Gomes tem trunfos para 2016 em Anápolis

Prefeito conta com a máquina administrativa e apoio do maior cabo eleitoral na cidade, o ex-prefeito Gomide

João Gomes: saindo na dianteira por ser candidato natural à reeleição

João Gomes: saindo na dianteira por ser candidato natural à reeleição

Henrique Morgantini
Especial para o Jornal Opção

João Gomes e o PT são os adversários a serem batidos em Anápolis. Há quem defenda de que dado o cenário atual, no qual o prefeito ascendeu ao cargo por decorrência da saída de Antônio Gomide para concorrer ao governo, a disputa do próximo ano se daria em condições de total igualdade. Uma disputa “japonesa”, como costuma-se dizer no jargão do politicamente incorreto da política.

Não é verdade.

A começar por dois inexoráveis fatos. O primeiro, por João Gomes ter o comando administrativo e político da cidade. É candidato natural à reeleição. E, depois, por ter ao seu lado o principal cabo eleitoral do município, Antônio Gomide, o prefeito mais bem votado do Brasil em 2012, reeleito com mais de 88% dos votos.

Alexandre Baldy: o deputado é pouco conhecido na cidade

Alexandre Baldy: o deputado é pouco conhecido na cidade

“Cabo eleitoral por cabo eleitoral, do outro lado tem Marconi Perillo”, o leitor me argumenta com pressa. Tem. Mas é preciso lembrar que: 1 – Marconi Perillo em quatro eleições que “disputou” como cabo eleitoral de candidatos da cidade jamais venceu; e 2 – de todas as eleições que disputou ao governo de Goiás, Marconi venceu em Anápolis ferozmente, exceto por uma, a última, na qual perdeu significativamente para outro adversário, justamente o ex-prefeito Antônio Gomide. No segundo turno, sem Gomide e na disputa com Iris, Marconi voltou a vencer com estrondosa vantagem. Isto mostra que o anapolino não cansou ou deu as costas ao tucano, apenas que, entre ele e o ex-prefeito, o eleitor local ficou com o petista momentaneamente.

Portanto, Gomes sai na frente. Tem ao seu favor, ainda, uma declarada simpatia do próprio governador Marconi Perillo. O tucano jamais se furta em elogiar o prefeito atual, com quem mantém relações de longa data desde quando Gomes sequer era vice-prefeito. Perillo o tem em boa conta e não pede segredo disto. Pode este ser um indicativo de que Marconi contemporize sua participação na eleição anapolina e deixe o caminho livre para atual prefeito? Pode, mas isto está longe de ter uma garantia. No entanto, é preciso lembrar que ele fez isto em 2012 com Gomide, de quem não nutria qualquer apreço pessoal mais elevado. Na época, apenas o DEM lançou candidato representando a base marconista e o governador nem pisou em terras anapolinas para pedir votos.

Frederico Jayme: afiadíssimo  na política de bastidores

Frederico Jayme: afiadíssimo
na política de bastidores

Além do candidato natural à reeleição, entre os partidos mais tradicionais, por assim dizer, duas legendas gigantes vivem um momento de reafirmação e até de refundação na cidade. Tanto PMDB quanto PSDB, que no cenário estadual polarizam há quase duas décadas as disputas pelo Palácio das Esmeraldas, tentam se renovar e encontrar lideranças locais para formatarem uma base política que tenha cara, nome e integrantes para, depois, tentar retomar o diálogo há tempos perdido com a população.

No PMDB, há uma espécie de Confraria do Café, que reúne políticos aposentados, empresários que já atuam em ritmo mais lento e outros interessados em política. Todos muito bons de papo e cheios de imaginação para criar histórias de bastidores e propagar o diz-que-diz. Cos­tumam se reunir, literalmente, nos cafés da cidade. E são estes no momento os mais argutos e organizados membros do PMDB que tentam se credenciar para lançar uma candidatura ao Executivo. Por enquanto, o nome ventilado na legenda é o do empresário Samir Hajjar.

Onaide Santillo: uma opção  de reserva pouco animadora

Onaide Santillo: uma opção
de reserva pouco animadora

Integrante de uma família tradicional da cidade, tenta capitanear esta missão de reavivar o PMDB. Pessoalmente Hajjar é próximo de Marconi, com quem mantém relações há mais de uma década.

No PSDB, a situação não é muito diferente, exceto de que nem o cafezinho está garantido. Dissipado em nomes isolados sem sequer formarem grupos, os tucanos anapolinos estão dispersos e as opções ventiladas são jogadas ao vento na crônica política. Não por acaso que o principal quadro lembrado não é nem mesmo anapolino. O empresário e deputado federal Alexandre Baldy é citado pela imprensa como uma hipótese dentro do modorrento quadro atual.

Pesa contra ele o fato de jamais ter tido contato com a cidade. Ernani de Paula que foi prefeito e era considerado “estrangeiro” mantinha uma consistente ação social em setores carentes e era proprietário de um enorme empreendimento rural modelo havia mais de 20 anos. Nas ruas, entre a população maciça que não acompanha a crônica política, ninguém sabe quem é o deputado. Se isto não é uma dificuldade já que o marketing está aí para corrigir estas deficiências, pelo menos não é uma boa forma de começar um projeto.

Pastor Victor Hugo Queiroz: ex-vice-prefeito ligado ao governo

Pastor Victor Hugo Queiroz: ex-vice-prefeito ligado ao governo

Mas o que parece pesar mes­mo sobre Alexandre Baldy é sua postura pessoal. Há quem diga que o deputado não quer se rebaixar à condição de prefeito de Anápolis para atingir o seu verdadeiro objetivo: ser candidato a governador de Goiás. A apresentação do projeto, ao que se comenta, o desmotivaria. Além disto, sua decisão de buscar o embate direto com Marconi Perillo na disputa pela presidência estadual do PSDB também o afasta de ser o ungido do governador para a cidade.

Baldy quer porque quer ser presidente, Marconi envia diariamente interlocutores para dizer que sua opção é por gestores políticos sem mandato, que possam viver o dia a dia do tucanato em tempo integral. Baldy insiste. Por fim, há quem diga que Marconi teria recorrentemente afirmado que não gosta da postura de Alexandre Baldy e que o tolera pelo profundo apreço que tem pelo seu sogro, o megaempresário Marce­lo Limírio, este, sim, um anapolino.

Não é difícil fazermos eu, que escrevo, e você, que me lê, um exercício do que podemos chamar de “imaginologia”, ou seja, nos permitir pensar com a cabeça de Marconi Perillo que, ao olhar para Baldy, deve comparar a vida política do deputado com sua própria trajetória como agente político desde os tempos do PMDB Jovem e das campanhas junto a Henrique Santillo. Ao pousar seus olhos de lince para Baldy numa perspectiva de oportunidades, Perillo deve pensar: “Ah, se eu tivesse tido essa vida mansa…”. A política tem dessas coisas.

Dois outros nomes são comentados com menos intensidade, mas que merecem mais e melhor atenção: o ex-conselheiro do TCE Frederico Jayme Filho, e o superin­tendente executivo da Indústria e pastor evangélico Victor Hugo Queiroz. São da seara política — o primeiro foi deputado e é um político de bastidores afiadíssimo, en­quanto o segundo é um líder religioso que já foi vice-prefeito da cidade quando mal saíra da adolescência – e o principal: ambos mantêm íntima e profícua relação com o governador. Podem ser, de fato, alternativas para que o PSDB local tenha um representante no pleito.

Ainda dentro do tucanato anapolino há o nome de Fernando Cunha, vereador que hoje empresta seu prestígio ao governo de Goiás. Completa o quadro a eterna ex-primeira-dama, ex-deputada e ex-candidata à prefeitura Onaide Santillo. Onaide é um quadro que o marido, Adhemar, mantém como uma opção prêt-à-porter caso os projetos em tubo de ensaio monitorados pelo Palácio não vinguem. Como “bola de segurança” está longe de ser uma opção animadora.

É curioso observar como a megalomania aplicada à vaidade tem espaço cativo nas formatações políticas. Qualquer reunião de grupos é, hoje, estabelecida nos moldes internacionais dos G’s. Em Anápolis, uma agenda comum de partidos nanicos com alguns quadros de fato atuantes em seus setores, mas sem qualquer respaldo ou reverberação política ou social se intitula sob o jugo de um potente “G4”. Este G4 é a colisão de PHS, PEN, PSD e PPS. Eles tentam se credenciar através de redes sociais ou grupos de serviços, como o Rotary, além de pequenos conglomerados de empresários. O “G” possui nomes que nem sequer conseguiram emplacar candidaturas à Associação Comercial e Industrial de Anápolis (Acia). Mesmo assim, sentem-se à vontade para se credenciar ao pleito do Executivo municipal. A política e, sobretudo, a democracia tem dessas coisas.

Nesta reunião de nomes, destacam-se o ex-vereador Domingos do Cedro, que teve um mandato juridicamente conturbado, o pastor evangélico e candidato derrotado a prefeito e a deputado, Elismar Moura, e ainda os empresários Vander Lúcio Barbosa, do ramo da publicidade, e Edson Tavares, responsável pelo comando do poderoso Porto Seco Centro Oeste.

Se política e socialmente os dois primeiros podem ter penetração mais apurada – um já teve mandato e o outro é um líder religioso – os outros dois quadros mantêm diálogos com segmentos empresariais ligados ao marconismo. Tentam juntar tudo isso para ver se dá um candidato. Por enquanto, não parece ser possível. Mas, novamente, a política tem dessas coisas e as surpresas estão aí para acontecer. E este passeio repleto de personagens, alguns folclóricos, está só começando.

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