Fundos imobiliários crescem como opção de investimento para médio e longo prazo

Relatório da Bolsa de Valores traz aumento significativo de novos investidores e colocam os fundos em destaque

O boletim de investimentos no segmento imobiliário, publicado mensalmente pela Brasil, Bolsa, Balcão (B3), revela aumento consolidado de novos investidores em Fundos de Investimentos Imobiliários negociados na Bolsa de Valores e coloca os fundos nos radares do mercado financeiro.

Os dados da B3 mostraram variação positiva de 10,62% de novos investidores entre março e abril deste ano. A quantidade saltou de 286 mil para 317 mil.

Há uma explicação para os fundos imobiliários crescerem num período curto de tempo: a valorização das cotas, pagamento de dividendos mensais – uma espécie de aluguel-, isenção de Imposto de Renda sobre os rendimentos e possibilidade de alta liquidez na compra e venda de cotas.

Os gráficos revelam que investidores começaram a aplicar mais em fundos imobiliários a partir de maio de 2017, após o número se manter estável entre março de 2013 e janeiro de 2017. Nesse período, a quantidade de pessoas com dinheiro em fundos se manteve na casa dos 100 mil.

Os novos investidores aumentaram a média diária de negociações de 46 mil, em abril de 2018, para 67 mil cotas nesse mesmo período de 2019. Entre 2014 e 2016, a média foi de 23 mil. A retomada começou em 2017, quando as negociações cresceram para 29 mil transações diárias.

Com o aumento de investidores, consequentemente aumentaram as opções de aplicação. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) registrou 427 novas opções apenas em abril deste ano. Já a B3 alistou 179 fundos fechados, onde as cotas não são negociadas.

No entanto, o aumento novos de fundos ocorre desde 2014, mesmo num ritmo menor. Naquele ano, a CVM tinha 249 fundos listados e o patrimônio líquido total alcançou R$ 97,54 bilhões.

Greice Guerra, analista de investimento da B3: “O mercado imobiliário começou a reagir do final de 2017 para cá”

A economista e analista de investimentos da B3, Greice Guerra, explica que o mercado imobiliário se recupera desde o final de 2017. “Esse crescimento é uma tendência que se concretiza na economia brasileira. Se pensarmos que a Taxa Selic estagnou em 6,5% neste ano e sem previsão de crescer, os FIIs se tornam uma excelente opção de rentabilidade, até maior que o CDI, por exemplo”, analisa.

Para avaliar esse progresso, Greice compara a subida do índice de Dividend Yield (DY), que mede a rentabilidade dos dividendos, em relação ao Certificado de Depósito Interbancário (CDI).

O DY atingiu 7.9% em 30 de abril de 2019, enquanto a taxa do CDI chegou a 6.34%.

Reformas

As reformas do Governo Federal, em especial a da Previdência, precisam ser aprovadas pelo Congresso Nacional a fim de alavancar as negociações na Bolsa e tornarem o Brasil mais competitivo para o mercado financeiro externo. “A Reforma da Previdência é decisiva para sinalizar ao mercado financeiro, principalmente, o externo”, avalia Greice.

A aprovação das reformas é de extrema importância para qualquer papel negociado trazer rentabilidade ao portador.

Se o governo não ajustar as contas vai ter que se autofinanciar. E isso acontece de duas formas: empréstimo ou aumento da inflação. “A inflação alta dispara a taxa Selic e os investidores vão para o CDI para ganhar mais e os papéis caem. Uma coisa encosta na outra”, afere Greice.

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