Em Edeia, PSDB e MDB se uniram contra DEM nas eleições de 2016

A união entre os partidos também se deu em outras três cidades do interior e prova que tal aliança não é impossível

O tucano Elson Tavares e o emedebista Thiago Borges se aliaram pela disputa da Prefeitura de Edeia | Foto: Divulgação

Com o fim da ditadura militar, integrantes do PMDB, como Fernando Henrique Cardo­so, Mário Covas e José Serra, saíram do partido e resolveram fundar o PSDB. Os dois partidos têm história em conjunto e já se aliaram em diversas eleições Brasil afora. Em Goiás, contudo, esta aliança nunca ocorreu na esfera estadual. Já no interior, PSDB e MDB caminham lado a lado em algumas cidades.

É o caso de Edeia, município de 12 mil habitantes localizado a 120km de Goiânia. Em 2016, o prefeito Elson Tavares (PSDB) venceu a disputa pela prefeitura pela quarta vez. Mas, diferentemente das outras três, o pleito daquele ano foi marcado por uma união inédita. O MDB sempre havia sido oposição até que o tucano convidou o emedebista Thiago Borges, que foi vereador de 2009 a 2012, para ser seu vice.

“Já conhecia o Thiago e sabia da sua vontade de trabalhar. Vi que ele tem futuro na política e resolvi fazer o convite”, explicou Elson Tavares ao Jornal Opção. O emedebista, hoje com 34 anos, aceitou a proposta. Juntos, obtiveram 68,44% dos votos válidos e derrotaram o único candidato da oposição, Waguinho (DEM), que ficou com 31,56%.

Para Elson Tavares, esta é uma união de sucesso, respeitosa e sem conflito de interesses. “Não nos confrontamos. Eu trabalho para o meu partido. Ele trabalha para o dele. E nós trabalhamos pela cidade”, frisa.

Thiago Borges ressalta que, acima dos interesses partidários, estão os interesses do município. Dessa forma, a política edeiense, segundo ele, não se dá de maneira raivosa. “Avalio como positiva a nossa união”, pontua. “É algo que tem dado muitos frutos. Utilizamos tudo o que for possível da força política do MDB para trazer benefícios para Edeia e o mesmo faz o prefeito com o PSDB.”

Não há, de acordo com Thiago, qualquer dificuldade em conversar com o governo estadual. “O MDB de Edeia respeita muito o PSDB e o nosso diálogo é totalmente republicano. Já representei o prefeito em algumas ocasiões e sempre fui muito bem-recebido”, sublinha.

Recentemente, tem sido ventilada a possibilidade de PSDB e MDB se unirem na disputa pelo governo nas eleições deste ano. “Seria muito bom para Edeia”, vislumbra Elson Tavares.

Outros casos
Em Mozarlândia, o cenário das eleições de 2016 foi idêntico ao de Edeia. O prefeito Adalberto da Pax (PSDB) e o seu vice, José Pessoa (MDB), derrotaram Walter (DEM). Já em Barro Alto e São Francisco de Goiás, os dois maiores partidos de Goiás também se aliaram, mas não enfrentaram candidato do DEM.

O prefeito de Barro Alto é Luciano Lucena (PSDB) e a vice é Adriana do Grimalde (MDB). Em São Francisco de Goiás, a prefeitura é comandada por Wilmar Ferreira (PSDB), com Professor Salaciel (MDB) na vice.

O Jornal Opção tentou entrar em contato com todos os prefeitos e vice-prefeitos mencionados na reportagem por meio dos telefones disponibilizados pelos diretórios regionais do PSDB e do MDB, mas obteve resposta somente de Elson Tavares e Thiago Borges.

2018

José Eliton, Daniel Vilela e Ronaldo Caiado: ventila-se a possibilidade de os dois primeiros se aliarem contra o terceiro | Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

No pleito para o governo estadual deste ano, há cinco pré-candidaturas postas: Daniel Vilela (MDB), José Eliton (PSDB), Kátia Maria (PT), Professor Weslei Garcia (PSol) e Ronaldo Caiado (DEM). O tucano, o emedebista e o democrata aparecem com as maiores intenções de voto e as especulações em torno de alianças também são altas.

Há uma ala dentro do MDB, liderada pelos prefeitos Adib Elias (Catalão), Ernesto Roller (Formo­sa), Fausto Mariano (Turvânia), Paulo do Vale (Rio Verde) e Renato de Castro (Goianésia), entusiasmada com a candidatura de Ronaldo Caiado e, por isso, os referidos políticos estão enfrentando um processo de expulsão do partido.

Ninguém do MDB defende abertamente uma aliança com o PSDB, mas alguns nomes importantes da sigla deram declarações importantes a respeito, como o prefeito de Goiânia, Iris Rezende, e o ex-governador Maguito Vilela, pai de Daniel.

Em entrevista ao jornal “O Popular”, Iris disse que, caso haja “justificativa e reação social favorável”, ele seria “sensível” à ideia. À rádio “Sagres 730”, Maguito afirmou que não vê motivos para uma conversa entre PSDB e MDB não acontecer. “Toda aliança é saudável. Agora, é lógico que existe uma rivalidade grande aqui em Goiás. Mas eu acho que ela já foi maior no passado. Então, há ambiente para conversar, sim.”

Ao Jornal Opção, Maguito explicou que defende a existência de diálogo, mas não necessariamente de apoio eleitoral. De qualquer maneira, o vilelismo não parece muito contente com a postura de Ronaldo Caiado de esvaziar o partido. Para Maguito, é algo que que está sendo feito “pelas portas do fundo.” “Fazer intriga em um partido para querer o apoio da legenda não é atitude de político sério.”

Esta não é a primeira vez — e provavelmente não será a última — que a família Caiado joga contra o MDB. Historicamente, sempre foram adversários. Em 1964, Emival Caiado foi um dos articuladores do golpe que derrubou o então governador de Goiás, Mauro Borges, do PSD, partido que daria origem ao MDB dois anos depois. Os Caiado apoiaram toda a ditadura militar, enquanto o MDB era o único partido de oposição ao regime. Além de Emival, Basílio Caiado e Leonino Caiado se destacaram pela defesa do militarismo e, consequentemente, disputa contra emedebistas.

Com esta estratégia de Ro­naldo Caiado, aumenta-se a chance de, em um eventual segundo turno, PSDB e MDB se unirem contra o DEM — há quem acredite que isto possa acontecer já no primeiro turno. De acordo com o ex-governador Marconi Perillo (PSDB), em entrevista ao Jornal Opção, está não é uma aliança descartada. “Se depender de mim, deixo as portas abertas para o segundo turno.”

Por fim, vale destacar que, a nível nacional, o presidente Michel Temer (MDB) já sinalizou possível apoio ao pré-candidato do PSDB a presidente, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin. O ex-ministro da Fazenda Hen­rique Meirelles (MDB) é um dos mais cotados para compor a chapa do tucano.

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