Encontro Estadual de Empreendedores do Leite leva expertises ao segmento

Em sua primeira edição, o evento conta com palestrantes nacionais e traz temas que atendem desde o pequeno produtor ao grande empresário

No estado goiano, mais de 60 mil produtores se dedicam a atividade leiteira | Foto: Divulgação/Sebrae

No estado goiano, mais de 60 mil produtores se dedicam a atividade leiteira | Foto: Divulgação/Sebrae

Yago Rodrigues Alvim

Em Goiás, uma das produções que mais se destaca no meio rural é a leiteira. Não só, ela também é uma das mais carentes cadeias produtivas do ramo agropecuário. Aqui, são mais de 60 mil produtores, que se veem diante um mercado cada vez mais competitivo. Por isso e, claro, para não ficar atrás, a troca de expertises, a capacitação e outras atividades formativas têm se tornado essenciais para cada um deles.
Escalonados em três perfis, dentro de especificidades da produção e conforme uma tabela nacional, distinguem-se entre agropecuaristas familiar, patronal e empresarial. Voltado a todos esses, as seccionais goianas do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-GO) e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-GO), junto a Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (FAEG), realizam a primeira edição do Encontro Estadual de Empreendedores do Leite.

O vice-presidente administrativo e financeiro da Faeg e também superintendente do Senar, Eurípedes Bassamurfo, explica melhor esses perfis. O primeiro está ligado a esta agricultura de família, na qual o próprio dono cuida do pasto e de suas vacas, por exemplo. Já o segundo é o do empregador, que tem uma fazenda com as vaquinhas, mas que paga alguém para o trabalho exemplificado. O terceiro é o produtor-empresário que toca a propriedade à distância, pois ele conta com alguém responsável e, até, mais dez funcionários.

Superintendente do Senar e vice-presidente da Faeg, Eurípedes Bassamurfo sublinha que a cadeia é a mais carente e, por isso, o Encontro se torna essencial | Foto: Divulgação/Sebrae

Superintendente do Senar e vice-presidente da Faeg, Eurípedes Bassamurfo sublinha que a cadeia é a mais carente e, por isso, o Encontro se torna essencial | Foto: Divulgação/Sebrae

Bassamurfo diz ainda de alguns programas, como o Goiás Mais Leite — que utiliza a metodologia do Balde Cheio, da seccional de São Carlos (SP) da Empresa Brasileira de Pesquisa Agro­pe­cu­ária (Em­bra­pa), onde mais de 900 produtores trabalham — e outros, onde a maioria dos produtores é de renda familiar e tem se tornado empregador. O evento, portanto, vai de encontro com tais pontos: o mercado mais competitivo e suas demandas, a vontade de crescer dos produtores (nesses perfis) e que é, portanto, algo que já vem acontecendo. “Nós queremos, assim, melhorar a gestão deles”, diz.

O trabalhar terá foco na economia, no capital social, na gestão de pessoas e no empreendedorismo, de forma geral. “O evento oferecerá conteúdos, capacitações e terá a participação de palestrantes reconhecidos dentro e fora de Goiás e do Brasil”, afirma o diretor técnico do Sebrae-GO, Wanderson Portugal Lemos.

São muitas as vantagens; os participantes poderão ampliar suas redes de contatos, promover a troca de informações sobre tecnologias, sistemas de produção e impactos ambientais, econômicos e sociais, estes ocasionados com a produção do leite. Além disso, o diretor sublinha que é uma agenda fundamental para os produtores e empreendedores do setor, por meio da qual o Sebrae cumpre com a sua missão de apoiar e fomentar o empreendedores e os pequenos negócios. “O Sebrae está sempre de portas abertas para receber as demandas, apoiar, fomentar e trabalhar em prol do desenvolvimentos das pequenas empresas”, conclui Portugal.

Diretor do Sebrae-GO, Wanderson Portugal: “O evento oferecerá conteúdos, capacitações e terá a participação de palestrantes reconhecidos dentro e fora de Goiás e do Brasil” | Foto:  Divulgação/Sebrae

Diretor do Sebrae-GO, Wanderson Portugal: “O evento oferecerá conteúdos, capacitações e terá a participação de palestrantes reconhecidos dentro e fora de Goiás e do Brasil” | Foto: Divulgação/Sebrae

Já o economista Victor Antônio Costa, analista do Sebrae-GO, explica um pouco mais sobre a programação do Encontro. Dividido em duas etapas, cada uma em um dia, o evento tem dois públicos. No dia 19 de outubro, no auditório da Faeg, a vez é dos técnicos do programa Goiás Mais Leite, que trabalham com assessoria em propriedades rurais, na melhoria do leite e do manejo, dentre outros afazeres. No segundo dia, 20 de outubro, o encontro já será fo­cado nos produtores, nos empreendedores do leite, em geral; e, por isso, é aberto ao público em geral.

“Serão 14 caravanas do interior, com as quais trabalharemos duas temáticas, em dois painéis. No primeiro, será trabalhada a questão da economia, do capital social, isso na área de pessoas. Já o segundo painel é quanto à questão do leite, de como trazer a sua cadeia para um ambiente mais competitivo”, informa. Segundo ele, o produtor goiano tem deixado de ser competitivo por falta de inovação, de novas tecnologias, e o Encontro apresenta, assim, novas tendências e técnicas ao produtor para que ele melhor se destaque.

Victor ainda conta da expectativa do segundo dia, que uma vez aberto, pretende atender e levar informações a mais de mil pessoas. “Nós queremos que os participantes saiam com a mente mais aberta, que saiam mais abertos ainda às novas tecnologias e novos tipos de manejo, novas tendências de mercado, para que ele entenda a importância de se profissionalizar e se tornar mais competitivo no mercado”, afirma.

No segundo dia, todo empreendedor do leite pode participar. Gratuito, só é preciso se inscrever no site do Senar (www.senargo.org.br), onde um banner do evento redireciona a ficha inscrição. O certificado poderá ser retirado após evento, no site mesmo. “Não tem custo algum e nós ainda ofertaremos café da manhã, almoço e um café da tarde. Será no Clube de Pesca Lago Verde, saída para Inhumas e Goianira. É um espaço bem gostoso, a fim de trazer comodidade e conforto ao empreendedor”, complementa Victor.

Atrações

O superintendente Bassamurfo destaca as atrações do segundo dia. No primeiro painel, moderado por Portugal do Sebrae-GO, nomes como o do Dr. Paulo do Carmo Martins (Embrapa Gado de Leite) fazem do evento um momento especial. Paulo será o primeiro a palestrar; ele falará sobre a economia com foco na produção do leite.

Já Sérgio Soriano, da Fazenda Colorado, em São Paulo, contará um pouco mais de como gerir uma grande equipe, uma vez que sua fazenda produz mais de 60 mil litros de leite por dia. Fernando Cury Peres, da Escola Superior de Agri­cultura Luiz de Queiroz da Univer­sidade de São Paulo (ESALQ/USP), proferirá uma palestra com foco no investimento no capital social.

O segundo painel, moderado pelo próprio Bassamurfo, tem foco no empreendedorismo do leite em Goiás. Serão três produtores goianos: Rogério Trevisoli, de Caçu, que falará da produção de leite a pasto; já Márcio Ribeiro Pinto, de Itapuranga, dirá de sua atividade na Compost Barn, que é um sistema que vem crescendo em Goiás e que se envolve no conforto dos animais; por fim, Reinaldo Figueiredo, de Cristalina, proferirá sobre um sistema não tão conhecido e manejado em Goiás (aqui, são poucos os produtores dele), o chamado “Free Stall”.

Analista do Sebrae-GO, Victor Costa: “Queremos que os participantes saiam mais abertos às novas tecnologias, à profissionalização, para que se tornem mais competitivos no mercado” | Foto: Divulgação/Sebrae

Analista do Sebrae-GO, Victor Costa: “Queremos que os participantes saiam mais abertos às novas tecnologias, à profissionalização,
para que se tornem mais competitivos no mercado”
| Foto: Divulgação/Sebrae

Além dos painéis, será lançado no Encontro o programa de educação continuada e produção assistida, “Senar Mais”. Ele destaca que é um grande programa e que conta com um forte investimento: “Queremos, até 2017, ter 100 grupos, com média de 20 produtores em cada, assistidos”. Com mais de 200 soluções para o campo, o programa estará presente desde um diagnóstico primeiro, realizado por técnicos do Senar, até soluções específicas, tanto técnicas quanto gerenciais.

Para Bassamurfo, a expectativa não podia ser melhor. “Se o produtor que participar seguir o caminho que estamos mostrando, só terá a ganhar; pois ele saberá quando investir, quando dar um passo atrás, por exemplo. Conhecer a realidade do mercado, sem se esquecer de olhar para o que acontece dentro da propriedade, permite saltos incríveis”, diz. Ele ainda ressalta que esse é o primeiro encontro de outros que virão voltados às diversas cadeias produtivas do meio rural.

Vistas as grandes bacias leiteiras goianas, como a da região de Piracanjuba, é preciso sim atuar na melhoria de produtividade, na eficiência, no manejo da vaca, no momento certa de tirar o leite. Trabalhar toda a cadeia e não apenas dar alimento e tirar leite, mas planejar todo o processo. O cenário é muito interessante, mas tem muito a evoluir.

Por ser um país continental, lembra Victor, o leite percorre grandes distâncias, o que é um ponto complicador. Já o Uruguai, um país pequeno, tem excelência na cadeia leiteira, já que seu transporte, armazenamento e tratamento são facilitados. Mas nada que uma boa logística, uma boa tecnologia aqui não supra. E é isso que eles querem ensinar.

19 de outubro de 2016
Local – Auditório da Faeg (Goiânia-GO)

14h – Palestra “Terceirização de Serviços na Atividade Leiteira” com Marcelo Rezende (Cooperideal)
15h – Espaço reservado para perguntas
15h30 – Lanche
16h – Palestra “Gestão dos Recursos Hídricos” com Júlio Palhares (Embrapa Pecuária Sudeste)
17h – Espaço reservado para perguntas
18h – Encerramento

20 de outubro de 2015
Local: Clube de Pesca Lago Verde (Goiânia-GO)

07h30 – Inscrições e café da manhã
08h30 – Abertura e Lançamento do Programa “Senar Mais” (Educação Continuada/Produção Assistida)
Painel I – “Economia, Capital Social e Gestão de Pessoas na Atividade Leiteira” moderada por Wanderson Portugal (Sebrae)
09h30 – Palestra “Economia com foco na produção de leite” com Dr. Paulo do Carmo Martins (Embrapa Gado de Leite)
10h – Palestra “Gestão de pessoas na propriedade leiteira” com Sérgio Soriano (Fazenda Colorado)
10h50 – Palestra “Investimento no Capital Social” com professor Fernando Cury Peres (Esalq/USP)
11h30 – Debate
12h – Almoço
13h30 – Momento de descontração com Rádio Interativa
Painel II – “Empreendedorismo do Leite em Goiás” moderada por Eurípedes Bassamurfo (Senar-GO)
14h – “Pasto” com Rogério Trevisoli (Caçu-GO)
14h30 – “Compost Barn” com Márcio Ribeiro Pinto (Itapuranga-GO)
15h – “Free Stall” com Reinaldo Figueiredo (Cristalina-GO)
15h30 – Debate
16h – Palestra “Gestão da Atividade Leiteira – Assistência Técnica como fator de competitividade” com Carlos Eduardo Freitas
16h40 – Homenagem aos produtores de leite do Programa Goiás Mais Leite
17h – Encerramento

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