Iris renega gestão petista em Goiânia, mas continua com gente sua na Prefeitura

Ex-prefeito busca se eximir da administração na capital, mas esconde do eleitor que ainda faz parte dela com indicações diretas na equipe

Ex-prefeito Iris Rezende tem responsabilidade no governo de Paulo Garcia em Goiânia | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Ex-prefeito Iris Rezende tem responsabilidade no governo
de Paulo Garcia em Goiânia
| Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Cezar Santos

Há algum tempo o ex-prefeito Iris Rezende resolveu “bater” na ad­ministração do seu sucessor em Goiânia, o petista Paulo Garcia. Esse posicionamento de Iris se deu a partir de um rompimento o­portunista do PMDB com o PT, quando as pesquisas mostravam que a gestão petista estava sofrendo desgaste e a associação com Paulo Garcia era prejudicial do ponto de vista eleitoral.

Atualmente, na campanha no rádio e na TV, Iris Rezende vem reiterando os ataques aos antigos aliados petistas. E o faz de forma cada vez mais agressiva, apontando problemas na cidade, criticando a gestão, dizendo que falta pulso por parte do prefeito.

Iris Rezende não detona a administração do antigo aliado por convicção, mas sim por estratégia eleitoreira. Faz isso de forma a marcar um distanciamento de maneira enviesada, como se ele, Iris, não tivesse nada a ver com a administração de Paulo Garcia, o que não é verdade.

O decano peemedebista parece pensar que os goianienses não têm memória e não se lembram dele, na campanha eleitoral na TV e no rádio em 2012, indicando Paulo Garcia como o nome ideal para sucedê-lo na Prefeitura de Goiânia. Aliás, em Goiânia, a coalizão PT e PMDB ganhou a prefeitura nas eleições de 2008 e de 2012. Reeleito Paulo, Iris continuou tendo, e que ainda continua, influência na atual administração de Goiânia.

Uma fonte de dentro da Prefeitura desde o primeiro momento da aliança PMDB-PT lembra que quando Iris se afastou e Paulo assumiu a prefeitura, este, até por espírito de fidelidade a Iris, não alterou o secretariado. Posteriormente, já no mandato da reeleição, em 2013, Paulo mexeu na equipe, mas não fez nenhuma alteração sem antes consultar o ex-prefeito. “Paulo ouviu Iris sobre todas as mexidas que pensava fazer, foi o que ocorreu na recomposição da CMTC. Ao pensar em convidar Murilo Ulhôa, sabendo das ligações anteriores deste com Maguito Vilela, Paulo ouviu Iris, que não pôs obstáculos.”

Essa fonte lembra que o PMDB continua firme na administração atual. E conta que o vereador Paulo Borges, ao ser convidado para a secretaria, veio abrindo uma vaga na Câmara para o primeiro suplente Eudes Vigor, do PMDB. “Não conseguimos trazer o segundo, o terceiro e o quarto suplentes, que eram do PT, para assumir cadeira na Câmara. E Paulo Borges, agora ao sair da secretaria e voltar para a Câmara, indicou um sucessor, também do PMDB. Andrey Azeredo, antes na Casa Civil e depois na SMT, só saiu da Prefeitura agora para se candidatar a vereador pelo PMDB em Goiânia”, diz a fonte.

Hoje se sabe que muitos dos problemas que Paulo Garcia enfrenta, e que prejudicam sua avaliação com os goianienses, foram herdados de Iris Rezende. Duas das áreas mais problemáticas da gestão de Paulo Garcia, por exemplo, a limpeza urbana e a saúde, foram herança de Iris. O lixo, apontado como principal problema nos últimos anos, curiosa e sintomaticamente, o comando da empresa que recolhe lixo, a Co­murg, foi presidida por indicados pelo PMDB, sob influência direta de Iris Rezende: primeiro Luciano de Castro e, depois, Ormando Pires Júnior, que embora filiado ao PT é primo do vice-prefeito peemedebista Agenor Mariano, sob total influência de Iris.

A saúde municipal, pela qual a gestão de Paulo é também muito criticada, tem como principal gestor o peemedebista Fernando Machado, que continua à frente da pasta até hoje. Fer­nando é uma indicação de Iris.
Ubirajara Abud, coordenador executivo da Unidade Executora do BRT na Prefeitura de Goiânia, é outro nome fortemente ligado a Iris e que continua no Paço Municipal. Abud foi diretor de infraes-trutura da Agência Municipal de Obras (Amob) até 2010, quando assumiu o cargo de diretor de projetos da A­gência Municipal de Trânsito, Trans­por­tes e Mobilidade (AMT). Foi presi­dente da Amob entre março e de­zembro de 2012 e assumiu a presidência da CMTC em janeiro de 2013.

Negar sua participação efetiva no governo municipal em Goiânia é uma estratégia eleitoral que pode até render alguns votos para Iris Rezende. Mas o eleitor mais bem informado sabe que isso é uma grande mentira com objetivo puramente eleitoreiro.

A presença de Iris Rezende era tão forte no governo petista, mesmo depois que ele se afastou e quando Paulo Garcia se reelegeu, que acabou gerando uma crise interna no PT. Petistas diziam que o prefeito era do PT, mas o primeiro escalão era do PMDB, quer dizer, de Iris Rezende.

O fato inegável é que “homens de ouro” de Iris Rezende ficaram quase seis anos no comando da gestão de Paulo Garcia.

Peemedebistas na gestão

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