À espera de um milagre na TV

Coligações do PSB e do PT não vingaram e candidaturas dos dois oposicionistas vão se arrastar até a última etapa da campanha, o que reflete a acirrada polarização entre Marconi e Iris

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Petista Antônio Gomide: chapa solo depois de ter tentado vários nanicos

Para quem se exibiu ao mercado político-eleitoral de Goiás como um prefeito consagrado, dono de um dos recordes nacionais em sua reeleição, a menos de dois anos, Antônio Gomide (PT) deixou a Prefeitura de Anápolis no início do mês de abril cheio de esperanças, mas desde então nada mais deu certo. Seu colega de infortúnio é Vanderlan Cardoso (PSB), que saiu das eleições de 2010 pronto para disputar mais uma vez o cargo de governador do Estado. Vanderlan promoveu certo barulho, quase decolou, mas permaneceu estacionado.

Vanderlan Cardoso: coligação anêmica apenas entre PSB, PRP e PSC

Vanderlan Cardoso: coligação anêmica apenas entre PSB, PRP e PSC

Ambos sofrem, cada um à sua maneira, as consequências de uma das maiores polarizações da política estadual. Jamais, desde o retorno das eleições diretas para governador, no início da década de 1980, dois políticos se rivalizaram tanto e por tantas vezes. Os discursos de que “Goiás está cansado disso” ou de que “é hora de mudar o disco” fracassaram completamente até aqui. Os goianos querem, sim, que os dois grupamentos continuem disputando voto a voto cada mandato.

Não é por outra razão que as coligações de Vanderlan e Gomide foram fechadas sem acrescentar absolutamente nada. Nem um naniquinho a mais do que já havia. Vanderlan começou com o PRP, do seu parceiro Jorcelino Braga, ex-secretário da Fazenda no governo de Alcides Rodrigues, e com o PSC, onde se encontra sua mulher. E é exatamente assim que ele irá para a campanha. Antônio Gomide nem isso conseguiu. Estava sozinho antes e não conseguiu agregar nem os velhos e tradicionais aliados, como o PCdoB, que fechou com o PMDB irista aqui, mas estará mais uma vez com a presidente Dilma Roussef em nível federal.

A falta de coligação consistente provoca dois problemas de uma só vez. O primeiro é flagrante e quase sempre debatido: tempo de rádio e TV. Quanto menor é a sopa de letrinhas partidárias da coligação, menor é a ocupação do horário de campanha eletrônica.

O segundo enguiço numa campanha sem grande coligação é a formação das chapas proporcionais. Candidatos a deputado estadual e a deputado federal competitivos são tão quase tão importantes quanto a campanha eletrônica. São eles que multiplicam as pequenas estruturas de campanha que se espalham por cada bairro em todas as cidades, por menores que elas sejam. Grosso modo, enquanto as candidaturas majoritárias, governador, vice e senador, se concentram no atacado, as centenas de candidatos à Assembleia e à Câmara dos deputados pulverizam as campanhas no varejinho.

Quanto ao tempo na TV e no rádio, Vanderlan e Gomide estão quase do mesmo tamanho, com alguma vantagem para o petista. O tempo de cada candidato é distribuído à razão de 1/3 igualitariamente entre todos, e 2/3 com base nas bancadas partidárias na Câmara dos Deputados. Isso vale para os blocos de programa no início da tarde e começo da noite, na TV, e pela manhã e início da tarde, no rádio, e também para as chamadas pílulas, os comerciais de 30 segundos que são distribuídos em meio aos blocos normais da programação das emissoras.

Como não vão poder contar com grande rede de candidatos a deputado estadual e a deputado federal, Gomide e Vanderlan se agar­ram à última esperança, que é arrebatar as sensações nos poucos minutos que eles vão ocupar na campanha eletrônica. Para quem se anunciava como competitivo, este início de campanha, e essa única esperança representam muito pouco. Vanderlan e Gomide se colocam neste momento à espera de um milagre na TV e no rádio. É o que res­tou da polarização Marconi e Iris.

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