Em compasso de espera pra ver como vai ficar

Governistas querem deslanchar de vez com os programas eleitorais no rádio e na TV. Para a oposição, será o último cartucho

Fotomontagem

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Afonso Lopes

Tudo o que havia para ser feito antes da segunda e última fase da campanha eleitoral deste ano está concluído. A partir de agora, o jeito é aguardar pelos programas eleitorais no rádio e na TV, instância decisiva para a definição de quem será o próximo governador de Goiás pelos próximos quatro anos. As últimas pesquisas eleitorais têm mostrado sistematicamente uma acomodação dos porcentuais de cada candidato, e como a campanha de rua é muito complicada quando não apoiada pelo clima impregnado pela campanha eletrônica, não há muita coisa para se fazer. Esses números atuais não devem sofrer alterações bruscas importantes. No máximo, podem registrar alguma variação positiva ou negativa, mas nada muito relevante.

Isso significa que o quadro está definido? Sim e não. Neste momento, está, sim, definido que existem três blocos distintos no cenário eleitoral. O primeiro é composto pelo governador Marconi Perillo (PSDB) e por Iris Rezende (PMDB). O segundo tem Vanderlan Cardoso (PSB) e Antônio Gomide (PT). O terceiro reúne as candidaturas sem grande densidade eleitoral, com Marta Jane (PCB), Professor Weslei (PSol) e Alexandre Magalhães (PSDC). Então, essa é a parte que está definida atualmente, e assim deverá chegar ao período da campanha eletrônica. O que será definido depois são duas questões. Primeira, se haverá ou não segundo turno. Os números atuais indicam que, sim, haverá. Por fim, quem vencerá.

Nanicos

O terceiro bloco dos candidatos não tem muito o que sonhar mesmo restando a campanha eletrônica. Teria que acontecer uma hecatombe eleitoral antes que Marta Jane, Professor Wesley ou Alexandre Magalhães, pelo menos um deles, disparasse de tal forma ao ponto de ocupar a primeira ou a segunda colocação geral. Ou seja, eles vão jogar a eleição como espectadores privilegiados, nada muito além disso.

Marta Jane e Professor Weslei não têm nenhuma obrigação prévia de obter desempenho eleitoral consistente. O papel deles é aproveitar o espaço para pregar em nome dos seus partidos. Alexandre Magalhães nem isso precisa realmente fazer. Ele só entrou para cumprir exigência do diretório nacional do seu partido, o PSDC, que tem candidato à Presidência da República — o também nanico Eymael. Nenhum deles tem nem ao menos chapa levemente competitiva de candidatos a deputado estadual ou deputado federal. E também não vão ter grande espaço de tempo no rádio e na TV. Sem falar na militância, extremamente localizada e sem qualquer capilaridade em nível estadual. Eles, efetivamente, não entraram na campanha para disputar a eleição. E, fora a tal hecatombe, não vão disputar nada. Irão somente ocupar o espaço democraticamente destinado a cada um deles no rádio e na TV.

Grupo 2

As posições e objetivos iniciais de Vanderlan Cardoso e Antônio Gomide são completamente diferentes da situação dos nanicos. No início do ano, eles imaginavam que chegariam às vésperas da última fase da campanha muito melhores quanto às suas condições eleitorais. Vanderlan, por exemplo, o primeiro entre todos a se declarar candidato ao governo do Estado, chegou a sonhar com uma coligação bem maior do que essa que ele lidera, com PSB, PSC e PRP. Havia forte especulação de ele também contar com o PDT, liderado pelo casal George e deputada federal Flávia Moraes, e até do DEM, do deputado federal e candidato ao Senado Ronaldo Caiado. Não ficou nem com um nem com o outro. O PDT buscou viabilizar-se na coligação bem mais ampla, baseada na candidatura à reeleição do governador Marconi Perillo. Caiado até que estava disposto a fazer parte da chapa de Vanderlan, mas foi barrado pela candidata a vice-presidente, Marina Silva. O resultado disso é o quadro atual de Vanderlan, um candidato que não conseguiu crescer e, ao contrário, tem demonstrado cada vez menos densidade eleitoral nas pesquisas.

O petista Antônio Gomide foi quem pagou o maior preço político até aqui nestas eleições. Em abril, diante do impasse interno no velho parceiro PMDB, que vivia às turras entre Júnior Friboi e Iris Rezende, ele simplesmente abriu mão de quase três anos de mandato de prefeito da segunda cidade mais importante do Estado, Anápolis, para se lançar candidato ao governo. Passou mais de três meses imaginando que sua popularidade como prefeito anapolino capitalizaria seu nome na disputa para o governo, e talvez até seduzisse assim alguns partidos da base da presidente Dilma Roussef. Não aconteceu nem uma coisa e nem outra. Ele não surgiu como o tal fator novo arrebatador de multidões nem recebeu apoio de um único partido além do seu, o PT.

Gomide e Vanderlan vivem da mesmíssima esperança: que a campanha eletrônica finalmente acenda alguma luz no final desse túnel escuro em que estão suas candidaturas. É claro que essa não é uma tarefa qualquer, inclusive pela falta de recall no dia a dia que boas chapas de candidatos à Assembleia Legislativa e à Câmara dos Deputados ofereciam a eles. E, nesse ponto, a posição de Gomide é melhor do que a de Vanderlan, já que o PT tem melhores e mais destacados quadros do que PSB, PSC e PRP. Se os nanicos precisam de uma hecatombe total, Van­derlan e Gomide não estão muito longe em termos desse tipo de necessidade. Talvez uma hecatombe um pouquinho menor, mas não menos hecatombe.

Grupo principal

Iris Rezende e Marconi Perillo chegam à última fase da campanha em situação semelhante, mas não exatamente igual. O governador conseguiu formar a maior coligação e, com isso, tem excelentes chapas de candidatos proporcionais. Isso conta bastante na soma geral. Além disso, todas as pesquisas o mostram na liderança e com vantagem em torno de 10%. Ele também será o dono do maior espaço no rádio e na TV. Há dois objetivos bastante claros na campanha de Marconi nesta segunda e última etapa. O primeiro é não perder a vantagem que acumulou até agora. O segundo, romper a barreira dos 50% dos votos válidos e vencer já no primeiro turno, como aconteceu em 2002. Não falta tantos pontos assim, mas o pouco que falta sempre é o mais difícil. Por fim, caso não ganhe a eleição de primeira, Marconi vai tentar repetir 2010, quando assegurou uma boa vantagem no primeiro turno e venceu sem maiores problemas no turno final.

É exatamente a possibilidade de ser derrotado já no primeiro turno que se transforma em primeiro objetivo de Iris Rezende. O peemedebista vai jogar tudo o que sabe para levar a eleição para o segundo turno, quando passaria a ter a chance de, finalmente, derrotar seu maior rival político. Mais do que isso, como por exemplo chegar voto a voto, no final do primeiro turno, é seu grande sonho de consumo nestas eleições. Qualquer resultado melhor do que esse seria então o néctar do nirvana. Iris não é ameaçado na segunda posição nem por Vanderlan nem por Gomide. Mais do que isso, ele precisa torcer para que nenhum dos dois fique com menos fôlego na reta final. Por enquanto, são eles que estão mantendo a perspectiva de segundo turno.

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