Indefinição marca chapas na pré-campanha

Principais partidos estão em conversações, mas traço comum é imprecisão de nomes para o Senado

Iris Rezende deixou de ser pré-candidato, mas quer disputar

Iris Rezende deixou de ser pré-candidato, mas quer disputar

Marconi Perillo: certeza como cabeça de chapa da base aliada

Marconi Perillo: certeza como cabeça de chapa da base aliada

Frederico Vitor

São quatro as cabeças de chapas até o momento: Mar­coni Perillo (PSDB), que vai tentar mais quatro anos a frente do Executivo estadual, e os três pré-candidatos da oposição, que são Júnior Friboi ou Iris Rezende pelo PMDB, Antônio Gomide (PT) e Vanderlan Cardoso (PSB). O calendário eleitoral detemrina que ao final de junho os partidos apresentem as chapas majoritárias que concorrerão ao pleito do dia 5 de outubro deste ano. Enquanto isso, nos bastidores, há intensa movimentação em busca das definições de alianças e das candidaturas a vice e ao Senado.

Na base governista, composta pelo PSDB, PP, PSD, PTB, PR, PPS, PRB, PV, PHS, PEN, PTdoB, PTC, PMN e PSL, segue o impasse em relação aos nomes que estarão juntos com Marconi no front eleitoral nas posições de vice e ao Senado. O atual vice-governador José Eliton (PP) pretende permanecer no posto e o deputado federal e ex-secretário da Casa Civil Vilmar Rocha (PSD) quer disputar a vaga ao Senado, dado o seu perfil de legislador e da força de seu partido, que é o segundo maior da base aliada marconista.

As pretensões eleitorais de Eliton e de Vilmar estão ameaçadas pelo deputado federal Ronaldo Caiado (DEM). Aliás, ele é cobiçado por praticamente quase todos os partidos — exceto o PT — que pretendem lançar candidatura ao governo, para compor na vaga ao Senado, cargo que o ruralista deseja disputar pela primeira vez.

Júnior Friboi é pré-candidato, mas pode deixar de ser

Júnior Friboi é pré-candidato, mas pode deixar de ser

Ronaldo Caiado: sofrendo resistência da base governista

Ronaldo Caiado: sofrendo resistência da base governista

Se a decisão de Caiado de compor a base governista for confirmada e aceita, por conta da histórica ligação do DEM com o PSDB em Goiás, se especula nos bastidores que Vilmar Rocha seria deslocado para a vice de Marconi, cedendo a vaga ao Senado ao líder do DEM. Deste modo, José Eliton disputaria uma cadeira na Câmara dos Deputados ou seria nomeado desembargador do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO).

Enquanto isso nos bastidores, tanto o PP quanto o PSD unem forças contra o ingresso de Caiado no projeto de poder da base governista. Pepistas e pessedistas argumentam, com razão, que as duas legendas agregam mais tempo de televisão do que o DEM. Porém, Caiado teria a favor o poder de agregar novos votos à candidatura de Marconi — mais do que Vilmar e José Eliton que são analisados como carregados pelo tucano.

Na última semana ventilou-se a notícia de que Caiado poderia ade­rir à base aliada na condição de fazer campanha solo ao Senado, sem subir no palanque de Marconi. Há dúvidas se o tucano-chefe aceitaria essa embaraçosa decisão.

Também na semana passada, o líder ruralista roubou a cena no último encontro do Solidariedade na semana passada, ao prestigiar o deputado federal Armando Vergílio (SD). Demais pré-candidatos, como Antônio Gomide e Friboi também compareceram ao evento realizado na Câmara Municipal de Goiânia.

Impasse peemedebista

O PMDB, a maior sigla de oposição em Goiás, está em meio a um processo interno traumático que resultou no isolamento do ex-governador e ex-prefeito de Goiânia Iris Rezende. O líder histórico, mesmo que meio jogado a escanteio, é o primeiro nome que vem a cabeça de Friboi para ocupar a vaga ao Senado. Acredita-se que se Iris concorrer à única vaga ao Senado, seria eleito por aclamação e, possivelmente, teria a maior votação ao Senado da história política de Goiás, arrastando assim votos para Friboi.

Sobrevive a ideia de que Iris de­ve ser o candidato ao governo de Goiás caso o nome de Friboi não decole nas pesquisas. Há um movimento articulado pelos iristas que tentam trazer o líder histórico novamente ao centro do jogo. Trata-se de um “sebastianismo” que, neste caso, se traduz pela inconformidade com a situação política de Iris que, mesmo melhor posicionado nas pesquisas ao governo, foi solapado pela força de Friboi e sua promessa de garantir uma estrutura eleitoral poucas vezes vista no partido.

Até o momento, o PMDB fe­chou aliança com o PRTB, PPL, PTN e PCdoB. Na sexta-feira, 16, a imprensa noticiou que o Pros abandonou o projeto político de Friboi, junto com precioso um minuto de televisão que a sigla agregaria. Além do nome ao Se­nado, a busca no momento também é pelo vice. A deputada fe­deral Flávia Morais (PDT) teria si­do sondada, apesar de que Van­der­lan Cardoso e Gomide também a cortejam para tê-la em seus pa­lanques. Armando Vergílio (SD) também é um alvo de Friboi, sendo que seu esforço de comparecer à festa do Soli­da­rie­da­­de, mesmo se recuperando de uma cirurgia, não teria sido de graça.

A chapa dos sonhos de Friboi é a seguinte: ele para governador, Gomide na vice e Iris para senador. Se não der, gostaria de pôr Gomide na vice (ou para senador) e Vanderlan Cardoso para senador (ou na vice). O problema é que Gomide e Vanderlan não querem saber do empresário. Friboi também não descarta ter Ronaldo Caiado como seu candidato ao Senado. Inclusive, essa é uma ideia defendida por seus escudeiros, como o deputado estadual Francis­co Gedda (PTN). “Aconselhamos o Júnior a procurar os outros dois pré-candidatos da oposição em busca de união de forças, inclusive o Caiado”, diz Gedda.

Vanderlan e Gomide estão correndo contra o tempo para definição

Antônio Gomide: vítima da “friboização” da campanha

Antônio Gomide: vítima da “friboização” da campanha

Vanderlan Cardoso: sem nomes para compor chapa competitiva

Vanderlan: sem nomes para compor chapa competitiva

O pré-candidato Vanderlan Car­doso (PSB) conta com o apoio do PSC e do PRP, além da Rede Susten­ta­bilidade, que está temporariamente agregado ao seu partido. O nome ao Senado de Vanderlan é o pro­cu­rador federal Aguimar Jesuíno da Silva (PSB). Natural de Iporá, a mesma cidade natal do empresário e ex-prefeito de Senador Canedo, Aguimar é ligado à Rede em Goiás. Embora a vaga ao Senado esteja temporariamente definida, o pré-candidato socialista já declarou que vai até o final buscar a adesão de Caiado, apesar do veto de Marina Silva, a candidata a vice-presidente de Eduardo Campos (PSB).

Vanderlan ainda não acertou o no­me de sua vice. Especula-se nos bas­tidores que Flávia Morais teria a pre­ferência, apesar de que a pedetista está mais voltada ao projeto de Friboi. Uma alternativa ventilada, na falta de opção, seria a do ex-governador Alcides Rodrigues. Se Vanderlan não colocar em prática sua estratégia eleitoral de buscar alianças que lhe deem mais musculatura política, vai acabar fazendo parte da estratégia de outro candidato. Como já mencionado, Friboi vai buscá-lo para conversações. Na semana passada, o publicitário e presidente regional do PRP, Jorcelino Braga, teve longa conversa com Iris Rezende no escritório político do peemedebista. O teor da conversa é segredo, mas dá para deduzir que é relacionado à provável fusão entre os dois grupos.

Gomide isolado

O ex-prefeito de Anápolis An­tô­nio Gomide segue em sua cruzada se apresentando pelo Estado co­mo pré-candidato ao governo de Goiás com chapa pura. Pode-se di­zer que o PT é a maior vítima de Jú­nior Friboi e sua promessa de estrutura de campanha que viabilizaria os partidos médios e pequenos para as eleições deste ano. Antigos parceiros como o PCdoB e PDT mostram-se entorpecidos e inclinados aos cifrões do magnata das carnes.

Na atual conjuntura, a ex-deputada Marina Sant’Anna, que desistiu de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, se pôs à disposição do PT para compor a chapa majoritária. Ela tem forte presença em Goiânia, atua ao lado de segmentos sociais diferenciados e é integrante da tendência política do ex-prefeito Pedro Wilson e do pré-candidato a deputado federal Olavo Noleto, além de ter o respeito do prefeito de Goiânia, Paulo Garcia. Ela seria a candidata natural ao Senado.

A vice de Gomide cairia ao ex-reitor da Universidade Federal de Goiás (UFG) Edward Madureira. O professor é respeitado na sociedade e tem uma força considerável na UFG. É um vice dos sonhos — inclusive de Júnior Friboi. Gomide é de Anápolis e Edward Madureira é de Goiânia, ou seja, poderiam em tese somar votos dos dois maiores colégios eleitorais do Estado.

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