresário Eroni Toledo é o possível nome a ser alçado à disputa pela Prefei­tura. O presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Jataí (Sindjataí), Leo Silva é pré-candidato pelo PRTB. O “nanico” deve agregar bases ligadas ao funcionalismo público jataiense.

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