Feira da moda de calçados Goianiacal chega a mais uma edição

Realizado de 12 a 14 de julho e voltado para os lojistas do setor, o evento recebe a designer e consultora da Assintecal, Flávia Vinelli

Em sua quarta edição, a Feira Goianiacal conta com rodadas de negócios e palestras, com o objetivo de apresentar melhorias no mercado de calçados do Estado | Foto: Divulgação

Em sua quarta edição, a Feira Goianiacal conta com rodadas de negócios e palestras, com o objetivo de apresentar melhorias no mercado de calçados do Estado | Foto: Divulgação

Yago Rodrigues Alvim

Conhecido por seu apelido, “Canarinho”, Josimar Teixeira entrou no ramo de calçados em 1976. Encantado pela banda de rock do Rio de Janeiro, Blitz, que nas décadas de 1970 e 1980 fazia sucesso — com canções como “A Dois Passos do Paraíso” (Será que ela está me esperando/Eu fico aqui sonhando/Voando alto, perto do céu), “Você não soube me amar” e “Biquíni de Bolinha Amarelinha”, ambas canções que dispensam versos, já autoilustrativas —, ele, o “Canarinho”, resolveu enfeitar os pés das moças com o melhor da moda e criou, assim, a Blitz Shoes.

Criada em 1984, a marca de calçados femininos existe até hoje; comercializada nacionalmente e até com muitas exportações já realizadas, como conta o próprio empresário. Também vice-presidente do Sindicato da Indústria de Calçados do Estado de Goiás (Sindicalce), Teixeira conta que, diante do atual cenário financeiro e econômico do Brasil, o segmento, como os demais, tem passado por grandes dificuldades.

Segundo ele ainda, os profissionais da moda, as pessoas da área estão inseguras, “afinal, muito tem se sacrificado”. Ele continua: “O Brasil tem vivido uma crise muito grande que há cerca de 20 anos não se via”. Ainda assim, ele se vê otimista e com muito a ser feito. Atualmente, encontra-se em São Paulo; mais especificamente, em Franca.

No município, há mais de 40 anos, teve início o que hoje é considerada uma das maiores feiras de calçados do Brasil, a Francal. Com o slogan “O Círculo Virtuoso dos Bons Negócios”, a Francal 2016 se consagra ainda como uma das promotoras de feiras de negócio da América Latina, sendo reconhecida por sua qualidade e seriedade diante os empreendimentos. A feira se desdobrou por muitas outras regiões, incitando os profissionais a se reunirem em prol da moda para os pés.

Surgiu, assim, a Feira de Calçados e Assessórios Goianiacal. Voltado para os lojistas, o evento chega a sua 4ª edição. Teixeira conta que a expectativa é grande, pois representa uma oportunidade de trocas e melhorias. “Estamos otimistas; alavancaremos bons clientes”, diz o empresário que, por meio do Sindicalce, leva seis marcas da moda de calçados goiana para a feira — elas são de Goiânia e Goianira.

A oportunidade surgiu devido à parceria da Goianiacal, firmada nessa 4ª edição da feira, com a seccional goiana do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-GO), com o qual o Sindicalce tem uma parceria por mais de 25 anos.

— Participei do segundo ano em que a Goianiacal foi realizada e volto agora. É uma feira que tem tudo para crescer, pois os profissionais do segmento de calçados têm procurado por feiras regionais, a fim de trocas e melhorias. Buscamos, com a parceria, motivá-los a vir à feira e, assim, prestigiar e valorizar o nosso trabalho, disse o empresário.

Teixeira também estará presente na Goianiacal, que será realizada de 12 a 14 de julho, no Espaço Savóia do KHotel, na capital goiana. Dentre diversas atividades, o evento, voltado para moda Primavera-Verão, conta com a participação da designer e consultora do núcleo de Design da Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal), Flávia Vanelli. A palestra proferida pela designer marca a parceira com o Fórum de Inspirações e antecipa, assim, as tendências para o Inverno 2017.

A feira

Voltada a empresários, estudantes e demais profissionais da moda, a feira Goianiacal é organizada e fomentada por um comitê de oito representantes. Divididos por departamentos (montagem, financeiro e marketing), Allyson Nilander, Marciovan Evangelista, André Pinna, Tarcísio Almeida, Tiago Furtado Bastos e Wagner Phillos se empenham para que tudo dê certo.

Bastos, gaúcho de Porto Alegre, começou a atuar no segmento em 1995, quando veio para Goiânia a fim de implementar uma marca de sapatos na região. Nos anos seguintes, ele se dedicou a outras marcas, mas sempre no intuito de fortalecer a moda e o mercado de calçados na capital. Também representante, Bastos cuida, na Goianical, da relação com o Sebrae-GO e com a Fe­deração das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Goiás (FCDL-GO), que também apoia o evento.

A fim de que a feira crescesse, alçasse um novo patamar na edição de 2016, ele diz que o comitê buscou o apoio do Serviço; e muito se conquistou. A já citada presença do Inspira Mais (Fórum de Inspirações) é uma das conquistas. Além dela, Bastos conta da qualificação proposta para o evento, a qual se estenderá para além dos três dias de troca. Lembrando as palavras da analista do Sebrae-GO, Vera Lúcia Elias de Oliveira, ele diz que “a feira não é um fim, mas sim um meio”.

Juntos, Goianical e a seccional do Serviço, têm desenvolvido uma agenda semestral que qualifique os lojistas e representantes. “Muitas vezes, o médio ou pequeno empreendedor não tem acesso à capitação; montaremos, assim, uma agenda para que eles vislumbrem, cada vez mais, melhores oportunidades”, diz.

Ele ainda lembra a conquista, por meio do Sindicalce; este levará seis fabricantes para a feira. A Belmira Mattos, a Zum cintos e a Blitz Shoes, do Teixeira, o tal “Ca­narinho”, são algumas das marcas que representam a região.

Fórum

“Ubuntu — eu sou porque nós somos” é o nome da palestra que a designer Flávia Vanelli profere na Goianiacal e que marca parceria com o Fórum de Inspirações | Foto: Felipe Colvara/Divulgação

“Ubuntu — eu sou porque nós somos” é o nome da palestra que a designer Flávia Vanelli profere na Goianiacal e que marca parceria com o Fórum de Inspirações | Foto: Felipe Colvara/Divulgação

A fim de promover o desenvolvimento de materiais inovadores que transmitam valores essenciais ao consumidor, o Fórum de Inspiração é um ciclo que se inicia na pesquisa em moda. O projeto conta com uma equipe altamente capacitada de profissionais que orientem as empresas. Estes, das mais diversas áreas da moda, procuram desenvolver produtos únicos e, ao mesmo tempo, globais nas empresas, para que se tornem mais competitivas no mercado.

A designer Vanelli vem à cidade, representando o Fórum. Ela profere a palestra “Ubuntu — eu sou porque nós somos”. Como diz Walter Rodrigues, também do Fórum, no inverno 2017, a força do coletivo é que se desponta. “Elegemos tonalidades vibrantes para encantar e dar vida aos produtos e festejamos a ideia da moda como aglutinador de forças para uma indústria mais forte e mais atuante”, diz.

Sebrae

De acordo com o diretor superintendente do Sebrae-GO, Igor Montenegro, muito tem sido trabalhado pelo Serviço com o propósito de contribuir, apoiar e fomentar o desenvolvimento dos pequenos negócios, estejam eles na cidade ou no campo.

— A atuação do Sebrae é sempre em parceria com entidades empresariais, instituições de ensino, de crédito, de pesquisa e com os órgãos governamentais. Desta forma, nós encontramos soluções conjuntas para o segmento da pequena empresa e otimizamos os recursos técnicos, financeiros e o conhecimento, com a oportunidade de atender e beneficiar cada vez mais um numero maior de empreendimentos, diz.

Diretor superintendente do Sebrae-GO, Igor Montenegro: “Goiás é um polo produtor e consumidor. Na Goianiacal, os empresários encontrarão inovações para o setor, uma rede de expositores e fornecedores” | Foto: Fernando Leite/ Jornal Opção

Diretor superintendente do Sebrae-GO, Igor Montenegro: “Goiás é um polo produtor e consumidor. Na Goianiacal, os empresários encontrarão inovações para o setor, uma rede de expositores e fornecedores” | Foto: Fernando Leite/ Jornal Opção

E é justamente por isso que o Serviço firma parceria com o Goianiacal, afinal de contas, o evento atende a cadeia produtiva do setor de calçados. “Goiás é um polo produtor e consumidor. Os empresários vão encontrar na Goianiacal lançamentos da próxima estação, conferir inovações para o setor, uma rede de expositores e também fornecedores de produtos e serviços”, diz.

A feira é uma ação de mercado que visa impulsionar o segmento, visto a adesão e confirmação das empresas expositoras, lembra o diretor que comemora: “As micro e pequenas empresas vão estar presentes no evento e o Sebrae é parceiro”. A analista Vera Lúcia também comenta o evento.

Primeiramente, ela lembra que o mercado calçadista goiano tem vivido uma crise em decorrência da disputa com os produtos importados e, claro, pelo atual cenário economico brasileiro. Assim, os empreendedores da área têm vislumbrado novas oportunidades. Segundo ela, o número de empresas que estão surgindo com novos calçados — por exemplo, alpargatas — é bem maior e elas são muito mais competitivas em relação às empresas de produtos mais caros e importados.

— Não é um momento muito propício, devido à crise que afetou a indústria de modo geral; o setor perdeu muito o fôlego e, por isso, tem buscado alternativas de negócios. Os chamados “outlets” são um exemplo. Eles também têm aberto lojas multimarcas, firmado parcerias. Isso é uma melhora na gestão, a fim de que se tornem mais competitivas. É um setor bem carente, é; e, por isso, o Sebrae tem se aproximado para apoiar na melhoria da gestão dessas empresas, afirma.

Analista do Sebrae-GO, Vera Lúcia: “Procuramos um modo para falar de tendências e, assim, poder integrar os fabricantes e lojistas do segmento” | Foto: Fernando Leite/ Jornal Opção

Analista do Sebrae-GO, Vera Lúcia: “Procuramos um modo para falar de tendências e, assim, poder integrar os fabricantes e lojistas do segmento” | Foto: Fernando Leite/ Jornal Opção

A percepção do Sebrae da fragilidade da cadeia de calçados, no estado, já data antiga. Para que pudessem, então, articular os diversos elos da cadeia, uma vez que já havia existia a agenda do Goianiacal, há três edições, o Sebrae se reuniu com o comitê da feira para discutir uma maneira de que não fosse apenas aquele momento de venda que é a feira — essencial, ainda assim —, mas que se pensasse de forma mais ampla a cadeia do calçado. “Procuramos um modo em que pudéssemos falar de tendências, comportamentos e integrar os fabricantes goianos, para que se apresentassem aos representantes, aproximando-os, criando oportunidade de integração. Foi com essa intenção que apoiamos a iniciativa”, afirma.

O Sebrae já tinha uma relação com a Assintecal, com a qual traria para a cidade os resultados da pesquisa do Inspira Mais, do Fórum de Inspiração. E, com a articulação com todos os atores do setor, criou-se então o momento na feira e para que a troca com os lojista fosse maior.

Vera destaca a palestra de Vanelli, que trará os resultados da pesquisa — “ela falará sobre toda a tendência de cores, comportamentos, e de como os fabricantes de roupas e calçados de modo geral podem se apropriar dessa pesquisa para desenvolver produtos inovadores”, comenta a analista. Além dela, fabricantes nacionais do setor de confecção de calçados vêm para a feira para uma rodada de negócios.

Ao mesmo tempo, o Sebrae tem articulado a aproximação de empresas de calçados de para que façam parte da feira. “A Goianical, que antes só trazia os representantes, hoje, tem a aproximação com o nosso mercado. Estamos mobilizando todo o setor da moda para que estejam lá, não só os calçadistas, como também os confeccionistas, de modo geral. Queremos que eles percebam as novas tendências e se preparem para boas compras”, diz animada.

O Serviço também ofereceu um curso de capacitação aos expositores. “Nós proferimos a palestra ‘Como participar de feiras’, a fim de que eles atendam melhor os lojistas que estarão presentes”, conta.

Expectativa

Além de aproximar o fabricante do representante, para que articulem negócios entre eles, o Sebrae também espera aproximar grandes fabricantes de assessórios e componentes, que geralmente estão longe dos confeccionistas. “Eles estarão aqui para rodada de negócio e queremos, ainda para os lojistas que estão vindo, oferecer um melhor conhecimento sobre moda; melhorar, assim, a qualidade das lojas, das vitrines e, consequentemente, que tenham melhores compras. Queremos que sobrevivam, afinal a criatividade é fundamental no mercado”, conclui.

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