Iris, mais candidato que nunca

O grande líder peemedebista admite ir para a disputa ao Palácio das Esmeraldas em outubro

Ex-prefeito Iris Rezende, pré-candidato “oficioso” do PMDB ao governo  de Goiás, disse ao vice-presidente da República, Michel Temer: “Vamos  ver se Júnior Friboi se viabiliza” | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Ex-prefeito Iris Rezende, pré-candidato “oficioso” do PMDB ao governo de Goiás, disse ao vice-presidente da República, Michel Temer: “Vamos ver se Júnior Friboi se viabiliza” | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Cezar Santos

Não há mais dúvida: Iris Rezende está no jogo da sucessão como o principal ator da oposição. Para isso serviu a visita que ele e sua mulher, deputada Iris de Araújo, fizeram ao presidente de honra do partido, o vice-presidente da Re­pú­blica Michel Temer (SP), na terça-feira, 11. O ex-governador e ex-prefeito é pré-candidato ao governo e, mais do que nunca, está no jogo.

Nessas alturas, já virou uma autêntica lengalenga a conversa sobre quem será candidato do PMDB, se Iris ou o empresário Júnior Friboi. Na verdade, a divisão no partido é natural, tem sido assim ao longo das últimas eleições, ou seja, nada de “anormal” está acontecendo. Por enquanto, “oficialmente”, digamos assim, o pré-candidato é Friboi, já que foi declarado como tal pela executiva do partido.

Mas só quem é muito inocente — ou quer ser inocente —, pode acreditar que numa eleição ao governo de Goiás, estando Iris lúcido, firme e forte, ele ficaria de antemão fora da disputa. No passado recente, Henrique Meirelles pagou para ver e perdeu. Ainda ontem, Vanderlan Cardoso (hoje no PSB) pagou para ver, e perdeu. A dúvida agora é se Júnior Friboi vai pagar para ver. E se pagar, vai perder, como perderam antes Meirelles e Vanderlan?

Voltando a Iris Rezende e sua agora clara, embora não oficial, condição de pré-candidato, analisemos a vista vice-presidencial e seus desdobramentos. No encontro com Mi­chel Temer, Iris sinalizou que pode assumir candidatura caso Friboi fracasse como pré-candidato. E o que evidenciaria fracasso para Friboi? Simples, a continuação de índices magros nas pesquisas de intenção de voto, o que seria o escancaramento dessa circunstância de inviabilidade eleitoral.

Pelo que consta, Michel Temer — que foi o grande incentivador da pré-candidatura de Friboi —, foi direto com Iris e perguntou “o senhor será ou não candidato?” Em entrevista ao Jornal Opção Online, Iris disse o que respondeu a Temer: “Não estou cogitando a possibilidade”.

Então a resposta de Iris contradiz o que se vem afirmando desde o início deste texto? Ora, nada disso, pelo contrário, apenas confirma, já que a linguagem da política pode ser tortuosa, e quando se diz sim, se quer dizer não, ou o contrário. Ocorre que neste momento, comecinho da segunda quinzena de março, não precisa haver, de fato, candidatura posta.

Principalmente em se tratando de alguém que se chama Iris Rezende Machado, um nome que tem respaldo popular e tem ressonância natural entre o eleitorado, ou seja, que não precisa fazer aquele trabalho básico de se tornar conhecido apenas para poder aparecer nas pesquisas. Justamente o contrário de Júnior Friboi — e também do pré-candidato do PT, o prefeito Antônio Gomide, que será objeto dessa análise mais adiante, uma vez que ele é parte interessadíssima na questão.

E mais, na conversa com Mi­chel Temer, Iris fez uma ressalva que é cristalina para a compreensão do momento. Ele disse que aguardará o desempenho do pré-candidato oficial Júnior Friboi, para então se posicionar definitivamente sobre a questão. “Ele (Friboi) está se esforçando, e visitando as cidades pelo interior. Vamos ver até a convenção em junho.”

Henrique Meirelles e Vanderlan Cardoso pagaram para ver e perderam, fracassando no projeto de candidatura ao governo pelo PMDB. Com Júnior Friboi vai acontecer o mesmo?

Henrique Meirelles e Vanderlan Cardoso pagaram para ver e perderam, fracassando no projeto de candidatura ao governo pelo PMDB. Com Júnior Friboi vai acontecer o mesmo?

Como se vê, nenhuma dúvida sobre a atenção de Iris sobre o que está acontecendo, mesmo assim, ele não admite que, se Friboi não se viabilizar, ele (Iris) sairá como candidato ao governo estadual. “Essa é uma decisão do próprio partido. Não vamos entrar em hipóteses, se não entraremos em controvérsias”, disse. Mas, nem é preciso dizer a quem o PMDB vai chamar se Friboi não estiver em condições viáveis no momento oportuno.

Por tudo isso, o por muito mais que isso, diga-se, ficou clara uma evidência: Iris não tirou definitivamente seu nome como possibilidade no jogo sucessório. Isso significa que a ala pró-Iris, constituída principalmente pelos chamados históricos, os militantes mais antigos, pode manter vivas as esperanças. E aí, tome torcida para que Friboi fracasse em suas articulações, que têm sido intensas nas últimas semanas.

Sobre as movimentações a seu favor, Iris Rezende afirmou que as enxerga com naturalidade, já que é um político experiente e ele se encontra bem situado em levantamentos de opinião — normalmente em segundo lugar, atrás do governador Marconi Perillo (PSDB), e até em primeiro, quando se trata de pesquisas estimuladas.

Iris disse que o almoço em Brasília foi uma espécie de homenagem à sua carreira política, de quase 60 anos — ele é um dos mais antigos políticos brasileiros em plena atividade, tendo sido vereador e prefeito de Goiânia, deputado estadual, governador por dois mandatos, senador da República, ministro da Agricultura no governo José Sarney e da Justiça no governo Fernando Henrique Cardoso (FHC).

Além de Michel Temer, estiveram presentes no encontro e terça-feira o presidente nacional do partido, senador Valdir Raupp (RO), e os presidentes do Senado (Renan Calheiros) e da Câmara (Henrique Eduardo Alves).

Segundo Iris, os morubixabas nacionais da legenda lhe pediram que acompanhe de perto o projeto político, tanto da oposição, quanto do próprio PMDB. Ele disse que não lhe foi solicitado ou sugerido que encabece a chapa majoritária ao governo, apenas que tente, a sua maneira, orientar o processo eleitoral a fim de manter a unidade dentro da legenda.

Sobre a situação de “estranhamento” que se instalou entre PMDB e PT depois que os aliados decidiram lançar a pré- candidatura de Antônio Gomide ao governo, Iris disse que o assunto “comporta conversação” Afirmou que a vinculação entre as duas siglas, em nível regional e nacional, foi assentada em ideais. “Vejo a união da oposição como essencial a nossa vitória”.

Candidatura do PT independe do PMDB, afirma Gomide

O outro pré-candidato da (ainda) aliança entre PMDB e PT, o prefeito de Anápolis, Antônio Gomide (PT), não se mostrou abalado com os desdobramentos da visita de Iris Rezende ao vice-presidente Michel Temer. A atitude de Gomide tem sido até meio blasé em relação aos peemedebistas. Em seu estilo normalmente franco, Gomide responde de forma direta a questionamentos tidos como delicados para o período pré-eleitoral no que se refere ao aliado PMDB.

Ele reitera que sua pré-candidatura foi colocada em sintonia com o PT nacional — há poucos dias esteve em Goiânia o presidente da sigla, Rui Falcão, para respaldar o prefeito —, e que o possível lançamento no final deste mês não depende do que o PMDB definir. Mesmo a possibilidade de interferência da cúpula de seu partido no sentido de dar aos peemedebistas a cabeça de chapa nos Estados em favor da reeleição de Dilma Rousseff não parece preocupar Gomide.

Ao ser perguntado se seu nome continuaria colocado no caso dos aliados lançarem Iris Rezende, Gomide responde um categórico “claro”, destacando que em menos de 60 dias de pré-campanha já está lado a lado com os outros prováveis nomes a serem lançados. “Tem pré-candidato que está em campanha há quatro anos, inclusive ajudando prefeitos a se elegerem, e eu não estou atrás dele”, disse Gomide sem citar nomes, mas obviamente referindo-se ao empresário Júnior Friboi.

Há uma reunião entre o PMDB e o PT nesta segunda-feira, 17. Gomide diz que não haverá novidades, já que o assunto é a união dos partidos e o PT já está definido com o seu nome. “Vai ter a pressão do PMDB pe­lo nosso apoio, mas a base do PT hoje quer uma candidatura própria e nisso contamos com o PT nacional.”

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Apoio de reitor

Na quinta-feira, 13, o prefeito de Anápolis ganhou reforço declarado do reitor da Pontifícia Universidade Católica (PUC-GO), Wolmir Amado, com quem se reuniu. Importante lembrar que o ex-reitor da Universidade Federal de Goiás (UFG) Edward Madureira se tornou petista e está com Gomide. O petista tem buscado estreitar laços com o meio universitário — onde o PT sempre foi forte —, colhendo informações para a elaboração de seu plano de governo. Gomide disse que a educação será o eixo de sua proposta de governo e de seu governo, se for eleito.

Wolmir Amado afirmou que a PUC vai se unir ao esforço do meio u­niversitário, somando-se aos intelectuais da UFG, para formatar um plano de governo consistente para An­tônio Gomide e que contribua pa­ra o crescimento e, também, para o de­senvolvimento de Goiás. O chefe da PUC considera que os métodos e­ducacionais no ensino médio em Goiás estariam defasados e que é preciso avançar nessa faixa educacional.

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