Empreendedores discutem inovação com diferentes perspectivas do mercado

Próxima edição do circuito de palestras Sebrae traz nomes reconhecidos em diversificadas atividades de investimento na iniciativa privada

Camilla Carvalho: “Circuito leva o empresário a refletir sobre o seu negócio em um mundo que se transforma a cada dia”

Erros e acertos são duas palavras conhecidas de quem tem a ideia maluca de empreender no Brasil. E são essas experiências que a nova rodada do circuito de palestras Sebrae trará a Goiânia na quarta-feira, 8. Com o tema “Inovação: com propósito e sem dinheiro”, o público da capital terá a oportunidade de conhecer, das 19h às 21h no Centro de Convenções, a experiência de três profissionais que arriscam suas fichas em negócios inovadores: Chris Taveira, Bruno Perin e Facundo Guerra.

O evento realizado pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Goiás (Sebrae Goiás) é gratuito e as inscrições podem ser feitas pela internet. Outra forma de se inscrever é pela central de relacionamento do Sebrae, no número 0800 570 0800.

Os três profissionais são vistos como referências na inovação e na economia criativa. Chris Taveira é a representante do Centro-Oeste, Bruno Perin é um gaúcho que mora em Vitória (ES) e Facundo Guerra nasceu na Argentina, tem dupla nacionalidade, vive e trabalha em São Paulo. Quem define o que o público encontrará no evento de quarta-feira é a anfitriã e mediadora da edição do circuito de palestras na capital goiana.

“As pessoas terão a oportunidade de ouvir e interagir com empreendedores que trazem consigo uma bagagem incrível de erros e acertos em seus próprios negócios, e uma vez que consigamos aproximar essas experiências da realidade dos participantes, fazemos com que as pessoas encontrem caminhos mais produtivos e inspiradores para continuar empreendendo”, descreve Chris.

O circuito de palestras Sebrae teve sua primeira atividade deste ano em Ja­taí no dia 16 de maio e já passou pelas cidades de Valparaíso, Jaraguá, Ipameri, Anápolis, Águas Lindas e Senador Canedo. Em agosto, o evento será realizado em Goiânia (8), São Luís de Montes Belos (9), Luziânia (14), Pirenópolis (15), Quirinópolis (16), Formosa (23), Mineiros (28) e Aparecida de Goiânia (30). Com outros 12 municípios goianos na agenda do circuito de palestras até o dia 29 de novembro, serão 27 datas organizadas e realizadas pelo Sebrae Goiás, todas com entrada gratuita.

Além do tema da inovação, serão abordados assuntos como gestão, liderança e mercado com a participação de diferentes palestrantes. No time de convidados do Sebrae Goiás para o circuito de palestras em 2018 estão Facundo Guerra, Christian Barbosa, Claudio Tomanini, Vandré Salles, Thatiane Deândhela, Janderson Santos, Chris Taveira e Aline Jajah. São empresários de sucesso e empreendedores que trazem experiências que podem inspirar o público a começar o próprio negócio.

Momento de refletir

Camilla Carvalho Costa, gerente de atendimento do Sebrae Goiás, destaca que o circuito de palestras é “um importante momento para que o empresário e o empreendedor possam ouvir e refletir sobre temas importantes que, no dia a dia das empresas, são ignorados”. “O circuito leva o empresário a refletir sobre o seu negócio na perspectiva de um mundo que se transforma a cada dia, impactando a todos nós. Será que estamos, na mesma velocidade, transformando nossos negócios?”, questiona.

De acordo com a gerente do Sebrae, inovar é uma ótima estratégia para criar ou expandir uma empresa sem investir muito dinheiro. Sobre a experiência que o público terá ao conhecer, por exemplo, a história de empreendedor da noite de Facundo Guerra, do Grupo Vegas, Camilla afirma que não existe mais o pensar em apenas um segmento no mercado. “Os negócios de diferentes segmentos e em diversas localidades concorrem e se completam no momento em que não há mais fronteiras de consumo e concorrência.”

Como novidade em 2018, o circuito de palestras terá um tempo dedicado à interação dos palestrantes com o público por meio de bate-papo para que os participantes respondam perguntas da plateia. “Trazemos três nomes importantes nesse ecossistema para apresentarem conceitos, casos, dificuldades e boas praticas”, descreve Camilla. Durante o evento, empresários e empreendedores poderão ouvir e refletir sobre “temas importantes que no dia a dia das empresas são ignorados”.

“A cultura de planejamento não é muito o forte dos brasileiros. O empreendedor não é diferente. Na vontade de transformar seu sonho em realidade, acaba não investindo o tempo necessário para estruturar minimamente seu sonho em um modelo de negócio. E sem isso acaba comprometendo de forma inadequada tempo, esforço e recursos”, observa a gerente de atendimento do Sebrae Goiás.

“Não sou do tipo de empreendedor que coloca dinheiro acima de qualquer coisa”

Facundo Guerra: “Empreendedor é um livre pensador que contesta as coisas como estão estabelecidas”

O argentino morador de São Paulo Facundo Guerra entende que os riscos de empreender na noite são muito mais altos do que qualquer atividade diurna convencional. “O que se aprende no campo de negócios do empreendedorismo de casas noturnas vale para qualquer outro negócio durante o dia. Trabalhar com a noite é trabalhar com riscos exponencialmente mais altos, ciclos mais curtos, valores de investimentos maiores do que no empreendedorismo diurno. Quando se é temperado pela noite você consegue fazer qualquer coisa.”

É com a bagagem de investimentos como a boate Vegas, que por seis anos ajudou a dar nova cara à região do Baixo Augusta, na Rua Augusta, em São Paulo, que Guerra, um engenheiro de alimentos e doutor em ciência política, prefere investir o lucro de uma casa noturna em um novo negócio. Dessa ânsia de aplicar em uma nova empreitada surgiram VOLTZ, Z Carniceria, Cine Joia, Lions Nightclub, Club Yatch, Riviera, PanAm, Frank Bar e o Mirante 9 de Julho.

“O que me empolga é ficar resolvendo problema. Às vezes encontro uma estrutura social como um bar, boate, arena para gamers, casa de shows, cinemas, para tentar resolver um problema e fazer os humanos se juntarem ao redor de um palco. Esse palco pode ser uma cozinha, bar, uma tela, um palco tradicional, mas eu quero construir lugares onde os humanos se encontrem. Esse é o meu propósito de vida.”

Para Guerra, empreender no Brasil é quase um suicídio pela dificuldade que o País coloca, além da falta de educação para pensar por conta própria, o que leva a uma alta taxa de falência de negócios de um modo geral. “O empreendedor é um livre pensador que contesta as coisas como estão estabelecidas e tenta estabelecer um novo caminho. É um cara que toma risco. Definitivamente é muito mais fácil ter um emprego do que empreender”, define. O homem do ano de 2016, de acordo com a revista VIP, afirma não se suicidar financeiramente, mas que o ganho vem de arriscar de forma calculada. “Eu tenho medo é de não arriscar. […] Risco envolve potencial de ganho. E a vida é saber administrar esses riscos e saber até onde você pode arriscar para não se machucar.”

Na hora de empreender, a defesa de Guerra é que a pessoa se eduque e tenha ao menos noções mínimas de tudo que envolve abrir um negócio. “Educação é a base de tudo. O empreendedor tem de ser um generalista.” De acordo com o investidor da noite, é preciso encontrar um bom problema para lidar ao pensar em uma atividade. “Não que eu não fosse feliz como executivo, mas descobri um propósito muito grande na minha vida. Sou muito mais feliz do que quando era empregado em uma grande corporação. Quando você segue um emprego e tem uma vida como executivo você não sabe o que é liberdade por ter sido criado dentro de uma gaiola”, defende a vida de empreendedor.

Facundo Guerra diz que palestra para ele nunca é algo pronto. “Simplesmente subo num palco e começo a falar de acordo com a vibração que sinto da plateia. É uma caixa de surpresas.” Sobre o contato para participar do circuito de palestras, ele diz acreditar que alguém leu seu livro, “Empreendedorismo para Subversivos – Um guia para abrir seu negócio no pós-capitalismo”, lançado no final de 2017 pela Editora Planeta. “A partir do momento que você não coloca o dinheiro como a primeira premissa para fazer um negócio você já está de alguma forma subvertendo o capitalismo. No meu livro eu defendo isso muito. Não sou do tipo de empreendedor que coloca dinheiro acima de qualquer coisa. Acho dinheiro muito importante, mas não me vendo por dinheiro ou faço qualquer coisa por ele.”

“Não invista em startups só porque ‘todo mundo’ está investindo nisso”

Chris Taveira: “Aprendizado para encontrar caminhos mais produtivos”

O alerta é dado pela mediadora do próximo circuito de palestras Sebrae, que será realizado em Goiânia nesta semana. Chris Taveira deixou a atuação na sua área de formação, publicidade e propaganda, quando ela e o marido tiveram a oportunidade de ser sócios franqueados de uma rede do Burger King. A família se mudou para o Rio Grande do Sul, cresceu em número de integrantes e só voltou para a capital goiana 12 anos depois. “O grupo se tornou o maior franqueado do Burger King no País com 70 restaurantes. Recentemente liquidamos nossa participação na empresa com o IPO [oferta pública inicial] do Burger King Brasil e uma gratidão enorme pela oportunidade que tivemos e por tudo que aprendemos.”
Até fundar a NorthON Invest, que, como o nome já indica, investe em startups no Brasil, Estados Unidos e Israel, em 2017, Chris passou cinco a­nos por experiências de investimentos-anjo e com participação em eventos sobre startups no País. Fez consultoria para empresas, governos e entidades como a Organização das Na­ções Unidas (ONU). Estudou na ESPM, Harvard Business School, Harvard Kennedy School e outras instituições.

“O mercado da inovação é um mercado mutante, e por isso nunca fico desligada. Sou uma pessoa curiosa e isso me ajuda muito, porque eu quero saber o porquê das coisas. Não tenho preguiça de investigar o problema, hipóteses, mercado, concorrentes.” Chris diz que não tem medo de se arriscar para conhecer pessoas e perguntar quando não sabe. “Muitas perguntas já me levaram a pessoas extraordinárias e projetos muito promissores”, lembra.

De acordo com a investidora, querer é um verbo que não leva ninguém a lugar nenhum. “Não adianta dizer que você quer inovar e não fazer nada pra isso acontecer. A resposta está em agir. Mergulhar no problema e entender quais os caminhos possíveis.” Chris observa que empreender é uma jornada dura que exige resiliência. “Quando estamos inovando de verdade batemos muita cabeça apostando em algumas hipóteses até finalmente encontrar o modelo certo para introduzir no mercado”, destaca. Antes de chegar ao modelo pronto, muitos são os nãos e portas fechadas, descreve a empreendedora. “Nem todo mundo está preparado ou disposto a enfrentar os riscos inerentes à inovação.”

Chris admite que o recurso financeiro é importante para fazer o negócio crescer, mas observa que “antes de sair buscando investidor é preciso saber como o dinheiro será gasto e por que”. “A Ramper, uma das startups do meu portfólio, é um ótimo exemplo. Dois empreendedores começaram com uma ideia num mercado que já conheciam e recentemente captaram uma rodada semente de R$ 1 milhão”, exemplifica.

A empreendedora reconhece que ain­da se conhece pouco sobre a matemática do negócio. “O fluxo de caixa e o ciclo financeiro podem quebrar uma empresa que tem excelentes produtos. O demonstrativo de resultados, embora seja um instrumento contábil, é ex­ce­lente para gerenciar os custos. É muito difícil ser bem sucedido sem co­nhecer as receitas, despesas e o lucro do negócio.” Para Chris, fazer um em­pre­endimento vingar é resultado de ações preventivas, como um bom plano de endividamento e de crescimento.

Assim como Facundo Guerra, Chris diz acreditar que a base do sucesso de um empreendimento está na base educacional e a noção que se tem da atividade. “Acredito muito numa correlação entre matemática e capacidade de planejar. Quando observamos a qualidade da nossa educação, a matemática chega a ser temida pelos alunos. A falta de intimidade com as exatas prejudica o raciocínio lógico, focado e organizado, que consequentemente se reflete na desordem de muitos negócios no Brasil.”

E mesmo com todo planejamento, que serve como um norte para a atividade, tudo pode acontecer diferente do esperado. “É preciso ter flexibilidade, mas sem abrir mão das evidências de que todos estão remando para o mesmo lado.” Chris afirma que o Brasil tem cérebros impressionantes e projetos extraordinários, mas a maioria dos segmentos apenas “assiste a ban­da passar” com poucos investimentos em novas iniciativas. “Não invista em startups só porque ‘todo mundo’ está investindo. Não abra uma aceleradora só porque ‘todas as empresas’ estão abrindo. As perguntas certas serão a chave para entender o que faz sentido para o seu negócio e como inovar para continuar no jogo”, orienta.

“Há diversos casos de pessoas que conseguem inovar sem dinheiro”

Bruno Perin: “As pessoas têm se preparado um pouco mais para investir no seu próprio negócio”

Autor do livro “Sem Dinheiro – Como construir uma startup com pouca grana”, o gaúcho Bruno Perin, que mora em Vitória (ES), defende que é possível inovar sem dinheiro. “Você tem diversos casos, inclusive o meu, de pessoas que conseguiram inovar e achar alternativas diferentes sem dinheiro.” Perin defende que ter um propósito ajuda porque cria uma necessidade mais definida. “As pessoas têm se preparado um pouco mais para investir no seu próprio negócio. O empreendedorismo está muito mais latente. Tanto as possibilidades, o acesso a informação, a casos de sucesso, como empreender tem se tornado algo cada vez mais acessível e perceber que é mais palpável. Isso faz com que as pessoas passem a se preparar mais.”

Para Perin, a dificuldade é o filtro do conteúdo adequado. Muita gente tem se espelhado em dicas de perfis e pessoas em redes sociais que não têm de fato conteúdo para contribuir na elaboração da proposta de empreendedorismo daquela pessoa. “A melhor forma de filtrar um conteúdo é identificar quem são as pessoas que se procura para entender melhor do assunto. A questão é saber de onde vem as informações que determinada pessoa tira esse conteúdo. Muitas pessoas não se aprofundam, acham que ler uma frase no Instagram é aprender algo.”
Na hora de planejar um empreendimento, é preciso transformar hipóteses em fatos. “Você imagina que exista determinado problema no mercado, que seria uma oportunidade, como você vai transformar isso em um fato, descobrir se é ou não?” Como investidor e empreendedor, Perin cultua há 12 anos o hábito de compartilhar os erros e acertos das apostas que fez em negócios.

Uma das atividades principais do investidor é o software Vem Pagar, no qual é feita uma negociação de inadimplência. “As empresas passam seus respectivos inadimplentes e o software procura da forma adequada os inadimplentes para conversar com eles de maneira inteligente, rápida e sigiliosa, para que a situação possa ser resolvida com oferta especial.” A meta para o fim do ano é atingir o valor de R$ 30 milhões, segundo Perin. Outra das atividades do empreendedor é o Brokers Advisor, uma plataforma voltada ao mundo imobiliário, com avaliações dos corretores.

Para o investidor, o mundo praticamente mudou nos últimos anos com o avanço das atividades das startups. “Nós estamos fazendo uma entrevista pelo WhatsApp”, cita uma das mudanças nas relações entre as pessoas Perin. Hábitos de consumo, relacionamentos amorosos, aluguel e compra de filmes, música, comunicação e novos negócios surgiram a partir da expansão do alcance da internet. “A revolução das startups começou justamente com o poder de tudo que a internet propicia ao empreendedorismo e na busca de novas soluções aos problemas existentes”, afirma. Como as startups nasceram com uma forma de empreender digital, Perin defende que isso implicou numa transformação no mundo dos negócios.

“A boa gestão da pequena empresa pode ser conquistada com muito trabalho e conhecimento”

Wanderson Portugal: “Sebrae tem por missão promover a competitividade e o desenvolvimento dos pequenos negócios

“Empresários e empreendedores goianos podem participar das próximas 21 edições do circuito de palestras que o Sebrae Goiás e seus parceiros vão realizar até o final do ano.” De acordo com o diretor técnico do Sebrae Goiás, Wanderson Portugal Lemos, ter como temas inovação e mercado é dar um auxílio importante ao público, seja ele empreendedor ou que ainda pretende investir em um novo negócio. “Uma boa gestão da pequena em­presa pode ser conquistada com mui­to trabalho aliado ao conhecimento. Os expositores abordam pontos essenciais para que os donos de pequenos negócios possam conquistar sucesso em seus empreendimentos.”

Lemos destaca as sete edições realizadas até aqui do circuito e a importância do evento de quarta-feira em Goiânia, no Centro de Convenções, e as próximas edições. “Na quinta-feira, 9, o circuito estará em São Luís de Montes Belos. A participação é gratuita.” O diretor técnico enfatiza o propósito do Sebrae, que é o de atender o maior número de empreendedores interessados em adquirir novos conhecimentos.

“O Sebrae tem por missão promover a competitividade e o desenvolvimento dos pequenos negócios. Ações como o circuito de palestras permitem que o público conheça empreendedores que fazem a diferença positiva com boas práticas de gestão em seus negócios.” Para Lemos, com atividades como o circuito de palestras, o Sebrae pretende, “de forma cada vez mais ágil e com qualidade, atender, oferecer capacitação e consultorias para empreendedores e empresários no Estado”.

O diretor técnico do Sebrae diz que os serviços da entidade estão à disposição de qualquer pessoa, que pode procurar um dos 40 pontos de atendimento físico da instituição em Goiás ou por meio virtual, no www.sebraego.com.br, e pela central de relacionamento, no número 0800 570 0800, para assistir a uma das palestras ou buscar outra atividade do Sebrae Goiás.

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