Fechadas ao público, cidades turísticas padecem na crise do coronavírus

Normalmente entupidas de visitantes, pontos tradicionalmente turísticos de Goiás agora veem suas ruas desertas e seus cofres vazios

Pirenópolis está sendo uma das cidades mais afetadas pela perda de turistas / Foto: Wikimedia

As ruazinhas de pedras antes lotadas de gente para lá e para cá, agora estão vazias. Nas pousadas, restaurantes e cachoeiras, mal se vê alma viva. Assim está Pirenópolis, um dos principais polos turísticos de Goiás e do Brasil. O município, como outros que costumavam atrair turistas de todo o país e do exterior pelas paisagens deslumbrantes e pontos históricos, vê agora suas atividades murcharem como um balão depois que a crise do coronavírus se proliferou pelo Estado.

De acordo com dados do Ministério do Turismo, no ano de 2018 a cidade histórica de Pirenópolis chegou a figurar no topo do ranking do turismo nacional. A informação foi divulgada à época numa nova categorização do Ministério que identifica o desempenho da economia do setor nos municípios que constam no Mapa do Turismo Brasileiro. Conforme a pasta federal na ocasião, o crescimento no número de empregos formais no setor de hospedagem, bem como dos estabelecimentos formais de hospedagem, além do aumento do fluxo turístico doméstico e internacional foram determinantes para que o município subisse da categoria B, em 2015, para a categoria A.

A cidade foi fundada como um pequeno arraial em 1727, quando um grupo de garimpeiros submetidos ao bandeirante Anhanguera e guiado por Urbano do Couto Menezes chegou à região. Passados os anos, o município, que é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), atrai visitantes do mundo todo com suas ruas de pedra e casarios ainda no estilo colonial. Ou melhor atraía, uma vez que, pelo menos por hora, a cidade está absolutamente fechada para os turistas.

Desde o dia 18 de março, Pirenópolis não recebe mais nenhum tipo de turista para nenhuma atração. A pandemia do coronavírus, que tem feito vítimas fatais ao redor do mundo, fez com que as autoridades estaduais e municipais tomassem providências para que a Covid-19, doença causada pelo vírus, não se proliferasse na cidade. De acordo com a secretária do Centro de Atendimento ao Turista (CAT) de Pirenópolis, Lara Silva Castro, barreiras foram colocadas em todas as entradas e saídas e nenhum turista está autorizado a entrar na cidade.

“As atividades turísticas estão totalmente paralisadas. A gente não está recebendo turistas e está monitorando quem entra e quem sai. Então turista realmente está barrado, está liberado somente para moradores da cidade”, explica Lara.

A secretária conta que os principais pontos turísticos, como pousadas, cachoeiras, campings e restaurantes estilo bufê estão todos em estado de inatividade. Segundo ela, “o que abriu foi somente o comércio local, mas nada voltado para o turismo”. Lara alerta ainda que aqueles pontos turísticos do município que insistem em permanecer abertos estão sendo multados. “Já ocorreu em algumas casas de temporada e algumas pousadas também”, revela.

Ainda conforme Lara, o último feriado prolongado em Goiás teria gerado um fluxo de aproximadamente 10 mil turistas em Pirenópolis. Agora, graças ao coronavírus, ninguém pôde se encantar com as belezas da cidade histórica.

“Risco de falência aqui está muito alto”

Ao Jornal Opção, uma fonte ligada ao turismo de Pirenópolis, que não quis se identificar, manifestou preocupação com a situação da cidade. Segundo ele, não há qualquer previsão das atividades turísticas no local, e isso impacta diretamente nos comércios que têm no turismo sua principal fonte de renda. Ele conta que uma perda de metade da receita da cidade foi sentida com o bloqueio do município em razão da Covid-19. “Não tem o que fazer, o risco de falência aqui está muito alto. Não sei precisar quanto a cidade perdeu até agora, mas a gente pode falar aí em torno de 50% [da receita]”, revela.

Entretanto, ele adiantou que alguns setores comerciais da região, como hotéis e restaurantes, estão num movimento de preparação de reabertura – uma reabertura que deve ser considerada uma nova era no turismo. “Estamos nos preparando para novos modelos, novos protocolos de atendimento. Nós não sabemos quando será feita a abertura, mas a gente sabe que vai ser um dia, e a gente sabe que não será igual antes, será um novo tipo de turismo, uma nova forma de agir”, conta. Ao Opção, ele contou que alguns acordos já estão sendo fechados com a prefeitura para que a reabertura do turismo, dentro dos novos moldes, seja executada.

Além de Pirenópolis, outros polos turísticos do Estado de Goiás têm se desesperado por uma solução que coloquei fim à crise gerada pela paralisação do turismo. Alto Paraíso de Goiás, na Chapada dos Veadeiros, que tem 14 casos suspeitos de coronavírus, foi outra região fortemente prejudicada pela pandemia e a interrupção das visitações turísticas. Recentemente, a prefeitura chegou a encaminhar um ofício ao Governo do Distrito Federal (GDF) solicitando ajuda para a criação de um possível plano de abertura gradual das atrações turísticas.

Catarata dos Couros, na Chapada dos Veadeiros / Foto: Wikimedia

O secretário de turismo e desenvolvimento econômico de Alto Paraíso, Moisés Bandeira Neto, afirmou que está recebendo ligações de empresários cobrando uma posição, mas que para isso “é preciso um plano de reabertura” que vai determinar o que será possível fazer. Entre as propostas, está até a possibilidade de criação de um tipo de passaporte para brasilienses para voltar a movimentar o turismo. Porém, a ideia ainda não passa disso: uma ideia.

Já em Caldas Novas, cujas águas termais também atraem visitantes de todos os cantos, já registra 25 dias de portas fechadas, com 80% na queda da arrecadação. Reuniões de entidades classistas têm sido realizadas com a gestão municipal para discutir uma possível abertura, mesmo que parcial, do comércio, mas nenhuma data foi definida.

Recentemente, o secretário municipal de turismo do município, Ivan Garcia Pires, declarou que a prefeitura tem seguindo recomendações de saúde, buscando o controle do vírus e retomada do comércio em geral. “Acreditamos que quando formos liberados para trabalhar, em poucos meses retornaremos nosso movimento regular”, garantiu.

 

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