Forte em 16, base terá de se reinventar para 18

Oposição está desorientada pela 5ª derrota, e dificilmente conseguirá se reorganizar até as eleições municipais. Mas, depois a história é outra

Vanderlan Cardoso: o nome mais evidente da oposição para Goiânia

Vanderlan Cardoso: o nome mais evidente da oposição para Goiânia

Jayme Rincón: uma possível aposta da base marconista José Paulo Loureiro: outra possibilidade dos governistas

Jayme Rincón: uma possível aposta da base marconista
José Paulo Loureiro: outra possibilidade dos governistas

Afonso Lopes

Qual seria hoje o grupamento político com melhor perspectiva para as eleições municipais de 2016? Resposta fácil: neste momento, é evidente a enorme vantagem com que a base aliada pode se apresentar. Por vários fatores, mas principalmente porque os desencontros dos oposicionistas nas eleições deste ano ainda estão como feridas abertas, e pode levar algum tempo até que as coisas melhorem um pouco. Além do fato de que a derrota de Iris Rezende, a pior de todas em sua vida pública, quebrou o maior referencial que a oposição tinha no Estado. Para fechar o quadro negativo dos opositores, não há hoje um nome ou um partido que possa aglutinar.

Do outro lado, a base governista está vivendo uma temporada no nirvana. Naquela que deveria ser, depois de 1998, a mais difícil de todas as eleições, Marconi Perillo sobrou. De quebra, a base aliada diminuiu ainda mais o poder de reação da oposição na Assembleia Legislativa, e quase reduziu a pó a bancada oposicionista estadual em Brasília. Só não fechou com chave de ouro por causa da vitória do deputado federal Ronaldo Caiado, do DEM, para o Senado dentro da coligação com o PMDB. Ainda assim, é bem provável que Caiado tenha recebido forte votação dentro da própria base aliada. Aliás, uma pergunta que obviamente não terá como ser respondida, mas que é interessante, é se Caiado poderia ou não ter sido eleito mesmo numa chapa solteira, apenas com o DEM. Sabe-se lá. O que é certo, neste caso, é que ele sozinho foi mais forte do que todo o PMDB de Iris Rezende.

Referencial

Dificilmente os setores oposicionistas vão chegar às eleições municipais de 2016 com objetivo mais ou menos comum. Isso não significa que partidos como o PMDB e o PSB não vão conseguir eleger prefeitos e vereadores. Significa apenas que essas eleições vão ser muito mais iniciativas pessoais dos candidatos do que resultado de uma ação coordenada regionalmente.

É exatamente o oposto do que se pode esperar da base aliada estadual. O governador Marconi Pe­rillo e as demais lideranças de seu gru­pamento sabem que podem, e precisam, construir uma rede mu­nicipal fortíssima dentro de dois anos para só depois pensar no que vai se fazer em 2018. Isso significa que, ao contrário até do que aconteceu em eleições municipais anteriores, é possível que em 2016 a base aliada seja mais aliada do que nunca. Questão de sobrevivência.

Como sempre, algumas cidades são emblemáticas pelo grande número de eleitores que têm. Goiânia, evidentemente, é a principal dentre todas, e não apenas por ser o maior colégio eleitoral do Estado, concentrando mais de 21% de todo o eleitorado goiano. A base aliada não vence em Goiânia desde 1996, com o professor Nion Albernaz. Pode ser que em 2016 a base encontre um momento bem mais ameno para suas candidaturas.

Desde já, um nome da oposição tem se destacado, Vanderlan Cardoso. Seria ele, inicialmente, o mais perigoso adversário dos planos do Palácio das Esmeraldas. Mais até do que Iris Rezende, apesar da vantagem de 10% que o peemedebista conseguiu na capital contra Marconi Perillo. A derrota acachapante na disputa estadual e mais a campanha francamente agressiva, pode ter comprometido seriamente a sua imagem. Ele só se recuperaria se o governo Marconi não conseguir manter o otimismo com que contagiou os eleitores este ano. Só neste caso. Fora isso, uma nova candidatura de Iris, mesmo em Goiânia, poderá ser bastante perigosa para ele.

Com Vanderlan, o problema é outro. Se o PMDB não se aliar a ele e lançar candidato próprio, qualquer que seja, mais uma vez ele poderá nadar em raia isolada. E nesses casos a correnteza é sempre muito forte, e contrária. Ele teria, então, que agregar muito mais do que já conseguiu em toda a sua vida.

No PT, os problemas são bastante sérios também. Mesmo que a administração do prefeito Paulo Garcia consiga se recuperar plenamente, o que é possível, ainda assim o partido deve chegar em 2016 sem um grande nome. Nas três vezes em que venceu as eleições em Goiânia, o PT apostou em suas maiores estrelas no momento, com Darci Accorsi, em 1992, Pedro Wilson, em 2000, e Paulo Garcia, na reeleição de 2010. Desta vez, e pelo menos até aqui, o PT não tem nenhum nome referencial. Ou seja, o partido terá que apostar em uma novidade, o que sempre é um risco.

Base

Entre os aliados estaduais, embalados pela maior vitória de Marconi Perillo, já começam a aparecer inúmeras especulações. Jayme Rincón, presidente da Agetop e um dos mais próximos auxiliares do governador, não se declara pretendente, mas também não desencoraja uma discussão a respeito da disputa pela Prefeitura de Goiânia. Ele nunca foi testado nas urnas, o que pode ser um problema, mas ele é a “cara” da base aliada estadual, e certamente conseguiria agregar rapidamente. Até por uma razão pra lá de evidente: se ele topar mesmo a empreitada será porque recebeu o aval do líder do grupamento, o próprio Marconi.

Afastado durante todo o terceiro mandato, José Paulo Loureiro, que até já havia aparecido em listas anteriores como potencial candidato a prefeito de Goiânia, está de volta. Na administração, ele foi nos dois mandatos de Marconi o que Rincón representa hoje. Ou seja, é outro que se entrar na guerra certamente contará com o governador na retaguarda. Mas ele também, como Rincón, jamais disputou uma eleição.

De qualquer forma, e independentemente de nomes, a base aliada deve chegar a 2016 em condições bem melhores do que nas vezes anteriores. E pode ser que agora tenha chegado a vez de o PSDB encabeçar a chapa, coisa que não acontece desde 2000, com Lúcia Vânia, hoje no Senado. Afinal, o que está sendo montado agora é o imenso tabuleiro para o xadrez político de 2018. O governo terá que se reinventar de agora até lá. E se em 2016 a situação do momento é muito favorável à base aliada, para a sucessão de Marconi Perillo já surgem dois nomes fortíssimos: Ronaldo Caiado e Daniel Vilela.

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