Iris vai ajudar ou atrapalhar candidatos?

Disputando ou não, o decano emedebista sempre foi forte cabo eleitoral. Mas com sérios danos de imagem diante da severa crise econômico-financeira da Prefeitura de Goiânia, ele terá poder para o bem ou para o mal este ano?

Iris Rezende
Crédito: Edilson Pelikano

Iris Rezende é o mais longevo político em atividade em Goiás. Sua primeira eleição ocorreu em 1958, quando ganhou mandato de vereador na capital. Quatro anos mais tarde, em 1962, se elegeu deputado estadual. Em 1965 ganhou a terceira disputa consecutiva, para prefeito de Goiânia. Cassado pelo regime militar em 1969, voltou à militância política em 1982, quando foi eleito governador, cargo para o qual retornou em 1990. Em 1994, foi eleito senador. Em 1998, quando se lançou mais uma vez candidato ao governo estadual, experimentou pela primeira vez o gosto amargo de uma surpreendente derrota. Foi eleito prefeito novamente em 2004, reeleito em 2008 e voltou a vencer em 2016. Um baita e vitorioso currículo eleitoral, apesar de ter sofrido outras derrotas além da ocorrida em 1998 – perdeu a reeleição para o Senado em 2002 e foi derrotado na disputa pelo governo em 2010 e 2014.

Com tanta história, que revela sua enorme proximidade com o eleitorado de uma forma geral, Iris também sempre conseguiu ser importante cabo eleitoral. Em 1986, Henrique Santillo estava em dificuldades contra Mauro Borges. Ele conseguiu uma façanha extraordinária ao vencer a mais disputada de todas as eleições em Goiânia — diferença de menos de 20 votos —, mas para isso ele teve que se concentrar na capital. Coube a Iris fazer a campanha peemedebista no interior. Santillo venceu.

Em 1994, o então vice-governador Maguito Vilela encontrou em Iris Rezende, que disputou mandato de senador, um cabo eleitoral que fez uma grande diferença. Isolada­mente, Maguito não seria adversário à altura das popularidades dos então deputados federais, hoje senadores, Ronaldo Caiado e Lúcia Vânia.

Em 2012, o prefeito Paulo Garcia (recentemente falecido) que havia substituído Iris Rezende na Prefeitura de Goiânia com a desincompatibilização dele para disputar o governo estadual em 2010, enfrentava problemas bastante sérios em matéria de popularidade. Fiel a Iris, Paulo manteve cumpriu a parte que lhe coube no mandato de forma extremamente discreta para permitir que o peemedebista permanecesse na crista da onda da popularidade. A estratégia não funcionou na disputa para o governo estadual, e ainda complicou muito a situação de Paulo na reeleição. Iris foi fator decisivo na virada que aconteceu naquela disputa, que terminou inclusive com a vitória de Paulo Garcia já no primeiro turno.

E agora?

Se o histórico de Iris é bastante substancial em número e importância de vitórias, seu desempenho como cabo eleitoral em momentos decisivos também é. Em outros tempos candidatos sonhavam com o apoio dele nas eleições. E a última vez em que isso aconteceu foi exatamente em 2012.

Nos tempos atuais talvez já não seja esse o caso. Ele já não detém a hegemonia estadual do PMDB, embora se mantenha como principal referência no diretório metropolitano. É exatamente graças a esse trunfo que a candidatura do democrata Ronaldo Caiado sobrevive dentro da disputa interna contra o peemedebista Daniel Vilela. Fora do âmbito partidário, e quando se aborda a questão diretamente eleitoral, o apoio de Iris Rezende nas eleições deste ano dificilmente terá o peso que já teve em disputas anteriores.

A imagem da administração de Iris em Goiânia foi duramente atingida por ondas negativas durante todo o ano passado, e não existem muitos indicativos de que vá melhorar substancialmente até meados deste. Pode ser que na segunda metade do atual mandato, portanto a partir de 2019, a situação seja bastante mudada. Antes disso muito provavelmente não. Os problemas do cotidiano da Prefeitura não apenas surgem o tempo todo como explodem como crise vez ou outra. Numa análise rigorosa, o único setor que não colapsou até agora, embora tenha passado por altos e baixos, é o de manutenção da malha viária. Saúde, educação, trânsito, coleta de lixo, todas funções basilares nas administrações municipais, não estão funcionando bem. Aliás, quando funcionam. Maioria do tempo esses setores somente reagem aos constantes agravamentos da crise permanente.

O prefeito também tem enfrentado problemas na relação política com a Câmara dos Vereadores. Mesmo quando obtém vitórias nas votações para matérias consideradas importantes pela Prefeitura, as negociações passam por intrincadas conversas individuais. Eleito para o comando de Goiânia, mas sem conseguir uma boa bancada de vereadores aliados, Iris é refém dos hábeis negociadores instalados na Câmara. Os desgastes são inevitáveis em situações como essa.

A soma de todos esses fatores indica que um candidato ao governo do Estado que queira realmente reunir condições de disputar pra valer o comando do Palácio das Esmeraldas pelos próximos quatro anos terá que manter relativa distância da administração de Iris Rezende. Enfrentar o governo estadual nunca é fácil. Enfrentar essa dificuldade carregando nas costas o peso dos desgastes da imagem da Prefeitura de Goiânia é tarefa certamente impossível.

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